sexta-feira, 24 de abril de 2015

Capítulo 3 - O reencontro

Marc continuou seus dias como o melhor da academia, sendo desafiado constantemente, como o anterior. Rafael e Marc tornaram-se amigos e dividiam momentos que antes eram dele com Amélia.
A menina entrou numa nova escola e começava a fazer novos amigos.
E sua promessa de manter contato? Ela não conseguiu. Tentou escrever uma mensagem para Marc, mas a cena do beijo e sua vergonha por aquilo persistia em sua mente. Toda dia tentava e exitava ao apertar o botão para enviar.
A mesma cena manteve-se fixa em Marc também. E a coragem também lhe faltara.
Um não se esqueceu do outro.
E o tempo passou. Marc e Amélia terminaram o ensino médio. A garota ingressou na faculdade de jornalismo e se formou. Marc dedicou-se a sua carreira de lutador e se tornou lutador profissional. E novas fases começavam na vida de ambos.
A menina estava de mudança, dessa vez porque queria e arrumara um emprego numa revista na antiga cidade em que morara. Ela e sua amiga Sarah dividiriam um apartamento. A amiga chegou como o carro para levar as coisas dela e de Amélia. Era hora de se despedir.
–Boa sorte, filha! - disse a mãe, abraçando-a apertado
Recebeu abraços do pai e do irmão também.
Eles ajudaram a guardar tudo no carro e as jovens meninas partiram.
Elas era pura alegria no carro, o som estava bem alto. Sentiam o vento forte feito pela velocidade do carro, que era conversível. Elas conversaram:
–Finalmente saímos da asa de nossos país.
–Pois é! Esta é a primeira vez que me mudo porque eu quero. A última foi antes de conhecer, amiga.
–Deve ter sido ruim trocar de repente de escola e de cidade. Eu lembro como era quando chegou.
–E foi muito duro para mim mesmo!
O rádio despertou a atenção de Amélia.
–Eu adoro essa música! E ela combina perfeitamente com este momento.
A música em questão era Freedom Dreamer de Minori Chihara. As duas cantaram com toda a energia de suas gargantas.
Everybody Jump! Everybody Jump! Motto toberu yo
Hateshinai We're Freedom Dreamer!”
E a viagem se seguiu animada dessa forma.
Marc entrou na liga de MMA. Passou anos em ligas menores, entrara nesta tinha uns dois meses e seguia invicto até então. Por conta disso, o garoto estava famoso. Muitos queriam entrevistá-lo e não conseguiam. Ele era muito reservado. Ninguém sabia nada sobre sua vida pessoal e nem do seu treinamento. Só se sabiam das vitórias e próximos adversários dele.
No mesmo dia da mudança de Amélia, Marc treinava, como todos os dias. E o seu fiel Sensei de karatê era o seu técnico. Ele não só sabia sobre karatê, sabia sobre outras artes marciais. E Marc praticou todas elas, como: Kung Fu, Muay Thai, Judô e Jiu Jitsu.
Todas estas artes eram uma vantagem para Marc.
E Rafael, ainda boxeador, treinava por lá também. Ele, descansando, puxou assunto enquanto Marc batia no saco de pancadas.
–Cara, quanto tempo mais vai ficar assim?
–Assim como?
–Sem se relacionar com ninguém. A imprensa acha que você é gay!
–Eu já te disse o porquê, Rafael.
–Já sei. Nunca encontrou nenhuma igual a Amélia. - e suspirou - Cara, você tem 21 anos e é virgem!
–O que há de errado com isso?
–Porque é por causa dela. Vai esperar reencontrá-la milagrosamente para sempre?
Marc parou de bater e se dirigiu a Rafael.
–Se necessário for, eu espero. Algo em mim diz que a verei de novo.
–Na boa, ás vezes, acho que você tinha que ter nascido mulher.
–Já chega disso! Cansei! Vou para casa.
Marc simplesmente pegou suas coisas e saiu.
Amélia e Sarah passaram o dia arrumando o apartamento. No final, ele ficou uma graça e bem com cara de menina.
–Nosso apartamento ficou uma graça, Amélia.
–Também acho, Sarah. - e se levantou - Essa arrumação me deu um calor!
–Que milagre é esse? Tirou o seu colar.
–É que eu vou tomar banho.
–Usa isso desde que eu a conheci. Quem te deu?
–Foi um amigo.
E o assunto acabou.
Mais tarde, na hora de dormir.
–Nem acredito que vamos começar a trabalhar amanhã.
–Nem eu, amiga.
E as jovens adormeceram.
Sarah também foi contratada pela revista. Ela fez o resto do ensino médio e a faculdade com Amélia. As duas eram melhores amigas.
