quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

A magia para voar


Mais um belo dia das minhas férias. Estou afastada da metrópole em uma casa de praia. E também estou sozinha!
Resolvi tirar um final de semana para aproveitar a minha própria companhia. Resolvi usar esse tempo para relaxar, aproveitar a praia, colocar as ideias no lugar e escrever. Escrever uma história que inventei quando era criança e cuja passava horas e mais horas brincando. E acabava levando meu irmão a participar também.
Escolhi a tarde de sábado para pegar uma caneta e um caderno, que trouxe em minha mala, e me sentar na varanda para finalmente dar vida àqueles personagens que fazia questão de ser. Ajeitei-me numa cadeira próxima a parede, apoiei o caderno em meu colo e permiti a ligação entre minha mente e o papel. Apenas deixando a caneta deslizar pela folha e começar o desenho das letras.
Coloquei, primeiramente, o título: A magia para voar.
Em seguida, iniciei a história...

Era mais uma tarde numa rua do subúrbio. Estava muito calor e as crianças corriam e brincavam, inclusive Ana e Elis.
Os dois irmãos raramente faziam isso, pois a mãe não lhes permitia. Ela resolveu abrir uma exceção, já que era sexta-feira. As crianças aproveitaram e queimaram a energia que tinham e até a que não tinham. Ao voltarem para casa, tomaram um banho, jantaram e foram direto para a cama.
Algumas horas se passaram e os irmãos ouviram uma voz chamando-os. Abriram os olhos e viram uma fada. Ela tinha asas, uma varinha e usava uma longa veste branca.
-Uma fada? - Ana e Elis perguntaram
A fada respondeu:
-Isso mesmo, crianças.
-E o que faz aqui?
-Preciso da ajuda de vocês. Vamos! Explico-lhes no caminho.
As crianças se levantaram e seguiram a fada até a janela, que foi aberta por ela.
-Espera aí! - disse Ana, a mais velha – Como a gente vai?
-Voando, criança.
-Sem asas?
-Não é só com asas que se voa, irmã. - completou Elis
-Seu irmão está certo. É até bem simples: Basta acreditar que é possível!
A menina se conformou. Porém, outra questão formou-se:
-E a mamãe? Ela vai ver que não estamos no quarto.
-Não se preocupe. - a fada estalou os dedos – Ela vai dormir a noite toda.
Então, a Fada, Ana e Elis saíram pela janela e estavam voando pelo céu noturno. Os irmãos adoraram ver todas as casa de cima,era muito diferente.
A cada minuto eles se distanciavam mais e o lugar onde moravam aparentava ser um formigueiro. Mais alto e mais alto, alcançando as nuvens e passeando por elas. Havia uma enorme, com um castelo em cima e era para lá que eles se dirigiam. Poucos minutos depois, eles aterrissaram na borda fofa dela.
Seguiram o resto do caminho a pé,andando pelo chão de vidro e avistando três pessoas mais adiante. Elas eram um rei, uma rainha e uma princesa e pareciam estar a espera da fada.
-Majestades. Alteza. Perdoem a minha demora.
-E conseguiu a nossa ajuda, Fada Branca? - indagou a princesa, nervosa
-Sim, encontrei. - fez um sinal às crianças – Estes são Ana e Elis.
Imediatamente, eles se curvaram perante as realezas.
-É um prazer, crianças! - falou a rainha
O Rei apertou as mãos de ambos e a Princesa beijou-lhe os rostos.
-Majestades, para que precisam de nós? - perguntou a mais velha
-Entremos para tomar um chá e falemos sobre isso.
Então seguiram os anfitriões até a sala de jantar daquele enorme castelo, sentaram-se a mesa já posta e começaram a conversar.
-Crianças, eu serei direto. Preciso que resgatem uma pessoa. - falou o Rei
-O meu príncipe! - gritou a jovem princesa
-Ele está perdido? - indagou Elis
-Está mais para preso. Ele foi buscar um tesouro e não voltou.
-Temos certeza que foi o Feiticeiro Negro quem o capturou.
