terça-feira, 8 de abril de 2014

Capítulo 5 - O festival

Os alunos do Colégio Sakura acordaram cedo naquele sábado e se arrumaram para ir a escola.
De um outro lado, Ryouta Matsumura se preparava, com alguns capangas seus, para finalmente raptar Yuki Oouchi. Decidiu fazer com suas próprias mãos, já que da última vez não conseguiram. Ele tinha esse pensamento: Se quiser que façam direito, faça você mesmo.
O festival começava às dez da manhã e acabava às três da tarde. Os alunos vieram mais cedo para poderem trocar de roupa e terminarem de colocar algumas coisas no lugar.
Asai terminou de arrumar as coisas da sua competição e precisava falar com Shinto, então, enviou-lhe uma mensagem:
“Preciso falar com você. Na sala de depósito em cinco minutos. É urgente!”
“OK.”
Ele entrou na sala e ela estava esperando. Hiryu já estava com a sua roupa de Romeu.
–Bom dia, Chi-chan. O que quer falar comigo?
–Bom dia, Romeu. - e riu – Eu queria te entregar isso aqui!
–Uma pistola?
–Eu já tenho uma e vai precisar também. Guarde ela em uma lugar seguro e que ninguém veja. Qualquer coisa eu tenho mais munição.
–É só isso? - ele indagou
–Então já vou! - ele ia sair, mas se lembrou de dar um beijo em Chikayo
–Eu deixei?! - vociferou e depois de respirar fundo, disse - Tem mais uma coisa: Fique de olhos e ouvidos abertos. Atente-se a qualquer movimento estranho.
–Tudo bem! Bom festival para você.
–Para você também, Hiryu-kun!
A garota deu um tempo e saiu depois para que não percebessem nada. Ela estava com um medo de descobrirem que ela saia com Shinto, mas tomou todas as precauções imagináveis. O pessoal tapado da escola não tinha percebido nada!
***
Quando deu o horário, os portões da escola se abriram e uma enorme quantidade de pessoas começou a adentrar ao Colégio Sakura. Além de possíveis futuros alunos, haviam pais, ex-alunos, amigos e parentes do alunos e dos funcionários. Esses vários se espalharam por entre as barracas no pátio, o prédio e as salas do colégio.
Hiryu escondeu a sua pistola num dos cantos da sala e que ficava atrás do palco que fizeram. Ele se preparava para a primeira das duas apresentações que faria naquele dia. Podia-se ouvir do lado de fora um dos seus colegas de classe anunciando que a peça logo começaria. Muitas das alunas que estavam em momento vago entraram para assistir o menino mais popular em um papel principal. Chikayo Asai era uma dessas. Sua parte no festival ainda estava em período de inscrições, só começaria dali algumas horas, decidiu então assistir a peça. Se sentou no fundo e ninguém, exceto Hiryu, percebeu-a ali. Que bom! Teria sossego.
Alguns minutos se passaram e finalmente começara. As meninas estavam loucas ao ver Shinto naquela roupa em estilo medieval. Todas estavam atentas a história, mesmo que ela já fosse batida. Asai e os garotos presentes eram os únicos que viam a peça como um todo. Ela ficou surpresa em como uma peça tão pouco ensaiada podia ficar tão boa. “Eles se esforçaram bastante”, pensou.
A peça durou pouco mais de quarenta minutos. Na saída, os atores, na porta, se despediam dos espectadores. Cada vez que Hiryu cumprimentava alguma menina eram risos e mais risos. Asai foi a última. Todos os atores ficaram perplexos, exceto Hiryu, que se despediu dela normalmente. Um amigo dele comentou:
–Cara, o que foi isso?
–Isso o quê?
–Chikayo Asai assistiu a nossa peça e você acha normal?
–Acho! Algum problema? Ela pode só gostar de Romeu de Julieta.
–Isso me lembro o que eu falei outro dia: Esse ódio todo é amor.
–Ô as ideia em, Misaki. - ironizou o rapaz – Deixa eu ir para o meu irtervalo.
