terça-feira, 14 de julho de 2015

Capítulo 25 - Aniversário de Kazuko

No meu intervalo de almoço, enquanto o escritório estava vazio fui ler mais um trecho do diário.
O que eu estava preparando para Kazuko era uma digna festa surpresa. Mas eu chamei pessoa de quem ela gostava muito: família e amigos. Entrei em contato com a mãe dela, Saiko, e organizei tudo com a ajuda dela. Ela se tratou de chamar os convidados e eu auxiliei com o resto. Decoração, doces, bolo, outras coisas. Combinei também o horário que levaria Kazuko, já que a festa seria na antiga casa dela, do lado pobre da cidade. Aproveitei e pedi um dia de folga para isso.
Li um pouco e finalmente cheguei a data do dia seguinte do aniversário dela. Foi quando escreveu sobre a surpresa.
Querido diário,
eu sou agora uma pessoa maior de idade. Completei dezoito anos finalmente. Não foi do jeito que eu queria que fosse, de acordo da forma que a minha vida se encontra agora. Mas até que foi melhor do que pensei que seria.
Eu acordei bem desanimada e cheguei até a ficar pior ao olhar o calendário. Makoto abriu a porta, ele estava vindo me acordar. Só que como já estava desperta, falou me abraçando:
-Feliz aniversário, Kazuko!
-Obrigada, Makoto! - respondi desanimada
-Ora, vamos, pare com isso. Hoje é seu dia.
Então, notei que horas o relógio marcava.
-Não vai trabalhar?
-Não! Passarei o dia com a aniversariante.
-Ah, Makoto. O que vamos fazer? - indaguei já esperando uma lista de atividades que seriam bem chatas
-Eu tenho uma surpresa para você.
Fiz uma careta, contudo uma pontinha de curiosidade veio também. Acabei de me arrumar e descemos. Entrei no carro e ele pegou um lenço e iria amarrá-lo no meu rosto.
-Ei! - reclamei
-Preciso vendar você para a surpresa.
-Eu fecho os olhos quando estivermos perto.
-Não! Tem que ser durante o caminho todo.
Soou como uma ordem. E eu acatei. Ele me vendou e seguimos viagem. Foi uma boa meia hora sem ver nada. Não sabia o que pensar, só sentia o carro andando. E de repente, percebi que ele parou. Makoto bateu a porta do carro abriu a do meu lado depois e me guiou na saída do carro. Andei um pouco e senti um cheiro familiar. Ele me levou até o lugar e tirou a venda. Ouvi e vi pessoas conhecidas gritando “Surpresa” e depois parabéns para mim. Um sorriso, que há tempos não fazia, se acendeu. Minha mãe correu para me dar um abraço, minhas amigas em seguida. Recebi também “Feliz aniversário” delas.
Todos presentes. Família e amigos. Eles me fizeram uma festa surpresa, algo que nunca tive na vida. O ambiente da minha, agora antiga, casa estava como em todos meus aniversários. Decorado com balões, fitas, uma mesa com doces, bolo e uma faixa escrito: Feliz Aniversário, Kazuko. Esqueci do Makoto e fui ficar com meus convidados.”
Pois é, eu fiquei em um canto isolado durante toda a festa. Somente Saiko que vinha falar comigo de vez em quando. Mas, isso faz parte.
Minhas amigas contaram como andavam suas vidas. Algumas completaram dezoito anos e curtiam sua liberdade. Outras ainda com medo de serem compradas por serem obrigadas a ir ao centro de escravos todas as noites. Logo, elas foram querer saber como eu estava:
-E você, Kazuko?
-Eu estou bem. Levando tudo na medida do possível.
-Poxa, o seu dono te trata tão mal assim?
-Pois é, ele que organizou essa festa para você. Falou com a sua mãe e também viu o melhor horário para que pudéssemos comparecer.
Eu não sabia desse detalhe. Procurei por ele e o vi em um canto, ele me sorriu. Respondi.
Outra amiga continuou:
-Mas tem alguma coisa. Você tá com uma carinha abatida.
-É! Aconteceram umas coisas.
Acabei contando os ocorridos dos últimos meses, destacando o incidente no aniversário do Makoto e minha gravidez.
-O quê? Ficou grávida? Como?
-Ficando oras! Não pude tomar o remédio por uns dias e aconteceu.
-E ele? O que fez quando descobriu?
-Ele me apoiou. E fez da mesma forma quando perdi.
-É, Kazuko, tirou a sorte grande. Conseguiu um bom dono!
-E bonito também!
Todas nós rimos desse comentário. Passamos as horas seguintes falando besteira e jogando conversa fora. Infelizmente, elas tinham que sair. Algumas voltariam para casa, e outros iriam ao centro de escravos.
Cantamos o parabéns, cortamos o bolo e os convidados foram embora. Isso indicava que logo eu voltaria também.
Ajudei a minha mãe a arrumar tudo e fui ao meu quarto para poder sofrer de nostalgia.
O quarto estava do mesmo jeito que me lembro. Vi todos os meus livros na estante, minha escrivaninha e minha cama, onde eu deitava todas as noites e agradecia por ter mais um dia de liberdade. Com exceção de uma noite, quando fui comprada por Makoto, o travesseiro sabe o quanto chorei.
Joguei-me na cama e respirei fundo. Pensei em tudo o que passei. Foi ruim, mas poderia ter sido bem pior. Minhas amigas têm razão: tirei a sorte grande, consegui um bom dono.
Makoto entrou.
