sábado, 1 de junho de 2019

O Diário da Escrava Amada - Projeto de Publicação no Catarse


Olá, pessoal! Como vão?
Interrompendo um pouco a programação do blog para fazer uma divulgação.
Para quem não sabe, eu também sou escritora e publico algumas das minhas obras em plataformas online, como o Nyah Fanfiction, Wattpad e num blog próprio: Contos Anê Blog. Foi mais ou menos em 2012/2013 que comecei a publicar algumas dos meus livros online, mas escrevo desde antes disso.
Em 2013, comecei a minha primeira obra de gênero hot: O Diário da Escrava Amada. Foram cinco anos dedicados a essa obra, que finalmente concluí em Novembro do ano passado. E senti em mim que esse livro merecia ganhar uma versão física. Porém, eu não tinha como fazer, pelo menos até um mês atrás. Mas, com um trabalho, posso juntar uma grana de fazer o livro numa prensagem pequena. Só que uma outra vontade que tinha era fazer uma campanha de arredação para tal. Para os leitores entrarem de cabeça no projeto comigo.
Então, bolei o projeto do Catarse como um espécie de pré-venda. E quero muito realizar o sonho de ter meu livro solo em físico. (Vou realizar em dobro, junto com o JV1!)
A campanha começou no dia 16 de Maio e está com captação aberta, que deve ficar até final de Julho ou início de Agosto. Então, é a chance perfeita para adquirir, porque nem sei se vai ter mais depois, porque não vai ser barato.


Sinopse:
Se você fosse escolhida e vendida como uma escrava sexual?
Num futuro distante, crianças e adolescentes de classe pobre de uma cidade são obrigatoriamente exibidos e vendidos como escravos sexuais para a população mais rica.
Hirasawa Kazuko, que estava atingindo a maioridade e não precisar mais estar à venda acaba sendo comprada por Miyasaki Makoto. Em seus últimos momentos de liberdade, ela comprou algo para registrar sua experiência, em um diário. O tempo passou e o agora marido - ex-dono - de Kazuko encontrou o diário e começou a lê-lo, relembrando o passado de ambos e apenas assim ele vai conhecer muitos dos sentimentos que Kazuko confidenciou apenas para o tal diário.
   
(Capa ainda não concluída!)



Além do livro tem outras recompensas, que vão desde bottons, chaveiros, adesivos até outros livros, com o do JV1 até antologias que participei. E tem recompensa especial para os dez primeiros apoiadores. Os valores variam entre 15 e 80 reais e cada um desses dá uma recompensa diferente, só escolher o que mais lhe agrada.
O Catarse é uma plataforma exclusiva para quem quer realizar e apoiar projetos. Ela é super segura e fácil de usar. E tem várias formas de pagamento, como boleto e cartão, além de poder dividir o valor em várias vezes.



Sobre o Livro: 
O livro será impresso no formato 16 x 23cm com orelhas de 6cm, em papel couche 250g, tendo cerca de 400 páginas, que serão feitos em papel amarelado (polén ou avena). Serão confeccionados 100 exemplares.
O livro conta com a ilustração da capa feita pelo ilustrador (e meu irmão) Elias Vaz.
Já a arte da capa e a diagramação ficarão por conta da Ge Banjamin da @gbeditorail (Tudo graças ao sorteio que ganhei na @revisao_etc96.)

A obra continuará em publicação nas plataformas digitais, com capítulos novos semanalmente. Então, quem não puder, vai conhecer o final da história. Mas vai dizer que o cheirinho da edição em papel não é muito melhor?


Confira as opiniões de quem leu! 









