quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Boletim de Anelândia: #42 – Se eu não fosse autora... O que eu seria afinal? (Meus hobbies fora dos livros)


 
Olá, pessoas! Boas-vindas a mais uma edição do Boletim de Anelândia!
A última edição deste ano de 2025 e de mais uma ideia que faz parte das tantas aleatoriedades que eu sou.
Hoje não vou falar sobre escrita, mas sim sobre outras coisas que eu gosto de fazer. Então, sim, vou falar hoje sobre alguns dos meus tantos hobbies.
Enfim, vamos lá!

A pessoa com hobbies demais

Desde muito novinha, sempre gostei de fazer diversas coisas diferentes.
Na infância, eram só umas brincadeiras muito criativas e que eu ficava interpretando pequenas peças e me enrolando em panos para fingir que era um figurino.
Depois, fui adquirindo diversos gostos e eles se tornaram tantos que nem chega a dar tempo de fazer tudo. Haha 
Não que obrigatoriamente precisamos fazer todos os hobbies todos os dias, mas é que a vontade de fazer todos me deixa indecisa do que realmente farei.
Costumo brincar que eu sou uma pessoa que tem hobbies demais e se der mole ainda vou adquirindo outros. Talvez seja culpa da minha alma criativa e entediada demais ao mesmo tempo e acaba que eu preciso colocar isso para fora de alguma forma. 
O resultado: 300 mil hobbies diferentes! 

Alguns deles são… 

Costura/Bordado 

No começo da minha pré-adolescência, acabei aprendendo alguns pontos de bordado junto com a minha avó, num curso gratuito na igreja. Eu lembro de ter gostado muito, mesmo não desenvolvendo muito além do vagonite e do ponto de cruz. 
Hoje em dia, quando quero dar um presente legal ou só relaxar um pouco, acabo fazendo uma toalhinha bordada. 
E relacionado, nessa mesma idade tinha vontade de fazer moda. Só que a fui vetadíssima por mamãe e ficou por isso! 
Uns bons anos depois, quando comecei a trabalhar no Lar Fabiano de Cristo e dar aula para turmas de diversos cursos e dentre eles está a Costura. E lá pela pandemia e o ritmo de aulas mais lento que eu finalmente aprendi a costurar, fazendo não sei quantos panos de prato e agora eu fico inventando roupa para poder fazer. 
Confesso que tem dias que até me frustro bastante porque realmente há uma inabilidade minha e a pobre da minha professora fica tentando consertar as merdas que eu arrumo. (Pior que eu entendo bem a modelagem, eu me embanano na hora de montar as coisas!) 
Apesar disso, eu gosto do resultado depois de tanto trabalho e estresse. 


Leterring 

Esse eu também descobri lá pela pandemia. Sempre gostei de desenhar letras, desde o ensino médio. 
Nunca fui uma boa desenhista, mas descobri que a arte de desenhar letras é bem divertida! 
De vez em quando, em momentos de tédio no trabalho acabo rascunhando alguns inspirados em letras de músicas que gosto. 
E ainda quero continuar o projeto de lettering com trechos dos meus livros! 

 

Jogar jogos 

Esse eu gosto desde criança, mas confesso que nunca fui muito boa. 
É muito bom chegar num final de noite, ligar o vídeo game ou abrir no computador algum jogo e se perder por horas e mais horas jogando. 
Ainda lembro um dia em que estava de férias e eu perdi a noção do tempo jogando. Tão distraída e absorta em apertar botões num controle e é sobre! 

Assistir séries, animes, dramas 

Outra coisa – acredito que esse seja um dos mais comuns – que eu gosto de fazer é sentar e assistir alguma coisa. Dentre minhas escolhas ficam séries, filmes, doramas e animes. Depende muito do meu humor ou vontade do dia! 
E nessa era de sempre ficar no celular, eu prefiro deixá-lo de lado e prestar plena atenção no que estou assistindo! 
É muito gostoso inclusive quando a gente perde a noção maratonando alguma série, passando um episódio atrás do outro. 