No dia seguinte, elas acordaram cedo, se arrumaram e foram ao editorial da revista.
Ao chegarem, seus locais de trabalho foram apresentados. Em seguida, a chefe chamou-as para dar as boas-vindas.
–Bom dia, senhorita Sarah e senhorita Amélia. Eu sou a Sra. Carmela e desejo-lhes boas vindas ao editorial da revista Super Sports.
Então, ela deu um desafio de campo para cada uma das novas funcionárias. Sarah iria cobrir um treino de um time de vôlei, cujo desafio mesmo seria entrar, pois era um treino fechado. Sarah saiu para sua missão, deixando Amélia e Carmela sozinhas.
Enquanto ao desafio de Amélia...
–E o meu desafio, Sra. Carmela?
–Deixe-me ver... Você gosta de artes marciais né?
–Sim!
–Hum... Tem uma coisa que eu quero que alguém faça para mim. - deu uma pausa – Entrevistar o promissor lutador: Marc “Romano”.
Romano era o “apelido de lutador” de Marc.
A reação de Amélia foi imediata:
–O quê?
–O que eu disse: Entrevistar o Marc. Acha que não consegue?
–Não é isso! - gaguejou, ela não poderia falar – Não é nada! É que ele mesmo expulsa a pontapés.
–Mas você é bonita e da idade dele. Acha que ele não vai querer conversar com você?
Amélia não respondeu, apenas aceitou e voltou ao seu lugar. Sarah, que foi colocada ao lado da amiga, perguntou:
–E então, qual é o seu desafio?
–Você não vai acreditar!
–E o que é?
Nesse momento, todo o editorial parou para prestar atenção.
–Entrevistar o Marc “Romano”.
–Caramba! Isso é uma coisa totalmente nova e desafiadora.
–Eu sei!
O resto do dia passou normalmente. Amélia recebeu da chefe a informação de que Marc jantaria em seu restaurante preferido naquela noite. E passou o nome do tal lugar.
A jovem passou o seu dia nervosa, seu coração estava atônito. Contudo, não era medo de não conseguir cumprir o desafio, era o medo de ver Marc depois de tudo o que aconteceu. Todos os sentimentos do passado retornaram.
Sarah notou a mudança na amiga, quando, ao chegarem no apartamento, Amélia tomou um banho e iria sair sem colocar o seu cordão com pingente de luvas, o seu favorito e da sorte.
–Amiga, está tudo bem?
–Sim, Sarah. Eu já vou sair.
–Não esqueceu nada?
–Não!
–Então, por que o seu cordão favorito e da sorte está aqui? - falou mostrando-o em sua mão
–Só não quero usá-lo agora.
–O que há de errado com você?
Amélia ficou vermelha.
–Está nervosa por culpa da entrevista né?
Ela assentiu, mentindo.
–Não precisa ficar assim. Ganbatte kudasai nee, Amélia-chan! - falou sorridente
Sarah colocou o colar na amiga. Amélia saiu e pegou um táxi com destino ao Thé Fleur de Lune, restaurante preferido de Marc.
O jovem passou por mais um dia de treino e com Rafael no seu pé. Voltara para casa e tomara um banho. Pegou o seu carro e dirigiu ao restaurante, junto com o seu guarda-costas, no banco do carona. E, como sempre, dirigia com aquela garota na cabeça. Sentia saudade dela, de poder lutar, conversar, sair e se divertir com ela.
Amélia viajava quieta e pensativa, tentando tomar coragem para o que teria que fazer. Pois é, ela estava com 21 anos, fazia uns cinco que não via Marc. Se despedira dele de um jeito a deixar segundas intenções e ele poderia querê-las agora. Ela desejava e ao mesmo tempo não desejava revê-lo. Um era amor e o outro medo. E agora, teria que enfrentar o segundo por imposição do trabalho.
O lutador estacionou o carro ali perto e ia até a entrada do restaurante a pé, na companhia de seu guarda-costas. Era só com ele que Marc contava para se defender, além dele mesmo. Se ele não segurasse, Marc se encarregava por si.
Amélia pagou o táxi, agradeceu ao motorista e desceu. Até esta altura, Marc já se aproximava da entrada e estava rodeado de repórteres e paparazzis. A garota olhou para o lado, viu a confusão e depois, Marc. O coração falhou uma batida, o nervosismo tomou-a, uma vontade a fez correr. Entrou na bagunça, passou por todos e consegui tocar no ombro dele.
O toque fez o instinto de defesa dele se ativar. Marc virou o corpo, com o punho fechado. Amélia agarrou o soco. O olhar dele se arregalou, impressionado. A garota falou:
–Você ainda começa com a direita!

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