E eu fiz um vídeo todo bonitinho de divulgação do projeto, onde conto a Origem, a história, sobre o livros, as recompensas, tudo certinho. Além de ter o texto na página do projeto.
A data escolhida foi 16 de Maio por aniversário da nossa protagonista: Hirasawa Kazuko. (E também aniversário da Asami Imai, dreamcast dela.)
Então, aproveitem e tenham a Kazuko e Makoto na casa de vocês, num livrinho lindo e cheiroso.



segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Twins Switch



Seiya e Yui são irmãos gêmeos, tem 13 anos.  Apenas de serem gêmeos idênticos, eles tem algumas pequenas diferenças. Seiya tem olhos mais puxados para o castanho. Yui, mais para o verde. Sendo bem sútil essa percepção da cor! Yui tem uma pequena pinta no ombro esquerdo, já Seiya não tem sinal algum. Como qualquer casal de irmãos, só quem convive próximo a eles sabe reconhecê-los, como a mãe, o padrasto, a irmã, os amigos.
A mãe deles sempre evitou colocá-los com as mesmas roupas, sempre fez eles entenderem que eles podiam até ser iguais, mas eram duas pessoas separadas e completamente independentes. Por isso, a mãe os colocou em colégios diferentes desde que começaram a estudar.
Mesmo assim, desde sempre, os irmãos são muito unidos. E, como são bons sagitarianos, nascidos em 22 de Novembro, adoram uma zueira. E ela envolve a troca de lugares em um dia ou outro. Eles fazem isso desde bem pequenos, enganando até a própria mãe, algumas vezes. Porém, ela já se acostumou com os filhos fazendo isso de vez em quando e não se incomodava, desde que não fosse dia de prova.
E ambos tem vidas escolares bem diferentes, isso é algo a mais para gostarem tanto de trocar de lugar. Seiya é um dos garotos mais populares de seu colégio, junto com os inseparáveis amigos Shun e Ikki. Presidente do grêmio estudantil e o crush de maioria das meninas da escola. Yui é só mais um aluno comum, até um pouco invisível, bom na educação física e que zoa muito com o melhor amigo: Paulo.
Na noite anterior, Seiya e Yui combinaram de fazer mais uma troca. Se arrumaram como de costume, vestiram o uniforme um do outro e seguiram caminhos diferentes naquela manhã.
Seiya não teve que ficar respondendo cumprimentos de diversas pessoas, especialmente das meninas. Yui já estava se sentindo desconfortável com o tanto de gente que tinha falado com ele e nem eram sete da manhã ainda. A única pessoa que falou com Seiya foi o melhor amigo do irmão, já percebendo que não era seu melhor amigo.
- Fala aê. – disse – Tudo de boa, Seiya?
- Tranquilo. Vim curtir um dia de aula como meu irmão. Preciso respirar um pouco.
- Vamos dar uma zoada também. Pela tua cara, tá precisando.
- Tô mesmo. Ser presidente do grêmio é estressante.
- Imagino. – abraçou o amigo postiço – Vamos para nossa sala.
Enquanto isso, Yui cumprimentou as únicas pessoas que queria: Shun e Ikki, melhores amigos do irmão.
- Bom dia, “Seiya”. – ironizou Ikki, piscando o olho – Bora subir pra sala!
 - Tudo bem contigo? – perguntou Shun
- Tudo bem sim. Vim ser popular por um dia. – e riu
- Pois então aproveite.
E assim, começou oficialmente o dia de troca dos gêmeos.
***
Seiya estava adorando o anonimato, ou melhor, a falta de popularidade do irmão. Apenas poucos colegas lhe deram bom dia, porém não notaram que não era o real colega de classe.
Outra coisa que o Seiya precisava descansar um pouco era ser alvo de um vilão que quer dominar o mundo e já raptou a ele e seus amigos umas duas vezes. Por sorte, apareceram três meninas que os salvaram. Ele é grato a elas por isso!
Ele assistiu às aulas da primeira parte, que eram justamente das matérias que ele tinha menos afinidade, como biologia. Ele sabia que era uma das matérias que o irmão mais sabia, então nem se atreveu a responder as perguntas, dando a desculpa de que estava meio cansado para tal.
Na hora do intervalo, Seiya pode descer tranquilamente acompanhado do único amigo do dia.
- E ai? Curtindo? – ele indagou
- Adorando, na verdade. – Seiya respondeu – Tão bom ser invisível um pouco.
- E como deve estar o Yui no seu lugar?
- Deve estar num perrengue. Rodeado de garotos, especialmente Mariana Côrrea e as amigas.
- E quem são essas?
- São as garotas do grupinho que eu e meus amigos gostamos.
- Entendi.
- E Yui? Nunca tive cara de pau suficiente para perguntar: Ele tem alguém que gosta?
