quarta-feira, 8 de julho de 2020

Degustação: As Aventuras de Jimmy Wayn - Confusão na Escola




As aventuras de Jimmy Wayn

Confusão na escola

Prólogo

Olá, quem vos fala é Jimmy Wayn, o ex-virgem.

Como sabem, eu perdi minha virgindade com minha melhor amiga e atual namorada: Samira. E logo após um surto de pensamento que eu descobri que gostava dela.

Estamos de férias agora, mas na próxima segunda vamos voltar as aulas.

Estou em uma viagem importante agora, com a família toda. Digo família, no sentido de namorada e seus parentes. Estamos em uma casa de praia, curtindo o sol, o mar e areia nas calças!  Voltaremos no sábado.

Estou com uma grande saudade dos meus amigos, a manada, quero voltar a falar com eles.

Píter se deu bem, pegou a Isabelle e ele me disse que está namorando-a e está muito feliz com “aquela gostosa!”. Adriano e Freire continuam só na pegação e não querem compromisso nem com a hora do Japão. Agora o Ique...

Depois de ser visto com mais de dez garotas diferentes na festa da amiga de Isabelle, ele me disse que agora tá amarrado. Está namorando uma das garotas com quem ficou na festa. Só não me lembro o nome dela agora.

Minha família está muito feliz com o meu atual relacionamento. Família da sogra? Idem!

Meus amigos e eu combinamos de domingo irem lá na minha casa para darmos uma zoada básica.

Quero só ver. Vai ser hilário!

 

Capítulo 1 – Galera em casa

Voltando da viagem e eu estou muito cansado, passei uns dez dias na praia direto. Não há ser que aguente!

Sendo assim, dormi e acordei na manhã seguinte – bem melhor alias – e ajudei minha mãe a preparar o rango, ou seja, eles viriam para o almoço e se bobeasse iam dormir aqui em casa. Era uma 11:30h quando Samira chegou, muito animada com a nossa reunião.

O tempo foi passando, primeiro chegou o Píter com a Isabelle, depois o Freire, o Adriano e por último Ique, ele apareceu com uma garota bem bonita, óbvio que era a fêmea dele. Ele apresentou-a para todos:

- Pessoal, essa é a Ana, minha namorada.

Isabelle e Samira vieram cumprimenta-la, pois como ambas, ela era a namorada de um membro. E “Namoradas de membros, também são membros”. As meninas se encarregaram de apresenta-la a minha mãe, que ficou muito feliz que o meu amigo enfim saiu da pegação. Ana ficou até tímida com tanta bagunça, bagunça e acolhimento, que ocorreu rápido demais. Passamos a tarde conversando e zoando muito, como dizem alguns: tocamos o terror.

Ana e Isabelle tiveram que sair mais cedo e umas horas mais tarde Samira quem foi embora. Ela podia ficar, a mãe dela deixou, porém ela alegou estar cansada e com sono, pedi que ficasse, mas disse que ficaríamos zoando até tarde e não conseguiria dormi. E o pior é que ela tinha razão!

Ficamos até altas horas falando merda, como sempre fazemos, é de praxe.

As horas foram tão altas que duraram até o dia seguinte, ou seja, aqueles putos dormiram lá em casa. E ainda bem que lembraram de trazer o uniforme. Nos arrumamos para a escola e fomos juntos e ainda zoando muito.


Capítulo 2 – De volta à escola

No caminho de ida da escola, eu e meus amigos continuamos com o que fizemos a noite toda: zoando e falando muita merda.

Samira foi conosco no caminho, era a que mais ria. Ela disse:

- Nossa, vocês são muito engraçados.

Até o colégio, foi uma caminhada longa, mas a brincadeira deixou tudo mais divertido e menos cansativo.

Chegamos e como pessoas civilizadas – um pouco somente – paramos de ficar falando besteira e começamos a nos comportar como bons alunos. Bem... Nós somos!

