sexta-feira, 13 de junho de 2014

Capítulo 19 - Nascimento de Akira

Eu tive um dia de folga no trabalho. Não no sentido de ficar em casa, mas sim de ter pouco trabalho a fazer. O escritório estava razoavelmente vazio nesse dia. Como minha mesa é em um canto, resolvi pegar o diário para ler. Pois é, ando com ele para cima e para baixo, torcendo por uma brecha de tempo para ler. Qualquer momento ocioso é a oportunidade perfeita para escapar em um capítulo. E a escapada de hoje estava se estendendo bastante. As anotações falavam basicamente as mesmas coisas: Kazuko com os sintomas intermináveis da gravidez e teimando em fazer esforço, de acordo com o que falei para não fazer.
Tinha uma outra grávida na família nessa época: Minori, minha madastra. Akira estava próximo de nascer.
E, em um outro dia, semelhante a esse, recebi um telefonema do meu pai. Meu irmão iria nascer!
Querido diário,
Acabei de voltar de uma tarde e parte de noite cansativas, se for considerar minha atual condição. Ninguém nunca me disse que carregar outro ser seria fácil.
Makoto foi ao trabalho como em todos os dias. Eu fui ajudar a Keiko, como sempre. Não estou nem aí para o que ele vai dizer, não vou ficar mofando todo dia. Não me sinto nem um pouco mal fazendo isso. Se eu ficar parada, vem um enjoo.
Durante o meu descanso pós-almoço, fui surpreendida por Makoto adentrando pela porta. Keiko indagou-o:
-Makoto, por que tão cedo em casa?
-Não tinha muita coisa para fazer no escritório. Meu pai me ligou também, tenho que ir ao hospital.
-Aconteceu alguma coisa?
-Minori entrou em trabalho de parto.
Keiko sorriu e parabenizou-o. Foi só então que ele veio falar comigo:
-Kazuko! Você vai comigo.
-Como é que é? - perguntei
-Minori te chamou.
Eu gosto das madrastas de Makoto, por isso me animei para ir. Coloquei um vestido florido, bem simples, acompanhada de uma sandália rasteira. Despedimo-nos de Keiko, descemos e fomos de carro até o hospital. Nossa entrada foi rápida, em poucos minutos estávamos no quarto. Lá estavam Koishiro, Minami, Shiori, Kyousuke e obviamente: Minori. Falei com todos, e quem mais parecia animado era o mais jovem dali.
-Meu maninho tá chegando. - falou Kyosuke
Foi tão fofo que eu sorri. Makoto perguntou a futura mãe:
-E então? Muitas dores?
-Um pouco. Eu aguento. - ela fez uma careta, era um contração
-Eu falei para ela tomar a anestesia, só que ela é teimosa. Fica aí se contorcendo. - reclamou Minami - Quando eu tive o Kyosuke, fiquei tão tranquila. Não senti nada.
-Minami, me deixa! Minha mãe deu a luz sem nada, quero fazer isso também.
-Louca!
-Tá bom, chega vocês duas. - mandou o pai de Makoto”
Minami e Minori sempre foram bem diferentes. Até hoje elas brigam pelo jeito que criam os filhos. Minami tenta impor seu estilo e ganha resposta, de Minori: “O filho é meu, crio como quiser.” E já dá para perceber em como os filhos de cada uma são bem diferentes.
Fora isso, elas vivem em harmonia.
Shiori e eu apenas observávamos a cena. Eu só espero que não seja assim comigo!
A contração dela acabou. Ela dirigiu seu olhar para mim e soltou:
-Seu rosto, Kazuko, tá diferente. - gesticulou para que me aproximasse – Esse olhar, essas bochechas e o sorriso. Você está grávida?
Engoli em seco e fiquei muda. Makoto quem respondeu:
-Pois é, daqui uns meses será nossa vez.
-Tô grávida sim, Minori. - completei
-Sério? Parabéns! - abraçou-me
Shiori e Minami me parabenizaram e abraçaram em seguida. Makoto recebeu um abraço do pai, e eles foram conversar algo lá fora. As mulheres foram me fazer um interrogatório.”
Meu pai também foi me questionar o porquê de Kazuko ter engravidado, afinal, ele sabia que ela tomava remédio.
-Como isso foi acontecer, Makoto?
-Lembra do que aconteceu no meu aniversário?
-Sim. Que ela fez aquilo com a Yoko.
-Eu a deixei trancada no quarto por cinco dias, ela não tomou o remédio nesse meio tempo. Aí, bem...
-Filho! - suspirou - Eu fico feliz por você, apesar de tudo. Espero que cuide bem do meu neto.