- Bom, que eu saiba não! Só que algumas meninas já mandaram declarações para ele.
- Disso ele já me falou. Só agradeceu e tal, sem parecer grosso, é claro.
- Umas aceitaram bem, já outras não. É a vida!
- Pois é!
Então, Seiya e Paulo continuaram conversando sobre assuntos triviais. E assim, ele aproveitou o resto do dia no lugar do irmão.
***
Já Yui, no lugar do irmão, estava tendo um dos dias mais conturbados do seu mês, semestre e se bobear, do ano. Antes de sequer chegar na sala, a escola inteira já tinha falado com ele.  Realmente não sabia em como lidar com isso além de lançar um sorriso amarelo. Só teve um pouco de paz quando a aula começou, era de matemática, uma matéria que ele não se dá tão bem. Então, resolveu dar o seu melhor na aula, mas não se expor muito, não queria ameaçar a popularidade do irmão.
Passou-se a primeira parte das aulas da manhã, todos desceram para o intervalo e os meninos se sentaram num canto, isolados, porém não longe dos olhares das meninas. E essa paz levou uns bons cinco minutos para começar. Eis que Yui finalmente perguntou:
- Como é que vocês aguentam tudo isso todo dia?
- Acostumamos! A gente só entrou em modo automático nas respostas. – Shun respondeu
- Seiya sempre foi mais sociável que eu mesmo. Ele deve estar adorando ficar de boa no intervalo.
- Quem me dera tivesse um gêmeo para trocar de lugar quando desse vontade. – Ikki, dessa vez – Especialmente se eu fosse alguém que já foi raptado algumas vezes.
- Ah, é. Meu irmão falou disso. Nem imagino o inferno que passaram. Afinal, por que aquele cara quer vocês três?
- Não sabemos ainda. As pessoas que nos salvaram estão desvendando isso. Espero que só resolvam logo. – Shun comentou
Então, três meninas se aproximaram, rindo para eles. Shun e Ikki sabiam bem de quem se tratavam: Suas crushes. Já Yui não entendeu nada quando uma delas se dirigiu a ele:
- Oi, Seiya. Como foi a sua aula hoje?
- Foi bem! – quase engasgando
- Hum, sabia que você está lindo hoje?
- Obrigado! – mais sem jeito ainda
Os amigos também tiveram uma conversa do gênero. Assim, elas se despediram e foram se sentar em outro lugar.
- Quem são essas? – Yui questionou
- São Mariana Correa, Juliana e Gabriela. Seu irmão gosta da Mariana, ou só MC, como chamamos.  – Shun falou
- Não gostei muito dela não. Parece ser metida, irritante e com certeza não faz o tipo dele.
- Tá se achando o Seiya já. – Ikki riu
- Não é isso. Se ele gosta dela, não é problema meu.
- E você? Tem alguma menina que gosta?  - Shun perguntou
- Não. Ainda bem, acho que tenho idade para isso ainda não.
- Apesar de terem nascido no mesmo dia e terem a mesma idade vocês são muito diferentes. – Shun completou
- Ainda bem. Vocês iam aguentar mais um Seiya?
- Ai eu perdi meu argumento. – Ikki gargalhou
E eles continuaram a conversa sobre qualquer outro assunto. E nenhuma menina ou alguém responsável da escola veio para incomodar.
Seiya e Yui achavam que estavam tranquilos e que ninguém sabia da troca, contudo uma das salvadoras do irmão os conhecia fora do âmbito escolar e revelou as amigas sobre o segredo deles e aquilo ficou apenas entre elas mesmo. Afinal, elas eram tão invisíveis naquela escola quanto Yui na dele.
***
O sinal de saída tocou para ambos os gêmeos e eles se despediram dos amigos e se encontraram em casa.
- Então como foi ser eu por um dia? – Seiya questionou
- É difícil ser você. As pessoas não te deixam respirar, eu não parei um minuto. E você? Como foi ser eu?
- Foi ótimo! É bom ser normal de vez em quando. Não tem professor, nem colega e nem menina te bajulando. Aliás, o Paulo é sempre uma ótima companhia.
- Shun e Ikki, idem. Ri muito com eles hoje.
- Conheceu a Mariana Côrrea?
- Sim. A que você tanto fala. Só soube que era ela quando ela foi embora. – riu
- Ela não estranhou não?
- Não. Sabe como as pessoas são desatentas.
- Nisso tenho que concordar. – riu também – Tão bom poder abusar dessa falta de percepção das pessoas.
- Será que um dia a mamãe vai nos colocar no mesmo colégio e não vamos mais fazer isso? – Yui soltou
- Acho que não! Ela também gosta quando a gente troca de lugar só por diversão.
- Então não vamos parar com isso nunca!
E os irmãos riram, agora era hora de contar com mais detalhes como foi o dia no lugar no outro.

