terça-feira, 8 de abril de 2014

Capítulo 1 - Conversa alheia

Faltavam apenas duas semanas para o festival de verão do Colégio Sakura. Os alunos já estavam ansiosos e nos preparativos para o grande dia. Haveriam peças de teatro, salas de terror, maid cafés, apresentações musicais e entre muitas outras coisas.
Hiryu Shinto, o garoto mais popular do colégio, não fazia ideia do que sua turma faria no festival, também não queria saber. Ele não era muito fã dessas coisas. Apesar de ser o mais popular, pelo fato de ser bonito e ter diversas garotas caindo aos seus pés, ele se sentia infeliz e sozinho. Seus pais moravam em outro país e ele ficara lá para completar os estudos, só depois que poderia ficar junto deles. Nem todas as garotas do mundo poderiam substituir seus pais. Porém, havia uma, a única que não corria desesperadamente atrás dele, que lhe chamava atenção: Chikayo.
Chikayo Asai era a típica garota explosiva e que nenhum garoto jamais conseguira sair com ela. Respondia todas as declarações e convites com um belo fora, sempre com os mesmos argumentos. Dizia que ela estava muito preocupada com os estudos, que era muito idiota para sair com ela. A garota era esportista e inteligentíssima. Sempre com notas altas em todas as matérias, mas só não era a número 1 por causa do “maldito riquinho metido a besta”, em outras palavras: Hiryu.
A sua turma faria uma competição esportiva, com diversas provas e com medalhas para os ganhadores.
Mais uma manhã de aulas terminou e era hora do almoço. Depois haveria mais aula.
Hiryu almoçara e estava simplesmente passeando pelo corredor. Este simples passeio se tornava algo perturbador, porque a todo momento diversas garotas (e garotos também) falavam com ele. Não querendo ser chato, ele respondia educadamente. Não que ele fosse antipático nem nada disso, naquele dia ele só não estava se sentindo muito bem, queria se isolar um pouco. Parou em frente a uma janela e pode ver Chikayo passando lá embaixo na companhia das amigas. Sempre pensava em um jeito de se aproximar dela, mas como? Ela o odiava! Eles eram inimigos naquela escola, pelo menos pelo lado dela, Hiryu não a via como inimiga.
Sentiu a brisa bater em seus cabelos loiros, fechou seus olhos azuis e respirou fundo. Continuou andado até o final do corredor, onde ficava a sala de depósito, onde guardavam algumas carteiras extras, apagadores, giz e outros utensílios. Ninguém o procuraria ali! Sentou num canto, encostado na parede, no chão mesmo e ficou curtindo o silêncio com a mente vazia.
Chikayo se divertia bastante com suas amigas, principalmente quando elas danavam a falar besteiras. Isso a fazia esquecer um pouco dos seus problemas. Seus pais tinham acabado de se divorciar, a mãe dela estava um pouco abalada por ter que cuidar dela e da irmã, que ainda era um pouco pequena.
Uma coisa que ninguém sabia sobre a garota é que ela era uma agente. Daquelas que trabalham secretamente e que realizam missões que colocam em risco suas vidas, porque muitas vezes se tratam de problemas políticos. Ela era uma agente do governo. Já havia feito muitas coisas importantes apesar da pouca idade. Naquele dia ela recebeu mais uma ligação de seu chefe e foi em uma canto mais reservado para atender. Como ela estava no segundo andar da escola, foi para o final do corredor, em frente a sala de depósito. Então, atendeu:
–Alô?
–Asai, aqui é o chefe! Tenho uma nova missão para você.
–E qual é?
Nesse momento Hiryu reconheceu aquela voz e decidiu prestar atenção na conversa. O chefe da garota prosseguiu:
–Mais problemas com o Ryouta Matsumura. Dessa vez ele quer se vingar de uns inimigos dele. Provavelmente raptar os filhos deles e pedir um resgate absurdo.
–Devo ficar de olho em alguém então?
–Sim e não, por enquanto. Ainda não sabemos quem são. Eu preciso que vá até a casa dele e descubra quem são, sem dúvida ele já deve ter as fichas dos inimigos.
–Eles sempre tem, Shouta.
–Então, o endereço dele é... - e falou o tal – Tem que ir está noite!
–Hoje a noite,... - Chikayo repetiu o endereço em voz audível, já que não tinha papel para anotar, só assim ela poderia memorizar.
