quinta-feira, 30 de abril de 2026

Boletim de Anelândia: #45 - Pequenas regras de autor (E como eu as odeio)


Olá, pessoal! Como vão?
Sejam bem-vindos a mais uma edição do Boletim de Anelândia.
Cá estou eu hoje para falar sobre mais um assunto meio polêmico que faz parte dessa vida de ser autora e que desde sempre me incomoda bastante.
Vou falar sobre como algumas pessoas instituem alguns pequenas regras para autores e como elas me incomodam muito.
Segurem na minha mãozinha e vamos!

Como eu encontrei essas “regras”

Antes de entrarmos nas questões que me incomodam, vou comentar porque elas acabam fazendo isso comigo.
Boa parte dessas coisas acabei por entrar em contato justamente por ser uma autora muito presente online, principalmente no começo dos anos 2010, que foi quando eu publiquei minhas primeiras histórias no Nyah e no Wattpad. Eu era muito presente em grupos de autores e leitores desses sites; acabava que o pessoal trocava e compartilhava bastante e pedia algumas dicas uns aos outros, ainda mais porque a maioria eram de autores iniciantes e que ainda estavam aprendendo muitas coisas sobre escrita e criação de histórias.
E infelizmente, a ignorância faz com que a gente pense certas coisas que não são verdade!
Eu, com um pouco mais de bagagem mesmo naquela época, já ficava muito incomodada! Tanto que até hoje me sinto assim, na mesma escala e é por isso que temos essa edição de hoje.


Minha cara vendo os outros "cagando regra" na escrita dos outros!

Algumas coisas que me incomodam são…

Limitar a quantidade de capítulos ou palavras que uma história deve ter

A primeira barreira que muitos se deparam é justamente qual o tamanho que a história deve ter, em quantidade de palavras mesmo! Claro que existe uma média, mas só para determinar se vai ser um conto ou um romance, por exemplo.
Só que, em alguns casos, alguns autores pensam que é regra ter que escrever capítulos curtos ou capítulos longos e que o contrário é justamente o “errado”.
Pensar que a história vai ficar cansativa ou mal desenvolvida só por conta de uma quantidade de palavras a mais ou a menos. 

Limitar os tipos de nomes dos personagens

Essa daqui eu sofri pessoalmente, porque eu escrevo histórias com personagens com nomes de origem asiático; o DEA tá aí de prova.
E admito que muitas pessoas que estavam presentes nesses grupos não foram ler algumas das minhas histórias só porque os personagens tinham nomes diferentes do “convencional”.
Diziam que se somos brasileiros, os personagens tinham que ter nomes considerados mais comuns. Sendo até mais aceitável alguns nomes que vemos nas outras mídias, como nomes americanos.

Local em que a história se passava

Esse aqui também me enlouquecia, mas mais pela indecisão.
Alguns diziam que, por sermos brasileiros, devíamos escrever histórias ambientadas em nosso país. Enquanto outros até aceitavam os dramas escolares de ensino médio exatamente no local em que se pensa ao se falar sobre isso.

Limitar quais temáticas devem ser escritas (isolar em tropes)

Esse aqui foi tema da última edição bônus que eu escrevi. Mas, o pessoal também ficava muito isolado com relação aos clichês que deveriam ser escritos. Tudo bem se for uma questão de preferências, mas não era só isso!
Mas, não vou me alongar muito neste, deixo a edição bônus para vocês lerem!

Estipular como deve ser o comportamento de divulgação de um autor na rede

Esse aqui foi também uma que eu recebi um ataque pessoal, justamente por causa do Moda Personagem. Ainda lembro a pessoa dizendo que se eu quisesse ser uma “autora sério” eu não deveria me sujeitar a este papel.
Ainda vou fazer uma edição sobre ser uma autora cronicamente online, mas ainda acho que toda essa cultura de redes sociais já acaba por nos podar e ser uma “regra” terrível.