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Amores Perfeitos


Desde criança, sempre gostei de andar no jardim que ficava na fazenda da minha vó. Passava longas horas sentado vendo as cores das flores, das folhas. Com o vento mexendo meus cabelos. Eu vivia na cidade com meus pais e sempre passava as férias na companhia dos meus avós e meus pais. Corria e me sujava!
Minha avó tinha uma floricultura na pequena cidade onde nasceu e onde meus pais cresceram. Quando fiquei mais velho, quis seguir cuidando (27/10/2018)do pequeno negócio de família. Então, com o avanço da idade da minha vó – que se tornou viúva – resolvi me engajar na loja com ela. Tinha pouco mais de dois anos que tinha me formado na faculdade e era esse o tempo que trabalhava na loja.
Lá nos vendemos todos os tipos de flores e plantas, fazemos buquês ou as mudas que as pessoas queriam plantar em suas casas.  E tem uma em especial, que eu é uma flor que me encanta desde que era pequeno. Até hoje, elas ficam na varanda do casebre a da minha vó. É a Amor Perfeito.  Outra lembrança que tenho com esta flor é que ela aparece em uma das minhas peças favoritas de Shakespeare: Sonho de uma noite de verão. O suco extraído da flor é usado para fazer a poção do amor. Ao se aplicar a poção nos olhos de uma pessoa adormecida, ela se apaixonada pela primeira pessoa que vê assim que acorda. Gostaria muito de ter essa poção na minha vida, de verdade, porque minha vida amorosa é simplesmente um desastre.
Amor Perfeito é só a minha flor favorita. Uma pena que ela é tão desvalorizada. Adoro como ela é pequena, tem diversas cores, cresce bem devagarzinho depois de muito cuidado e paciência no cultivo, como qualquer outra flor. Porém, nunca fiz nenhum buquê usando-as. Uma pena porque são flores lindas!
Por conta disso, ela acaba vendendo até pouco. Ficam apenas umas mudinhas dela em miúdos vasinhos no caixa da nossa loja. Algumas vezes, uns interessados as acham bonitas e levam um. Contudo, ninguém nunca mesmo conseguiu nomear a tal flor.
Até que um dia, mais um cliente veio para fechar a sua compra. Cumprimentou-me e enquanto eu batia os itens e ele parou e olhou as pequenas florezinhas.
- Nossa! Que amores-perfeitos mais lindas. Vou querer levar uma para colocar na minha casa. – disse e depois indagou – São vocês mesmo que criam essas mudas?
- Sim. Criamos na nossa estufa e também no jardim da fazenda. – esse detalhe é importante, pois a loja fica praticamente ao lado da entrada da fazenda.
- Sempre quis ter dessa florzinha em casa, ainda mais depois de ter lido Sonho de uma Noite de Verão.
- Porque é com o líquido dessa flor se faz a poção do amor. – soltamos ao mesmo tempo
Nós rimos e depois trocamos um olhar meio comedido. Uma pequena tensão e atração surgiu, pelo menos do meu lado.
Terminei de passar a compra, recebi o pagamento e a pessoa se despediu. Continuei o meu trabalho normalmente naquele dia, porém sem deixar de pensar naquele que despertou o meu interesse. Eu nunca o tinha visto na região, talvez estivesse só de passagem ou fosse recém-chegado. A cidade era pequena demais e eu conhecia todo mundo, sabia bem que era um rosto novo.