Shinto saiu da sala e resolveu seguir Asai. A garota em uma outra sala naquele mesmo corredor, era de algumas dela que fizeram um karaokê. A menina adentrou ao local e as amigas a receberam:
–Chi-chan, que bom que veio aqui! Vai cantar?
–Ah, meninas, vocês sabem que eu sou péssima.
–Aqui ninguém é bom também. Vai lá dar uma arranhadas. Divirta-se!
As amigas a sacudiram em forma de insistência. Ela argumentou não ter roupa adequada, mas tinha alguns acessórios para colocar por cima. Tinha uma pessoa cantando e a garota foi se vestir.
Hiryu entrou na sala e ficou escondido em um canto. Chikayo se vestiu e subiu ao palco em seguida. Era uma máquina de karaokê como qualquer outra. Asai foi passando a lista de músicas e de repente o seu olhar brilhou e ela comentou:
–Não acredito que tem essa música.
–Qual, Chi-chan?
–Aoi Haru do Angela.
–Vai na fé! - falou a outra amiga – Perfeita para a ocasião!
Um burburinho no corredor fez a sala se encher... De garotos. Uma das mais populares iria cantar. Ela respirou fundo, nervosa. Olhou para um canto isolado da sala, onde estava Hiryu, o garoto lhe sorriu. Foi o que precisava para tomar coragem!
Não seria necessário olhar para a tela, sabia a letra de cor. Ela deu enter e a música começou a tocar.
Cantou os primeiros versos:
“Ha! yada asa da
Hii! ima nanji?”
Chikayo estava totalmente caracterizada com uma cantora de anisongs. Ela colocou um chapéu, um colete preto e uma saia com bastante volume. Ninguém dizia que ela estava com uma roupa de ginástica por baixo. Ela estava conectada a música e dando um show, a sala encheu bem mais durante a sua performance. Ao final, todos aplaudiram. A garota agradeceu!
Ao ela sair da sala, Hiryu falou com ela:
–Parabéns, Asai-san! Você cantou muito bem!
–Eu só fiz o meu melhor, garoto. Mas eu agradeço!
–Se eu pudesse, participaria do seu torneio esportivo. Mas o Romeu aqui não pode suar!
–Julieta não gosta né? - riu – Alias, a peça está muito boa. Meus parabéns também, idiota. Agora eu tenho que ir!
Alguns ao redor estranharam aquela conversa. Ela só fora irônica, não explosiva.
Chikayo voltou para a quadra de esportes, as competições logo começariam. Outros colegas foram chamando as pessoas pelo festival. Logo, todos que competiriam estavam lá.
Começaram pela competição de corrida, alterando as metragens. Depois fizeram queimado. Após outra modalidade, deram uma pausa.
Chikayo foi comer alguma coisa e encontrou com Hiryu de novo. Eles estavam com vontade de namorar um pouco, foram para um canto mais reservado. Trocaram alguns beijos e carícias e tiveram que se separar depois. Chikayo voltou a quadra e Hiryu ficou a olhar a confusão do festival na janela do segundo andar. E uma coisa lhe chamou atenção! Yuki Oouchi passeava em meio a multidão e tinha um cara vestido com camisa social e calça preta, que parecia que a seguia. A menina foi para um canto mais afastado. O homem pegou-a pelo braço com força e puxou. Ele não era estranho para Shinto. A garota pareceu reclamar com ele e tentar tirar o seu braço, mas foi ai em que ele puxou uma arma e apontou para o rosto dela.
“Caralho! É o Ryouta Matsumura. Tenho que avisá-la e detê-lo.” Pensou Hiryu.
O rapaz correu a sua sala, pegou a sua pistola e correu atrás de Chikayo. Ela estava ao redor dos amigos e colegas quando Hiryu apareceu e falou:
–Chikayo!
–Hiryu Shinto? Chamando-a assim? - comentou uma das meninas
–O que você quer, garoto? - Asai mantinha a postura
–Nós temos um problema e dos grandes. A Yuki... O Ryouta tá aqui e pegou ela.
O semblante da agente mudou e os outros boiavam. Ela pegou sua pistola na bolsa e sem se importar com o que os outros achavam, apenas completou:
–Vamos! Você não o perdeu de vista, né?
