segunda-feira, 2 de junho de 2014

Capítulo 3

Ia lutando contra vário samurais e já estava ficando conhecida. Era só questão de tempo até encontrá-lo.
Em uma noite, estava comendo em um lugar que vocês chamam restaurante. Era um ponto de encontro de samurais. Entrou um homem belíssimo, cabelos pretos e olhos castanhos, usando um kimono azul escuro. Distraído, ele derrubou minha katana. E achando que fosse homem, me pediu desculpas:
–Oh, desculpa, foi mal! Aqui… sua katana, senhorita. – disse me entregando a katana e franzindo a testa.
Enquanto comia, acabei ouvindo comentários sobre mim. E nesses lugares, ás vezes, ocorriam desafios entre os samurais. E como o maior samurai estava lá e havia boatos sobre mim e ele queria testar-me. Levantou e começou a discursar:
–Senhores, soube que temos uma mulher samurai aqui. Me disseram que ela é boa. Quero uma batalha e vamos ver se ela é samurai mesmo. Venha até aqui!
Como já disse: de mulher só tenho o sexo mesmo. Fui até onde ele estava e adivinhem quem era? O bonitão que derrubou a minha katana. Fiquei surpresa ao ver que era ele. E ele quanto a mim? Mais ainda. Ele acabou enxergando meu irmão em mim:
–Eu conheço você?
–Sou irmã do Takeshi.
–Não sabia que ele tinha irmã.
–Agora sabe!
–E a cicatriz no rosto dele? Como está?
–Bem!
–Então vamos lutar!
Ele puxou a sua katana e avançou em mim. Como meu irmão dissera, ele é muito rápido.
Estava disposta a derrotá-lo em honra de meu irmão. Enquanto ele se mexia, eu ouvia a voz de Takeshi. Sabia exatamente o que fazer, com isso e todo o resto que aprendi. Por muitas vezes, ele quase me acertou e me cortou. Nós dois éramos muito rápidos.
As pessoas ao redor estavam aos berros e muito entretidas com a luta. Como toda boa guerreira, esperei uma oportunidade para atacar e acabar com tudo. O que citei acima surgiu e foi o que fiz: ataquei com tudo.
A ponta da katana cortou o rosto dele passando por cima de seu olho direito, indo da testa até parte da bochecha. Ao receber o corte, ele caiu e a primeira coisa que vi foi sangue.
Os amigos foram ajudá-lo. Ele foi levado a seus aposentos (em como chamam hotel) por eles.
Todos aplaudiram-me. Agradeci e voltei ao meu lugar. Uma mulher ao meu lado disse:
–Impressionante!
–Obrigada.
–Apesar de ser mulher, você é excelente. Queria ser como você.
Eu sorria para ela e olhei a ponta de minha katana, antes de guardar, vi sangue nela. Acabei ficando preocupada. Limpei a katana, guardei-a e fui atrás dele.
Acabei encontrando os amigos dele no caminho e eles me disseram o lugar. Cheguei lá e bati na porta. Ele atendeu:
–O que quer? Já não bastas ter sido humilhado e ter ganho uma cicatriz?!
–Não é isso! Vim ver se está bem.
–Não precisa se preocupar comigo.
Ele tirou a mão do rosto, vi que ainda tinha sangue. Então falei:
–Olha esse corte. Se não limpar, vai piorar.
Já falei empurrando a porta. Coloquei minha katana no chão e ele sentou na cama. Peguei água e um pano limpo.
Fui a frente dele e comecei a passar o pano molhado no rosto dele. E percebi que por muito pouco não cortei a pálpebra dele. Enquanto cuidava do corte dele, falei:
–Me desculpe por ter cortado seu rosto.
–Eu mereci. Subestimei você.
–Estou acostumada com essa situação.
Ele reclamou de estar ardendo um pouco, mas eu disse que isso era de esperar.
Ao terminar, mandei-o abrir os olhos, quando estava olhando para mim, eu disse:
–Por pouco não acertei sua pálpebra, se não seria pior.
–Obrigado a ajuda.