Entramos na nossa sala, Samira foi falar com Isabelle. Elas estão muito amigas agora. Ninguém acredita que alguns meses atrás elas eram inimigas mortais e quase se matariam por uma coisa bem pequena.

Elas só queriam ser colegas, mas acho que vendo como eu e o Píter somos amigos...

Agora trocam segredos, fazem coisas juntas. E como consequência, as amigas de Isabelle fizeram amizade com as amigas de Samira. E assim, acabou a rivalidade que existia entre esses dois grupinhos na sala. Essa pelo menos acabou e fico feliz por isso.

Mas a da Manada com os garotos da bagunça, eles querem se vingar a porrada que Lucas e Lyneker levaram do Ique. E com toda a certeza, a vingança deles não vai dar muito certo.

Eles continuam me chamando de Jimmy Virgem e ainda acreditam que eu sou. Até o resto da Mana me chama assim, até a família. Mas é que esse apelido pegou mesmo Como falam: Força do hábito, nem ligo.

Mas esses moleques me zoando demais, admito que chega a dar raiva, pois é todo dia, quase toda hora. Mas eu não preciso provar nada para eles. Quando tomarem uma na cara vão calar a boca.

Nessas horas que eu percebo que estou de volta à escola.

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Epílogo


Dá para acreditar que esse é o último capítulo do livro? Eu sei que escrevi em Novembro, mas é uma sensação diferente finalmente postar o capítulo.

Significa que o livro acabou! Eu vou sentir saudade de Kazuko e Makoto. E vocês?
Ainda lembro quem eu era em 2013 quando comecei a escrever essa história. Eu amadureci tanto com este livro. É o maior que escrevi até hoje.
Quero agradecer a todos que acompanharam e o leram em algum momento. Vocês são maravilhosos! Sério mesmo!
A mim por ter escrito até o final. E por explorar um gênero que nunca fizera até então.
E a meu Kareshi pela inspiração e o apoio de sempre. Foi com ele que conversei bastante sobre o livro e também com a ajuda na revisão. Especialmente agora na reta da publicação em físico!
Agora quero que minha Kazuko e meu Makoto alcancem o mundo!
E a campanha do catarse está em seus últimos dias. Essa é a última chance de você irem lá apoiar: Catarse.me/DEA_Publicacao
Vamos ao Epílogo!