Essas pequenas regras só servem mais para atrapalhar do que para ajudar…

E isso me irrita em níveis que nem sei descrever!
Mas, de verdade, as pessoas julgavam muito só pelos aspectos que citei acima. Fico imaginando realmente uma pessoa que estava começando ali e queria escrever uma história legal e ter leitores se deparando com a essa quantidade - porque tinham mais algumas que eu não citei aqui - e pensando em como que ela vai fazer.
Em especial o ambiente das fanfics, na minha humilde visão, sempre foi mais sobre explorar e se descobrir dentro do mundo da escrita. 
Acredito que essas pequenas regras, que são criadas meio que sem contexto ou sentido alguns. acabam mais por atrapalhar e limitar esses novos autores do que ser um auxílio.
Claro que existem algumas pequenas “regras”, mas creio que na escrita seja algo mais como um guia - igual quando eu escrevo o “Dicas para Escrever” - do que como realmente um grande manual a ser seguido passo a passo.
Por favor, autores novatos, parem de ouvir os conselhos dessas pessoas e explorem o que vocês quiserem! Escreva do tamanho que quiserem, no local que quiserem, com os personagens que quiserem. 
Ser autor é se libertar e não se prender! Livrem-se dessas regras!

Vamos só ler ou escrever nossos livros e ser felizes!

Bem, pessoal, é isto para a edição de hoje. Estou sempre cutucando em vespeiros nessa newsletter.
Espero que tenham gostado!
Até o próximo Boletim de Anelândia!

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Boletim de Anelândia: Bônus #12 - Tá, mas a história é sobre o quê? (Por que tropes literárias me irritam)


 
Olá e boas-vindas a mais uma edição extra do boletim de Anelândia!
Esta até poderia ser uma versão normal da newsletter, mas acho que essa temática é mais raiva pessoal minha do que falar sobre o mundo autoral num geral. E assim, quero apenas evitar a fadiga, desabafar em paz e colocar de novo às edições normais no final do mês; mas sem deixar vocês muito tempo sem atualização.
Vai se parecer muito com o que acabo fazendo num dos meus blogs, só que isso é detalhe.
Então, segurem na minha mãozinha e vamos!
 

Uma reflexão sobre tropes literárias...

Acho que é mais do que sabido nessa atualidade autoral e de divulgações de livros num geral que uma coisa que muitos leitores procuram hoje são sobre alguns clichês específicos, ou melhor, por tropes específicas.
Imagino que essa ideia surgiu justamente com a explosão das fanfics no comecinho dos anos 2000 - que não foi o foco da minha pesquisa de TCC, por isso que não sei - e que foi tomar mais forças dentro do mundo literário depois da pandemia.
Porque antes os outros autores divulgavam seus livros através da sinopse e até tinha o meme de que era mais difícil escrevê-la do que a história em si. Até tinham os clichês que faziam parte, porém eles eram uma coisa mais secundária na divulgação.
Não sei em que momento chegamos que isso acabou por se inverter e agora usam esses detalhes como o principal da divulgação e o próprio enredo em si fica como algo em segundo plano.
E é sério… Isso me irrita de uma forma muito desproporcional!
Porque eu tenho a sensação de que as divulgações só cumprem uma espécie de checklist para agradar leitor que não sabe procurar coisa ou só é preguiçoso e não lê 5 linhas de sinopse.
É tipo: Meu livro é enemies to lovers; só tem uma cama; found family…
Tá legal! Mas, qual é a história? Quem são os personagens? Qual é o pano de fundo para que tudo isso aconteça? Como tudo se desenvolve?
Alguns livros podem ter as mesmas tropes, mas a forma que vamos trabalhar com elas vai mudar bastante de autor para autor. São apenas umas ideias base e que são desenvolvidas durante o livro… Só que a maioria acaba por não entender isso.
O problema não são usá-las, mas transformar a divulgação e a forma de contar a história numa coisa tão simplista como apenas uma lista de tarefas literárias.
Talvez seja culpa da escrita ter se tornado ainda mais comercial, principalmente depois da pandemia… Ou só uma síndrome de pessoas preguiçosas que não sabem mais procurar um livro/história usando os recursos que já existiam, como a capa, o título e a própria sinopse.
Parece que até a leitura, que era uma coisa até mais profunda, se tornou só mais um lugar em que não se deposita mais a atenção devida e só quer receber aquela dopamina rápida - que são as cenas que tem a ver com a bendita trope - e não aproveitar as outras nuances da história, os momentos de altos e baixos da história. Porque a leitura é justamente isso!
Antes de fecharmos, só lembrando que o problema não são as tropes em si e sim a maneira que elas estão sendo usadas.
E eu, como uma autora que gosta de ir contra a curva (só por rebeldia mesmo e porque é o meu estilo) acabo sofrendo porque eu escrevo coisas fora dessas ideias em algumas das histórias e como que eu faço para divulgar? Não faço né?!