Leitura (Livros, mangás, coisas…) 

E como uma boa escritora (que eu acredito que sou) também sou uma boa leitora. 
Além dos livros, dentre minhas leituras também tem mangás, manhwa, fanfics e etcs. 
Algumas delas são de um caráter bem duvidoso, ainda mais quando escolho alguns mangás obscuros. 
É maravilhoso quando uma história acaba te prendendo e você simplesmente não consegue largar e fica triste quando termina.
 

Um dia a escrita também foi, mas virou algo mais 

Uns bons anos atrás, quando eu era adolescente e comecei a escrever, encarava como mais um hobby, porque eu realmente fazia por diversão. 
Quantas histórias eu passei as minhas aulas do ensino médio escrevendo; com tanta criatividade e ao custo de muitas canetas, lápis e folhas. 
Em certo momento no final da adolescência e começo da vida adulta que eu percebi que era boa nisso e decidi tornar uma carreira. 
Apesar de ainda escrever em blogs como hobby e muitas das histórias ainda por puro surto, já encaro essa coisa de escritora com mais responsabilidade. 
E acho que fica bem claro pela quantidade de coisas que já falei no Boletim de Anelândia e todas as coisas que conquistei como autora desde então. 
Os lendários cadernos onde estão meus primeiros rabiscos de livros.
 

Se não fosse autora, eu seria… 

Confesso que eu já me fiz essa pergunta mais vezes do que eu gostaria! Ainda mais porque vivemos num lugar em que se conseguir viver disso é mais a exceção do que a regra.
Só que, por outro lado, a escrita já faz parte da minha vida há tanto tempo que eu não consigo me enxergar fazendo outra coisa.
Meio piegas dizer isso, mas mesmo que seja secundário - quase terciário -, ser autora vai continuar sendo um trabalho/profissão.
Meu sonho é que um dia é que eu consiga viver da minha escrita, mas por enquanto vou seguindo nas outras coisas que eu tenho afinidade, como ser professora, por exemplo.
A ironia de que eu descobri, ou melhor, desenvolvi uma aptidão em dar aulas.
Ou até usando da escrita para poder trabalhar com jornalismo - que é a minha outra formação.
Enfim, eu tenho várias opções que posso escolher quando as pessoas me perguntarem com o que eu trabalho… Já para a maioria ser escritora não é trabalho, mas sim uma coisa paralela né?
O povo só acha chique que conhece escritor, porque apoiar mesmo… É triste a vida da autora nacional!
(Isso dá mais um tema pro Boletim!)

Só veem o livro lindo e cheiroso e não sabem o trabalho que dá!


Bem, pessoal, é isto!
Muito obrigada por acompanharem o Boletim de Anelândia durante todo este ano de 2025, mesmo eu falando tanta coisa aqui.
Quero desejar a todos um Feliz Natal atrasado e um ótimo 2026.
Espero que meus planos de lançamentos não precisem ser adiados de novo. haha
Até 2026 e a próxima edição da newsletter!

Obs: Sei que tá no sub-título desta edição “fora dos livros” mas vocês entenderam!  