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5 Anos Depois

Hoje é o grande dia!
Depois que Makoto terminou de ler o diário, ele insistiu que devia ser publicado em livro.
O movimento pró-escravos tomou força nos últimos anos. Ele sempre existiu, mas nunca foi levado muito a sério. Muitos pensavam que era só “mimimi” do ex-escravos. Porém, pessoas de outros locais evidenciaram os abusos que os escravos sofrem e os mostraram para todo o mundo.
Isso foi um dos pontos a favor para que eu publicasse o antigo diário como livro. Quero mostrar o nosso lado da história mais uma vez. Eu fui mais uma que viveu isso na pele e eu tenho um relato importante.
Entrei em contato com o grupo pró-escravos e a princípio, até me estranharam. Uma mulher rica ia querer ajudar nessa causa? Foi ai que eu me expliquei e eles aceitaram a ideia.
Com ajuda de Makoto, transcrevemos os meus manuscritos para o formato digital e claro revisando o texto e cortando alguns nomes, já que a gente queria evitar processos. As pessoas próximas, como a Rin, Keiko, Koishiro não viram problema e deixaram que seus nomes ficassem.
Levou dois anos para Makoto me convencer, mais um ano e meio para arrumar tudo e mais um e meio para chegar aqui. Makoto e eu trabalhamos e muito para que este dia chegasse.
Admito que eu queria que ficasse apenas entre eu e meu marido, mas ele enxergou um potencial que nem sequer pensei. Eu fiquei com medo talvez, por conta do passado que vivi ou das possíveis críticas que receberia. Contudo, a todo mundo que comentei sobre o diário adorou a ideia e ficaram surpresos de eu ter feito isso.
E o meu Takumi? Só me dá orgulho! Ele completou seis anos tem poucos meses e claro, já está na escola e se mostra muito inteligente. É um grude comigo! Ficou todo entusiasmo quando disse que ia publicar um livro.
Makoto e eu bancamos tudo da publicação, pagando o serviço de uma gráfica. E tudo do lançamento também. Como a ajuda do movimento conseguimos chamar pessoas importantes e a imprensa. O local está cheio e que bom que tem espaço para todas. É o hall do Midas Plaza, onde eu e Makoto sempre passamos nossos aniversários de casamento.
E finalmente fiz a minha tão sonhada faculdade. Eu estudei línguas, que era o curso que eu sempre quis fazer. Na verdade, acabei de me formar. E já me chamaram para um trabalho como tradutora. Acho que finalmente vou me sentir útil nessa sociedade, já que sempre me taxaram pela minha posição social.
Cá estou, no camarim, me tremendo de nervoso e ao mesmo tempo pensando em tudo o que passei para chegar até aqui. E não foi mesmo nada fácil! Fiz tudo isso para que mais pessoas não sejam obrigadas a passar pelo quê passei.
Logo o evento de lançamento de O Diário da Escrava Amada sugestão do Makoto e que todos aprovaram vai começar. Tem um monte de gente lá fora esperando só para me ver e receber meu autógrafo. Estou nervosa!
Eu respirei fundo, tentando controlar a ansiedade. Makoto entrou, me perguntando:
Tudo bem, amor? Ansiosa?
Tremendo nas bases. ri de nervoso
Vai dar tudo certo. Estarei ao seu lado quando falar.
Promete?
Prometo. estendeu-me a mão Agora vamos. Tá todo mundo te esperando.
Ele me levou para o lugar e todos se alegraram a me ver. Cumprimentando-me e aplaudindo. Vi meus amigos, a minha família, os membros do movimento. Takumi também se juntou, me dando a sua pequena mãozinha. Ele está tão lindo com roupa formal. Era o momento que todos esperavam. Os livros em mãos, uma fila enorme, mas sem antes de eu fazer um pequeno discurso:
Olá, pessoal. Boa noite e sejam bem-vindos ao lançamento de O Diário da Escrava Amada. Makoto percebeu meu nervosismo e segurou a minha mão Bem, eu só quero agradecer a presença de todos. Eu espero que gostem de conhecer a minha história mais a fundo. Saibam que tudo ai escrito realmente aconteceu. Eu espero que o relato da minha experiência como escrava seja de grande importância para a luta dos que foram, são ou até que serão iguais a mim. E que num tempo não muito distante, a escravidão não exista mais.
Todos vibraram e aplaudiram. Agradeci novamente. Imediatamente sentei-me a mesa para distribuir os autógrafos. Takumi e Makoto se afastaram e foram conversar com outros convidados.
A primeira pessoa da fila era minha mãe: Saiko.
Sua vó estaria muito orgulhosa de você, filha.
Eu sei, mãe. Estou aqui agora por nós três. disse enquanto escrevia a dedicatória É uma honra ter uma inspiração como você. entreguei o livro
Ela agradeceu e sorriu, emocionada ao ler o que escrevi.
Os próximos eram Koishiro, Minami, Minori e Shiori, junto com as crianças. Cada um carregava seu exemplar.
Quem diria que minha nora é escritora? comentou ele Nunca imaginei que escreveria um diário.
Nunca se pode duvidar das pessoas, né?
Exatamente. e riu
Assinei todos os livros. E vieram os próximos: Keiko com a família.
Estou tão feliz por você. Imagino o quanto não foi difícil na época.
Foi e muito. O diário era meu único confidente algumas vezes.
Autografei e todos desejaram sucesso. Depois vieram Rin, Namie e a filha Shoko, que já está bem crescida.
Achou mesmo que não ia comprar seu livro, amiga?
Não mesmo. Eu já esperava te ver hoje.
Eu tenho uma amiga famosa agora. – Namie disse
Não é para tanto. ri sem graça
É sim. Você e Makoto estão fazendo algo importante aqui.
Agradeci, entregando o livro.
O próximo era Yuuki ex-chefe de Makoto , já que meu cônjuge abriu o próprio escritório no ano passado.
Quanto tempo, Kazuko. Vim prestigiar seu trabalho.
Obrigada. E sua esposa e filho? Como estão?
Estão bem. Ficaram em casa. Sabe como a Yoko é.
Sim. terminei de escrever e devolvi o livro Espero que a leitura lhe seja proveitosa.
A pessoa seguinte me surpreendeu. Era Kana, acompanhada de um homem e ostentando uma pequena barriga de grávida. Ainda bem que eu troquei o nome dela nas passagens em que aparece no diário.
Kazuko, querida. Uma honra comprar seu livro, só espero que não tenha nada sobre mim ai. sorriu, fazendo a egípcia
Fico feliz que tenha casado. E parabéns pelo bebê.
Obrigada! Parabéns pelo livro também.
E finalmente veio alguém desconhecido que comprou o livro. Eram dois homens. Um loiro. Um mestiço. Eles estavam de mãos dadas e o loiro disse:
Muito inspiradora sua história. Lembra a minha e do meu marido.
Foi algo bem parecido até. Não que tenha lido o livro todo ainda. Mas, eu pulei para umas partes mais a frente. falou o mestiço
Que coisa feia, amor. disse o outro
Ora, eu fiquei curioso!
Admito que achei muito fofo o jeito que um olhou pro outro. Os dois me inspiraram de uma forma. Eu agradeci e lhes desejei tudo de melhor e que a leitura fosse proveitosa.
E dali para frente, conheci tanta gente e que veio ali porque soube por notícias ou por convite de amigos. Pessoas que queriam saber da minha história e da causa que ela apoia. Acho que nunca me senti tão importante como hoje.
Foram longas conversando e autografando livros para estas pessoas. Eram as sementes de esperança que eu senti que espalhava. A minha pequena contribuição para mudar essa sociedade doente em que estou inserida.
Ao final, levantei mais tranquila e com a barriga roncando, já que eu fiquei sem comer por causa da ansiedade. Então, vi uma pessoa vir desesperada. Era Makoto, trazendo um exemplar nas mãos.
Ei, moça. Esqueceu eu autografar o meu.
Eu tive que rir. Ele sempre faz essas bobeiras.
Tá bom, moço. entrei na brincadeira, pegando a caneta Qual o seu nome?
Ele respondeu e eu coloquei na dedicatória:

“Para Makoto,
A primeira pessoa que leu o meu diário.
A primeira pessoa que eu realmente amei e continuo amando.
A pessoa que faz me sentir amada todos os dias.
A pessoa que me completa, mesmo sendo tão diferente.
Obrigada por todo o apoio!
Com amor,
Kazuko”

Devolvi o livro.
Makoto leu e até chorou, depois sorriu. Abraçamo-nos e ele disse baixinho no meu ouvido.
Eu te amo!
E eu respondi:
Eu também te amo!
FIM

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Capítulo 60 - O último “capítulo”


Acordei na manhã seguinte com o meu corpo coçando e se doendo todo, como uma forma de pedido para que eu fosse ler o diário e ignorasse até mesmo as minhas necessidades fisiológicas. Mas, não pude mesmo ignorar o “chamado da natureza”. Depois disso, sai de fininho do quarto, deixando Kazuko e Takumi dormindo igual a dois anjinhos.
Peguei o diário, sentei no sofá e abri para ler as últimas páginas que restavam.

“Não sei nem o porquê, mas reencontrei este antigo diário dentre minhas coisas. Eu devo ter deixado no fundo de uma gaveta e hoje, ao mexer no armário, ele caiu de algum lugar. Acho que nunca vou saber de onde! Só lembro que queria escondê-lo de Makoto.
Deve ter bem mais seis meses que eu escrevi pela última vez.
Confesso que parei a arrumação do armário e estou aqui, relendo algumas partes e rindo do meu eu do passado. Admito que não foi uma época nada fácil da minha vida. A vida que eu conhecia me foi tirada da noite para o dia, com o aviso prévio de menos de um dia em que mal tive tempo de me preparar psicologicamente, arrumar minhas coisas e que nem pude levar muitas e me despedir da minha família. Achei que nunca mais os veria por um bom tempo e num último suspiro de liberdade fui numa loja perto de casa e comprei um caderno, do mais simples que achei, mas ainda assim com bastantes folhas. Dai para frente tudo o que aconteceu está registrado.
E só me pego pensando em como aquela menina não fazia ideia de como a vida dela ia mudar, no bom sentido. Não vou dizer que foi tudo uma maravilha, que foi um conto de fada. Senti-me subjulgada e menosprezada inúmeras vezes enquanto fui escrava. Até pelo próprio Makoto. Só que no fundo eu sabia que ele não era assim, ele fazia o que fazia por achar que este era o papel dele. A mesma sociedade que me botou no papel de escrava o colocou no papel de dono e nenhum de nós quis segui-los em dado momento. Claro que no começo nos estranhamos, mas o tempo construiu e moldou a nossa relação.
Agora estou aqui, sentada na escrivaninha do quarto em que durmo com Makoto todos os dias, porém como esposa dele e não escrava como antes. Descobrimos o amor na situação menos propensa para isso. Mas, isto é detalhe!
Bem, da última vez que escrevi foi quando eu e Makoto finalmente nos casamos e me mudei definitivamente para cá. Depois que terminei a escrita que eu guardei o caderno e me esqueci dele, já que não precisava mais dele.
Ironicamente, é a época que mais teria coisa para contar num diário. Só que aprendi uma coisa: felicidade se aproveita. Contudo, senti uma vontade de contar os acontecimentos dos últimos meses, de uma forma resumida e isso seria uma forma de encerrar este diário. Só não sei como se faz, nunca mantive um por tanto tempo a ponto de terminar. Acredito que vai ser mais como encerrar um ciclo para poder viver feliz depois de tudo o que nós passamos.
