terça-feira, 8 de abril de 2014

Capítulo 4 - Preparativos para o festival

–Que tá fazendo?
–Eu tô mirando essa merda, não vê?
–Vejo! Se fosse em situação real, já estaria com o meu tão sonhado teco na sua testa. Não se importe muito em fazer certinho. É só um treino. Mete bala nessa porra!
O garoto deu uma miradinha básica e puxou o gatilho, oito vezes. Depois, fez a mesma coisa com uma mão só.
–Está bom! Acertou dez tiros de dezesseis e a maioria foi no tórax.
–E o que fazemos agora? - perguntou tirando os fones
–Vamos para a arena! - falou com um certo brilho nos olhos
Voltaram ao balcão e trocaram as pistolas e protetores por todo um arsenal para o paintball. Foram em direção a entrada do local. Tinham mais alguns aglomerados ali, esperando a sua vez. Cada grupo de vinte pessoas ficava lá por quinze minutos, divididos em dois times.
Durante a divisão, acabaram em times diferentes. Hiryu sentiu uma ponta de medo.
"Agora que ela vai me meter o teco no meio da testa." Pensou.
Todos entraram juntos, montaram rapidamente um plano de ação em grupo, seguido do tocar de uma sirene, que dizia “Começar!”. Foi uma correria e uma agitação. Todos se esconderam! Passaram alguns segundos até o primeiro tiro, depois deste começaram todos os outros.
As bolas de tinta simulam tiros reais e ao marcarem a pessoa servem para dizer se ela está ferida levemente, gravemente ou morreu. É uma enorme simulação de combate real. Só que tem umas regras. Existe um contador de mortes, onde você vai e marca o número de vezes. Basta marcar e pode retornar. O time que tiver menos mortes ganha!
Hiryu havia aprendido um básico e conseguia fazer alguns ferimentos nos adversários. Também se escondia muito bem, ele estava praticamente intacto. Só que não contava que Chikayo o pegaria por trás. Ele escutei um tiro e sentiu a batida nas costas. Com aquela mancha, ele estava morto. Se virou para ver quem era:
–Porra, Chikayo!
–Você que deu mole, idiota! - falou ironizando
–Espere e vai ver só.
–Que medo! - falou rindo
Depois do tempo, Hiryu saiu direto atrás da garota. Era como se estivesse em uma guerra. Passou correndo no meio do “tintoteio”, gritando que nem um louco, o que ensurdeceu os outros. Achou Chikayo e “sentou o dedo” no rifle, foram três certeiros no peito da garota. E então, falou:
–A vingança é sorvete, Chikayo! Te pago um na saída.
–Ridículo! Filho da puta! - ela esbravejou – Aguarde! O que é teu tá guardado.
E todo o resto do jogo foi uma eterna briga entre os dois para ver quem matava mais um ao outro.
–Mas que caralhos?! - comentou um – Esses dois!
Passados os quinze minutos, o time de Hiryu ganhou. Chikayo saiu de meio chateada por ter perdido e estar bastante dolorida. O garoto percebeu isso e lhe deu um abraço.
Revezaram entre o campo de tiros e a arena de paintball. Era tão divertido que eles não viram a hora passar! Saíram de lá apenas quando se cansaram.
No caminho conversavam:
–Então, Hiryu-kun, gostou?
–Apesar de dolorido, gostei bastante.
Ela sorriu para ele e pegou o celular, acabou dando um susto em Shinto.
–Oh, cacete! São quase 23hrs. Minha mãe vai me matar de eu voltar tão tarde. Vai ficar falando que a rua é perigosa para se voltar essa hora... Bla bla bla! Que saco!
–Tenho uma solução mais simples: Minha casa é aqui perto, por que você não dorme lá?
–E dar uma chance gratuita para você me estuprar? Não, obrigada!
–Quem disse que eu vou fazer isso? Prefere ouvir sua mãe reclamando de ter chegado tarde ou ligar para ela e dizer que vai dormir lá em casa?
–Ela me mataria, sem dúvidas! Alias, você pode me levar.
–E voltar sozinho depois? Tenta vai. - falou ele, quase implorando
Chikayo então ligou para a mãe, disse que estava muito longe de casa e que por conta de se manter em segurança perguntou se poderia dormir na casa de Hiryu e retornaria no dia seguinte. A mãe, que sabia quem era a pessoa em questão e também queria que a filha engatasse um relacionamento, permitiu. Sem maiores problemas! Só recomendou que ela se cuidasse e usasse camisinha.
Demoraram dez minutos para chegar no prédio onde Hiryu morava. Subiram ao apartamento no décimo andar. Ele era bem simples, tinha uma cozinha e um balcão separava ela da sala. Também tinha um banheiro e um quarto. Considerando que o garoto morava sozinho, era bem grande.
–Seja bem-vinda a minha humilde residência. - falou sorrindo – Vai querer uma roupa emprestada? Ou vai dormir assim mesmo?
–Sim, quero! Mas, se não for incômodo, posso tomar um banho?
