sexta-feira, 29 de maio de 2026

Boletim de Anelândia: #46 - Charmosinha, a cidade das flores (Falando sobre uma das cidades fictícias)


Olá e boas vindas a mais uma edição do Boletim de Anelândia!
Hoje falarei sobre a cidade fictícia que eu criei para as minhas histórias, que é Charmosinha.
Eu costumo usar cidades reais ou, na verdade, nem citar um local específico; só que em certo momento surgiu esta querida que eu falarei hoje.
Sem mais enrolar, segurem na minha mãozinha e vamos!

De onde veio o nome?

Bom, o nome surgiu inspirado no nome “Charming”, que é um nome de cidade bem comum nos EUA. Acabei que entrei em contato com ele na série Sons of Anarchy - que eu tentei muito e ainda sobrevivi uma temporada inteira com tédio - e por se tratar de uma cidadezinha de interior fiquei imaginando como seria se essa cidade fosse no Brasil.
Como eu estava vendo a série com digníssimo, ela disse que traduzir o nome ficaria como “Charmosinha” e eu, na minha cabeça de escritora, pensei: Esse nome tem muito carinha de cidade lá no interior de Minas Gerais.
E foi assim que nasceu Charmosinha, que acabou virando o pano de fundo para algumas coisas que já escrevi e estou escrevendo, ou seja, temos um Universo de Charmosinha.
Vou falar sobre essas histórias abaixo.

Só para constar, as histórias são...

Amores Perfeitos - Conto (tem essa flor como ponto de enredo)

Este foi o primeiro conto ambientado em Charmosinha, que nessa época nem tinha nome e admito: coloquei no universo depois. (Mas, aí faz parte!)
Como o nome sugere, a flor de inspiração é a Amor-Perfeito e conta a história de um florista e um escritor que acabam por se encontrar e se relacionar por causa tanto da flor quanto por um livro que precisa ser escrito.
Foi um dos tantos contos que eu escrevi pro Café com Letra e esse era justamente com a temática das flores.
Alias, eu amo muito este conto!


A Pura do Nota do Girassol - Conto (mesma coisa)

Essa daqui é a história que escrevi para um projeto especial e como a Minorin tem o Girassol como a sua flor, por que usar Charmosinha né?
Aqui foi a primeira vez em que eu citei diretamente o nome da cidade; deixando claro que a história se passa na cidade e eu também estabeleci o grande evento anual da cidade: Festival das Flores.
Nessa história temos uma perfumista que vai passar um tempo na casa dos tios, que moram e trabalham com girassóis na cidade.
Durante a história, a personagem encontra a inspiração para ajudar o negócio da família, usando a sua percepção para cheiros e criação para tal.
Aqui neste história, já temos o crossover de duas histórias e sobre ela que falarei agora.


Destinos Florescentes - que tem as Tulipas como a flor da família da protagonista

Um projeto atual que eu tenho um carinho enorme, mas ele está sofrendo pela minha vida ter mudado bastante nesses últimos tempos e eu simplesmente não consigo parar para escrevê-la.
Temos uma edição falando sobre ela, bem antes de eu começar oficialmente a história; mas eu falo aqui também para quem não conhece.
Destinos Florescentes conta a história de Ana Maria e de Dimas; ela sendo nascida e criada em Charmosinha, enquanto ele é do Rio de Janeiro. Só que os dois acabam se encontrando numa situação não muito legal - que é bem problemática no livro - e os dois precisam lidar com as consequências disso.
Neste aqui temos a Tulipa (uma das minhas favoritas), que é a flor que a família de Ana cultiva… Ou cultivava! O evento favorito do ano dela é justamente o festival!
É uma história que ainda estou desenvolvendo, porém já posso adiantar que eu vou tentar tirar os problemas que as inspirações para ela acabaram por trazer. Para quem não sabe, é inspirada num dos meus dramas favoritos.
E bem, tem uma cena em comum entre este livro e o conto do girassol. (Os catadores de referências vão pegar bem fácil!)


Eu chamei de Cidade das Flores e é mesmo!

Deu para perceber que todas as histórias envolvem algo relacionado a uma flor!
Acabou que naturalmente que Charmosinha, de um nome inocente e bem carinha de Brasil (e de Minas Gerais) se tornou a Cidade das Flores.
Eu adoro esse pequeno universo que eu criei, situado no interior e que ambienta histórias das quais tenho um carinho enorme e que eu amei escrever.
Ainda não sei se teremos mais histórias se passando nessa pequena cidade de tamanho, mas grande de criatividade.
Com certeza, se essa cidade existisse, eu ia muito visitar e passar alguns dias; no comércio e também nas tantas fazendas e plantações de flores que existiriam por lá.

Bem, pessoal, é isto!
Espero que tenham gostado de conhecer um pouco mais sobre a cidade de Charmosinha.
Até o próximo Boletim de Anelândia!