Foi o necessário que Shinto precisava para ir ao encontro dela. E como tinha escutado apenas metade da conversa, seus pensamentos estavam um burburinho que só...
“O que será que ela vai fazer lá está noite?”
“E quem caralhos é Shouta?? O namorado dela? Será que é por isso que ela dá fora em todos.”
“Se ela namorar mesmo, vai ser um podre e tanto. Ela vai ficar possessa!”
Então, ele decidiu que iria atrás dela naquela noite. Era um ciúme + curiosidade.
Ela se despediu do chefe e desligou, logo, retornou para a sala. Ela nem fazia ideia de que ouviram a sua conversa no telefone.
***
O restante do dia de aula aconteceu normalmente.
A noite, sem que o resto da família soubesse ou notasse, lá foi Chikayo ao seu destino. Ela pegou o metrô como uma pessoa normal para se deslocar até lá. Desceu em local próximo ao seu destino e seguiu o resto a pé.
Havia uma praça em frente a casa de Matsumura, Hiryu estava sentado em um banco a espera de um aparecimento milagroso da garota. E logo ele teve o encontro inesperado. Não é que era verdade mesmo?
Ele a viu olhar o entorno, pular o muro da casa e depois a viu subindo uma janela do segundo andar. E dava para ver nitidamente que ela usava um colant preto que cobria o seu corpo todo, o cabelo estava preso em um coque.
“Esse Shouta deve ser um tarado. E entrar pela janela? Ih... Isso me cheira a homem casado e que trai a mulher. Nunca imaginei que a Chikayo fosse disso.”
Então decidiu que abordaria ela assim que saísse. E lá em cima, na casa...
A garota entrara no escritório de Matsumura e começara a investigar por toda mesa e pelas gavetas por qualquer arquivo importante que ela pudesse fotografar e ajudar para investigar alguma coisa. Ela tinha que evitar qualquer barulho, percebera que havia gente dentro da casa. Ainda não achara nada, até que olhou bem e percebeu um fundo falso na última gaveta. Bingo!
Retirou o fundo falso e havia uma pasta, que ao abrir se mostrava ser o que o chefe havia lhe contado, eram os inimigos dele. As fichas continham os nomes, fotos, endereços, nome e fotos dos filhos e das esposas e onde os filhos estudavam, ela viu o nome de sua escola em um deles. Fotografou tudo rapidamente e guardou depressa. Não havia possibilidade dela ficar ali folheando aquilo, era tirar fotos e cair fora. Pulou da janela e o muro novamente.
Respirou aliviada de já estar na rua e segura. Foi aí que ela viu quem a estava olhando, aquele garoto de cabelos loiros que sabia bem quem era. A única pergunta que se formou foi: O que diabos ele faz aqui?
Hiryu falou com ela ironicamente:
–Ora, ruivinha, que prazer te ver aqui. E o que fazia naquela casa? Por acaso você está ganhando uma boa quantia para isso?
–Sai daqui, garoto. A minha vida não te interessa! Saia do meu caminho!
–Vai admitir a verdade então?
–Que verdade?!
–De que tem um namorado ou um amante, seja lá o que for.
–Olha aqui, você sabe bem que não estou para essas coisas, você e a escola sabem. O que eu faço ou deixo de fazer não é da sua conta. Siga o seu caminho!
–Se prepare que amanhã vou espalhar seu podre para a escola toda.
A ruiva de olhos castanhos deu um belo tapa em Shinto e saiu, sem dizer nada. Pegou suas coisas que deixou escondidas em lugar próximo, sobrepôs as roupas ao colant e voltou para casa.
O garoto não estava acreditando mais na própria história que sua cabeça inventou, não era possível. Devia ser culpa da paixonite idiota que sentia. Ele decidiu tirar satisfação com ela no dia seguinte. Esclarecer tudo! E se fosse verdade? Ele se sentiria o pior idiota do mundo em ter se interessado na pior garota da escola.
***
A garota mandou as fotos para o chefe assim que chegou em casa.
Shouta pegou todas as informações e começou uma busca pelos filhos dos três inimigos de Ryouta Matsumura: Michiki Tabata, Yuu Shimasaki e Toshinori Oouchi. Uma das fotos chamou atenção dele. Por que ela estava marcada em vermelho e com um “Ichiban” (Primeiro) escrito? Isso era um sinal! Um sinal por onde deveria começar. E por coincidência era uma aluna do Colégio Sakura: Yuki Oouchi.