–Eu pego uma toalha também. - e saiu
Chikayo achou a reação dele engraçada. Mesmo a ideia dela ir para lá sendo dele, ainda mostrava-se um pouco encabulado. A garota tomou uma ducha rápida. Ela tinha suado e não gostava de ir dormir assim. A roupa que ele a emprestou era uma camisa, mas que nela ficava como um vestido. Nem reclamou sobre isso! Depois foi o garoto quem tomou um banho. Ela ficou sentada no sofá esperando ele acabar.
–Onde eu posso dormir? - ela indagou
–No meu quarto. Eu durmo aqui na sala.
–Nada disso! Eu sou visita, não mereço essas mordomias.
–Eu faço questão. Não ligo de dormir no sofá uma noite só, é até bem confortável.
–Tá bom, Hiryu-kun! Não vou insistir com você.
O garoto rapidamente arrumou a cama para ela e pegou um travesseiro e um cobertor, levou-os para a sala.
–Boa noite, Hiryu-kun! - ela falou virando para o quarto
–Não vai me dar um beijo de boa noite não? - ele falou rindo
–Você...!
–Prometo que vai ser só um beijo. - estava com o rosto próximo do dela, a menina envergonhou-se – Não vou te levar para o quarto, nem te estuprar e nem coisa parecida.
Hiryu agarrou Chikayo pela cintura e tocou em seus lábios. Foi um beijo semelhante ao da frente da casa dela. Os dois estavam concentrados e unidos no beijo. Chikayo, que geralmente ficava com as mãos paradas, levou-as até a nuca de Hiryu e agarrou os seus cabelos. Nenhum dos dois queria que acabasse, ambos prolongaram os movimentos e as carícias. Os lábios se separaram com um estalo e dois sorrisos bobos. Trocaram um último olhar antes de irem para sentidos opostos.
Os dois demoraram um bocado para adormecer, os corações ainda estavam palpitantes pelo que acabara de acontecer. Ambos dormiram como anjinhos.
***
Chikayo acordou por causa do barulho e da luz que entrava pela janela, incomodando-a. Ela se levantou e andou um pouco pelo corredor até chegar na sala. Hiryu estava do outro lado do balcão, na cozinha, preparando algo. Ela resolve finalmente falar:
–Bom dia, Hiryu-kun!
–Ah, bom dia, Chikayo. Dormiste bem?
–Que bom! Vamos comer, então te levo em casa, tudo bem?
–Claro.
Ela se sentou num dos banquinhos que ficavam em frente ao balcão e ficou observando o menino fazer o café da manhã deles. Logo acabou e serviu uma comida tradicional japonesa: Arroz, Missoshiru, peixe cozido e chá. Sentou ao lado dela no balcão e ele comiam.
–Que delícia, Hiryu-kun!
–Obrigado!
E de repente, Chikayo é surpreendida por um beijo de Hiryu na sua bochecha. Ela esticou o braço para bater nele, contudo ele segurou.
–Por que vai me bater de novo? - indagou
–Porque eu quero, garoto!
–Mas não vai.
Ele puxou-a para um outro beijo, na boca desta vez. O acontecera na noite anterior se repetira.
–Acalmou agora, Tsundere? - falou brincando
–Para com isso! Ridículo!
Terminaram de comer e Hiryu levou a menina para casa. E como estava claro do lado de fora, não puderam dar o “beijo de despedida” que ele tanto queria. Nayumi, ao ver a filha chegar falou:
–E ai, como que foi?
–O que, mãe?
–A noite de vocês?
–Eu não transei com ele, mãe. Enlouqueceu?
–Sei lá ué. Num dos primeiros dias, o garoto te leva na casa dele.
–Você que deixou. Esqueceu?
–Não. Mas antes você lá com ele do que aquela hora na rua sozinha.
Chikayo sorriu. Sua mãe realmente não era como as outras.
***
O final de semana passou bem rápido. Chikayo e Hiryu treinaram um pouco mais nesse meio tempo. Na segunda seguinte, todos os alunos adentravam ao Colégio Sakura para mais uma semana de aulas desgastantes. Porém, esta seria mais curta. A sexta-feira seria livre para arrumarem tudo para o festival.
Chikayo entrou na sala, como todos os dias, e percebeu uma movimentação estranha. Muita gente rodeava Yuki Oouchi. A agente se aproximou e percebeu que a garota “moe e kawaii” estava visualmente abatida e chorando. Ninguém tinha coragem de perguntar o que acontecera, apenas a consolavam.
O telefone de Asai tocou e ela correu para atender, afinal, o número indicado era do seu chefe. Então, ao atender, Shouta falou:
–Agente Asai, bom dia! Desculpe ligar tão cedo, mas é urgente.
–Diga o que é então!
–Aconteceu um ataque na casa de Toshinori Oouchi ontem à noite. Por muito pouco, e graças aos agentes de prontidão, Yuki não foi levada. Eles invadiram a casa e chegaram a desacordá-la.