Enfim, pessoal, vou terminando essa edição bônus por aqui.
Espero que tenham me entendido e espero não sair cancelada por essa internet por conta disso.
Até o próximo Boletim de Anelândia!

quarta-feira, 18 de março de 2026

Boletim de Anelândia: #44 - (Re)buscando a rotina de escrita (Novas rotinas e criatividade)


 
Olá, pessoas! Boas-vindas a mais uma edição do Boletim de Anelândia.
Sei que a edição acabou atrasando, mas foi por motivos pessoais, em resumo de uma troca de trabalho e que ironicamente vai acabar combinando bastante com a temática que vou falar hoje.
Eu queria falar desse tema antes de toda a treta que aconteceu comigo no final de janeiro/início de fevereiro (que eu comentei num dos meus blogs) e justamente agora que aconteceu tudo isso, acho que o tema vai ficar mais interessante.
Hoje falarei sobre uma das coisas que tem me afetado bastante como autora, que é tentar encaixar o ato da escrita dentro da minha rotina.
Então, segurem na minha mãozinha e vamos!


O Momento da Escrita dentro da rotina

Não sei que com todos os autores é assim, mas comigo é preciso quase todo um ritual para eu poder escrever. Realmente a hora de escrever é uma coisa bastante importante, porque eu preciso me concentrar, me preparar, me isolar dentro da minha mente criativa e finalmente assim poder escrever.
Podemos chamar carinhosamente de: O Momento da Escrita. E acredito que ela deve ser feita realmente de uma maneira que não dependa tanto de uma inspiração externa, mas como um pedaço da rotina, mais uma tarefa dentro de tantas outras.
Porque, nessa fase da minha vida, em que encaro a escrita como uma segunda profissão, preciso também desse momento em que vou trabalhar nos meus livros.
Acredito que todos os autores poderiam fazer isso, fica mais fácil para lidar com questões externas que podem atrapalhar.

Meus hábitos de escrita, de acordo com a época da vida

Já passei por diversas fases em que eu tinha uma rotina de escrita diferente, porque inclusive, como falei acima, a forma que eu enxergava a minha escrita era bem diferente.
Quero falar um pouco sobre como era cada uma delas, só pela nostalgia.

Começo da adolescência

Quando comecei nessa aventura de ser escritora, eu fazia de maneira bem esporádica e normalmente até nos finais de semana.
Na verdade, a característica desse período é de que não havia uma rotina, escrevia quando dava ou quando tinha vontade e inspiração.
A autora que costumava escrever nos horários mais inapropriados! 