Ele imediatamente contatou a sua agente Asai e lhe contou o que descobrira. Designou uma outra missão a garota, vigiar Yuki no horário escolar. Ele colocaria mais uns dois agentes na cola da garota por precaução. Por sorte, Yuki era colega de classe de Chikayo. Esse fato facilitaria a sua missão. Depois que o chefe terminou com ela, a garota foi dormir.
Na entrada da escola, o olhar de Hiryu para Chikayo a deixou perturbada. E se espalhasse aquela história de que ela era uma pervertida e fazia aquilo com um homem casado? Sua reputação estava em jogo!
Ela não poderia ter revelado o seu outro segredo, ser uma agente, para ele. Não era uma coisa que se poderia contar de maneira desajeitada. E por não poder dar explicação alguma, sempre tiravam conclusões precipitadas.
Passou a manhã das aulas totalmente preocupada com o encontro que acontecera e no aquilo poderia transformar sua imagem na escola. Ela não queria ser considerada uma puta! Ela não era isso. As amigas perceberam sua preocupação, mas desmentira dizendo que era mais uma coisa relacionada a recente separação dos pais. Ela recebeu abraços de reconforto.
Depois foi simplesmente dar uma volta sozinha pela escola e cruzou com ele. Hiryu nem pensou duas vezes a agarrou pelo braço com força e a puxou para um canto mais reservado.
–O quê tá fazendo, garoto? Tá maluco? Ai, meu braço!
–Desculpe!
Ele imprensou-a na parede e encarava o seu rosto, aquilo deixava Asai um pouco nervosa. Então, ele soltou:
–O que estava fazendo naquele lugar ontem?
–Eu já te falei que não te interessa, Hiryu. Não fique fazendo chantagem comigo, já não te basta ser o mais inteligente e popular da escola e me irritar o suficiente só com isso?!
–Não tem nada a ver com isso. Eu escutei você no telefone ontem, combinando um endereço com um tal de Shouta. Fiquei curioso e fui até lá ontem e vi aquilo.
–Ai, eu não acredito! - ela resmungou – Garoto, olha, eu sou mais virgem do que a Virgem Maria, acredite em mim. Eu nem penso em fazer essas coisas ainda. Dá para você parar de me perturbar?!
–Não! Eu sei que tem alguma coisa estranha nessa história. Eu quero que você me dê uma resposta e não um fora. É só isso o que eu peço!
–Uma resposta?... - Ela não sabia responder a essa dúvida. Não queria contar nada sobre sua vida de agente a ninguém.
–Fala logo porra! - ele se irritou
–Não fala assim comigo que eu não sou tuas nega! Já tá perdendo a noção do perigo!
–É sério, Chikayo! Eu quero mesmo saber o que tá acontecendo. Você pula na casa de alguém estranho, no meio da noite, sendo que você combinou com alguém mais cedo ao telefone. Se não é o que tô pensando, o quê é então?
Ela não tinha escapatória. Ela seria obrigada a contar o seu segredo a Shinto. Contudo, não poderia ser ali. O barulho já chamava atenção dos outros. Ela respirou fundo e questionou:
–Você aguenta esperar a resposta?
–Desde que a tenha, eu espero.
–É porque isso é uma coisa que eu não me sinto bem falando aqui. Podem nos ouvir, alias, já o estão fazendo. E outra coisa... Você sabe manter segredo né?
–Acho que sim. Senão já teria espalhado a minha versão para todo mundo.
–Ok! Tem algum problema de me encontrar a noite, após o colégio?
–Problema nenhum.
–Olha, tem um café perto da minha casa, pode ser lá?
–Sim, senhorita Asai. - ele debochou
–Idiota! - Ela deu um tapa nele e continuou – É no Sweet Coffee Dream, na rua Kanto, 20hrs. Combinado?
–Combinado!
–Outra coisa: Eu quero que vá sozinho, sem nenhum engraçadinho da escola escondido em lugar nenhum, senão eu mato você. Entendeu?
–Entendi.
O sinal indicando o final do almoço tocou. Chikayo e Hiryu saíram do seu esconderijo. Muitas zoações vieram por parte dos outros estudantes. Ele ria meio sem graça e ela se mostrou muitíssimo irritada com aquilo.
O restante do dia correu normalmente. Ambos foram para as suas casas, tomaram um banho e se arrumaram para o “encontro”. Hiryu finalmente saberia o que Chikayo tanto escondia.

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