sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Capítulo 28 - Viagem à praia (Parte 1)

Mais alguns dias se passaram e eu conseguia intercalar as leituras do diário no trabalho, na hora do almoço, em casa, durante a noite e finais de semana. Todas as anotações estavam bem repetitivas. Kazuko realmente escrevia tudo, mesmo que ela tenha ficado deitada olhando para o alto.
Chegara em outra época da qual me lembrava: A nossa viagem à praia.

Já fazia uns dois anos que trabalhava sem tirar umas férias. Pedi-as a meu chefe e decidi viajar com Kazuko. Eu queria tomar um banho de mar e a minha esposa não o conhecia, então resolvi que faria os dois de uma vez só. Arrumei as malas e comprei roupas de banho para mim e para ela. Em uma bela manhã de Sol, acordamos cedo e fomos de carro. Ficaríamos na casa de veraneio da família.

A anotação seguinte era já do nosso primeiro dia lá. Como Kazuko escreveu escondida? Esperou eu dormir!

"Querido diário,

Aqui estou na casa de praia da família Miyasaki. É noite agora! Makoto está dormindo num dos quartos que tem lá em cima. Vim para cá para poder escrever com mais tranquilidade. Gostei bastante do dia de hoje, mesmo acontecendo algumas coisas estranhas.

Makoto e eu acordamos cedo, pusemos as malas no carro e fizemos uma viagem longa para chegar até aqui. No caminho, conversávamos:

-Muitas pessoas de Ioma tem casa lá. É um ótimo lugar para passar férias, você vai gostar!

-Mais um lugar para eu ser mal olhada por ser escrava e ainda mais por pessoas que nem me conhecem.

-Por que diz isso?

-Toda vez que saio, muitos ficam me observando. Sei que não é normal uma escrava andando livre por aí, mas, ainda assim, me incomodo.

-Entendo. - disse meio indiferente

Houve alguns instantes de silêncio, parecia que estava tramando algo. Ele finalmente revelou:

-Eu tive uma ideia para tirar uma folga disso. Tirar uma folga dessa coisa de dono e escrava. Uma brincadeirinha.

-E o que seria? - questionei curiosa.

-Vamos nos casar.

Olhei para ele perplexa e pedindo uma explicação com a careta.

-Quer dizer que vamos ser marido e mulher, por alguns dias. Algo como fantasia para nós e encenação para os outros.

-É uma boa ideia. - sorri - Tudo bem!

Eu devo estar é louca! Aceitei só para deixar ele feliz.

Eu tenho ficado com esse pensamento de que possivelmente eu esteja apaixonada pelo Makoto, desde que comecei a ir a alguns passeios com a Rin. Ela comentou tanto sobre isso e estou cada vez mais confusa. Ainda insisto que Makoto está apenas sendo legal (e humano) comigo, não que ele sinta algo por mim. Sei que ele faz as coisas para me que me sinta melhor, mesmo que só um pouco, e inconscientemente estou respondendo a isso também.

Só que as coisas que aconteceram hoje aumentaram estes sentimentos confusos."

Até eu já começava a me sentir um pouco esquisito nessa época. Não sabia bem o que era e não queria nem parar para pensar sobre isso.

"Mas, vamos pela cronologia.

Chegamos a uma cidadezinha, com algumas lojas e tinha uma joalheria entre elas. Acabamos entrando lá. Uma moça simpática falou conosco e perguntou o que queríamos. Makoto pediu por alianças de ouro. Ele me deixou escolher. Não havia muitas diferenças entre os anéis. Decidi por um mais fino. Ambos gostaram.

-E vão se casar quando? - indagou a vendedora

-Na praia, no pôr-do-Sol.

-Que romântico, mas acho que deixaram a compra das alianças pra bem em cima da hora.

-Sim. A cerimônia será algo só nosso.

-Entendo. - falou entregando a sacola - Espero que sejam felizes.

Agradecemos e saímos. Até reclamei por ele ter falado aquilo tudo à vendedora, fiquei sem onde me esconder.

-Não tem nada demais, o que disse não deixa de ser verdade. E aliás, nunca mais a veremos. - retrucou

-De certa forma, você tem razão.

Um tempo depois, mais próximos ao destino, Makoto parou em um mirante que dava a vista maravilhosa da praia e todas as casas da região. Achei que fosse mais uma parada para esticar as pernas e fui admirar a paisagem. Porém, ele parou por outro motivo.

-Vem, Kazuko. - pegando na minha mão e segurando a caixinha das alianças na outra.

-Precisa ser agora?

-Melhor antes de chegarmos.

-Só sem troca de votos, por favor.

-Ah, mas eles também fazem parte da brincadeira.

Bufei e assenti, meio contrariada.

-Não se preocupe. Eu começo! - deu um anel para mim, pegou o outro - Eu, Makoto, prometo a você, Kazuko, sempre te amar e te proteger, sendo o melhor marido e fazendo tudo o que estiver ao meu alcance por você. - terminou colocando a aliança no meu dedo.

Era minha vez. Meu coração acelerou.

-Não sei o que falar. - ri de nervoso.

-Começa da mesma forma que eu.

-Eu, Kazuko, prometo a você, Makoto, ser fiel e te amar por todos os dias em que estivermos juntos, sendo a melhor esposa do mundo.

Por que disse "te amar"? E "ser fiel"? Eu só posso estar mesmo louca! Não quero levar essa brincadeira a sério. Não quero mais me sentir confusa assim! Perdi as contas de quantas vezes fiquei palpitante e sem reação hoje.

-Pronto! - respirei aliviada - Podemos ir? - falei ameaçando voltar para o carro.

-Ei, ei! Espera! Não tá esquecendo nada?