domingo, 30 de novembro de 2025

Conto Especial de 20 anos: Essência Adormecida


Tudo parece tão escuro por aqui! Onde será que eu estou?
Lembro que antes era tudo tão brilhante, tão colorido e tão feliz!
Por que estou em meio a essa escuridão? Será que a minha luz acabou e é por isso que eu não enxergo nada?
A última coisa que me lembro é de que estava tudo normal e então eu acabei parando aqui.
Eu sou a Pequena Estrela e eu sempre carrego o meu próprio brilho… Ou pelo menos eu achava isso!
O que será que fez a minha luz apagar? O que a faz ficar acesa?
Nunca parei para refletir sobre tudo isso… Não até agora!
Nunca parei para pensar de onde vem todo o meu brilho. Qual o meu poder? Tem alguma magia envolvida?
Sempre estive tão acostumada com a presença dele, que nunca observei o que o fazia estar, não agora que ele se foi. 
Antes, era tudo tão mais simples, talvez por isso que fosse fácil manter essa luz. Porém, aconteceram tantas coisas e acabei ficando tão absorta que só fui notar quando já era tarde demais! 
Não me atentei aos momentos em que meu clarão oscilou, brilhando mais ou menos. Era tão sútil que eu imaginei que fosse uma coisa de humor e era completamente normal. 
Agora estou aqui perdida e sem saber o que fazer para poder me restaurar! Será que eu saio andando por aí? Será que eu grito por ajuda? Tantas perguntas, tantas dúvidas, tantos pensamentos. Nada com respostas e sequer conclusivo! 
Nada vai chegar até mim milagrosamente se eu ficar só aqui parada. Resolvo procurar alguma fonte de luz ou alguém que possa me ajudar, mesmo com a visão bem limitada. Vou caminhando passo a passo, bem devagar para não me machucar por esbarrar em algo ou com uma queda. 
Sigo andando e andando, tateando o chão com meus pés descalços, sem noção alguma do espaço em que estou. Porém, eu não sinto nada de anormal e nem de estranho, não esbarro em nada. Tudo isso é muito estranho! Não é possível que não tenha nada neste lugar. 
Todo esse vazio só serve para piorar ainda mais a minha sensação de estar perdida e solitária. Perco também a noção do tempo por ficar vagando sem rumo! 
Cansada de tanto andar e ficar em pé, em vão, finalmente desisto... Derrotada! Sento-me no chão e abraço as minhas pernas, cobrindo o meu rosto, permitindo que algumas lágrimas tímidas comecem a correr. 
Não sei por quanto fica ali, chorando em silêncio. De repente, sinto um leve toque no meu braço. Curiosa, levanto a cabeça para saber o que ou quem era. Quase que eu fico cega com a luz repentina que atingiu minha visão que havia se acostumado ao escuro. Fechei os olhos com força, tentando me acostumar e levando um pouco para tal. 
Quando finalmente o clarão deixou de ser tão forte e eu pude finalmente diferir o que estava diante de mim, fui observar com detalhes a figura à minha frente. 
Ela se parecia comigo! Uma versão mais velha minha! Que esquisito! 
Ficamos nos encarando por alguns segundos, até ela falou: 
- Perdida, Pequena Estrela? 
- Como você meu nome? - indaguei de pronto 
- Ora, eu sei sobre muitas coisas. Seu nome é uma delas! 
- Como que me achou? O que é esse lugar? Quem é você? 
- Vai com calma nas perguntas, mocinha. Uma coisa de cada vez! - pegou na minha mão - Primeiro: Este local é o subconsciente, onde as coisas acabam por ficar perdidas. 
- Por que eu vim parar aqui?  
- Muitas coisas podem fazer alguém cair no subconsciente. Teve uma vez que a inconsciência caiu bem aqui e lá fora tudo ficou um caos! Por isso que eu vim lhes resgatar! 
- Faltou dizer seu nome... 
- Sou a Adulta Saudável! 
- Que nome engraçado! - e ri – Por isso que você é grande? 
- Defina grande! - e riu – Mas sim, sou maior do que você!
- Vai me levar para casa?
- E você não para de fazer perguntas, não é? - ela não solta a minha mão em nenhum momento - Sim, vou te levar de volta ao Palácio dos Sonhos.
Palácio dos Sonhos é o próprio nome sugere, é onde habitam os diversos sonhos e desejos e eu sou a responsável por dar energia a todos eles. Mas, o que serão deles sem o meu poder?
Fico distraída no meu pequeno devaneio preocupado e logo a Adulta percebe a mudança no meu comportamento e logo me chama.
- Estrelinha, não precisa se preocupar! Eu vou te ajudar.
- Dá para restaurar o meu brilho? Não posso deixar os sonhos morrerem.
- Vamos fazer o possível para manter os sonhos e fazer sua luz voltar.
Não sei o motivo, mas ela me passou segurança quando disse aquilo. Parecia que ela sabia o que estava fazendo.
E seguimos assim o resto do caminho de volta…