–Por isso que ela está meio... Abalada.
Nesse momento, Yuki passou pelo corredor e se encontrou com Shinto, que pareceu puxar assunto com ela.
–Asai-san, aumente a sua atenção. O próximo lugar possível para o rapto é a escola. - completou o chefe
–Tudo bem, Shouta. Ficarei mais alerta!
E desligou. Yuki voltou à sala se sentindo bem melhor.
As aulas da manhã acabaram e veio o almoço. Chikayo foi novamente até a sala de depósito para falar com seu parceiro. Queria contar do ocorrido. Ao ouvir o som da porta, o garoto falou:
–Eu já sei que a casa dela foi invadida. Alias, com mais detalhes do que você.
–Custa me cumprimentar? - sentou-se do lado dele - Conta para mim!
–Ela estava se arrumando para dormir quando ouviu um barulho estranho. Ao se virar, um agarrou-a pelas costas e ela gritou, o mais alto que pode, pedindo socorro! Outro desacordou-a. Quando deu por si, tinham mais dois batendo nesses primeiros. Então, o pai apareceu para ver o que houve. Depois, explicaram para ela o que acontecia.
–Então, ela sabe que estão querendo raptá-la?
–Sim! Os dois agentes e o pai falaram. - suspirou e depois falou, parecendo que lia os pensamentos - E não, ela não sabe sobre nós.
Um breve silêncio se fez. Eles apenas se olhavam. Hiryu tentava entender o porquê de Chikayo estar parada. Ela tentava controlar um impulso de beijá-lo. Tudo isso porque eles tinham ficado no dia anterior. A garota já estava confusa em relação a ele.
–Que foi, Chi-chan? - ele indagou
–Nada! - falou mordendo os lábios
Ela não conseguiu se controlar. Se atirou nos lábios dele e o garoto correspondeu. Trocaram algumas carícias e beijos por uns cinco minutos.
–Desculpa por isso, Hiryu-kun! - ela comentou, se levantando para sair
–Não precisa falar essas coisas, minha tsundere. - ele deu de chamá-la assim
–Já falei para não me chamar assim! - disse em um tom mais brando que o habitual
–Não consigo evitar! - e sorriu
–Te vejo mais tarde?
–Obviamente!
E a garota saiu. Ainda martelava na sua cabeça o que a levava a fazer aquilo tudo. Afinal, ela não odiava Hiryu Shinto?
***
A semana se passou rapidamente. Era o dia da arrumação da escola para o festival. Todos estavam de empenhando bastante para satisfazerem os responsáveis do Colégio Sakura. Aquele dia na escola se tornou um grande dia de faxina e arrumação. Eram cadeiras sendo arrastadas para os corredores, pessoas terminando de costurar os figurinos, instrumentos sendo afinados, medalhas e troféus sendo organizados, barracas de comida armadas, outras coisas mais. As turmas que tinham mais trabalham eram que as tinham alguma apresentação, seja de música ou dança.
Hiryu ensaiara a semana toda e estava novamente naquela tarde. Chikayo aproveitou para se exercitar um pouco, a classe dela arrumou tudo bem rápido. A competição que fariam também teriam roupas apropriadas para poder participar, caso as pessoas viessem com uma que não fosse confortável para tal.
Durante um dos intervalos do “Super ensaio”, Hiryu olhava a quadra do colégio pela janela. Pode ver admirar Chikayo correndo na pista. Seus cabelos ruivos presos por um rabo de cavalo. Ela se tornou o seu único motivo dele querer ficar no Japão.
Chikayo conseguiu vê-lo na janela e acenou. Ele respondeu. Os que estavam ao redor dela atentaram-se, porém Hiryu já tinha saído de lá, tinha que continuar o ensaio.
A menina saiu mais cedo que ele, passou por sua sala e o viu praticando as falas com a outra atriz novamente. Escreveu uma mensagem para ele:
“Te vejo no Sushi? Se não for demorar muito.”
Ele demorou um pouco para responder:
“Me espera lá na frente.”
Hiryu arrumou sua mochila, se despediu de todos. Quando estava indo para o portão, Yuki Oouchi chamou-o:
–Shinto-kun! Agradeço por ter conversado comigo hoje, eu estava precisando.
–Por nada, Oouchi-san. Sempre que precisar, pode conversar comigo. Agora tenho que ir!
Ele saiu e se encontrou com Chikayo onde combinaram. Eles conversaram e se divertiram bastante. Depois, Shinto levou Asai para casa.
–Adeus, Hiryu-kun! Amanhã é o grande dia.
–Pois é! - e riu – Boa sorte para nós!
Ele deu um selinho de despedida nela, que por ser pega de surpresa, recebeu um empurrão.
–Você não muda, não é?
–Me deixa, garoto!
Um acenou para o outro. Chikayo entrou e Hiryu pegou o caminho do seu apartamento.
O dia seguinte seria o dia do festival e possivelmente o dia mais agitado da escola, em um outro sentido.

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