-Como assim? - questionou a menina
-Fada Branca, a minha filha não se sente bem ouvindo esta história, pode contar para eles lá fora?
-Sim, rainha.
Ana e Elis foram levados até o jardim, que era muito bonito, tinham árvores, arbustos e flores. Os três se sentaram em bancos, um a frente do outro e a Fada contou tudo o que acontecera com o Príncipe.
Ele e a Princesa iriam se casar, estavam na correria dos preparativos. Contudo, o presente que ele daria a Princesa, o chamado tesouro, foi roubado. Ele sabia quem fora, o tal Feiticeiro Negro, e foi atrás dele em seu covil. E acabou caindo em uma das armadilhas e foi capturado. Muitos tentaram resgatá-lo, mas acabaram sucumbindo aos desafio do trajeto até o covil.
A família estava desesperada, até que recebeu um sinal. A Princesa sonhara que duas crianças, um menino e uma menina, salvavam seu amado. Foi a Fada quem mexeu sua varinha para que pudessem ver quem eram. E eles foram as crianças vistas.
-Nós? - surpreendeu-se a menina
-Sim! Por isso trouxe-lhes aqui.
-E querem ajuda? - perguntou o menino
-Exatamente!
Um breve silêncio se fez. Logo a Fada falou:
-Mas, não estamos obrigando vocês a irem. Só se quiserem mesmo ajudar.
Em seguida, os três retornaram para o palácio. O Rei e a Rainha os esperavam em seus tronos.
-Majestades. - disseram se curvando
-A Fada Branca deve ter dito a vocês o que aconteceu. - disse o Rei com sua voz potente – Quero saber, vocês resgatarão o Príncipe?
Os irmãos nem pensaram nisso, mas apenas uma troca de olhares bastou para saberem da resposta.
-Sim, Majestade. - falaram juntos
-Fada! - chamou a Rainha – Leve as crianças para trocar de roupa e depois a sala das armas.
Os irmãos foram vestido com uma calça preta, uma blusa branca, botas e luvas pretas.
Na sala de armas, eles foram equipados com armaduras leves e fortes, que cobriam partes vitais do corpo, além dos braços e pernas. E as armas? Bem, eles teriam que descobrir qual era a que seu poder escolheria.
A Fada mostrou todas as armas posicionadas na parede da sala.
-Escolham uma e vejam se ela funciona com vocês.
Elis foi primeiro. Pegou um escudo e uma espada. Ensaiou alguns golpes. A Fada e Ana aplaudiram. Ana foi depois, olhou e olhou, um cajado com uma pedra vermelha em cima. Pegou e imediatamente a pedra brilhou bem forte.
-Isso é ótimo! Uma maga e um espadachim. - comemorou a Fada
E a Fada colocou uma capa com capuz em ambos e eles partiram para o destino com a moça das vestes brancas. Demoraram um pouco para chegar a um bosque, bem fechado e escuro. Antes de entrarem, a Fada Branca falou com eles:
-Esta floresta tem diversas armadilhas e perigos, tomem cuidado. E no final tem uma clareira, onde é o covil do Feiticeiro Negro. A porta é guardada por um gênio e ele vai lhe dar um desafio para passar. Vocês devem ser bem específicos e claros com o que querem. Não deem brecha para ele enganá-los. Boa sorte, crianças!
-Obrigada, Dona Fada.
-Obrigado, Fada.
Os irmãos respiraram fundo, deram as mãos e entraram.
Os bosque era muito escuro, então a menina acendeu seu cajado, a fim de iluminar o caminho. Não foi muito difícil atravessar, apenas ficaram presos em alguns galhos ou armadilhas, ajudaram-se mutuamente a sair.
Finalmente avistaram a clareira e no fim dela uma porta. Andaram pela clareira e se assustaram com uma fumaça verde que surgiu e depois o Gênio lhes deram boas vindas:
-Olá, pequenas crianças. O que os traz aqui?
-Viemos resgatar o Príncipe.
