terça-feira, 8 de abril de 2014

Capítulo 3 - Treinamento

Eles estavam indo até o destino a pé mesmo. A garota conhecia aquele caminho, era o qual ela fazia todos os dias para ir ao colégio.
–Por que estamos indo pro colégio? - ela questionou
–Vamos treinar lá um pouco. Não acha legal?
–Sabe que é errado entrar na escola a noite.
–A gente vai roubar alguma coisa? Claro que não! Só vamos usar a sala do clube de luta e os objetos deles, depois, é só pôr no lugar.
–Seu doido!
–Nem tanto assim. Só se for por você!
Finalmente chegaram ao Colégio Sakura. Os portões estavam fechados, então eles pularam o muro. Depois correram até a sala do clube de luta, obviamente, trancada. Chikayo teve que dar um jeito de abrir a fechadura.
–Só você para me meter nessas furadas! -ela reclamou
Eles puxaram dois sacos de pancadas para o centro. Hiryu tirou a camisa para treinar, ela não evitou de olhar o belo físico que ele tinha. Era bem no meio-termo, ele não era um magricelo e nem muito musculoso, era apenas definido.
Chikayo também tirou o seu casaquinho, já que dentro da sala era mais abafado. A sua blusa, bem justa e um pouco decotada, mostrou um pouco os seus seios. Da mesma maneira que o garoto ela se localizava em um meio termo, não era uma despeitada e nem uma siliconada, só tinha peitos.
–Não sabia que seus seios eram tão bonitos. - Shinto não segurou o comentário
Ganhou mais um tapa de presente.
–Não é para ficar olhando, idiota! Eu tirei porque estou com calor.
–Ora, eu também. E você ficou olhando para o meu peitoral.
–Não olhei nada!
–Olhou sim, senhorita. Pensa que me engana?
–Cala essa boca e vamos treinar logo.
Utilizaram um pouco cada um dos aparelhos do clube da luta, depois foram para um treino corpo-a-corpo. Eles ficaram brincando de lutinha e se divertindo bastante. Passou-se mais de uma hora assim.
–Tô com fome. - falou Chikayo
–Eu também. Acho que já está bom de treino por hoje. Tem um restaurante aqui perto, quer ir lá?
–Claro!
Eles colocaram as peças de roupa que tiraram e saíram. O restaurante era de comida tradicional japonesa. O nome: Sushi xBar. Era um lugar bem agradável, como eles nunca tinha ido ali após a escola?
Escolheram uma mesa mais reservada dentro do restaurante. Pediram o prato que dava nome ao local: Sushi. Enquanto comiam, conversavam:
–Então, como a Yuki é? Eu só a conheço de vista.
–Também não falo muito com ela, mas eu diria que ela bem moe e kawaii, sabe. - Hiryu riu. Ela continuou - Ela é bem fofinha, sorridente, usa aquelas coisinhas rosinhas e tudo mais.
–E por que você não fala com ela?
–Nós somos bem diferentes, Hiryu-kun. Ela gosta de coisas de menininha. Eu já sou mais madura do que ela.
–Você é uma tsundere, isso sim!
–Tsundere eu? Garoto, não viaja.
–Não tô viajando. Você é totalmente tsundere. Agressiva, explosiva, sempre na defensiva, sempre com um fora na ponta da língua. Só que... Quando observamos melhor podemos ver que não é só aquilo que vemos, de certa forma, você tem um bom coração.
–E você é um garoto popular metido a besta. Pronto falei!
–Não que eu seja popular porque eu quero, me fizeram assim. Deve ser pelo fato que eu também sou meio carente.
–Carente? Como assim?
–Eu raramente vejo os meus pais. Eles são empresários, vivem sempre muito ocupados e nem moram aqui no Japão.
–Por isso que as vezes você me parece tão solitário.
Shinto fez uma careta, meio sem entender e ela explicou:
–Eu te vejo andando com a cabeça baixa, as mãos nos bolsos e um olhar meio perdido. Eu lembro de mim, eu também ando assim de vez em quando.