A luz que emanava dela nos tirou logo do subconsciente. Confesso que o trajeto não é muito conhecido, pois saio pouco do Palácio. Logo chegamos a Terra dos Sentimentos e eu avistei a minha casa no horizonte. Comecei a ficar cansada pela longa caminhada para minhas pequenas pernas, mas eu não reclamei, sabia que estávamos perto.
Achei que ia encontrar tudo do jeito que sempre foi quando chegasse, porém eu tomei um susto. O Palácio dos Sonhos estava de uma cor diferente, como se estivesse apagado… Assim como eu!
A Adulta soltou minha mão e me deixou entrar. E piorou ainda mais! Pois estava tudo revirado, espalhado e destruído.
Como íamos restaurar tudo se estava daquele jeito? Os sonhos e eu estávamos perdidos!
Senti meus olhos marejarem e a mão dela tocou o meu ombro e ela me sorriu, como se dissesse que tudo ia ficar bem! E acho que era a rodada de perguntas dela agora!
- Pequena Estrela, já parou para pensar como que os sonhos funcionam?
- Nunca pensei. Eles sempre estiveram aqui e eu junto deles.
- Sonhos nascem e se vão, sempre. Alguns são temporários, enquanto outros perduram. Já percebeu que eles mudam de vez em quando?
- Sim! Alguns somem e outros aparecem. Nunca dei muita importância, na verdade! Mas, o que isso tem a ver com a minha luz? - retornei a pergunta
- Uma coisa de cada vez. Primeiro vamos arrumar essa bagunça e cuidamos dos outros detalhes.
- Mais ninguém vai nos ajudar?
- Os outros estão muito ocupados em suas tarefas.
Dei de ombros, pois eu raramente recebo visitas e sei como todos nós aqui nesta terra estão sempre bem atarefados.
Então, eu e a Adulta Saudável fomos arrumando aquela bagunça que nem faço ideia de como foi parar lá. O Palácio dos Sonhos parece muito com um museu, com diversos quadros e outras “obras de arte”; todas separadas por suas próprias categorias, coisas simples como “Coisas para ler ou assistir”; “Músicas inspiradoras”; “Desejos de doce”... São tantas que nem dá para listar! Só que eu tenho as minhas favoritas e que sempre estão lá comigo quando eu preciso.
Demorou, mas nós duas finalmente concluímos tudo. Aquele trabalho foi bem revigorante, mas não o suficiente para restaurar o meu poder.
- Ficou ótimo! - ela comentou por fim
Concordei e acrescentei:
- Só que isso não fez a minha luz voltar.
- Ainda não fez, mas é uma parte do processo.
Ela pegou novamente na minha mão e me levou justamente ao meu local favorito dali, que é justamente a das Histórias Imaginadas. Uma pena que nunca conheci os personagens delas, pois eu soube que uma vez eles chegaram ao Vale dos Sentimentos… Num outro momento de crise e foi daquelas grandes!
- Por que viemos aqui? - indaguei a ela
- Agora eu vou te explicar a outra parte do que eu estava lhe devendo.
- Sobre os sonhos?
- Não só sobre os sonhos, mas sim sobre muitas coisas. - sentou-se no chão e eu fiz o mesmo - Você sabe por que a sua luz apagou?
- Não! Nem sei o que a mantinha acesa.
- Nossa luzes, tanto a minha quanto a sua, estão ligadas a como nos sentimos. Temos dias bons e dias ruins, eles fazem nossa luz brilhar mais, menos ou até apagar.
- Quer dizer que eu estou triste?
- Não é necessariamente tristeza, pode ser apenas algo que te aflige, preocupa e isso já se torna motivo suficiente.
- Não entendo! Eu só acordei na subconsciente. Não senti nada diferente!
- Ai que está o problema, às vezes nem percebemos.
- Então, o que aconteceu exatamente para eu sumir?
- Uma nuvem imensa cobriu todo o palácio dos sonhos. Uma tempestade que aconteceu só aqui e um furacão acabou te arrastando lá para baixo. A Determinação e eu que decidimos resgatar você!
- Determinação?
- Ela é um outro sentimento. Ela quem cuidou da outra crise.
- Acho que eu fico muito tempo isolada neste castelo. Não conheço ninguém!
- Ainda pode conhecer a todos. Mas, primeiro precisamos cuidar de você, Estrelinha! - olhou séria para mim - Aliás, você sabe que não é primeira vez que isto acontece né?
- Da sua luz apagar!
- Foi a primeira vez sim! Nunca aconteceu!
- Você só não se lembra, pois era muito pequena e sua luz ainda estava se desenvolvendo. Este Palácio era só uma casa grande ainda. Daquela vez, você mesma encontrou o caminho para se recuperar, buscando refúgio em outras coisas, descobrindo a sua própria força. Porém, até a maior força pode se tornar uma fraqueza!
Após falar isso, ela pediu que eu ficasse de costas para ela e continuou enquanto fazia carinho em mim e mexia no meu cabelo. Continuou:
- Eu sei este é o seu lugar favorito daqui! Pode falar para mim o que você mais gosta?
- Tem tantas coisas… Difícil definir uma só! - e sorri
- Eu te entendo! - respondeu - Fale a primeira que vier na sua cabeça. Qualquer uma!
- Gosto das tantas histórias que surgiram aqui. Nenhuma é igual a outra e cada uma é tão especial. Sempre fico muito feliz quando surge algo novo!