E nos abraçamos!
Ele ficou surpreso com a notícia, mas não era uma coisa com a qual ele podia me dar um sermão. Já tinha acontecido. Ele só podia me parabenizar e consolar.
-Como isso aconteceu, Kazuko?
-Por conta do meu castigo, fiquei uns dias presa e sem tomar o remédio.
-Seu remédio não fica no seu quarto?
-Não! É na sala.
-Esse tipo de coisa tem que ficar perto de você, sempre pode acontecer algo que te impeça de sair do quarto.
-Eu não contava que fosse ocorrer.
-Nunca achamos que vai. - falou Shiori
-E o que Makoto disse? - perguntou Minori
-Que tava tudo bem. É culpa nossa e devemos encarar isso juntos.
-E como você ficou quando descobriu?
-Eu só queria chorar e chorar. Me senti a pior pessoa do mundo. Já ouvi tantas histórias de situação parecida e tive medo.
-E agora?
-Presa. Mais do que eu já sou.
-Makoto te proibiu de fazer tudo, né?
-Foi! Mas acha que eu obedeci?
-Duvido! - respondeu Shiori rindo
E nós rimos. Ex-escravas e uma escrava conversando sobre seus problemas.
Minori teve outra contração e mais outra. Eu via o sofrimento dela e me imaginava no lugar dela dali a um tempo. Será que sentiria mesmo essa dor igual ela? Demoraria horas para ter a dilatação correta? Perguntas e mais perguntas assolavam a minha mente, tanto pelo momento do parto, quanto a gravidez toda, e até sobre o futuro do bebê. Do quarto dele, do que faria com ele e como as coisas mudariam após sua chegada.
Todo esse burburinho mental acabou me dando uma dor de cabeça que evoluiu para uma tontura. Makoto estava do meu lado. Pendurei-me nele, que falou:
-Kazuko, tá tudo bem?
-Mais ou menos. Estou tonta. - respondi já perdendo os sentidos
Pude ouvir Makoto pedindo para seu pai levantar da poltrona que tinha no quarto. Após isso, ficou tudo preto e não lembro de mais nada. Quando voltei a mim, Makoto estava me abanando e carregava um olhar preocupado. Levantei e ele me indagou se estava bem.
-Ela tá bem, Makoto. - confortou-o Minami - Desmaios são comuns nessa fase.
Ela sugurou minha mão, se sentou ao meu lado e sorriu. Percebi que ela entendia perfeitamente pelo que eu passava.
Logo a enfermeira entrou e foi ver a dilatação de Minori. Ela já estava pronta.
-Vou chamar sua obstreta. - falou ao sair
Então Rin entrou na sala.
-Ora a família está toda aqui. E como está, futura mamãe?
-Não se preocupe, logo vai acabar. - falou a enfermeira
Ela e a enfermeira prepararam tudo, era hora de Minori fazer força.
-Próxima contração à caminho, preciso que faça bastante força. Todos querem esse menino logo.
Conforme Rin falou, ela fazia o máximo de força que conseguia, junto com algumas caretas e gemidos de dor. Ela ficou quase vinte minutos assim, quando finalmente podemos ouvir o primeiro choro de bebê. Todos, que estávamos ao redor, nos emocionamos. Rin deixou Koishiro cortar o cordão, pesou, mediu e limpou o bebê. Depois o colocou no colo de Minori.
-Qual o nome dele?
-Akira.
-Miyasaki Akira. - completou Koishiro
-Ele é lindo, Minori... - comentei
Ela apenas sorriu e permitiu que uma lágrima caísse. Eu e Makoto ficamos por lá mais um pouco. Depois saímos do hospital e voltávamos de carro para casa.
O parto que assistira não parava de rolar na minha cabeça, e pensava que logo seria eu. Era um medo que passava por mim. Estou sem minha família para me ajudar e nem posso pedir nada a eles.
-Kazuko, o que foi? - ele perguntou
-Não é nada, Makoto! - virei a cabeça para a janela
-Acho que você deve estar preocupada... E com medo, porque viu o parto da Minori.
Tem horas que parece que ele lê pensamentos. Que raiva!”
Eu tenho um senso de percepção quase que absurdo. Até me impressiona de vez em quando.
Outra coisa é que eu sempre entendi tudo (ou achava que entendia) o que Kazuko passava. Ela ainda era adolescente e estava grávida, são medos normais delas.
-Parece que leu meus pensamentos – respondi ironicamente
Calei-me de novo. Makoto me chamou outra vez.
-Kazuko! Fale comigo. Não fique com essa cara e me despistando ao olhar pela janela.