***
Uns dias depois, tive que ir ao centro da cidade para comprar algumas coisas para abastecer o estoque da casa. E numa das casas, eu vi, num canteiro, algumas amores-perfeitos e eu tenho a percepção de reconhecer as flores que eu cultivo mesmo depois de um bom tempo. Sabia bem quem era o dono. E não foi surpresa ele aparecer na janela e acenar ao me avistar. Eu já estava voltando com as sacolas lotadas de compras.
- Ei, precisa de ajuda com isso? – indagou
Nem precisei responder. Saiu imediatamente e pegou as bolsas que carregava em uma das mãos.
- Não tem carro para levar isso? A sua loja não é assim tão perto daqui.
- Tenho sim. É que estacionei um pouco longe, a cidade está cheia de turistas.
- Então, vou com você até o carro.
- Agradeço.
- Não é nada!
Era uma breve caminhada de cinco minutos, mas foi o suficiente para perguntar o que eu queria saber.
- Você é novo na cidade? Nunca lhe vi.
- Sou sim! Mudei tem pouco mais de uma semana.
- E por quê?
- Bem, minha mãe morava naquela casa e eu vim para o enterro dela. Resolvi me instalar por aqui também.
- E com o que você trabalha?
- Sou escritor. – falou sorrindo, sem graça
- Nossa, que legal. Sempre quis escrever um livro.
- O segredo é começar. Até tem técnica, mas só se aprende com o tempo. O início é com o que você sente.
- E sobre o que escreve?
- Eu escrevo para a coluna de um jornal e para uma revista. Mas, fui convidado a publicar um livro, então vim para cá buscar inspiração. Foi aqui que vivi na infância.
- Deve ser um lugar ótimo para tal. Ainda mais porque a cidade é tranquila.
- Sim.
- Obrigado pela ajuda. – chegamos ao carro – Bem que você podia me dar umas dicas para começar o meu livro?
- De nada. E claro que posso! Só marcarmos um dia.
Nos despedimos e entrei no carro, liguei o carro e sai, vendo ele ficar cada vez menor no retrovisor do carro.
***
Não foi muito difícil a gente se reencontrar, mesmo sem trocar os números de telefone. Cidade pequena, pouco gente, acabamos nos cruzando de novo. Novamente no centro, porque eu fui ver uma amiga que estava viajando por ali. Eu e minha amiga estávamos sentados conversando num barzinho, até que ele apareceu e ao me ver me chamou e eu, sorrindo, respondi:
- Que bom lhe ver de novo.
Apresentei-o a minha amiga e vice-versa.  Ele se juntou a nós na mesa e se juntou a nossa conversa. Era legal ter contato com pessoas diferentes, porque aqui é tudo muito a mesma coisa. A mesma rotina e as mesmas pessoas. Eu não reclamo, até gosto, mas tem momentos em que sinto saudade da cidade.
E claro, fiquei observando o novo escritor presente na cidade, ou melhor, presente naquela conversa. E como tudo nele me atraia de uma forma que eu não sabia explicar. Os trejeitos, o jeito de falar, a risada. Eu estava observando encantado. Ainda bem que nem ele e nem minha amiga perceberam.
Depois de algumas horas de conversa, cada um de nós seguiu para sua casa, sendo que minha amiga foi ao hotel em que estava hospedada.
***
Mais alguns dias passaram. Minha amiga já retornara para a cidade, mas sem antes vir conhecer a fazenda e a loja que mantenho com a minha avó.
E também recebi mais uma visita ilustre naquele dia, o do meu mais novo crush. Ele tinha ligado e conversado com a minha vó e pediu para ir lá para poder pegar algumas inspirações para seu novo livro, além de conseguir algumas informações sobre as flores. Não pude evitar de perguntar:
- Vai escrever sobre flores?
- Sim. Alias, esse é um elemento muito importante para história que tive.