- Sua parte favorita são as histórias então?
- Sim e tudo o que as envolve. Sonhar e imaginar as cenas, os acontecimentos, viver tudo com os personagens…Ver tudo isso tomando vida! É a sala mais mágica daqui!
- Tenho que concordar com você!
Ficamos em silêncio por algum tempo, apenas contemplando aquele espaço e eu não deixava de ter mil coisas passando pelos meus pensamentos, especialmente do que ela disse sobre esta não ser a primeira vez que acontecia. Até que lembrei de uma coisa:
- Você disse que não é a primeira vez e sabe… Muito tempo atrás, esta sala surgiu. Fiquei curiosa e fui olhar e eu fiquei encantada com a história das três amigas que salvavam o mundo.
- Eu conheço elas. São As Super Agentes! E depois veio…
- O Mago Belo! - a interrompi
E fomos apontando cada um dos itens presentes naquela sala. Como Jimmy Wayn; O Diário da Escrava Amada - que essa é bem para adulto igual a ela -; Super Gata. São tantos, mas tantos, e é por isso que esta sala não tem fim!
- Outra coisa que eu sei… - disse, por fim - É que primeiro estas histórias estavam dentro de mim e depois que elas foram paras as paredes. Poderia passar horas e mais horas falando sobre cada um deles!
Nesse momento, senti uma coisa quente no meu peito. Eu conhecia aquele calor e logo após ele, a luz que eu senti tanta falta retornou!
- Minha luz voltou! - exclamei, virando-me e dando um abraço apertado nela
- Sabia que ia conseguir!
Assim que a luz surgiu novamente, todo o ambiente e o resto do Palácio se reacendeu nas suas cores habituais, ficando do jeito que tinha que ser. Mesmo dando certo, ainda não entendia muitas coisa e esperava que a mais velha me desse as respostas que necessitava.
- Como isso foi possível?
- Outra coisa sobre os sonhos e desejos é que precisamos alimentá-los para que continuem vivos. Um sonho ou desejo não alimentado acaba sumindo. E para isto devemos sempre nos fiéis a nossa Essência, pois ela é nosso combustível.
- Essência? Vai me dizer que é outro sentimento?
- Não! - ela riu - Desta vez não! Quando digo essência é aquilo que faz você ser você! Só existe uma Pequena Estrela e o poder dela é criar sonhos e de contar histórias, com mundos e personagens diversos. Algumas vezes estamos tão absortos com outras coisas que nos esquecemos de algo que é tão simples e nos faz ser nós mesmos, uma coisa que nos completa.
- Gosto muito da minha essência. E qual é a sua, Adulta?
- A minha? É complicado de explicar! Basicamente, é entender os outros sentimentos, de onde surgem e acolhê-los, pois há horas em que vêm todos ao mesmo tempo. Para não ficar uma bagunça na sala de controle quando acontece algo intenso.
- Por isso que você foi me ajudar?
- Sim, é a minha essência. Buscar as bases e colocar tudo no seu lugar. Ah, e ser livre, espontânea… Assim como você também é! - sorriu
- Obrigada por sua ajuda!
- Não foi nada! Vamos lá para frente, logo a Determinação aparece.
Caminhamos pelo Palácio até a entrada e eu fiquei feliz de ver tudo restaurando e lindo como sempre foi.
E bem como a Adulta Saudável falou, lá estava a tal Determinação esperando por nós! O rosto das duas era igualzinho, mas a outra parecia uma maga, usando uma capa colorida e um cajado. Ela falou assim que nos viu:
- Vejo que resolveram tudo por aqui.
- A Estrelinha é muito poderosa, sabia que ela ia conseguir. - respondeu a adulta - Como estão as coisas na sala de controle?
- Estão se ajustando. A Consciência está em reunião com os outros. - e finalmente a Determinação se voltou para mim - E você é a Pequena Estrela?
- Sou eu mesma! É um prazer, Determinação!
- A Adulta Saudável cuidou bem de você?
- Sim! Ela foi muito legal e paciente comigo, mesmo comigo perguntando tudo.
As duas riram, alegres com o meu comentário. A Determinação falou com a outra:
- Bem, agora que tudo está resolvido por aqui, temos que retornar.
- Tudo bem! Posso só me despedir dela?
- Claro! Vou indo na frente, te encontro no trajeto.
Determinação se despediu de mim e partiu. A Adulta se abaixou na minha frente e foi dar seu tchau também.
- Preciso ir, Estrelinha. Você vai ficar bem?
- Vou sim, pode deixar!
Ela me deu um abraço e senti vontade de chorar. Conhecida há pouco tempo, mas se tornou especial. Antes que ela fosse mesmo, quis fazer uma última pergunta:
- Eu vou te ver de novo?
- Claro! Sempre que você quiser! Os outros vão querer te conhecer. - sorriu - Só nunca se esqueça da sua Essência, ela é a coisa importante e poderosa que você tem.
Assim, ela seguiu o seu caminho e eu voltei a ficar sozinha no meu Palácio dos Sonhos.

