quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Capítulo 39 - Regras e promessas quebradas

Semanas e mais semanas se passaram, tanto no diário quanto para vida real.
Hoje é um sábado e acabei de voltar do chá de bebê do meu terceiro irmão, ou melhor, da minha irmãzinha. Esta foi a novidade contada no evento. Ainda bem que o presente que demos foi totalmente agênero.
Era final de noite e mesmo cansado queria ler o diário. Kazuko foi com Takumi para tomarem banho e depois dormir. Eu fiquei na sala.
Nas leituras anteriores, lembrei do meu 23º aniversário, que teve de interessante só meu almoço com Kazuko, onde até cantar parabéns para mim cantou. A festa em si foi bem ruim.
E o trecho ao qual cheguei hoje foi o 19º aniversário dela. O mês de punição já terminara havia umas semanas. Então, ela tinha voltado a sair.
“Ai diário,
Se no ano passado tive o melhor aniversário da minha vida, neste ano foi o pior.
Não tenho do que reclamar do dia que passei na casa de minha mãe. Foi uma festa com tudo de melhor que recordava minha infância. Com toda a família. E para aproveitar ao máximo, sai pouco após o café. E claro, Makoto e Kana me perguntaram:
- Aonde vai tão cedo? – ela, venenosa
- Vou à casa de minha mãe. E só voltarei no final da tarde.
- Por que vai lá? – ele dessa vez
- É uma data especial.
Ele só assentiu. Eu estava meio chateada por ele não ter lembrado.
- Divirta-se com a sua gente. – soltou Kana
Não respondi. Ia sair, mas Keiko me chamou, deu-me um pequeno presente e me abraçou:
- Feliz aniversário, Kazuko. Espero que aproveite seu dia. – continuou, segurando meus ombros – Se não for incômodo, posso fazer um bolo para você?
- Pode! De chocolate.
Despedi-me dela e sai.
Peguei o transporte público e o trânsito estava tranquilo e logo cheguei.
- Filha, que bom que está aqui! – me apertou num abraço – Parabéns! Tudo de bom para você. Que seus sonhos se realizem.
- Obrigada, mãe. – sorri
- E como vão as coisas por lá?
- Na mesma. E bem, só a Keiko lembrou e me presentou. Nem abri ainda.
- Então foi até bom ter vindo para cá. Agora me ajude a terminar de arrumar.
O resto da manhã passei apenas com minha mãe. No início da tarde, os convidados começaram a aparecer. Foi um almoço e eu matei a saudade que estava da comida dela. Até Rin e Namie foram.
Comemos e depois todos resolveram perguntar sobre como estava minha vida de escrava, já que era a única pessoa que contava as experiências em tempo real. E claro, queriam saber onde estava meu “dono dos sonhos”.
- Trabalhando provavelmente. – respondi – E mais tarde estará com a namorada.
- Quê? Namorada? – gritaram todos, exceto mamãe, Rin e Namie
- Sim. Tem pouco mais de seis meses. Podemos não falar sobre ela? Não nos damos muito bem. – vi RIn fazer uma careta – E bem, acabamos até brigando.
- Brigar como, filha? – indagou minha mãe
- Fisicamente. Na verdade, eu apanhei mais do que qualquer outra coisa.
Apesar das facetas chocadas, acho que foi a coisa mais normal que me ocorreu nesta vida de escrava até então.
No final da tarde, cantamos parabéns, soprei as velas e cortamos o bolo. Estava perto da hora de partir, era próxima da hora do sol se pôr. Auxiliei minha mãe a organizar e limpar tudo. Peguei carona com Rin e Namie. Mas, não contava com uma coisa: engarrafamento. Era dia de semana e horário de pico. Uma viagem que levaria normalmente meia hora, estava durando um hora a mais.
- Será que o Makoto não reclamará de seu atraso? – Rin questionou
- Não! Acho que ele vai me dar um desconto por ser hoje.
- Melhor ligar para lá de qualquer forma. – Namie opinou
- Tem razão. Farei isso.
Peguei meu celular e liguei par aa casa de Makoto, Keiko atendeu e disse que informaria imediatamente assim que ele chegasse.”
Ela só não contava com a Kana. Keiko tentou falar comigo assim que entrei, porém Kana interrompeu três vezes mandando trazer o jantar. Acabou que ela ficou ocupada depois disso, só pode falar quando eu mesmo perguntei, respondendo:
- Ela ligou, disse estar presa do trânsito, mas está de carona com a Rin.
Apenas assenti e Kana esbravejou:
- Isso é um absurdo! Ela claramente descumpriu a regra. Vai ver quando chegar
- Pelo menos ela avisou, Kana. – argumentei
- Pare de ser conivente com o que ela faz. Eu disse que um dia ela ia abusar. Olha só!
“Cheguei uma hora depois. Agradeci a carona e subi. Entrei e Kana me recebeu do pior jeito possível:
- Onde estava até essa hora, escrava? E ainda foi fazer compras. – pegou minha bolsa com os presentes e começou a tirar item por item – E que mal gosto, hein.
Parecia em câmera lenta. Uma puxada, uma cara de reprovação. O pior era Makoto assistindo a tudo e mastigando. Imagina o misto de tristeza e ódio que eu fiquei. Meu corpo e o fundo dos olhos arderam. Fechei-os e respirei forte. Não queria que aquilo continuasse a acontecer.
Tomei a bolsa dela e, antes de recolher os objetos que foram jogados no chão, falei com a voz mais fria que saiu de mim:
- Com licença, Kana, estes são meus presentes de aniversário e não quero me mexa neles.
Numa outra situação ela retrucaria, mas acho que ela ficou em choque com a frieza de minha fala. Dirigi-me a Makoto e peguei um pedaço de bolo e uns doces que levei para ele. Só que dessa vez não consegui mascarar as emoções.
- Trouxe isso para você, não sei nem o porquê. – uma lágrima solitária caiu – Obrigada por manter suas promessas. Agradeço por me dar o melhor e o pior aniversário da minha vida.
E simplesmente me virei e caminhei até o meu quarto, desabando no choro mesmo antes de atravessar a porta. Bati-a, larguei tudo em qualquer lugar e me joguei na cama.”
Assim que Kazuko saiu, Kana falou se aproximando:
- Ela enlouqueceu? Quem ela pensa que é para “não querer que eu mexa”? Vou coloca-la no lugar dela agora mesmo.
Ameaçou sai, mas a peguei pelo pulso antes.
-Ela está com raiva porque esqueci o aniversário dela, Kana. Deixe-a sozinha um pouco.
- Foda-se que é o aniversário dela. Ela claramente desobedeceu a uma regra e temos que verificar as coisas que ela trouxe consigo.
- Você quer xeretar, não apenas verificar.
Keiko passou carregando o bolo de chocolate. E Kana se enfureceu ainda mais.
- Até bolo? Sinceramente, Makoto, eu não te entendo. – bufou
- Ele não me pediu para fazer. – Keiko comentou
- Ora, menos mal. – ela sorriu – Só que você não vai levar isto para ela.
- Por que não? – indagou Keiko
- Ela está merecendo?
- É aniversário dela! Ela merece! E não se preocupe que via sobrar um pedaço para ti.
- Makoto! – gritou – Faça algo quanto a isso.
- O que? Concordo com ela. Pode levar! – Keiko saiu e Kana bufou de novo – Que foi? É só um bolo.
- É só um bolo, Makoto. Sim! Imagine. Ela chegou fora do horário estipulado e nos desrespeitou assim que chegou.
- Kana, para! Qual é o seu problema com ela?
- Ela é o problema! Uma escrava muito abusada pro meu gosto. E você aceita e dá liberdade a tudo o que ela faz.
- Vou puni-la por isso, mas só amanhã.
“Uns minutos depois, alguém bateu a porta.
- Makoto, vai embora! – esbravejei
- É a Keiko, Kazuko.
- Pode entrar. – levantei-me e enxuguei meu rosto e sorri ao ver o que ela trazia
- Espero que lhe anime um pouco.
- Caramba, Keiko, esqueci de abrir o presente. – corri e peguei-o na minha bolsa, sentei-me na frente dela e abri, era um colar com meu nome como pingente – Obrigada! – abracei-a
Então, ela me pediu para segurar o bolo, pegou um acendedor de velas. Cantamos juntas, eu assoprei e ela cortou dois pedaços e comemos nos pratos de sobremesa que ela trouxe.  Claro que o primeiro pedaço foi a para a aniversariante.
- Se eu pudesse, te levaria para dormir lá em casa. – ela confessou – Pelo menos para ficar longe dela um pouco.
- Makoto não deixaria.
Conversamos sobre como foi meu dia e logo depois Keiko foi para casa.
Fiquei sozinha de novo e resolvi arrumar meu quarto para me distrair. Tomei um banho e vesti um pijama antes da sessão de arrumação. Fui tirando os presentes um a um e guardando-os. Maioria eram roupas.
De tão distraída até me assustei quando ouvi batidas na porta. Makoto entrou.
- Só vim falar com você antes de dormir. – cruzei os braços esperando ele continuar – Desculpe ter esquecido o se aniversário. Tenho estado tão ocupado.
- Como a Kana, é claro.
- Também! E... Bem, vou ter que te punir por ter chegado fora do horário... – senti que tinha algo mais a dizer
- E o que mais? Vai me punir por tê-la “destratado”?
- É! Pela sua grosseria com ela.
- Onde? – soltei, indignada – Realmente, Makoto, ela te manipula mais do que pensei. Daqui para frente só tende a piorar. Mas, tudo bem. Sei bem qual o meu lugar, apesar dela achar que não. Suspensão de liberdade diurna de novo?
- Sim! – suspirou – Era só isso. Boa noite!
- Ei, não está esquecendo nada?
Ele sorriu e ao me abraçar, falou:
- Feliz aniversário, Kazuko! Ficarei devendo seu presente por enquanto. E peço desculpas outra vez.
- Eu te perdoo, mas não significa que deixarei de ficar chateada,
Assim, ele se despediu e foi ao seu quarto.
Eu me senti péssima e culpada por estar loucamente apaixonada por ele. A culpa por perdoar, sendo que estava certa de agir da forma como agi.
E bem, usei o presente da Rin – o vibrador – de novo. Talvez para tentar controlar essa carência que estou. Contudo, o vazio ao fim foi o pior de todos. Chorei até cair no sono. Acordei com o travesseiro molhado e vim escrever aqui, precisava colocar para fora.
Voltarei a dormir agora.
Boa noite!”
Já estava tarde e terminei a leitura com um bocejo. Levantei e fui ao quarto e encontrei Kazuko colocando Takumi no berço. Ela sorriu ao me ver.
- Vou tomar banho para deitarmos.
-Tudo bem, te espero.
Apesar de ter quase apagado no banho, levei poucos minutos e sai. Desliguei a luz do quarto e somente o abajur do lado dela me guiou até a cama.

Ajeitei-me, dei um beijo de boa noite nela. Tudo ficou escuro e dormimos.

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