Posso me derreter agora?
- Que legal! – sorri
- Não se preocupe que vou lhe ajudar a escrever o seu também.
- Bem, na verdade, eu já tenho um livro, mas nunca mostrei a ninguém.
- Sério? E sobre o que é?
- Sobre minha adolescência na cidade e em como decidir vir morar nesse “fim de mundo”. – frisei as aspas no ar
- É pessoal, como um diário?
- Não. É mais inspirado do que qualquer outra coisa. É que você disse que era escritor e vi como uma oportunidade de alguém lê-lo finalmente e dar uma opinião concreta sobre. Desculpe!
- Que isso. Não tem problema nenhum. Vai ser um prazer ler o seu.
- Espero ter o prazer de ler o seu também. – confessei
- Isso só quando ele for lançado. Meu editor vai ver primeiro.
Então, junto com vovó, passeamos com o visitante e ele perguntava tudo e anotava também.
E bem, como precisava de uma opinião sobre o que escrevi. Peguei uma cópia do meu manuscrito e dei a ele. Ele disse que não atrapalharia a escrita do livro. Trocamos os contatos para podermos nos comunicar melhor se necessário.
***
Eis que ele me chamou para ir a casa dele em uma tarde. Acredito que ele finalmente terminara de ler o meu escrito. E eu estava nervoso quanto ao que ele ia achar! E eu estava certo. Cumprimentamo-nos e ele foi direto ao assunto.
- Bem, aqui está seu manuscrito. – devolveu-me e percebia que tinha algo de diferente nele -  Como vou dizer isso? Olha, tá bem... Ruim. – ao ouvir isso, eu fiquei devastado – Como explicar? A história está rasa, corrida, mas eu adorei os personagens. Só talvez dar uma revisada e alterar algumas coisas.
Era uma crítica normal, mas ouvi-la vir do meu mais novo crush, quebrou todo o encanto que eu tinha por ele. Eu me abri para ele, no sentido de mostrar algo que escrevi num dos momentos mais difíceis da minha vida, que foi quando decidi me mudar para o interior. Aquilo me pegou de um lado pessoal e eu senti mesmo. E eu não queria ficar lá nem mais um segundo, porque aquilo me magoou e muito.
Ele continuou falando e eu simplesmente abstrai, fingia que estava ali, mas não estava. Chamou-me para tomar um café e eu recusei, dizendo ter um outro compromisso. Era mentira!
E desde então, dava desculpas para não ir a todos os convites dele. Até que houve um momento em que ele percebeu e simplesmente parou.
Umas semanas depois, soube que o escritor tinha retornado a cidade e eu respirei em paz. Não precisaria mais ficar me esquivando e me escondendo. Continuei levando minha vida um dia de cada vez. Uma flor de cada vez!
***
Mais semanas depois, finalmente tomei coragem para finalmente olhar aquele manuscrito que o meu ex-crush rejeitara. E folheando as páginas percebi que ele fez diversos rabiscos e apontamentos, quem ele pensava que era? Opa, eu quem pedi a ajuda dele. E na primeira negativa e reprovação, eu não gostei. Como eu era ridículo!
Fui relendo o texto e os comentários e notei que tudo aquilo fazia muito sentido. Ele tinha mais experiência que eu. Acho que fiquei tão cego pela atração dele, que levei a rejeição ao meu texto como uma rejeição a mim. Como a gente exagera! Decidi que pegaria e reescreveria o texto inteiro, tentando seguir as dicas.
Eis que, ao fazer isso, senti que a escrita fluía de uma forma que nunca fora antes. Lembro de todo o tempo que levei para escrever da primeira vez. Da segunda vez, foi em pouco mais de um mês. E claro, em muitos momentos pensando no meu ajudante de escrita. Eu tinha agora um segundo rascunho, mas não sei se mandaria esse.