Ensino Médio/Faculdade

Com o avançar da idade, fui tomando gosto pela escrita e eu fazia uma coisa “bem feia, acabava por escrever em diversos momentos durante as aulas.
Alguns dos meus primeiros livros, como o JV e O Diário da Escrava Amada foram escritos durante aqueles momentos tediosos em que não se faz nada sentado na carteira. Como não tinha celular para poder me ocupar, sempre tinha umas folhas extras - de refil de fichário - ou até um caderno. Eu só pegava uma caneta ou lápis, colocava na mesa e me isolava no meu mundinho de escritora enquanto as palavras iam preenchendo o papel.
Ainda me lembro que um dos meus capítulos favoritos do DEA - o famoso capítulo 35 - escrevi durante uma aula de estatística. (Não cheguei a terminar, pois a aula acabou na melhor parte do capítulo e eu terminei em casa depois.)
O fatídico capítulo que escrevi na aula!

Pós-faculdade/Trabalhando

Quando deixei de estudei e passei a trabalhar, o tempo livre em aulas acabou sumindo, então tive que achar outro bom momento para poder escrever.
Como trabalhava o dia inteiro e nos dias de folga acabava por ter outros compromissos, deixava para escrever no final da noite, lá pelas 22h ou 23h.
Meus livros após 2019, ou seja, durante a pandemia (e depois também) acabei por fazer assim e boa parte do 12 Meses com Minorin acabei por escrever depois das 22:30h e na maior parte dos dias morrendo de sono e precisando acordar cedo no dia seguinte e enfrentar o transporte cheio.
Mas, era um dos poucos horários em que a casa dos meus pais ficava mais quieta e eu conseguia colocar uma música no fone, sentar com meu notebook velhinho na cama - ou às vezes no meu computador - e escrever nem que fosse por meia hora.
 





Tentando voltar à rotina após a mudança

Como é sabido, agora eu estou morando na minha própria casa, junto com digníssimo. Então, muitas coisas mudaram e acabou que a minha rotina de escrita acabou sofrendo com isso.
Ainda está sendo um período de muitas adaptações e eu só digo isso, porque eu realmente ainda não encontrei o melhor momento de tirar o meu momento para poder escrever.
Pode até soar um pouco egoísta da minha parte, mas eu preciso estar sozinha para poder conseguir escrever. Sei que durante muitos anos fiz com pessoas perto, mas eu ainda assim conseguia me fechar na bolha… Eu preciso desse momento de me isolar e realmente poder me concentrar, pensar e escrever o livro.
Só que, é meio complicado fazer isso quando tem uma pessoa que sempre está sentada do seu lado e costuma, quando você está super empolgada, acabar te chamando e quebrar todo o seu ritmo e fluxo.
Não é uma hipótese, se eu estou falando é porque acontece! Não falando mal do meu marido, longe disso, mas, indiretamente, ele acaba atrapalhando. E olha que isso é quando escrevo postagens do blog, imagina com meus livros.
Tudo bem que, com a mudança, a minha criatividade praticamente desapareceu. E eu ainda estou tentando recuperá-la!


É tudo um processo e que vou achar a solução

Ironicamente, cheguei a comentar sobre esse tema numa das minhas sessões recentes de terapia, porque eu comentei sobre as metas do ano e comentei o que falei logo acima.
E agora acabou que a minha rotina mudou toda de novo, para me ajudar ainda mais.
Uma coisa que aprendi nesse tempo todo é que existem épocas e épocas. As últimas vezes em que escrevi, senti que tudo fluiu bem. Uma vez foi em Agosto de 2025, quando finalmente escrevi mais uma parte de Destinos Florescentes; e em Novembro, quando eu escrevi os dois textos especiais pelos meus 20 anos como autora - o conto Mensagem e Essência Adormecida.
Acho mesmo é que eu vou voltar a escrever meus livros na força do ódio. Tirando novamente os horários da noite ou até de manhã, antes ou depois de eu ir pro trabalho.
Enfim, eu ainda vou reencontrar essa rotina e transbordar ainda mais a criatividade que acho que nunca acaba (ainda bem!).
Eu fingindo que tá tudo bem, mas eu tô é puta por não conseguir escrever!
 
Bem, pessoal, espero que tenham gostado do Boletim de Anelândia de hoje.
Até a próxima!
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