Eu bufei. Eu prefiro me abrir com a Keiko nessas situações, mas só tinha o Makoto, tinha que ser com ele, senão teria que ficar assim até segunda.
-Tenho medo do que pode acontecer. Me imaginei no lugar da Minori, ela estava com tanta dor. Será que vai ser assim comigo?
-Só tem um jeito de descobrir: Esperando acontecer. Mas não se esqueça que tem a anestesia.
Tem horas que ele também é um péssimo consolador. Em seguida, ele falou algo que me surpreendeu:
-Outra coisa: Eu vou estar com você e te auxiliar no que for necessário. Afinal de contas, ele é nosso filho. Temos que cuidar bem dele.
E tocou na minha mãe. Isso me afetou de uma forma... Bem, não sei explicar. Algo como: Kazuko, você não está sozinha. Estou aqui, contigo, para o que der e vier. Vamos enfrentar e passar por isso juntos.
Permiti-me, pela primeira vez, de colocar a mão na minha barriga e acariá-la. Levantei o meu olhar e Makoto me sorriu. Ele soltou minha mão, teve que trocar a marcha do carro. O resto da viagem seguiu em pleno silêncio, ouvi baixinho o som de motor e carro. Revezava entre observar a paisagem noturna e Makoto dirigindo. Chegamos a casa há pouco. Tomei um banho e aproveitei este tempo sozinha no meu quarto para te contar o ocorrido.
Agora dormirei, de acordo com as novas regras, no quarto de Makoto.”
O mesmo colega da outra vez me chamou.
-Makoto! Eu não achei este livro. Procurei em tudo quanto foi lugar.
-Cara, tem que procurar bem. - menti - Esse livro é de prensagem limitada. Eu sofri para achar o meu.
Ele se convenceu com isso. Respirei aliviado. Arrumei minhas coisas e voltei para casa.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Capítulo 7

Assim que completei cinco meses de gravidez, meu irmão retornou. Ele veio falar comigo em meu quarto:
–Irmã, que saudade! Como está?
–Nós dois estamos bem!
–”Nós dois” quem?
Virei-me, pois estava de costas. E ele viu a minha barriga, abriu um sorriso e disse:
–Parabéns, irmã! De quem é?
–De quem está pensando.
–Você em!
E nós rimos. Em seguida, perguntou:
–Ele já passou aqui?
–Ainda não. Espero que em breve.
–Alias, ouvi dizer que o pai dele quer desafiar a família. Foi isto que vim lhe falar.
–E papai já sabe?
–Falei com ele assim que cheguei.
–O que o pai de Mitsuki quer afinal?
–Ouvi boatos de ser nossa irmã esperar um filho dele.
–As informações dele estão atrasadas.
–As minhas estavam. Cinco minutos atrás.
–Se depender de nossa mãe, nem luta haverá.
–Claro! Ela quer que Sae seja importante.
–Ela nem acreditou em mim quando eu contei quem era o pai.
–Eu sei. Não é preciso ser esperto para saber.
–Devemos treinar para esse desafio. Aproveitar que estamos na vantagem. Somos três e eles dois!
–Irmã, não pode lutar!
–Posso sim, treino com papai todo dia.
–Vamos fazer um acordo: Será a última para resguardá-la ao máximo.
–Está bem! E a princípio, o desafio é inútil, o filho dele já está aqui.
–Mas ele não sabe!
–Sei disso.
–Vamos lutar lá fora?
–Sim.
E como o hábito, eu ganhei. E Takeshi falou a mesma coisa que meu pai, que respondeu:
–Também acho isso, filho.
E continuamos treinando, os três samurais da casa a espera do desafio. Um mês se passou e soubemos que pai e filho estavam na cidade. Naquele mesmo dia bateram em nossa porta e eram eles.
Minha mãe e Sae já sabiam dos planos, me empurraram até um quarto e me trancaram lá. Ninguém viu ou ouviu! Os outros três estavam na porta. Enquanto elas me puxavam, só escutei isto; em meio aos meus berros.
–Desafio sua família! Se ganharmos, sua filha mais nova proverá meu neto.
Antes de me trancar, minha mãe falou:
–Seus planos não atrapalharão os meus, bastarda!
Nem fiz questão de gritar mais, estava no fundo da casa. Fiquei com meu bebê quieta para não me desgastar. Pressenti que as coisas não iam bem, iria ter que lutar. Rezava para sentirem minha falta.
Demorou um pouco, mas ouvi a voz de vovó me chamando. Respondi-a e ela abriu a porta para mim. Deu-me minha katana e disse:
–É sua vez! Vai ter que derrotar o pai de seu filho.
