segunda-feira, 2 de junho de 2014

Capítulo 2

Quando cheguei, abri o grande portal da casa e vi as cerejeiras do jardim mais lindas do que nunca. A brisa que soprou me trouxe um ar nostálgico. Eu me senti bem!
Logo em seguida, minha irmã Sae apareceu e falou comigo com desprezo:
–Irmã! Já voltou?
–Sim! Eu voltei.
–Suja, feia e cheia de cicatrizes. E esse cabelo…
Admito o suja, as cicatrizes e o cabelo. Como samurai, não podia ter os cabelos tão compridos quanto os dela. Alias, eles haviam sido cortados durante uma batalha e tive que consertar. E desde então, mantive sempre um pouco mais curto. E feia? Ela tem problemas nos olhos.
Entrei em casa e estavam todos comendo, inclusive meu irmão Takeshi. Ele ganhara uma cicatriz deitada no rosto, pouco abaixo dos olhos.
Meu pai se levantou, juntamente com minha vó para me abraçar. Vovó me disse:
–Você está linda!
–Obrigada, mãe! – eu a chama assim, ás vezes.
O outros três olhares da casa eram de desprezo. Sentei com eles e comi, estava com muita fome.
Após isso, fui tomar um banho na banheira termal da casa. Estava com tanta saudade daquele lugar. Fui e fiquei um tempo sozinha. Em seguida, a irmã surgiu e ao me ver falou:
–Não sabia que porco se lavava!
Nem falei nada.
Ao sentar na banheira e ver minha “fartura”, disse:
–Nossa, que isso! Vaca leiteira!
E depois ela riu.
Simplesmente me levantei e sai de lá. Fui trocar de roupa no quarto. Enquanto penteava meus cabelos, vovó entrou e falou comigo:
–Neta!
–Diga, vovó.
–Posso pentear seus cabelos?
Fiz “sim” com a cabeça e enquanto os penteava fez comentários:
–Você está bem mais bonita que sua irmã. E o seu corpo, que seios grandes.
Eu ri nessa hora e logo após, ela perguntou:
–E os seus cabelos? O que houve com eles?
–Eles foram cortados em uma luta. Desde então, eu o deixei desse tamanho.
–E as outras coisas?
–Que outras coisas?
–Os rapazes, suas lutas, sua virtude…
–Só tenho lutado mesmo, mãe!
–E a virtude?
–Eu a perdi.
–Já esperava isto. Você é uma menina diferente. Me conte como foi.
–Ah, foi bem sem graça e doeu bastante…
E contei detalhadamente sobre como foi e o motivo de ter sido. E logo depois de me ouvir, ela falou uma sabedoria:
–Um dia você irá encontrar um homem que vai ter levar aos céus. Igual eu e seu avô quando fizemos seu pai.
E nós rimos. Pior é que ele tinha razão.
Terminei de me trocar e me sentei na enorme varanda para ver o pôr-do-sol. Meu irmão se sentou ao meu lado e nos fazendo companhia reciprocamente, ele falou:
–Está bonita, irmã!
–Obrigada! Você também.
–E a sua jornada? Como foi?
–Eu ganhei de todos contra quem lutei.
–Eu não… perdi a maioria. E ainda ganhei essa cicatriz.
–De quem?
–O filho de um rival de nosso pai.
–Hum… ele é bom?
–Muito rápido e forte.
E conforme fui perguntando sobre o tal samurai, Takeshi respondia. Fui listando todas as fraquezas e forte dele, isto seria uma vantagem se eu o encontrasse.
Ficamos um tempo quietos observando a paisagem e perguntei:
–Tem muito tempo que voltou para casa?
–Apenas alguns dias.
Em seguida, a mamãe chegou e falou:
–Meu filho, o que faz com ela aí?
–Estamos somente conversando.
–Que tal lutarem um pouco?
Olhamos um para a cara do outro e nos levantamos para pegar as katanas. Corremos até o jardim. E ficamos igual na infância brincando com as katanas. E como sempre, eu ganhei.
–Sempre, não é?
–Não posso perder o hábito.
Papai apareceu com sua katana e disse:
–Vamos uma, filha?
Assenti e ele desceu ao jardim. Com meu pai era mais complicado, ele era excelente. Estava bem equilibrado. Mas a experiência que ganhei viajando se mostrou contra meu pai. Ajudei-o a levantar e ele falou:
–Parece que tenho uma grande samurai.
Após os acontecimentos deste dia, fiquei mais alguns em minha casa.
E decidi que era hora de partir novamente. Muito tristes minha vó e pai se despediram de mim. Meu irmão me desejou boa sorte. Minha mãe e irmã estavam recolhidas em casa.
Ao sair de lá, fiz uma promessa a mim: Vingaria meu irmão, vencendo aquele que fizera a cicatriz nele.

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