–Não foi nada! – disse me levantando.
Nesse momento que eu percebi o que eu estava fazendo, vendo como ele era bonito.
Ele se levantou logo em seguida. Ele iria me levar até a porta, mas havia esquecido de perguntar uma coisa:
–O seu nome?
–Sasaki e o seu?
–Mitsuki!
Nós estávamos frente a frente, ele acabou me agarrando e nos beijamos. Aconteceu algo diferente neste beijo. Eu senti um frio na espinha e meu coração bater mais forte.
Então, Mitsuki me jogou na cama. Começou a abrir meu kimono, mas eu não podia fazer daquele jeito. Estava me sentindo suja. Ele foi interrompido pela minha voz.
–Espera! Eu preciso tomar um banho.
Ele se levantou e perguntou:
–Pra quê isso? Assim está bom!
–Não para mim!
–Apesar de ser samurai, tem suas frescuras. Você tomar também.
Fomos para a termal exclusiva do quarto dele. Tiramos as roupas e fomos para a água. E ele fez o comentário que eu esperava.
–Nossa, que seios grandes.
Eu ri quando ele falou isso. Também queria saber mais sobre mim:
–Quem treinou você?
–Meu pai, junto com meu irmão.
–Vocês tem o mesmo pai?
–Sim.
–E por que você é samurai?
–Minha mãe me rejeitou quando nasci.
–Eu lamento.
–Não precisa se lamentar. Te espero lá dentro.
Voltei ao quarto, me sequei e coloquei a parte de cima do kimono. Fiquei sentada esperando.
Porém, ele não demorou muito.
Quando ele entrou, soltei meu cabelo, deitei na cama e voltamos ao que estávamos fazendo.
A experiência com Mitsuki fora diferente. Acho que ele sabia fazer. E eu não senti a mesma dor do que das outras vezes.
Enquanto ele estava em cima. A ferida, ainda aberta, fez cair um pouco de sangue sobre meus seios.
Ao acabarmos, ele se deitou ao meu lado e ficamos conversando um pouco:
–O seu corpo tem algumas cicatrizes.
–Apesar de ter ganhado de todos, eu me feri.
–Você me disse que sua mãe a rejeitou, por quê?
–Ela queria muito um menino e achava que eu fosse um. Quando me viu, ela não suportou isso. Então, me largou para morrer. Quem cuidou de mim foi minha vó e meu pai.
–E o seu irmão nessa história?
–Minha mãe obrigou meu pai a ter outro filho. Meu irmão nasceu menos de um ano depois.
–Foi sua avó quem te ensinou as partes de mulher?
–Foi ela sim! – respondi rindo
–Ela te ensinou muito bem!
–E meu pai?
–Melhor ainda. – falou rindo
Ficamos um tempo quietos e me sentei na cama. Ele mexeu nos meus cabelos e falou:
–E esse seu cabelo?
–Ele foi cortado em uma luta. Decidi deixá-lo desse tamanho.
–Gosto de cabelo mais comprido.
Virei para Mitsuki.
–E você? Só falamos sobre mim.
–Meu pai é um grande rival do seu. Perdi minha mãe ainda criança. Eu fui treinado para manter o legado da família, o nome de meu pai.
–Seu pai te treinou?
–Meu pai, uns irmãos dele. Treinei com mais uns primos.
–Samurai tem vidas confusas.
–Pois é!
–Olha o seu corte!
–O que houve com ele?
–Está sangrando.
Limpei o rosto dele novamente. E acabei pedindo desculpas, outra vez:
–Me desculpe ter feito isso no seu rosto. Acabei com ele.
–Será uma honra carregar essa cicatriz e dizer que foi uma mulher.
Por consequência dessa frase, acabamos fazendo outra vez.
Após isto, nós dormimos.

Capítulo 2

Quando cheguei, abri o grande portal da casa e vi as cerejeiras do jardim mais lindas do que nunca. A brisa que soprou me trouxe um ar nostálgico. Eu me senti bem!
Logo em seguida, minha irmã Sae apareceu e falou comigo com desprezo:
–Irmã! Já voltou?