Não vai ser felicidade plena, até porque isso é impossível, só existe nos livros que li. Mesmo assim, livros têm ciclos, assim como a vida. Talvez seja por isso por isso que ela inspira tanto. E quero encerrar essa etapa contando como ela terminou, ou melhor, como a seguinte está começando.
Minha gravidez seguiu bem até o final. Makoto me fez continuar comendo tudo certinho para que Takumi recebesse todas as vitaminas necessárias para crescer na barriga e nascer forte e saudável. Sempre ia as consultas acompanhada, fosse da Keiko, da minha mãe ou de Makoto. Rin também era super atenciosa e prometeu que estaria comigo no dia do meu parto.
Também fizeram um chá de bebê. Isso foi ideia das minhas três sogras é tão estranho chamá-las assim. Elas também tiveram isso com seus filhos e me disseram que nunca viram ninguém do “nosso antigo lado” fazer esse tipo de festa.
Para os ricos, um filho é uma coisa boa. Para os pobres, é mais um que quando crescer um pouco vai para o centro de escravos e pode ser tirado de você a qualquer momento. Ainda fico sem acreditar que meu filho sempre será livre, diferente de mim, da minha mãe, da minha avó. Takumi terá o futuro dele para ele. Queria muito que outras mães pudessem dormir tranquilas como eu posso. Eu só queria mesmo que essa escravidão acabasse e que mais nenhuma criança fosse vendida como brinquedo de ricos.
O dia que Takumi nasceu foi com certeza um dos mais felizes da minha vida. Ele está com uns três meses agora e ainda consigo quase sentir o peso da barriga em alguns dias. Só que ai eu olho o bebezinho dormindo no berço e me pego pensando se tudo isso é real mesmo.
Lembro que fiquei uns dias sentindo uns desconfortos aqui e ali, a Rin tinha me alertado sobre isso. Até que na madrugada do dia em que ele nasceu, acordei com a sensação de que os ossos do meu corpo se quebravam e latejavam. Era uma dor que vinha da lombar para a parte da frente. Tentei ficar deitada um pouco mais, só que eu não conseguia parar de me mexer, procurando uma posição minimamente confortável. Decidi me levantar, talvez para tomar um banho quente para relaxar. Só que ao me sentar veio uma pontada. Segurei o gemido que quis soltar, não queria acordar o Makoto, já que ele tinha trabalhado o dia todo.
Sai da cama e fui caminhando a passos bem lentos, como se tivessem facas nos meus calcanhares. Cheguei ao banheiro e sentei no vaso e vi uma gosma ou líquido, ou um tipo dela, sair do meu canal vaginal. Com as minhas pesquisas, eu sabia o que isso significava.
Ai eu não tive como não acordar o Makoto. Limpei-me e no mesmo passo lento me dirigi ao lado de Makoto na cama. Cutuquei-o, chamando-o.
Oi, Kazuko. respondeu resmungando
A minha bolsa estorou. Precisamos ir ao hospital.
Ah, tudo bem. ainda com a voz sonolenta Já vou me trocar. levantou-se
Eu vou precisar de ajuda. disse sentindo mais uma fisgada
Tudo bem? preocupou-se
Sim. respirei fundo É uma contração, eu acho.
Tá contando o tempo entre elas?
Talvez de 10 em 10. Não contei exatamente. inspirei novamente
Senta aqui. me ajudou
Depressa, ele pegou a primeira roupa que viu na gaveta e vestiu. Na sequência, ele procurou uma para mim. Por sorte, a contração parou e pude colocar com o mínimo de ajuda.
Confesso que achei fofinho o Makoto tremendo todo, preocupado e nervoso comigo. Eu queria mesmo era sorrir e dizer que é assim mesmo e que eu ia sobreviver. Só que eu tinha que me concentrar para aguentar a dor e se eu emitisse algum gemido, ele ia ficar desesperado.”