-Só se passarem por mim e por meu mestre. - e riu
Ana e Elis deram um passo para trás e ficaram a espreita.
-Calma! Não vou atacá-los e nem lutar. É um desafio!
-E qual é seu desafio? - questionou Ana
-Vocês tem três desejos e dois objetivos: Pegar a chave da porta e passar por mim. E.. serão três desejos para os dois – ele cruzou os braços - Está valendo!
Elis se precipitou.
-Desejo ter o poder de atravessar objetos e qualquer outra coisa.
-Desejo concedido!
-Droga, Elis! - reclamou a irmão – Não assim sem pensar.
Elis avançou e atravessou o Gênio, porém deu de cara na porta e foi ricocheteado de volta. O gênio deu uma gargalhada e comentou:
-Esta porta é mágica, garoto. Dois desejos!
Ana imediatamente repreendeu o irmão e mandou ele não falar mais nada. Ele gastara um desejo e só tinham mais dois e duas coisas a se cumprir. Ana teria que ser bem inteligente e esperta para conseguir.
As palavras da Fada vieram a cabeça: “Vocês devem ser bem específicos... Não deem brecha para ele enganá-los.”
“Específica e sem brechas.”, pensou.
-Gênio, - tomou coragem – eu desejo ter chave da porta que você protege e está atrás de você.
O Gênio estalou os dedos e a chave surgiu e caiu nas mãos dela.
-Muito bem! - riu o Gênio – Agora precisa me tirar do caminho.
Ana ficou um tempo pensando. Este era o verdadeiro desafio: tirar o Gênio do caminho.
“Espera! Gênios têm lâmpadas.”, surgiu em sua cabeça.
Ela vasculhou ao redor com os olhos e viu atrás de um pequeno arbusto, vinha uma luz dourada. Ela andou até lá e pegou a lâmpada.
-Irmã? - chamou Elis, que observava apenas.
O Gênio arregalou os olhos.
-Gênio, desejo que você retorne para dentro de sua lâmpada agora e só saia quando eu esfregá-la.
-Desejo concedido. Parabéns! E boa sorte contra meu mestre.
A fumaça verde apareceu novamente e sugou o Gênio para a lâmpada. Ana guardou-a.
-Vamos, Elis.
A garota colocou a chave, virou-a e destrancou a porta. Entraram e o Feiticeiro falava com o Príncipe, que estava enjaulado.
-Ora, ninguém virá salvá-la. Até agora ninguém atravessou a porta além de você.
-Feiticeiro! - a voz das crianças ecoou
-Acho que se enganou! - brincou o Príncipe
O Feiticeiro Negro imediatamente se dirigiu as crianças e indagou:
-O que fazem aqui, crianças?
-Viemos salvar o Príncipe.
-Só passando por mim.
O Feiticeiro começou a atacar as crianças com seus poderes mágicos, jogando diversas bolas de elementos diferentes.
-Elis, distraia ele enquanto eu liberto o Príncipe.
-Tudo bem.
O menino avançou e desferiu golpes contra o Feiticeiro. Ana foi rápida e lançou uma magia que derreteu a tranca da jaula, libertando o Príncipe.
A distração de Elis não durou muito, ele foi arremessado e depois a irmã foi atingida.
-O que meras crianças podem fazer contra mim! Sou um Feiticeiro muito mais poderoso que vocês.
O Príncipe se levantou, tentou atacar, mas foi inútil. Foi jogado na parede.
-Ora, parece que ganhei mais dois prisioneiros. É impossível me derrotar! - E começou a rir, maleficamente.
Ana se levantou, tomando força por palavras ditas mais cedo pela Fada Branca. Ela as repetiu:
-Não é impossível! Na verdade, é bem simples: Basta acreditar que é possível!
Ana esticou o braço e a pedra do cajado brilhou. Dela saiu um raio, que foi diretamente no Feiticeiro Negro, ferindo-o mortalmente. Seu corpo caiu no chão e a menina se ajoelhou.
O Príncipe correu em socorro do menino, ainda caído. Elis estava bem. Pegou o garoto e o levou para perto de Ana.