–Sim! Eu voltei.
–Suja, feia e cheia de cicatrizes. E esse cabelo…
Admito o suja, as cicatrizes e o cabelo. Como samurai, não podia ter os cabelos tão compridos quanto os dela. Alias, eles haviam sido cortados durante uma batalha e tive que consertar. E desde então, mantive sempre um pouco mais curto. E feia? Ela tem problemas nos olhos.
Entrei em casa e estavam todos comendo, inclusive meu irmão Takeshi. Ele ganhara uma cicatriz deitada no rosto, pouco abaixo dos olhos.
Meu pai se levantou, juntamente com minha vó para me abraçar. Vovó me disse:
–Você está linda!
–Obrigada, mãe! – eu a chama assim, ás vezes.
O outros três olhares da casa eram de desprezo. Sentei com eles e comi, estava com muita fome.
Após isso, fui tomar um banho na banheira termal da casa. Estava com tanta saudade daquele lugar. Fui e fiquei um tempo sozinha. Em seguida, a irmã surgiu e ao me ver falou:
–Não sabia que porco se lavava!
Nem falei nada.
Ao sentar na banheira e ver minha “fartura”, disse:
–Nossa, que isso! Vaca leiteira!
E depois ela riu.
Simplesmente me levantei e sai de lá. Fui trocar de roupa no quarto. Enquanto penteava meus cabelos, vovó entrou e falou comigo:
–Neta!
–Diga, vovó.
–Posso pentear seus cabelos?
Fiz “sim” com a cabeça e enquanto os penteava fez comentários:
–Você está bem mais bonita que sua irmã. E o seu corpo, que seios grandes.
Eu ri nessa hora e logo após, ela perguntou:
–E os seus cabelos? O que houve com eles?
–Eles foram cortados em uma luta. Desde então, eu o deixei desse tamanho.
–E as outras coisas?
–Que outras coisas?
–Os rapazes, suas lutas, sua virtude…
–Só tenho lutado mesmo, mãe!
–E a virtude?
–Eu a perdi.
–Já esperava isto. Você é uma menina diferente. Me conte como foi.
–Ah, foi bem sem graça e doeu bastante…
E contei detalhadamente sobre como foi e o motivo de ter sido. E logo depois de me ouvir, ela falou uma sabedoria:
–Um dia você irá encontrar um homem que vai ter levar aos céus. Igual eu e seu avô quando fizemos seu pai.
E nós rimos. Pior é que ele tinha razão.
Terminei de me trocar e me sentei na enorme varanda para ver o pôr-do-sol. Meu irmão se sentou ao meu lado e nos fazendo companhia reciprocamente, ele falou:
–Está bonita, irmã!
–Obrigada! Você também.
–E a sua jornada? Como foi?
–Eu ganhei de todos contra quem lutei.
–Eu não… perdi a maioria. E ainda ganhei essa cicatriz.
–De quem?
–O filho de um rival de nosso pai.
–Hum… ele é bom?
–Muito rápido e forte.
E conforme fui perguntando sobre o tal samurai, Takeshi respondia. Fui listando todas as fraquezas e forte dele, isto seria uma vantagem se eu o encontrasse.
Ficamos um tempo quietos observando a paisagem e perguntei:
–Tem muito tempo que voltou para casa?
–Apenas alguns dias.
Em seguida, a mamãe chegou e falou:
–Meu filho, o que faz com ela aí?
–Estamos somente conversando.
–Que tal lutarem um pouco?
Olhamos um para a cara do outro e nos levantamos para pegar as katanas. Corremos até o jardim. E ficamos igual na infância brincando com as katanas. E como sempre, eu ganhei.
–Sempre, não é?
–Não posso perder o hábito.
Papai apareceu com sua katana e disse:
–Vamos uma, filha?
Assenti e ele desceu ao jardim. Com meu pai era mais complicado, ele era excelente. Estava bem equilibrado. Mas a experiência que ganhei viajando se mostrou contra meu pai. Ajudei-o a levantar e ele falou:
–Parece que tenho uma grande samurai.
