segunda-feira, 2 de junho de 2014

Capítulo 1

Olá! Eu sou Sasaki, eu sou japonesa. Eu pelo menos era, eu já morri e faz muito tempo.
Eu vivi por lá na era dos grandes samurais. E vocês talvez riam de mim, mas eu era uma grande samurai.
Não! Não era um homem, era uma mulher samurai, um tanto peculiar não acham?
Era mulher apenas pelo sexo mesmo, fui criada por meu pai (um grande samurai) e a minha vó (ela me tornou mais feminina). Eu era forte como um homem, bonita e delicada como uma mulher.
Todos ficaram felizes com a minha chegada, exceto minha mãe. Enquanto me esperava, ela cismou que queria um menino e que eu era um menino. Ela concluiu isso, pois eu era forte e meninos são fortes. Assim que me viu, ela me rejeitou e minha vó quem cuidou de mim quando bebê.
E meu pai me tornou samurai.
Outra coisa, minha mãe queria tanto um menino, que meu irmão nasceu logo depois, antes mesmo de eu completar um ano. Alguns anos depois, conformada, minha mãe deu a luz a minha irmã. Eu nunca fui considerada filha por minha mãe, minha avó quem era minha mãe.
Enquanto crescia, meu pai treinava a mim e meu irmão. Sempre fui melhor que ele, sempre perdia quando lutávamos. Ele nunca me venceu!
Minha mãe sempre aplaudia para meu irmão e dizia sobre mim:
–Essa menina não é nada, meu filho! Serás um grande samurai.
Maioria das vezes que isto acontecia, corria para minha vó, chorando. E ela sempre me confortava.
Eu ficava pensando em como minha mãe conseguia me rejeitar.
A medida em que os anos passavam, melhorava na arte de lutar com a Katana. Sabia do meu potencial e meu pai também. Ele ensinava tudo, nos mínimos detalhes.
Quando mal completei 16 anos, sai de casa por recomendação do meu pai. E fui em busca de lutas como samurai.
Na véspera de minha partida, ouvi a “mãe” falando com meu pai:
–Ela não vai voltar!
–Ora, não diga isso.
–Por que não, querido?
–Ela foi muito bem treinada e ganhou de seu filho infinitas vezes.
–Ela é só uma garota imbecil.
–Uma imbecil que achava que era um menino.
–Hum... quero mais é que ela morra!
–Ela é sua filha bastarda.
–Ela não é minha filha.
–Vamos ver o que vai dizer quando ela for reconhecida.
–Nunca acontecerá, ela é mulher.
–Tão forte quanto um homem. E ela será uma grande samurai.
–E filha de quem?
Meu pai se calou. Isto porque eu não era conhecida pelo mundo. O filho mais velho dele era meu irmão.
No dia seguinte, parti em minha jornada. E como primogênita, carregava o fardo de meu pai e da família. Em meu caminho, encontrei muitos samurais que só lutaram comigo por deboche. Mas, tinha tudo o que precisava: técnica, inteligência e força.
Na jornada ganhei muitas cicatrizes e também perdi minha pureza, apenas para ganhar um novo kimono e consertas minha katana. E muitas vezes fazia em troca de alguma coisa e por sorte, nunca me aconteceu nada.
Passados dois anos, eu já estava conhecida e meu irmão já não era o filho mais velho. E como nesta época, as notícias corriam de boca em boca, soube que a sorte de meu irmão não estava tão boa quanto a minha. Ou melhor, a habilidade dele.
E tenho certeza que todos em minha casa sabiam o que me tornei. Muitos nem acreditavam que eu era mulher, mesmo tendo os seios fartos.
Acabei ficando com saudades aquele tempo todo longe de quem amava. Então, voltei para casa.

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