–Obrigado! - falou sorrindo – Ninguém nunca me olhou ou falou comigo desse jeito. Você é a primeira a me observar e entender.
–Deve ser porque tem pouco tempo que o meu pai foi embora. Ele e minha mãe se separaram tem uns seis meses. Eu e minha irmã sentimos muito a falta dele, afinal, só o vemos em alguns feriados.
–E como se tornou agente? Não pode ter sido do nada.
–Foi por causa do meu pai, ele também é um agente. Ele queria que eu e minha irmã tivéssemos a mesma carreira que ele. Sempre treinamos para isso. Isso causava muitos atritos entre meus pais. Apenas eu consegui seguir. Minha mãe ficou abalada quando soube. Os problemas com meu pai aumentaram e acabaram se separando no fim das contas. Tudo por minha culpa! - e uma única lágrima caiu do seu olho
Hiryu enxugou a lágrima com o dedo e consolou-a:
–Não fique assim. Nada disso é culpa sua. Eles mesmo já brigavam, conforme me disse.
–Acho que eu não tivesse feito o teste de agente, nada disso aconteceria...
–Para com isso! - ele encorajou-a – Seus pais já tinham problema independente de você ser agente ou não. Isso é coisa deles e não sua. Por favor, não fique se culpando.
–Perdoe-me por isso. Eu devo estar parecendo uma imbecil.
–Está tudo bem! E não, não te acho idiota, é você quem pensa isso de mim.
Chikayo não pode evitar gargalhar, fora um comentário engraçado.
–Tô começando a mudar de opinião sobre você.
–Isso é bom, não é?
–Depende de como quiser entender.
Dividiram a conta e cada um pagou uma metade. Shinto foi levar Asai para casa. A garota lhe contou algumas histórias de suas missões para ele. O rapaz as achavam interessantes e ao mesmo tempo engraçadas. O seu encanto por Chikayo aumentava cada vez mais, poder-se-ia dizer que já se tornava um “algo mais”.
Alguns minutos de caminhada e finalmente voltaram a casa de Chikayo. Hora da despedida.
–Obrigada por me trazer até aqui.
–Nos vemos amanhã a noite?
–Claro. E sou eu quem escolhe onde vamos treinar dessa vez. Nada de invadir a escola.
Hiryu riu. E os dois foram surpreendidos pela porta da casa se abrindo, era a mãe Chikayo: Nayumi.
–Chikayo, filha, dá para entrar logo? - e foi ai que ela viu o garoto – É esse o menino que está saindo com você? - e acenou – Entrem por favor!
Não adiantava insistir com Nayumi, então, eles obedeceram o pedido. Hiryu entrou e viu que era uma casa simples, mas ainda assim muito bonita.
–Quem é esse, irmã? Nossa!
–Hiryu, essa é minha irmã: Naoki. Naoki, esse é o Hiryu, um amigo.
O garoto fez a reverência devida.
–E está é minha mãe. - completou Chikayo, o garoto também cumprimentou-a
–Ele é da escola, Chi-chan? - era assim que a irmã chamava-a
–É sim! Ele é de outra turma. - respondeu sorrindo
–Só não faço ideia do que esse garoto viu em você.
–Fique quieta, Naoki. - repreendeu a mãe – Quer tomar um chá, Hiryu-kun?
–Não, obrigado! Na verdade, eu já estava de saída, só vim trazer a Asai-san em casa.
–Ora, então, tudo bem. Espero que volte outro dia. Filha, leve-o no portão.
Hiryu se despediu simpaticamente de Nayumi e Naoki. Chikayo levou-o até o portão.
–Desculpe pela minha mãe e irmã, tem horas que elas complicam a minha vida.
–Quem dera eu tivesse parentes próximos para dizer isso... Então, te vejo amanhã.
–Espera! - ele o puxou e eles ficaram próximos demais – Você... Não vai querer um beijo de despedida?