A gente sempre acha que vai estar preparado para este momento. Estuda, pede conselho de amigos, mas quando chega a hora mesmo, trememos e nos desesperamos porque é algo novo e sempre existe o medo do desconhecido.
E também fiquei muito sentido ao ver Kazuko com dor. Eu não faço ideia, até hoje e olha que eu já que já vi os partos dos meus irmãos mais novos como é essa dor. Minhas madrastas descreveram como se fossem uma cólica bem forte. Kazuko me disse o que descreveu no diário: como se os ossos de todo corpo se quebrassem.
Eu já quebrei um braço e foi a pior coisa que me aconteceu. E olha que eu era criança e lembro como se tivesse acontecido hoje.
Mesmo que não fosse suportar essa dor, gostaria muito de poder dividí-la ou sentir por ela.

“Sem muita pressa, até porque as contrações estavam bem espaçadas. Eu as contei enquanto Makoto arrumava as coisas. Saímos de casa. Claro que com algumas paradas no caminho porque tinha a dor e o detalhe de já estar andando devagar. Com um bocado de esforço chegamos ao carro. Enquanto estava em direção ao hospital, liguei para Rin e a avisei. Apesar da voz de quem acabou de acordar, ela disse que sairia o mais rápido possível.
Cerca de quinze minutos dirigindo chegamos ao hospital. Dei entrada e fui levada a maternidade. Logo me colocaram no quarto. Uma enfermeira veio me examinar e disse que estava com poucos centímetros de dilatação e que ia demorar um pouco ainda. Perguntou sobre o intervalo entre as contrações e sobre a minha obstetra. Respondi calmamente. Makoto tratou de informar sua família e a minha também. Logo Rin chegou, falou comigo e verificou como estávamos eu e o bebê. Algumas horas depois, os outros chegaram.
Passei por longas horas de dor, entre me contorcer na cama, ficar em pé, andar pelo quarto ou pelo andar do hospital. E a parte de empurrar foi ainda pior. Mas ainda bem que quando Takumi saiu, toda a dor cessou e eu finalmente pude ver o rostinho dele e foi a coisinha mais linda que eu já vi. Makoto achou a mesma coisa, pois foi o que ele falou. Koishiro estava com uma câmera a postos e conseguiu capturar este exato momento e o registro está bem na minha frente.
Ainda me pegou algumas vezes apenas olhando para ele e só admirando. É um tipo de sentimento que nunca tive por ninguém, nem pela minha mãe e nem pelo Makoto.
Minha vida não poderia estar melhor. Quando Takumi crescer um pouco quero retornar aos meus estudos, porque quero fazer faculdade.
A única coisa que penso é em felicidade mesmo que não a tenha todos os dias, ela está presente na maioria deles. Mas, uma coisa que o lugar onde nasci me ensinou foi é que nunca devemos esquecer ou ignorar o passado. Não podemos nos perder da nossa própria história. É uma das poucas coisas que não nos é tomada. São experiências e vivências que ninguém nos tira. E são as mesmas que podemos dividir com outros ao recontarmos.
Esse foi outro pensamento que tive quando decidi escrever o diário. Desabafar, colocar pra fora e poder registrar. Por isso fazia questão de vir escrever o mais cedo que podia, para poder dar o maior nível de detalhes. Em alguns dias, eu me sentia atropelando as folhas do caderno ao colocar tanta coisa. A mão doía. Perdi a conta de quantas vezes parei de escrever por raiva ou porque minha visão embaçava de tanto chorar.
Por muito tempo eu escondi esse diário de todo mundo, até do meu marido. Acho que chegou a hora de mostrar ele a alguém. E quem melhor do que Makoto? Ele viveu tudo isso comigo.
Lembro já ter me despedido dele uma vez, mas agora é definitivo. Agradeço ao objeto que personifiquei, só para sentir que estava falando com alguém e isso me ajudou em muitos momentos.
Sou grata a tudo isso!
Agora, a minha vida continua e parte dela ficará para sempre registrada aqui.”

Então, ela colocou a data e assinou.
É irônico que ela tratou esse final como uma dedicatória de livro talvez.
Terminei a leitura, debulhado em lágrimas. E foi ai que senti algo se aproximar por trás de mim, me abraçando.
Bom dia, amor. e percebeu meu estado O que houve?
Terminei de ler o diário. falei E ainda não faço ideia do porquê chorei lendo essa parte especificamente.
Tudo bem. Não precisa me explicar. sorriu, tentando me animar Fica ai que eu preparo o café. Aproveita e acorda o Takumi para ele comer conosco.
Fiz conforme ela pediu com meu rosto todo molhado. Sentamos a mesa e uns minutos depois, ela trouxe a comida. Puxei assunto durante a refeição:
Você quis que eu lesse o diário?
Sim. Afinal, toda história tem dois lados. Eu queria que soubesse o meu.
E se eu te dissesse que mais pessoas deveriam ler?
Eu não sei. Podemos conversar sobre isso.
Acho que se fizermos, vai ser algo importante.
Espero conseguir convencê-la a colocar esta história no mundo.
Alias, tenho uma sugestão de nome, somando o que você botou na capa: O Diário da Escrava Amada.
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