***

É o período da regência da Insconciência, que é uma das duas rainhas daqui. Ou seja, agora é noite.
Estamos todos - os habitantes do Vale dos Sentimentos - reunidos em torno de uma fogueira para comemorar que toda a outra crise foi resolvida. É a primeira vez que eu participo!
A Adulta Saudável ainda me visita sempre que pode no Palácio e lá passeamos, comemos lanchinhos e fazemos outras atividades divertidas. Ela quem me convidou para a festividade.
Cada sentimento que tem vontade pode falar lá na frente e se apresentar. Bem quem eu queria ter escolhido se ia fazer isto ou não. Eu fui praticamente intimada pelas duas mais velhas para falar lá na frente.
Até aquela altura do evento, eu já estava saturada de ter conversado com tantos sentimentos, já que todos me conheceram naquele momento. E agora, eu tenho que falar na frente de todos… Nem sei o que vou inventar para entretê-los!
Estou novamente no meu devaneio, até que tomo um susto quando ouço a Insconciência falar:
- Agora é a vez da Pequena Estrela. Vamos ver o que de brilhante ela tem para nos trazer hoje!
Só fica um silêncio terrível e eu vou à frente. Respiro fundo e reflito por alguns segundos sobre o que falarei e começo:
- Boa noite a todos os habitantes do Vale dos Sentimentos presentes! Já falaram meu nome, mas eu sou a Pequena Estrela e eu moro no Palácio dos Sonhos, que guarda todos os sonhos, desejos, vontades e outras coisas imaginativas. Eu cuido de todas elas lá! São tantas coisas que tem que de vez em quando eu até me perco de vez em quando. - alguns deram uma risada leve achando engraçado, então continuei - A parte que eu mais gosto é justamente é a das Histórias e eu adoro contá-las. E quero contar uma para vocês hoje. Posso?
- Sim! - responderam em uníssono
- Ótimo! Esta é a história sobre como eu conheci a minha amiga Adulta Saudável e ela me ajudou a recuperar o brilho que eu perdi.
E fiquei alguns longos minutos contando sobre como foi aquele dia, sobre como eu recuperei meus poderes e as tantas outras coisas que aprendi. Enquanto contava, sentia meu coração aquecido e o fogo da fogueira ficou até fraco se comparada com a minha luz. Observei a minha amiga e ela me sorriu, ouvindo a história que já conhecia encantada!
Todos me escutavam atentamente, concentrados nas palavras que saíam da minha boca.
No final, falei sobre a moral que aprendi naquele dia:
- Eu aprendi sobre a minha essência, o meu poder, que é o que faz o meu brilho estar presente e é justamente por gostar contar histórias e sonhar. E não me esquecer da sua importância! Pois existem tempos difíceis e mesmo que eles queiram sugar a nossa energia, devemos lembrar que é ela que nos faz ser quem somos e que não existe nenhum igual a nós… Em lugar nenhum!
Agradeci e houve um alvoroço acompanhado de aplausos.
O resto do evento correu tranquilo e logo a Adulta me acompanhou de volta ao Palácio dos Sonhos.
Assim que entramos, uma luz forte vinha do cômodo das histórias. Eu sabia exatamente o que era aquilo!
Corri para lá, sendo seguida pela mais velha, que não entendia nada do que ocorria.
Parei diante do novo quadro que surgiu na parede e sorri, pois as cenas que acabara de contar diante da fogueira estavam estampadas ali, passando como um filme na televisão. Minha amiga fez uma pergunta:
- O que é isso, Estrelinha?
- Uma história nova acabou de nascer!