-Kazuko, hora de voltarmos.
Sabia que isso chegaria. Levantei. Ele continuou:
-Este era o seu quarto?
-Era!
-É bem a sua cara! - comentou com sorriso no rosto – Se quiser pegar algo para levar.
-Posso?
-Claro que pode. Estou te esperando lá em baixo.
Só peguei alguns livros que estava com vontade de ler de novo e os meus presentes. Despedi-me de mamãe.
-Tchau, mãe. Foi tão bom te ver.
-Também acho, filha. Feliz aniversário de novo e se cuide em, fiquei assustada com essa história da gravidez.
-Eu sei. Se eu pudesse conversar com você quando aconteceu. Mas o que podemos fazer, né, mãe? Eu não comando a minha vida.
-Adeus, Sra. Saiko.
-Tchau, Makoto. Foi um prazer te conhecer.
-Igualmente.
Abracei-a forte e entrei no carro. Makoto me perguntou no caminho se eu me diverti, respondi que sim. Cheguei a casa e estava organizando meus presentes no quarto. Logo, Makoto me interrompeu para o jantar que Keiko deixara pronto, pois foi embora mais cedo. Iria voltar ao que fazia, contudo Makoto pediu minha presença no quarto.
-O que foi, Makoto?
-Ainda estão faltando alguns presentes meus.
-Achei que a festa fosse o meu presente.
-Também. Só que tem mais coisa.
Eu me aproximei da escrivaninha dele e tinham três embrulhos. Um maior, um médio e um mais comprido, porém fino. Escolhi o maior primeiro. Era um computador portátil. Uma caixa que ser ligada projeta a imagem para frente e seus mecanismos de uso (mouse e teclado) são projetados do outro. Um computador holográfico. Abri um sorriso e agradeci. Fui ao próximo, de tamanho mediano. Este era um celular, tão fino e transparente quanto uma placa de vidro. Agradeci novamente e questionei:
-Para quê tudo isso, Makoto?
-Calma! Abra o terceiro presente.
Fiz o que ele disse e quase cai para trás. Era um documento. Seria uma carta de alforria? Não! Quando li melhor vi que era só para “liberdade diurna”. Havia uma espécie de identidade com uma foto minha.”
Isto foi o motivo que me fez chegar mais tarde em casa. É algo que existe, mas, como é raro, é bem complicado de fazer.
-Liberdade diurna? O que significa isso?
-Quer dizer que pode sair daqui durante o dia. Passear, visitar seus parentes e o que mais quiser.
-Sério? - falei empolgada
Ele assentiu.
-Obrigada, Makoto. - abracei-o, mais feliz do que podia imaginar
Quando desvencilhei dele, ele estava sorrindo e me olhando nos olhos. Ficou parado por uns segundos, antes de se aproximar e me beijar. Exatamente isso: ele me beijou! Puxo-me para perto de seu corpo e eu correspondi aos movimentos dele instintivamente. Não sei o porquê!”
Esse beijo não estava no script. Foram os meus sentimentos por Kazuko já aparecendo.
O momento que nos separamos foi uma troca de risos bobos e Makoto dizendo que faltava ainda mais uma coisa. Mandou-me deitar na cama e assim fiz.
Tirou apenas a parte de baixo das minhas roupas. Masturbou-me um pouco com os dedos. Pensei que ele arrancaria as calças e começar o que interessava, mas não. Ele dirigiu a cabeça para minhas partes íntimas e eu senti uma lambida em seguida. Não achei nojento, aquilo me excitou. Ele continuou fazendo. Lambia, sugada, mordiscava, explorava cada canto daquele lugar. Eu respondia com gemidos agudos que começavam a me secar a garganta.
O dedo voltou junto com a língua depois, o que aumentaram ainda mais os meus sons. Ele manteve o ritmo por alguns minutos, até que eu senti um calafrio subir na espinha e eu soltei o gemido mais forte que consegui. Makoto saiu com sorriso malicioso e comentou:
-Você gozou. Achei que tinha enferrujado nisso. Pode colocar sua roupas e voltar pro seu quarto.
-Makoto! - chamei-o – Vem! Faça isso comigo.
-Como é que é?
-Transa comigo!
Ele podia bem me ignorar, mas acho que os meus gemidos o excitaram. Penetrou e começou os movimentos de vai e vem, devagar e acelerando logo em seguida. Não tinha controle dos sons que emitia, eles apenas saíam, a cada estocada que Makoto dava. Eu devia estar mais sensível que o normal.
Após alguns minutos, ele finalmente gozou, deitou-se sobre mim, tentando recuperar o fôlego. Pude ouvi-lo sussurrar:
-Kazuko.
Sorri por dentro. É uma sensação boa quando dizem o seu nome nessa circunstância.
A atitude seguinte dele me impressionou. Levantou e me deu outro beijo, este que foi tão bom quanto o anterior. Dessa vez não teve nenhum riso. Ele me olhou sério, saiu de dentro de mim e se ajeitou, ficando de barriga para cima. Colocou a minha cabeça sob o seu peito, desejou-me boa noite e adormecemos.
Eu ainda estou tentando entender o porquê dos dois beijos. Admito que gostei! Só quero saber os reais motivos dele para tal.
Agora, tomarei meu banho matinal.”
Os motivos para tudo isso foram eu simplesmente querer ver Kazuko bem, ainda mais depois do que ocorrera. E também já estava me apaixonando por ela. Só não sabia disso ainda!

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