segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Capítulo 26 - Desejos

Não pude ler mais no trabalho, o horário de almoço acabou e eu tinha muito a fazer.
Cheguei a casa e Kazuko foi com Takumi ao médico só por rotina e não voltaria tão cedo. Cumprimentei Keiko e me sentei na sala para ler mais um pouco. Era a anotação do dia seguinte e cobria o final de semana.
Diário,
já perdi as contas de quantas vezes eu e Makoto nos beijamos neste último fim de semana. Deve estar se perguntando o porquê. Calma, vou explicar.
Depois do que aconteceu no meu aniversário, eu consegui renovar meus ânimos e mandei aquela depressão embora. Também não conseguia parar de pensar nos dois beijos que Makoto me deu. Ambos foram de surpresa e eu gostei bastante. Estava querendo um terceiro. Tentava disfarçar a minha vontade, achei que estava fingindo mal, mas tem horas em que ele é um pouco tapado.
A manhã passou normalmente. Eu fiz o almoço e comemos. Sentamos no sofá e passamos a assistir a um programa qualquer. Estávamos lado a lado. Ele vidrado na tela e eu nele. A cada minuto, olhava para os lábios dele. Sei lá o que deu em mim, não pergunte! Fazia isso muito descaradamente e praticamente o tempo todo. Era óbvio que perceberia no mais tardar ou não. Então, me abordou:
-Kazuko, o que houve? Por que está me olhando o tempo inteiro?
Não sabia o que responder. Não queria ser sincera e falar: tô olhando pra sua boca. Beije-me de novo! Olhei-o nos olhos, alternei para os lábios e voltei aos olhos de novo. Tudo isso foi rápido, antes de eu roubar um beijo dele. Foi bem simples, já que não sou a pessoa mais experiente nisso. Segurei a nuca dele durante o processo. Separei-me dele e devia estar completamente vermelha. Não podia ter feito algo assim, haveriam consequências. Virei o rosto para o outro lado e a única coisa que saiu foi:
-Desculpa, Makoto.”
Admito que eu também estava de uma forma bem parecida. Só que a Kazuko é tão tapada quanto eu que nem notou. Estava na mesma que ela, sem coragem de tomar uma atitude, com medo da reação do outro. Cada um por uma questão diferente e talvez semelhante ao mesmo tempo.
Eu realmente não esperava isso dela. Alias, quantas vezes ela não me surpreendeu, não é?
Ficou um silêncio mortal por uns segundos. Já esperava que ele gritasse comigo, mas não foi o que aconteceu. Pegou no meu ombro e me virou, acabou acontecendo outro beijo. E este emendou mais outro e outro. Deitei-me no sofá e Makoto foi para cima de mim. Começou a acariciar meu corpo aqui e ali. Apalpou meus seios por baixo da blusa.
Acho que em uma situação normal (se é que isso existe entre nós) não faríamos algo assim. Com certeza, nenhum de nós dois estava em sã consciência.
A cada intervalo entre os beijos tirávamos uma peça de roupa, até que ficamos completamente nus. Não foi necessária qualquer troca de palavras para o ato ocorrer. Não éramos de palavras naquela hora. Makoto penetrou e em sequência, meu gemido. Começou o movimento que ele sempre faz, os beijos não cessavam. Alguns minutos passaram e ele finalmente gozou.
Pode até parecer que foi algo monótono de tão rápido e simples que foi. Contudo os beijos deram um algo a mais.
Só que aconteceu outra coisa: a vergonha. Pois é, minha consciência voltara. Olhei para Makoto e queria me esconder, só pude fazê-lo com as minhas mãos.
-Kazuko, o que foi? - indagou revelando minha face
Não sabia explicar porque me escondia, eu estava confusa e ainda estou. Respondi:
-Isso que a gente fez. - desviei o olhar”
Tem uma explicação bem óbvia para tal. Kazuko já ouviu alguma história de que a escrava e seu dono se beijavam? Claro que não. Isso é tabu! Uma coisa estranha para ela.
-Como fazemos todas as vezes.
-Não isso... A outra coisa.
-Que nos beijamos?
-É! Isso.
-O que tem demais? - ele pegou no meu queixo e me fez encará-lo – Existe alguma regra? - disse com mais vontade – E se eu quiser beijar você?