Após os acontecimentos deste dia, fiquei mais alguns em minha casa.
E decidi que era hora de partir novamente. Muito tristes minha vó e pai se despediram de mim. Meu irmão me desejou boa sorte. Minha mãe e irmã estavam recolhidas em casa.
Ao sair de lá, fiz uma promessa a mim: Vingaria meu irmão, vencendo aquele que fizera a cicatriz nele.

Capítulo 1

Olá! Eu sou Sasaki, eu sou japonesa. Eu pelo menos era, eu já morri e faz muito tempo.
Eu vivi por lá na era dos grandes samurais. E vocês talvez riam de mim, mas eu era uma grande samurai.
Não! Não era um homem, era uma mulher samurai, um tanto peculiar não acham?
Era mulher apenas pelo sexo mesmo, fui criada por meu pai (um grande samurai) e a minha vó (ela me tornou mais feminina). Eu era forte como um homem, bonita e delicada como uma mulher.
Todos ficaram felizes com a minha chegada, exceto minha mãe. Enquanto me esperava, ela cismou que queria um menino e que eu era um menino. Ela concluiu isso, pois eu era forte e meninos são fortes. Assim que me viu, ela me rejeitou e minha vó quem cuidou de mim quando bebê.
E meu pai me tornou samurai.
Outra coisa, minha mãe queria tanto um menino, que meu irmão nasceu logo depois, antes mesmo de eu completar um ano. Alguns anos depois, conformada, minha mãe deu a luz a minha irmã. Eu nunca fui considerada filha por minha mãe, minha avó quem era minha mãe.
Enquanto crescia, meu pai treinava a mim e meu irmão. Sempre fui melhor que ele, sempre perdia quando lutávamos. Ele nunca me venceu!
Minha mãe sempre aplaudia para meu irmão e dizia sobre mim:
–Essa menina não é nada, meu filho! Serás um grande samurai.
Maioria das vezes que isto acontecia, corria para minha vó, chorando. E ela sempre me confortava.
Eu ficava pensando em como minha mãe conseguia me rejeitar.
A medida em que os anos passavam, melhorava na arte de lutar com a Katana. Sabia do meu potencial e meu pai também. Ele ensinava tudo, nos mínimos detalhes.
Quando mal completei 16 anos, sai de casa por recomendação do meu pai. E fui em busca de lutas como samurai.
Na véspera de minha partida, ouvi a “mãe” falando com meu pai:
–Ela não vai voltar!
–Ora, não diga isso.
–Por que não, querido?
–Ela foi muito bem treinada e ganhou de seu filho infinitas vezes.
–Ela é só uma garota imbecil.
–Uma imbecil que achava que era um menino.
–Hum... quero mais é que ela morra!
–Ela é sua filha bastarda.
–Ela não é minha filha.
–Vamos ver o que vai dizer quando ela for reconhecida.
–Nunca acontecerá, ela é mulher.
–Tão forte quanto um homem. E ela será uma grande samurai.
–E filha de quem?
Meu pai se calou. Isto porque eu não era conhecida pelo mundo. O filho mais velho dele era meu irmão.
No dia seguinte, parti em minha jornada. E como primogênita, carregava o fardo de meu pai e da família. Em meu caminho, encontrei muitos samurais que só lutaram comigo por deboche. Mas, tinha tudo o que precisava: técnica, inteligência e força.
Na jornada ganhei muitas cicatrizes e também perdi minha pureza, apenas para ganhar um novo kimono e consertas minha katana. E muitas vezes fazia em troca de alguma coisa e por sorte, nunca me aconteceu nada.
Passados dois anos, eu já estava conhecida e meu irmão já não era o filho mais velho. E como nesta época, as notícias corriam de boca em boca, soube que a sorte de meu irmão não estava tão boa quanto a minha. Ou melhor, a habilidade dele.
E tenho certeza que todos em minha casa sabiam o que me tornei. Muitos nem acreditavam que eu era mulher, mesmo tendo os seios fartos.
Acabei ficando com saudades aquele tempo todo longe de quem amava. Então, voltei para casa.
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