FIM
 

sábado, 29 de novembro de 2025

Boletim de Anelândia: #41 - A autora de Maratona (sobre maratonas de escrita e NaNoWriMo)


 
 
Olá, pessoas! Boas-vindas a mais uma edição do Boletim de Anelândia. 
Aproveitando que estamos no mês de Novembro, resolvi que o assunto de hoje vai ser sobre as tantas vezes que eu invento nessa minha vida de autora.  Como se eu já não o fizesse o suficiente né? 
Como vocês leram no título, não é nada tão mirabolante... É só escrita né? 
Enfim, quero contar para vocês minhas experiências como autora de maratona de vez em quando. 
Segurem na minha mãozinha e vamos! 

Como eu descobri o NaNoWriMo e outras maratonas 

Uma coisa que eu nunca fui foi uma autora que escrevesse muito. Nos meus primórdios sempre tive um problema com a minha frequência e quantidade de escrita. Lá por 2013, quando comecei o DEA e a publicar outras histórias minhas por aí, acabava que eu sofria e muito com falta de atualização. Com certeza perdi muito leitores porque eu demorava alguns meses para postar capítulos novos. 
Como passei a ser mais cronicamente online e ficar mais inclusa nesse mundo de escritores e de postar as histórias na internet. Lá por 2017, quando eu estava para terminar a segunda faculdade e nas vésperas de ter que fazer um TCC – que foi sobre autores de fanfics – que eu descobri o NaNoWriMo. O que agora é só um finado mesmo! 
Em resumo, o NaNo era uma maratona de escrita que acontecia no mês de Novembro e a ideia era escrever 50 mil palavras de alguma história (geralmente nova) durante aquele mês. Eu achei que seria uma ótima oportunidade para poder finalmente escrever num ritmo mais rápido, como uma forma de me desafiar. E desde então, nos meses de Novembro e até fora dele, resolvi fazer essas pequenas maratonas de escrita para poder dar um gás que meus livros merecem! 
Desde 2017, pulando alguns poucos anos, sempre fiz questão de participar, mesmo que o evento “oficial” tenha morrido, a ideia permanece.
 

Muitas vezes já fiz maratona 

Só para constar, vou deixar uma lista de quais histórias eu resolvi escrever em cada um dos anos... Contando inclusive os que não participei. (De 2017 a 2025.) 

Segue a lista: 
  • 2017 – DEA e TCC (sim, eu sou louca!); 
  • 2018 – DEA e JV3; 
  • 2019 – ASA2 (antigo) e JV3; 
  • 2020 - ASA 1 (Novo) e Contemporânea Erótica; 
  • 2021 – Maratona em Maio: Contemporânea Erótica e  ASA 1 (Novo);  NaNo: ASA 1, Calliope, Conto 1 do 12 Meses com Minorin; 
  • 2022 - Não fiz, tava em projeto de ano inteiro haha; 
  • 2023 - Não teve e não aconteceu; 
  • 2024 - Crônica de Aniversário, Destinos Florescentes, JV4, ASA Zero; 
  • 2025 - Não fiz. 