–Bom! Ele estava no meio da multidão perto do prédio da escola.
E os dois saíram correndo em direção ao pátio com as barracas. Os que ficaram conversavam entre si:
–Mas o que foi isso? - disse um, gesticulando
–Hiryu e Chikayo, quem diria? Nunca pensei que eles fossem trocar palavras desse jeito.
–Mas o que a Yuki tem a ver com isso?
–Gente, ela pegou uma arma e ele também tinha uma!
–O que eles fariam com aquilo? Temos que avisar ao diretor e aos professores.
Depressa, os alunos foram fazer isso.
Chikayo e Hiryu estavam no meio da multidão e não faziam a mínima ideia de onde estariam Ryouta e Yuki.
–Você tinha que ter me ligado ou mandado uma mensagem, não ter ido falar comigo! Acabou perdendo-os de vista e me colocando em uma situação estranha com meus colegas. Idiota!
–Esse é menor dos nossos problemas agora. A roupa dele é um camisa branca e calça preta, não é tão difícil de achar.
Vasculharam por um tempo e conseguiram ver. Ele estava a caminho da saída da escola. Os dois passavam e atropelavam as pessoas que estavam ali para alcança Matsumura o mais rápido que podiam. Muitos acharam falta de educação, porém era uma coisa urgente.
Quase conseguindo alcançá-lo e detê-lo, quando... Uma corrente de alunos e professores se fez diante deles, interrompendo-os. O diretor começou:
–Hiryu Shinto. Chikayo Asai. Dois alunos exemplares. Por que estão com armas no colégio? Ainda mais no dia do festival.
–Diretor, não temos para isso agora! É uma coisa importante! - gritou Asai, desesperada por ver Ryouta se afastar mais e mais.
–Não fale assim com o diretor, Asai. Não é de seu direito. - Falou um professor
Hiryu mantinha-se quieto até o momento, intercalava seu olhar entre a roda e o lado de fora.
–Ande, deem as armas. Vão tomar as devidas punições! - mandou o diretor
A reação de Shinto foi correr, atravessar o bloqueio humano, ir atrás de Ryouta e pular em suas costas. Por sorte, o ex-político estava na calçada da escola. Os outros, nada compreenderam. A agente correu atrás dele.
–Espera! Aquela não é Yuki Oouchi? - falou uma professora
–É ela sim! Será que tem alguma relação com o que aconteceu na casa dela?
E então, foram para a confusão também.
Matsumura foi derrubado com o pulo de Shinto nele. Yuki caiu para o outro lado, estava amarrada. Hiryu se embolou com Ryouta por uns segundos. O garoto foi empurrado e sem poder se defender, recebeu um tiro certeiro na barriga.
–Hiryu-kun! - gritou Chikayo
O criminoso distraiu-se com a voz dela. Foi o suficiente para que Shinto mirar e acertar um tiro na coxa de Matsumura, que devolveu com mais um no ombro do rapaz. Ryouta se ajoelhou, sentindo a dor do tiro. Os capangas vieram ao seu socorro e para pegar a garota, eles eram dois. O popular iria ganhar mais uma bala antes de fugirem.
Chikayo fez a sua jogada! Atirou na mão de Ryouta. Seu grito de dor ecoou pela rua. Depois, ela debilitou os dois capangas sem muitas dificuldades. Afinal, estavam desarmados. Um carro do serviço secreto do governo parado na rua. A porta dele se abriu e saíram de lá dois agentes e o chefe de Asai: Shouta. Trataram de conter e prender Ryouta e os dois capangas. Enquanto isso, Chikayo foi ver como estava Hiryu.
–Hiryu-kun, vocês está bem?
–Estou sim, minha tsundere. Só machucado. - Respondeu com a voz fraca
Ela pousou a mão sobre o rosto dele. A troca de olhares indicou um “vai ficar tudo bem” e Shinto desmaiou. Chikayo gritou por socorro! Havia uma ambulância em frente a escola, apenas por precaução. Os médicos e enfermeiros vieram depressa, puseram o garoto em uma maca e o colocaram na ambulância. Permitiram que Chikayo o acompanhasse. Shouta também foi.