E foi o que fez. Roubou um, sufocante. Questionou:
-O que pode fazer?
-Nada.
-Vamos criar uma nova regra para isso: beijos são permitidos se qualquer um de nós estiver com vontade. De acordo?
Assenti e pulei no pescoço dele para mais um. E fizemos outra vez também. Ele acrescentou mais:
-Outro detalhe: só quando estivermos sozinhos. Não quero que fiquem comentando.
-Será nosso segredo então! - comentei risonha
Makoto riu. Vestimo-nos depois.
O final de semana não teve mais nada de muito interessante, fora os beijos do Makoto, é claro! Haha
Aproveitarei para passear pela cidade mais tarde.”
Segui para a anotação seguinte, que era antes do jantar daquele mesmo dia.
Olá diário!
Acabei de voltar do meu primeiro passeio sozinha em muito tempo. A última vez que o fiz, nem conhecia Makoto.
Arrumei-me após o almoço, peguei os documentos que tinha que levar e sai. Fui andando mesmo, é perto. Era um local bem chique e todos ficaram me olhando por conta de minhas roupas mais simples. Não comprei nada! Parei diante de um dos milhares espelhos que tem naquele shopping. Percebi o quanto meus cabelos estavam grande. Sei que os vejo todos os dias, porém só naquele momento que eu prestei atenção. Mal chegavam as minhas costas e já estavam quase na cintura. E a minha franja? Estava em conjunto com o resto do cabelo quase. Até tive paciência de cortar de novo, mas parei após alguns meses. Queria dar um jeito nisso. E o que vi atrás de mim? Um salão de beleza. Entrei lá e fui um pouco mal recebida.
-Boa tarde! - falei
-Boa tarde, senhorita. - notava-se o deboche
-Tem vaga para um corte de cabelo agora?
-Ter, eu tenho. Não sei é se a senhorita terá como pagar.
-Isso não é problema. - mostrei minha identificação
-Primeira vez que vejo uma escrava andando por ai.
Ela pegou aquele cartão e passou em sua máquina. Registrou tudo, inclusive o pagamento.
-Ah, eu eu gostaria de uma hidratação. - completei
-Claro!
Ela me disse o valor, devolveu minha identidade.
-Sente-se e aguarde só um pouco, Srta. Hirasawa.
-Obrigada!
Passaram-se alguns minutos e fui chamada. Ajeitei-me na cadeira e o cabeleireiro me cumprimentou sorrindo:
-Srta. Hirasawa, é um prazer cuidar deste belo cabelo. É um caso raro, primeira vez que temos uma escrava.
-Isso foi um elogio?
-Claro, querida. Alias, eu sou o Ono, Ono Shougo.
-É um prazer!
-Igualmente! - cruzou os braços – Então, qual será o corte?
-Eu quero essa franja de volta. - respondia alisando o cabelo – E tirar um pouco do comprimento e desfiando-o. Acha que fica bom?
-Até fica, mas ele está muito reto e continua assim. Que tal fazer em camadas?
-Vou aceitar a sua sugestão.
Ele sorriu. Lavou meus cabelos, fez a hidratação e depois o corte. Secou os meus cabelos e escovou-os. Finalmente pude ver o resultado.
-Maravilhosa. - Ono comentou – Seu dono vai adorar.
-O que importa é que eu gostei. - retruquei educadamente
-Posso te dizer uma coisa: seu dono deve gostar muito de você. - tocou em meus ombros e me olhou pelo espelho – Se ele te deu essa pequena liberdade, deve ter algo a mais entre vocês.
-Pode ser, né! - comentei sorrindo e tentando parecer indiferente
Levantei-me, agradeci e sai. Peguei o celular e olhei a hora. Estava perto de Makoto chegar. Caminhei um pouco mais depressa e cruzei com ele no elevador. Ele elogiou o meu quase novo visual. Disse que me deixou com um ar mais maduro. Entramos juntos e ele foi se trocar. Eu vim para cá. Agora é hora do jantar.”
Kazuko chegou com Takumi. Ela disse que correu tudo bem e que nosso filho está crescendo bem. Ela foi tomar banho e me deixou com ele. Fui obrigado a largar a leitura e dar atenção ao meu filho.

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