-Vocês está bem? Quem mandou virem até aqui? Olha o tamanho de vocês dois.
-Estou bem. O Rei nos mandou aqui, para te resgatar.
-Ele é louco! Duas crianças.
Elis finalmente acordou e o Príncipe pegou o seu tesouro de volta.
Os três ficaram ali se olhando por um tempo, não tinham forças para sair como vieram. Ana lembrou do Gênio. Pegou a lâmpada e esfregou-a. O gênio saiu e sentiu triste, ao ver seu mestre morto, e feliz, por finalmente estar livre. Ele disse:
-Desejo concedido!
-Gênio!
-Ah, diga, minha nova mestra. Você tem três desejos.
-Desejo que leve a mim, meu irmão e o príncipe de volta ao reino dos céus.
-Seu desejo é uma ordem.
Um tapete mágico apareceu e o gênio os conduziu de volta ao reino.
No caminho, Ana perguntou o motivo do gênio ter tido “Desejo concedido!” ao ver o corpo do Feiticeiro. Ele respondeu:
-O terceiro desejo dele foi que protegesse a entrada de seu covil com aquele desafio até o dia que ele morresse.
Quando chegaram ao castelo, foi uma grande alegria. A Princesa e o Príncipe se beijaram apaixonadamente.
-Obrigada, Ana e Elis, por trazerem meu amado de volta.
-Agradeço também, crianças. - falou o Príncipe, sorrindo
O Rei e a Rainha abraçaram os dois pequenos. A Fada também os parabenizou.
-Podemos nos casar agora? - indagou o Príncipe
-Só podem amanhã, teremos que arrumar o palácio.
-Isso não é problema. - falou Ana – Gênio!
-Sim, Mestra!
-Eu desejo uma festa de casamento para o Príncipe e a Princesa.
-Seu desejo é uma ordem!
Com um estalar de dedos, eles foram parar no saguão do castelo. Todo o reino estava lá e ficaram felizes pelo Príncipe ter voltado e já estavam vestidos para a ocasião.
A Princesa entrou, deslumbrante. O Príncipe deixou uma lágrima correr. O próprio Rei realizou o casamento. Depois do “Pode beijar a noiva!”, o Príncipe finalmente deu o seu presente de casamento a sua amada. Era um belo colar!
Em seguida, o Rei chamou os dois irmãos e começou a discursar:
-Graças as estas duas crianças, o Príncipe está bem e a salvo. E estamos livres do Feiticeiro Negro.
-Ana e Elis. - completou a Rainha
Muitos e muitos aplausos.
Depois veio a festa, que durou algumas horas. As crianças perderam a noção do tempo, foi a Fada Branca que lhes lembrou.
-Crianças, hora de voltarem para casa.
-É mesmo! - falou Elis
Eles se despediram da realeza. Caminharam para a borda da nuvem e iriam partir. Mas Ana esquecera uma coisa. Esfregou a lâmpada.
-Diga, mestra. Qual seu último desejo?
-A sua liberdade. Desejo que seja livre.
A lâmpada e a fumaça verde desapareceram e o Gênio pousou no chão.
-Obrigado, menina!
Então Ana e Elis abraçaram o Gênio.
-Adeus.
Então a Fada e as crianças retornaram àquela casinha no subúrbio. No quarto, a Fada falou:
-Obrigada, crianças, por tudo o que fizeram pelo reino. Seremos eternamente gratos.
Eles deram um abraço apertado na Fada Branca.
-Para cama agora!
Antes de sair, deu uma última olhada nas crianças... E partiu!
Ela jamais se esqueceria delas. Da mesma forma que Ana e Elis sempre se lembrariam daquela aventura.

Dei o último ponto com um certo pesar e alegria. Eu me senti criança de novo e fiquei com vontade de encenar a história de novo.
De repente começou a chover. Corri para dentro! Liguei a televisão e comecei a assistir algo. Porém, a história que terminara de escrever não saia da minha cabeça.
Eu sou igual aos personagens: Jamais me esquecerei desta aventura.

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