Minha vó me chama, pois havia chegado alguma encomenda para mim. Olhei o embrulho e abri, era um livro chamado “Amores Perfeitos”. E ele estava autografado pelo autor, que eu sabia bem quem era. Tinha uma dedicatória grande, escrita numa carta. E estava assim:
“Querido ex-crush,
Você deve estar se perguntando por que diabos recebeu uma cópia do meu livro depois de tanto tempo se nos falarmos?
Eu senti que precisava lhe enviar o livro. Pois, ironicamente você foi a minha inspiração nele. Você e aquela pequena muda de Amor-perfeito que eu comprei.
Fui a sua cidade com o intuito de enterrar a minha mãe e aproveitei para tentar conseguir escrever o meu livro. Meu editor já estava me pressionando e eu não tinha escrito uma linha sequer. Estava bloqueado e tinha um prazo.
E ai, apareceu você. Com seu sorriso e que me lembrou sobre a Poção do amor que se faz com a suco da Amor Perfeito. E esse foi o estalo que eu precisava. O choque de nossas mãos me deu uma energia, mas foi tanta, que eu escrevi tantas páginas que perdi a conta. Pensar em você fazia com que meu livro fluísse e a história dele fosse contada. E você é minha inspiração nesse detalhe também.
Imaginei um homem simples do interior, que depois de um tempo percebi que era alguém que era da cidade e decidiu morar no campo. Aquilo me incendiou por dentro, um fogo para continuar a escrever que eu virei a noite.
E então, você pediu para ler o seu livro. E eu, com todo o carinho que passei a nutrir por você, fui ler. E bem, não foi o melhor livro que li em minha vida, mas tinha muito potencial para ser excelente. Só que eu não consegui te falar isso naquela tarde que devolvi o manuscrito. O jeito que você reagiu acabou comigo. Mas, me fez acordar para outra coisa: Te tirar do pedestal da perfeição que lhe coloquei, ou melhor, coloquei o personagem.
Tentei retomar o contato, mas vi que havia lhe magoado de uma forma sem volta, então, lhe dei o seu espaço. Dediquei-me a terminar o meu livro e apenas isso.
Com o livro pronto. Fiz minhas malas e parti, talvez para nunca mais voltar. Voltar aqui e ter que lhe ver de novo e me olhando com aquela cara? Melhor  não!
Meu editor amou o livro do início ao fim, não queria mudar nada. E foi ai que eu percebi outra coisa, eu tinha menosprezado algo que me deu muito: Você. Eu disse que o seu livro não era bom e não você, mas acabei dando a entender as duas coisas juntas. Até então o livro não tinha título e ganhou este que esta vendo, por causa de tudo isso.
Não quero que me perdoe. Eu só queria escrever e lhe contar o meu ponto de vista de tudo.
Espero que tenham lido o manuscrito que alterei, pois ali lhe dei muitas dicas e espero que as tenha usado para reescrever o livro. E se tiver feito isto, terei o prazer de reler.
Admito também que me apaixonei por você. E foi horrível ter que deixar você ir embora.
Qualquer coisa, se quiser me ver, estarei numa sessão de autógrafos esta noite lá no centro da cidade.
Beijos!”
Ao ler a aquela carta de amor, não pensei nem duas vezes. Fui me arrumar para ir ao centro da cidade, porque eu precisava vê-lo de novo e lhe entregar o novo manuscrito.
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