–Agora que falou, eu quero sim.
E diferente do dia anterior, um beijo consentido. Eles estavam conectados e total sintonia. O beijo não teve pressa para acabar. Quando os lábios se separaram vieram sorrisos das duas partes. Despediram-se com esse beijo, os sorrisos e um aceno. Os outros dois membros da família assistiram a toda a cena. Quando ela adentrou de novo a casa, as duas soltaram comentários que perturbaram bastante Chikayo. A garota subiu para o seu quarto e ficou pensando no acabara de fazer, definitivamente ela não estava em seu estado normal. O coração acelerado e os sorrisos bobos.
“Ai, não! Eu não posso estar com essa queda pelo Hir... Shinto-kun. Olha a merda em que eu me meti! Se o pessoal do colégio descobrir, eu tô lascada.”
Ela não admitia querer se apaixonar pelo garoto pelo simples fato dele ser “o inimigo mortal” dela no colégio. E quem os via na escola os entendiam como inimigos e que não poderiam se relacionar de maneira alguma. Só que agora ela já estava saindo com ele e tudo por conta de manter o seu segredo a salvo.
***
O dia seguinte na escola acabou sendo bem corrido e os dois não conseguiram combinar de ser ver no período da noite. O treinamento surpresa de Chikayo ficou preparado para a sexta-feira, o dia que viria depois. Eles também continuavam tomando cuidado para que ninguém os visse juntos, tanto no colégio quanto fora dela.
As aulas de sexta-feira fecharam aquela semana. Alguns alunos ficavam depois do horário para organizar mais coisas para o festival da escola. A turma de Hiryu Shinto ensaiava a peça de Romeu e Julieta. A garota sortuda que foi escolhida como Julieta estava entusiasmada por contracenar com o garoto mais cobiçado do Colégio Sakura. Foi apenas uma passagem de texto, não bem um ensaio, para que os atores se familiarizassem com ele.
Chikayo também estava na sua sala, em uma reunião, decidindo quais seriam as competições do torneio esportivo que fariam.Quando a reunião acabou, a garota pegou a sua bolsa e foi corredor abaixo, em direção as escadas, para ir para casa. No caminho ficava a sala de Hiryu. A porta se encontrava aberta e ela não evitou de olhar para dentro, diretamente para Shinto, quando passou. Um dos colegas de classe comentou:
–Nossa, que olhar de ódio ela te lançou, Hiryu-kun.
–Isso é normal!
–Sabe de uma coisa?! - acrescentou outro – Acho que todo esse ódio no fundo, mas lá no fundo, é amor!
–Caralho, não viaja, cara! A Asai só não matou ele ainda porque não tem uma arma. Se tivesse, os miolos do Hiryu já estariam explodidos há séculos.
E o resto da sala riu do comentário. O celular do garoto vibrou no bolso, ele puxou e viu a mensagem:
“Eu te vejo mais tarde?”
“Claro! Te pego na sua casa?”
“Sim. Só espero que minha mãe não peça para você entrar. haha”
“Hahaha! Às 20hrs está bom?”
“Ótimo. Até mais tarde, Hiryu-kun. Nyan~ =3”
O garoto sorriu ao término da leitura da última mensagem.
Chikayo ligou para um dos seus amigos do mundo secreto dos agentes, avisando que iria treinar no local que o tal construiu e disse que levaria uma outra pessoa. Alguns ex-agentes, ao se aposentarem, constroem centro de treinamento para outros praticarem sempre que precisar.
A garota chegou em casa e fez os seus deveres de casa, odiava deixá-los para cima da hora. Quando se aproximava a hora de Hiryu chegar, se banhou e colocou uma roupa confortável. De repente a campainha tocou. Sua mãe chamou-a dizendo que era ele. Chikayo se despediu da mãe e da irmã e saiu de casa depressa. O garoto a aguardava no portão.
–Boa noite, Hiryu-kun! Demorei?
–Não! - respondeu sorrindo – Qual é a sua surpresa para mim hoje?