Pois é, acho que dá para perceber que eu não sou mesmo uma autora que escreve uma coisa só. Todas as vezes que inventei de participar foi porque eu tinha mais de um projeto para poder adiantar. Minha ideia com as maratonas era poder realmente escrever um pouco mais e impor um ritmo de escrita, mesmo que por um curto período. 
Em todos os anos foi uma loucura, mas ainda assim foi muito gratificante. Sempre me sinto bastante desafiada e também adoro adotar compromissos comigo mesmo dessa maneira. 
Em alguns anos, cheguei até a colocar um mínimo de 500 ou 600 palavras diárias, para eu ter pelo menos uma meta mínima. Nos primeiros anos até que me ajudou bastante, porém depois fui percebendo que ele era um limitador terrível, porque eu me forçava a escrever para chegar nesse mínimo. No ano passado, por exemplo, não estipulei nenhuma meta diária, apenas escrevia o que achava que estava bom para aquele dia. O resultado: a meta diária foi bem maior! 
Nunca cheguei às 50 mil palavras do desafio, mas a cada ano a quantidade de palavras total foi aumentando. Uma pena que os registros do site oficial do NaNo sumiram, só tenho os que eu coloquei em redes sociais. Mas, fui evoluindo de pouco mais de 15 mil no primeiro ano para mais de 30 mil no último. (Se minhas contas não estiverem erradas!) 
Teve um mês por fora em 2021 – no meio da pandemia – em que resolvi fazer uma maratona independente e também deu super certo! 
Isso sem contar que o ano que não teve maratona em Novembro, mas que teve no ano todo, que foi em 2022. Cada mês era uma autora se descabelando e espremendo ideias, contudo saindo feliz no final de tudo. 
Alguns livros como o DEA e o JV3 e acabei terminando durante essa maluquice de escrever todos os dias um pouco! 
Uma pena que neste ano não consegui por falta de organização e outros planejamentos mesmo. Não estou triste de não conseguir, só sentindo falta mesmo! 
Eu era tão focada na meta que até no restaurante já escrevi. (Deve ser 2017 essa foto!)
 
Fotinha de 2019 do caderno do JV3!

A vantagem da maratona de escrita 

Agora que vem a parte mais reflexiva e em que eu coloco algumas dicas para autores que querem entrar numa maratona de escrita. 
Cheguei a comentar sobre isso em um dos “Dicas para Escrever” no meu blog, quando eu fiz a Maratona de Escrita num mês de Maio qualquer. Vou deixar o link para quem quiser conferir, pois ele realmente oferece um passo a passo e algumas dicas boas para quem está perdido. 
E para quem deve estar se perguntando: Será que vale a pena fazer uma Maratona de Escrita para eu poder escrever meus livros? 
E eu respondo: É sempre bom se desafiar como autor! 
Eu usei a maratona como um método para eu poder finalmente escrever histórias que estavam há muito paradas, precisando de um carinho e um talento. Porque o meu ritmo de escrita, mesmo que tenha melhorado muito de uns anos para cá, ainda é bem aquém do que eu acho que deveria ser. Ainda mais para uma pessoa que quer viver de vender livros né? 
Apesar do meu lema, na maior parte das vezes, ser “Devagar e Sempre”, existem momentos em que o devagar acaba por incomodar. Então, a gente tem que dar uma acelerada porque tem livro que funciona igual a carro. (Qualquer dia eu explico essa teoria maluca minha!) 
É como acabo sempre dizendo: Depende muito do que você quer fazer! 
Se seu ritmo de escrita é bom, talvez o desafio seja para você finalmente começar um novo projeto e quem sabe até conseguir terminá-lo.  
Se é um ritmo de escrita lento, talvez o desafio funcione para finalmente colocar em prática todos os planejamentos para a história. 
Pode ser um projeto só, dois ou três projetos. É um desafio pessoal seu! 
Todas as vezes em que eu inventei de fazer isso acabei ficando bem cansada, porém fiquei muito satisfeita com o resultado. Por alguns dias, acaba se tornando o foco numa produção em constância e em quantidade. Quanto mais melhor! 
Claro que, depois é necessário dar uma revisada e lapidar aquilo que foi escrito. Porque a qualidade também importa!
Um meme para descontrair!

Bem, pessoal, é isto! 
Espero que tenham gostado da edição do Boletim de Anelândia de hoje. 
Nos vemos na próxima!
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