No caminho, Shouta pede uma explicação:
–Chikayo, quem é esse garoto? Como ele está metido nessa história?!
–É um amigo meu: Hiryu Shinto Ele me viu quando fui a casa do Ryouta e entendeu tudo errado. Ele ameaçou contar uma mentira para toda a escola caso não lhe disesse a verdade. Então, eu contei para ele!
–Simplesmente contou? Tem noção de como isso é perigoso?
–Eu não tive muita escolha. Desculpa! - abaixou a cabeça – E para não contar a escola que era agente, fizemos uma acordo: Saia com ele e ele me ajudava nessa missão.
–Entendo! - suspirou – Não sei o que fazer em relação a você, terei que falar com o seu pai.
O resto do caminho seguiu quieto.
***
Hiryu foi submetido a uma cirurgia para tirar as balas e parar os sangramentos.
Shouta ligou para o pai de Chikayo: Akisame. Ele veio urgente e deu um sermão na filha. A menina ficou muito chateada. Akisame tinha tempo para ser o superior e agente chato, mas não tinha o mesmo para ser apenas o pai dela.
–Você tem ideia do que fez, mocinha? Colocou um civil em risco.
–Foi ele quem quis me ajudar. Não é de todo minha culpa.
–Sendo uma agente, tem que saber manter todos os seus planos em segredo. Você é uma principiante nisso!
No final, Akisame disse:
–Vou deixar que o Shouta decida o que fazer com vocês dois. Apesar de todo esse problema, você fez um bom trabalho!
Ela agradeceu.
Alguns minutos depois, soube que a operação de Hiryu foi bem sucedida e ele acordaria em poucas horas. Nayumi e Naoki apareceram apenas para ver se estava tudo bem e trazer roupas limpas para a agente. A garota ficou no quarto, sentada ao lado da cama, esperando-o acordar. Eram horas em uma eterna solidão. Era terrível ver ele estirado na cama, imóvel. Em certo momento, ela viu a testa dele franzir e os olhos abrirem devagar. A primeira coisa que viu foi Asai.
–Onde estamos, tsundere?
–No hospital, Hiryu-kun!
–Ah é! Eu levei tiros. E você, como está?
–Eu estou bem! - sorriu – Está dolorido?
–Um pouco, mas eu aguento.
Shouta assustou os dois entrando no recinto.
–Boa noite!
–Quem é você? - indagou Shinto
–Eu sou Shouta, chefe da agente Asai.
–O famoso Shouta.
–Vim trazer notícias do caso de vocês. Ryouta Matsumura e seus subordinados estão no hospital também. Quando se recuperarem, irão direto para a prisão. Yuki Oouchi, colega de vocês, está bem. Ela pediu para agradecer por a terem salvo!
–Então, no fim, acabou tudo bem? - perguntou Chikayo
–Mais ou menos. Tivemos um civil ferido... - e apontou para o garoto – que fez um ótimo trabalho. Hiryu Shinto, você gostaria de ser um agente do governo?
–Claro!
–Seja bem-vindo então! Poderá começar quando se recuperar dos ferimentos. Eu serei seu chefe e Asai, a sua parceira. - eles apertaram as mãos – Estou de saída. Até!
Os jovens ficaram a sós de novo.
–Chikayo, tenho uma pergunta: Você quer ser a minha tsundere? Quer dizer... Namorada?
–Claro que sim, Hiryu-kun!
Hiryu e Chikayo se beijaram, de uma maneira completamente diferente. Afinal, agora eram oficialmente um casal.
***
Algumas semanas depois, Chikayo e Hiryu estavam em missão. Realizando o resgate de algumas pessoas que foram feitas reféns. Estavam atrás da porta onde estavam as pessoas e os raptores.
–Do jeito que eu te ensinei, Hiryu-kun!
–Eu sei! - Olhou firme para ela – Pronta?
Ela assentiu. Hiryu abriu a porta com um chute.
FIM

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