segunda-feira, 2 de junho de 2014

Capítulo 5

Passei mais de um mês em casa.
Todo dia treinando com meu irmão, como na infância e aguentando as palavras de minha mãe e irmã.
Meu irmão partiu mais cedo desta vez e eu ficava de companheira para minha vó, que cuidava e fazia todos os serviços da casa. Enquanto as outras duas ficavam bordando ou fazendo penteados ou saiam para ver tecidos para quimonos. Até comentei com vovó:
–Elas não fazem nada o dia inteiro?
–Melhor que fiquem assim, elas não sabem.
–Nossa!
Apesar de eu ser um pouco desastrada com essas coisas de casa, minha vó disse que faço melhor que elas e sempre agradecia a ajuda. Adorei ficar junto dela nesse tempo, a companhia dela é ótima.
Porém, um samurai sempre tem que partir em busca de lutas. E também, se ficasse mais tempo, invadiriam a casa. E isto não seria bom. Parti deixando meu pai e avó muito tristes. E a outra metade, feliz.
Arranjei muito mais lutas do que antes e não perdi nenhuma delas. E o tempo ia passando e eu lutava cada dia mais. As lutas eram para me tirar do posto que ganhei. Mas não aparecia ninguém a minha altura. Só havia uma pessoa que poderia me derrotar. O meu grande rival, descendente de seu pai, rival do meu. E ele era por quem estava apaixonada e que também decidi deixar meus cabelos crescerem, porque simplesmente disse que gostava mais. Se passaram quase dois anos, ou seja, estava perto de completar 21 anos.
Em uma noite, estava tranquilamente comendo e não percebi nada de anormal (foi um erro meu). Mas os ouvidos estavam em alerta e ouvi um “Vai ser a revanche”. Logo em seguida, como de costume, fui desafiada. E aquela voz não me era estranha. Quando virei para ver, era Mitsuki. Sua cicatriz havia melhorado, era apenas uma marca branca em seu rosto. Subi na arena (estes lugares tinham) e ele me falou:
–Sasaki, a revanche!
Admito que fiquei nervosa. Era o meu amor na minha frente e muito mais bonito do que antes por causa da cicatriz. Ele estava mais rápido e forte. Eu também havia mudado e melhorado.
A briga estava páreo duro, difícil dizer quem ganhava. Havia momentos na luta em que me distraía com a beleza dele. E no meio da agitação da luta, meus cabelos desamarraram e ficaram soltos. No meio de uma destas distrações, demorei a desviar e o que sofreu o corte foi o meu cabelo. Fiquei chocada ao ver meus cabelos no chão. Tinha de voltar a luta e foi o que fiz.
Estava deixando muita vantagem para Mitsuki, estava dando era muita sorte também. Contudo, houve um momento em que Mitsuki foi mais rápido do que pude ver. Minha katana foi lançada longe com um golpe lateral dele. E fiquei vulnerável! Ele ficou um tempo parado com a katana apontada para mim, abaixou-a, me empurrou e cai. Então falou:
–Seu rosto é muito bonito para deixar uma cicatriz nele.
Com a queda, um dos lados do quimono deixou meu ombro e parte do seio à mostra. Mitsuki olhou bem ali e fez uma cruz ou X no meu seio esquerdo. Quando ele fez o corte, vi o sangue escorrer e manchar o quimono. Ele guardou a katana e foi aplaudido. Ajudou-me a levantar e falou:
–Vou cuidar de você hoje!
Pegou minha katana e fomos ao quarto onde ele estava. Ele chamou um serviçal do local para cortar e ajeitar meu cabelo. Após terminar, o serviçal saiu e nós ficamos sozinhos. Então, Mitsuki me perguntou:
–Vamos tomar um banho?
Fiz “sim”. E nos dirigimos ao local. Desta vez uma termal fechada e privada. Apesar de amar Mitsuki, aquela fora minha primeira derrota e eu estava meio emburrada. Falei:
–Primeira vez que eu perco uma luta.
–Naquele dia também foi a minha 1º vez e a única até agora.
–Estou chateada comigo mesma.
–Não fique assim. Foi só uma vez.
Ficou um silêncio e ele prosseguiu:
–Alias, “O grande samurai” está de volta.
–Ora, seu bobo!
–Me deixei ficar com o título um pouco, depois lhe devolvo.
E nós rimos. Depois da risada, ocorreu um silêncio. Ele se aproximou de mim e nos beijamos. Assim que o beijo acabou, se levantou e disse que me esperava no quarto.
Sim, iriamos fazer outra vez.
Terminei de tomar banho e como antes, coloquei só a parte de cima do quimono. Quando apareci, ele estava sentado a minha espera.
–Sente aqui!
Sentei-me a frente dele. Abriu meu quimono e olhou a minha cicatriz recém-feita e falou:
–Ficou bonito em você. Assim como a que você fez em mim.
Eu sorri. Acabou acontecendo outro beijo e todo o resto. Com o Mitsuki era tão diferente, era melhor! Eu sentia mais! Não era só aquilo de prazer. Isto devia ser assim porque eu estava apaixonada por ele. Após isso, ficamos deitados juntos e conversando:
–E o seu irmão? Como ele vai?
–Como mais sorte. Ou melhor, habilidade.
–Seu pai não mandou deixar um sucessor?
–Falou sim! E você? Achou a mulher certa?
–Não, ainda não! Achei que tivesse encontrado, mas ela perdeu a criança.
–Eu lamento!
Admito que, nesse tempo, eu pensei que fosse essa mulher forte. E também pensava em como falar o que sentia a ele.
–Não precisa se lamentar. Ela se ofereceu para mim . Acho que eu devo escolher para não cometer esse erro novamente.
Esqueci de me oferecer naquele instante. Se eu falasse o que pensei, seria basicamente me oferecer.
Eu fiquei com vontade de sair dali. Levantei-me e comecei a me vestir. Assim ele falou:
–Você está diferente!
–As pessoas mudam, Mitsuki!
–Enquanto lutávamos, não parava de me olhar.
–Devo dar atenção ao meu oponente!
Sim, com as respostas na ponta da língua para ele, porém...
–E o seu cabelo? Estava mais comprido.
–Deixei-o crescer!
–Sasaki, você não me engana. - me virou para frente dele – Fez isso para me agradar, pois eu disse que gostava. Não é a primeira e nem a única a fazer isso.
E ficou um silêncio e nós nos olhamos. Ele falou:
–Se tem algo a dizer, diga!
Respirei fundo para tomar coragem.
–A verdade é que... Eu te amo, Mitsuki!
Então, Mitsuki parou e olhou para mim, bem no fundo dos olhos, me abraçou e também disse o que sentia:
–Eu também te amo, Sasaki!
E pela emoção, falei uma coisa que a princípio eu não podia.
–Acho que eu sou a mulher que você procura.
–O que? - perguntou me soltando
–Para ter o seu filho. Eu me acho forte para isso.
–Sasaki...
Ele deixou correr uma lágrima dos olhos e baixou a cabeça. Peguei o queixo dele e dirigi meus lábios na direção dos dele. Estávamos nos beijando e acabamos indo para a cama
Mitsuki estava em cima de mim e eu sem as roupas que acabara de vestir. Primeiro, ele me acariciou e lambeu meu corpo todo. Quando ele ia ao que interessa, olhou para mim e perguntou:
–Tem certeza, Sasaki?
–Tenho!
Fizemos uma, duas, três vezes...
E eu... Bem... A única coisa que conseguia fazer era gemer e gritar de tanto prazer. Lembra que eu falei que ele era bom?
No fim das três vezes, nos deitamos lado a lado e ele ofegante, disse:
–Fazer filho cansa!
–Eu não estou cansada. – falei ironizando
–Claro, eu que fiz o trabalho todo.
Eu ri um pouco e falei determinada:
–Eu faço o trabalho dessa vez!
–E como?
–Com umas coisas que aprendi.
Mitsuki deu um riso safado.
–Está bem! Faça o que quiser comigo.
Comecei a fazer umas coisas que aprendi por que uns homens antes me obrigaram. E não vou contar. Talvez alguns estranhem. Mas, desta vez, não era ele em cima de mim, era o inverso. Tinham que ver a cara dele, ele estava gostando e eu também. Era a primeira vez que fazia aquilo por minha própria vontade. Quando terminou, eu me joguei do lado vazio da cama e soltei um suspiro. Mitsuki falou:
–Nossa! É a primeira vez que alguém faz comigo... Dessa forma.
–Gostou?
–Eu adorei! Pode fazer de novo?
–(Dei uma risada) Posso descansar?
–Pode! -respondeu sorrindo.
Levantei, lavei meu rosto e minha cicatriz, pois ela havia sangrado com a agitação. Voltei e já estava em cima dele, fizemos outra vez.
Comigo no trabalho duas vezes, ele descansou e me disse:
–Mais uma vez, é comigo agora!
Nem preciso comentar. Foi maravilhoso. No fim...
–Não sei por que, mas... Com você é diferente. - Mitsuki falou
–Também é diferente para mim.
Ele pegou em minha mão e beijou a minha bochecha e perguntou-me:
–Quer tomar um banho?
–Sim!
E fomos para a termal novamente.
Era forte o suficiente, mas não sabia se era fértil. Resolvi me abrir sobre isso.
–Será que eu vou ficar grávida?
–Claro que vai, Sasaki. Não duvide de você.
–E se eu não ficar?
–Tentamos outra vez e mais outra.
Eu dei um riso tímido e deixei correr uma lágrima.
–Vem cá, Sasaki!
Cheguei ao lado dele e ele me abraçou.
–Ele vai vir por nosso amor.
–Sim!
–Outra coisa: quero que se resguarde. Retorne a sua casa. Assim que descobrir, me mande uma mensagem, qualquer coisa.
–Pode deixar, “O grande samurai”!
Ele caiu na gargalhada e depois disse:
–A segunda maior samurai pode estar grávida do nº1. Um tanto irônico não?
–Sim! Imagina quando souberem...
Acabou me vindo uma coisa pertinente a cabeça.
–Tem preferência por menino ou menina?
–Menino. Mas se não for, ficarei feliz do mesmo jeito.
–Não quero que aconteça o mesmo do que comigo.
–Eu entendo! Não farei isso e está óbvio que nem você.
Depois ficamos quietos, apenas trocando carícias. Após isso, dormimos juntos. Dormir mesmo.

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