Usei uma careta como resposta e nos beijamos. Sorte que não tinha ninguém na hora.

-Enfim casados! - soltou depois

Makoto, seu filho da puta! Que ódio que eu fiquei quando ele disse isso.

Voltamos ao carro e logo chegamos. A casa é linda. De dois andares, com sala, cozinha, banheiro no andar de baixo. No segundo andar tem três quartos, sendo que um deles é suíte. Deixamos nossas malas neste e fomos à praia.

Eu já sabia como era um biquíni, só que nunca tinha usado um. E, sinceramente, você fica tão descoberta quando se está de roupa íntima. Estava com um vestidinho por cima. Makoto foi direto com a roupa de banho. Se é que aquilo pode ser chamado assim: Uma bermuda.

Tinha algumas pessoas, mas nada que indicasse cheio. E sim, todos nos olharam assim que chegamos. Makoto esticou o tecido para sentarmos, assim fizemos.

-Kazuko, tira isso. - falou tocando no vestido

Levantei-me para tal. Puxei e tirei o mais depressa que pude, contudo isso não impediu que os olhares se direcionassem a mim."


Quando eu lembro, acabo revendo tudo em câmera lenta.

Já vira o corpo de Kazuko diversas vezes, só que de biquíni é bem diferente. Pude ver as curvas dela de melhor forma.

Por muito pouco eu não babei! Haha.

"Sentei depressa e queria sair correndo dali. Que vergonha! Era um simples biquíni preto que mostrava o meu corpo para muita gente que não conhecia.

Makoto e eu passamos o protetor solar, de secagem instantânea. Ficamos sentados um pouco e eu admirava aquela paisagem nova para mim, até que ele me chamou:

-Vamos na água. - levantou-se

Meio contrariada, fui.

Andamos um pouco até chegar onde a água e areia se encontravam. Makoto deu sua mão para que segurasse.

-Quando você quiser. - completou

Via as ondas quebrarem perto de meus pés e dei um passo a frente. Senti a água gelada por entre meus dedos e não pude evitar de sorrir. Era uma ótima sensação.

-E aí? - ele indagou

-É gelada, mas é bom!

-Quer ir mais fundo?

Apenas assenti.

Fomos adentrando e tinha um calafrio conforme meu corpo era coberto. Quando a água chegou na cintura, paramos. Eu me diverti bastante mergulhando no mar e quase tomei uns tombos feios algumas vezes. Sorte que Makoto me segurou.

Voltamos para a areia e liguei o foda-se para todas aquelas pessoas, porém uma me chamou atenção. Ela estava sentada numa sombra feita por um guarda-sol e sentada numa cadeira, acariciava a sua barriga.

-Era para eu estar assim, não é?

-Assim como? - então apontei - Ah, talvez. Não temos como saber.

-Acho que ainda não me recuperei completamente disso. Toda vez que penso nisso fico triste. - abaixei a cabeça.

E como daquela vez, ele não disse nada, só me abraçou. Minutos depois, perguntou:

-Quer voltar para a casa? A gente descansa um pouco lá.

-Tudo bem. - falei limpando o rosto.

Pegamos nossos pertences e retornamos. Tomamos banho para tirar a sujeira do corpo. Belisquei um dos lanches que trouxemos para comer no caminho por conta da fome e acabei dormindo, só acordei quando escureceu. Desci e Makoto estava assistindo a um filme.

-Acordou, dorminhoca! Deve estar com fome não? Fiz o jantar.

-Oba! Então vamos comer.

Era um jantar simples que ele fez com coisas que comprou numa loja de conveniência aqui perto. E estava uma delícia! Comemos rápido e sentados à mesa. Depois subimos, Makoto foi tomar banho e eu fiquei olhando a paisagem noturna na sacada. As ondas batendo na areia e o céu com uma bela lua cheia, com um reflexo na água. E estrelas, muitas delas. Consegui me distrair tentando ver as constelações. Então, Makoto apareceu me abraçando por trás.

-É lindo, não é?

Apenas concordei. Ele fez outra pergunta:

-Gostou de ter ido à praia hoje?

-Sim. Quero ir mais vezes.

-Vamos ter bastante tempo para isto durante os dias que passaremos aqui.

Ele estava com o queixo encaixado no meu pescoço e podia senti-lo me cheirando de vez em quando. Tava na cara o que ele queria. Soltei, me virando e indaguei:

-Quer ir para o quarto?

-Querer, eu quero. Mas não agora!

Depois de completar a frase, me beijou. Ficamos um tempo ali, até que entramos no quarto. Makoto me levou no colo e me pôs na cama. Isso foi tão estranho, que eu disse:

-O que deu em você hoje?

-Nada. Só estou cuidando da minha esposa.

Fiz careta. Ainda não estou acostumada com essa "brincadeira". Sabendo disso, apenas sorriu.

E vai ser totalmente esquisito o que direi agora, mas foi a primeira vez que a expressão "fazer amor" aconteceu entre nós. Eu senti alguma coisa diferente. As mãos de Makoto se comportaram diferente. Todo o comportamento dele durante o ato foi diferente. Seus toques e seus beijos por todo o meu corpo. Cada peça de roupa tirada sem pressa, apenas seguindo o tom de nossas respirações. Pela primeira vez não senti nenhum desconforto. Eu me senti bem. Talvez até amada. Não precisamos trocar nenhuma palavra, estávamos conectados, tanto que acabamos chegando ao ápice juntos. Foi uma coisa deliciosa e estranha ao mesmo tempo.

Ele me deu um beijo, nos cobriu e dormimos. Uma insônia me trouxe para escrever. Agora voltarei para dormir."

Fechei o diário, pois, tinha coisas a fazer.

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