–É surpresa, esqueceu? Só vai saber quando chegar lá, criatura.
Então eles pegavam o transporte para o tal lugar, que ficava a uma distância razoável da casa da menina. Estavam em um lugar mais afastado da cidade, entre umas ruelas bem estreitas. Então, entraram num local que era apenas uma porta normal e pequena, onde havia uma placa em cima escrita: Errol "Pieces Of Eight" Agent Training Center.
–Que lugar é esse?
–Espera! Você vai ver!
Era uma sala pequena, com um balcão e um cara sentado do lado de dentro dele. A garota falou com ele:
–Ayumu, tudo bem?
–Chikayo-san, tudo ótimo! O que te traz aqui hoje?
–Vim treinar um com um amigo.
–Esse rapaz, suponho. - fez a reverência – Boa noite, sou o Ayumu.
–Hiryu. É um prazer, senhor!
–E como estão vocês, Chikayo?
–Estamos bem, apesar da pensão do meu pai ser pouca. Meu dinheiro de agente ajuda bastante.
–A separação dos seus pais pegou todos de surpresa.
–Pois é! A mim também. Está muito cheio hoje?
–O mesmo de sempre. Vão lá! Divirtam-se!
Eles descerem pela escadinha que tinha no outro canto da sala, que era bem estreita. No andar de baixo, deram de cara com um enorme salão e com uma quantidade razoável de pessoas.
Havia dois espaços. O primeiro, onde eles estavam, era uma espécie de salão de tiro, com várias baias e alvo para treinamento de tiros. Do outro lado, separado por uma parede era uma campo de paintball. Uma área de simulação de um combate real.
Hiryu estranhou que muito cumprimentaram Chikayo. E tinham intimidade com ela. Parecia que não vinha ali poucas vezes. O garoto foi devidamente apresentado apenas como um amigo de Asai. Ninguém indagou nada sobre como ele foi parar ali, pensaram que ele fosse uma agente como a sua companheira. Tecnicamente, naquela situação, ele era isso mesmo.
Havia um outro local em que se pegavam as armas, as de verdade ou as de mentira, e, também, os equipamento para utilizar o espaço de paintball.
A menina foi até o tal balcão, pediu duas pistolas de calibre 40 mm, óculos e fones protetores, dois pentes de bala.
–O que vamos fazer com isso? - ele questionou
–Não é óbvio? Nós vamos meter bala, criatura!
–Aprender a atirar que você quer dizer?
–É... Aprender. Acho mais divertido falar do outro jeito.
Dirigiram-se até duas baias, uma do lado da outra. A garota colocou um pistola e um pente em uma e entregou a seguinte a Hiryu.
–Você coloca o pente de bala assim. - e fez o movimento, encaixando o pente na parte de baixo da arma - Ouviu o "tec"?
–Sim!
–Então está certo: Carregada! Cada pente tem dezesseis balas. Agora um noção básica sobre onde acertar o alvo. Vai depender muito da situação. Se você quiser matá-lo, prefira áreas vitais, como cabeça e tronco, de preferência o coração. Se apenas quiser pará-lo, atire nos membros, tanto inferiores quando superiores. Entendeu?
–Entendi, Senhorita Asai. - ele falou em tom irônico
–Para, garoto! Eu tô falando sério! Agora você segura assim: Ou com as duas mãos segurando o cabo da arma, um dedo no gatilho. Ou com uma mão só, no caso você tiraria a mão que fica por cima. Vamos fazer oito de cada jeito. Tudo bem?
–Tranquilo!
–Não esqueça de engatilhar a arma, só precisa uma vez, já que ela é semi-automática. Só vai disparar quando puxar o gatilho sem precisar "reengatilhar".
E foram para a sessão de tiros. Chikayo já sabia muito bem manusear aquilo. Todos os seus tiros foram certeiros. Já Hiryu teve algumas dificuldades em mirar, enquanto Asai deu todos os tiros, ele ainda estava ajustando para não errar.

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