Não me choquei, já esperava por isso. Enquanto me dirigia ao jardim fui tomando força e coragem. Então ouvi o pai de Mitsuki falar:
–A vitória é nossa! Pode vir, jovem.
Eu vi o sorriso de minha mãe, mas eu tive que interromper a alegria dela com uma entrada triunfal.
–Espere! Ainda há um samurai nesta casa, ou melhor, uma samurai.
–Sasaki! - disse Mitsuki surpreso
–Bem na hora, irmã!
O que havia acontecido? Meu irmão lutou contra o pai dele e perdeu. Assim, papai foi lutar e ganhou. Mitsuki entrou e ganhou de meu pai. Quando vovó viu a derrota de meu pai, me procurou. Sabia quem fizera tudo.
–Ela não pode lutar. Está desabilitada com esta gravidez. - falou minha mãe
–Isso mesmo! - concordou Sae
–Calem-se! Vocês não decidem por mim. Trancaram-me no quarto para nós perdemos e saírem na vantagem.
–Mentirosa! - falou minha irmã
–Não perderei tempo com vocês.
Desci ao jardim e ajudei papai a se levantar.
–Obrigado, filha! Lute com tudo.
–Pode deixar.
Eu e Mitsuki nos encaramos. Ele olhou direto para minha barriga. Percebi que ele estava receoso por causa disso e então tranquilizei-o:
–Não fique preocupado, lute com seu máximo.
Quando falei isso, ele olhou para mim, com aqueles lindos olhos castanhos e nada falou. Piscou, virou o olhar para outra lado. Em seguida, veio rápido em minha direção. Defendi sem nem sair do lugar. Tentava me atacar, mas não fui atingida e continuei parada.
–Está melhor, Sasaki!
–Obrigada!
Era minha vez de ir ao ataque. Me mexia tão rápido que ele se protegia quase que no desespero. Porém, não o acertei. A sequência de ataques seguinte foi de Mitsuki. Mas, no meio de um destes, defendi e empurrei. A katana dele voou longe.
Desarmado, deu um pulo para trás. Apontei a katana na direção em que estava, larguei-a no chão e disse:
–Vitória da nossa família.
Ele abriu um enorme sorriso e me abraçou.
–Sasaki!
–Mitsuki!
–O que significa isso?- disseram, ao mesmo tempo, minha mãe, irmã e o pai de Mitsuki
–Pai, o filho que a Sasaki espera é meu!
–Mesmo? - sem acreditar, perguntou
–Sim. Iria te contar, mas você me arrastou até aqui.
–Que notícia maravilhosa.
Então ele abraçou o filho. Ele não reprovou sermos rivais. Os rivais eram ele e meu pai.
A careta que minha mãe fez ao ouvir da boca de Mitsuki a verdade, foi ótima. Minha irmã? A mesma coisa! Virei-me para elas:
–E Agora, acreditam em mim? Digam!
–Não. Mentirosa!
–Nunca vão tomar jeito. - disse meu pai rindo
–Entrem e comam conosco. - convidou vovó
Comemos num clima agradável e divertido. E no meio disso, tive uma surpresa.
–Sasaki é a grande escolhida por seu filho.
–Isso está bem claro.
–Eles não contaram a ninguém sobre.
–Mas tem outra coisa... - disse Mitsuki, dando um ar misterioso – Quero pedir a mão de sua filha em casamento.

Capítulo 6

No dia seguinte, acordei antes dele e coloquei a minha roupa. Pouco depois, ele acordou:
–Bom dia, Sasaki! Já está acordada.
–Sim. Não tem nem muito tempo que levantei.
Ele se vestiu e tomamos café juntos. Estávamos conversando sobre a família. E lhe perguntei se iria falar com pai, respondeu-me que sim. Em seguida, chegara a hora de nos despedirmos:
–Adeus, Mitsuki.
–Cuide bem dele ou dela.
Fiz “sim” e parti em direção a minha casa. Estava um pouco longe e como ia apenas andando, cheguei lá um mês depois. Com minhas regras já atrasadas.
Como sempre fui muito bem recebida e a primeira coisa que fiz foi ir na termal de casa com minha avó. E decidi contar tudo a ela, ou melhor, ela mesma quis saber:
–E o rapaz?
–Vai bem, mãe! Encontrei recentemente.
–E... Fizeram?
–Que pergunta! Alias...
–Hum... Lá vem...
–Ele me escolheu para ser a mãe do filho dele.
–E você aceitou. Estou feliz por você. Já está grávida?
–Eu ainda não sei, mas a minha regra já está atrasada.
–Quantas vezes fizeram?
–Sete... Em uma noite!
A careta dela me fez dar uma risada. Depois, perguntou:
–Ele é bom mesmo em!
E ficamos rindo. Contei a ela todos os detalhes do acontecido.
A rejeição das outras mulheres da casa? Continuava. Só que, se eu engravidei mesmo, iriam ter que aguentar.
Passou-se mais um mês e todas as tardes treinava com meu pai. Minha regra não viera ainda, tinha quase certeza do bebê. Queria confirmar com sintomas. Em um desses treinos, tive uma tonteira e desmaiei.
Quando acordei estava sendo examinada por um amigo da família. Ao verem meus olhos abrirem, meu pai e vó sorriram. Ela fez uma expressão de confirmação do que lhe disse.
Ao terminar de me examinar, meu pai logo perguntou:
–O que ela tem?
–Ela não está doente, está grávida.
–Filha... - falou me olhando
Correu e me abraçou.
–Estou feliz por você.
–Obrigada, pai!
–Depois conversamos melhor sobre isso.
Adivinhem de onde vinha a reprovação? Nem responderei!
Logo em seguida fomos comer. Assim, minha mãe resolveu comentar:
–Não sabia que não tinha virtude, bastarda!
–E pelo que lembro deveria se casar, irmã.
–Sabem que não sou dessa forma.
–É mesmo uma burra. Este bebê deve ser de qualquer homem por aí.
–E por que se importa?
Ela nada disse. Continuei.
–Eu não sou importante para você. Nunca me quis, nunca fui sua filha. Sempre bastarda e rejeitada...
–Filha, pare... - papai tentou
–Sabe quando foi que me amou?!
–NUNCA! - Ela gritou
–Não... Quando estava grávida de mim e não sabia que era menina.
–Por mim, você tinha morrido, porém minha sogra cuidou de você.
–E com muito amor. Diferente de você, meu bebê será amado, sendo menino ou menina. Não quero que ele passe o que eu passo com você. Até hoje eu não entendo o te fiz de mal...
–Apenas nasceu, bastarda.
–E outra coisa: Não é de qualquer um. Não sou burra como pensa. Burras são vocês! Nada fazem o dia todo e, ociosas, gostam de me atacar. Quando o pai dele aparecer, verão!
E sai da sala. Dirigi-me ao meu quarto e papai entrou:
–Filha, o que foi aquilo?
–Foram 21 anos guardados.
–Entendo!
–E do que elas me chamaram?
–Sua irmã: “Mentirosa!”; E minha esposa: “Bastarda!”.
–Nada além do normal.
–E de quem é, filha?
–Do filho de seu grande rival.
–Sério? Se apaixonou por ele?
–Sim! Ele é uma boa pessoa.
–E te deu a cicatriz?
–Sim. Foi no dia que fizemos o bebê.
–Isto é para se lembrar dele. Deixou esta cicatriz aí, porque você é dele.
Eu sorri.
–Eu vou te apoiar no que precisar e contrariar as preces de sua mãe.
–Que preces?
–Ela vai pedir para a criança morrer.
–Peça ajuda da vovó também.
–Claro. Pode me contar tudo?
Contei a ele igual fiz com vovó e surpreendeu-se ao ouvir que eu “comandei”. Após terminar, ele falou:
–Quem dera sua fizesse o trabalho de vez em quando.
–Por que, pai?
–Ela sempre foi muito passiva nisso, deixa tudo por minha conta.
Acabei de descobrir um podre da minha mãe.
–Uma coisa é verdade: Ela nunca gostou de fazer nada.
–Concordo, filha.
Depois de breve pausa, meu pai continuou:
–Como vai contar a ele?
–Mandarei uma mensagem.
–Ah sim. E, mais uma coisa: Ele tem preferência por menino ou menina?
–Menino. Mas se for menina, ele vai aceitar.
–Está bem, filha. Boa noite!
–Boa noite, pai.
Mandei a mensagem para Mitsuki no dia seguinte.
O tempo foi passando e continuei fazendo as minhas coisas normalmente. Ajudava vovó em casa e treinava com o meu pai e eles sempre me falavam:
–Descanse! Não fique forçando a criança.
Eu não sentia nada de ruim ou incômodo agindo normalmente. Se eles gostavam de mim e diziam isso, imagine as que não gostavam. Elas falavam mesmo para eu fazer.
Minha barriga crescia e todo dia, quando treinava com meu pai, ele comentava:
–Continua lutando da mesma maneira. Nem parece que você está grávida.
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