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Boletim de Anelândia: #45 - Pequenas regras de autor (E como eu as odeio)


Olá, pessoal! Como vão?
Sejam bem-vindos a mais uma edição do Boletim de Anelândia.
Cá estou eu hoje para falar sobre mais um assunto meio polêmico que faz parte dessa vida de ser autora e que desde sempre me incomoda bastante.
Vou falar sobre como algumas pessoas instituem alguns pequenas regras para autores e como elas me incomodam muito.
Segurem na minha mãozinha e vamos!

Como eu encontrei essas “regras”

Antes de entrarmos nas questões que me incomodam, vou comentar porque elas acabam fazendo isso comigo.
Boa parte dessas coisas acabei por entrar em contato justamente por ser uma autora muito presente online, principalmente no começo dos anos 2010, que foi quando eu publiquei minhas primeiras histórias no Nyah e no Wattpad. Eu era muito presente em grupos de autores e leitores desses sites; acabava que o pessoal trocava e compartilhava bastante e pedia algumas dicas uns aos outros, ainda mais porque a maioria eram de autores iniciantes e que ainda estavam aprendendo muitas coisas sobre escrita e criação de histórias.
E infelizmente, a ignorância faz com que a gente pense certas coisas que não são verdade!
Eu, com um pouco mais de bagagem mesmo naquela época, já ficava muito incomodada! Tanto que até hoje me sinto assim, na mesma escala e é por isso que temos essa edição de hoje.


Minha cara vendo os outros "cagando regra" na escrita dos outros!

Algumas coisas que me incomodam são…

Limitar a quantidade de capítulos ou palavras que uma história deve ter

A primeira barreira que muitos se deparam é justamente qual o tamanho que a história deve ter, em quantidade de palavras mesmo! Claro que existe uma média, mas só para determinar se vai ser um conto ou um romance, por exemplo.
Só que, em alguns casos, alguns autores pensam que é regra ter que escrever capítulos curtos ou capítulos longos e que o contrário é justamente o “errado”.
Pensar que a história vai ficar cansativa ou mal desenvolvida só por conta de uma quantidade de palavras a mais ou a menos. 

Limitar os tipos de nomes dos personagens

Essa daqui eu sofri pessoalmente, porque eu escrevo histórias com personagens com nomes de origem asiático; o DEA tá aí de prova.
E admito que muitas pessoas que estavam presentes nesses grupos não foram ler algumas das minhas histórias só porque os personagens tinham nomes diferentes do “convencional”.
Diziam que se somos brasileiros, os personagens tinham que ter nomes considerados mais comuns. Sendo até mais aceitável alguns nomes que vemos nas outras mídias, como nomes americanos.

Local em que a história se passava

Esse aqui também me enlouquecia, mas mais pela indecisão.
Alguns diziam que, por sermos brasileiros, devíamos escrever histórias ambientadas em nosso país. Enquanto outros até aceitavam os dramas escolares de ensino médio exatamente no local em que se pensa ao se falar sobre isso.

Limitar quais temáticas devem ser escritas (isolar em tropes)

Esse aqui foi tema da última edição bônus que eu escrevi. Mas, o pessoal também ficava muito isolado com relação aos clichês que deveriam ser escritos. Tudo bem se for uma questão de preferências, mas não era só isso!
Mas, não vou me alongar muito neste, deixo a edição bônus para vocês lerem!

Estipular como deve ser o comportamento de divulgação de um autor na rede

Esse aqui foi também uma que eu recebi um ataque pessoal, justamente por causa do Moda Personagem. Ainda lembro a pessoa dizendo que se eu quisesse ser uma “autora sério” eu não deveria me sujeitar a este papel.
Ainda vou fazer uma edição sobre ser uma autora cronicamente online, mas ainda acho que toda essa cultura de redes sociais já acaba por nos podar e ser uma “regra” terrível.

Essas pequenas regras só servem mais para atrapalhar do que para ajudar…

E isso me irrita em níveis que nem sei descrever!
Mas, de verdade, as pessoas julgavam muito só pelos aspectos que citei acima. Fico imaginando realmente uma pessoa que estava começando ali e queria escrever uma história legal e ter leitores se deparando com a essa quantidade - porque tinham mais algumas que eu não citei aqui - e pensando em como que ela vai fazer.
Em especial o ambiente das fanfics, na minha humilde visão, sempre foi mais sobre explorar e se descobrir dentro do mundo da escrita. 
Acredito que essas pequenas regras, que são criadas meio que sem contexto ou sentido alguns. acabam mais por atrapalhar e limitar esses novos autores do que ser um auxílio.
Claro que existem algumas pequenas “regras”, mas creio que na escrita seja algo mais como um guia - igual quando eu escrevo o “Dicas para Escrever” - do que como realmente um grande manual a ser seguido passo a passo.
Por favor, autores novatos, parem de ouvir os conselhos dessas pessoas e explorem o que vocês quiserem! Escreva do tamanho que quiserem, no local que quiserem, com os personagens que quiserem. 
Ser autor é se libertar e não se prender! Livrem-se dessas regras!

Vamos só ler ou escrever nossos livros e ser felizes!

Bem, pessoal, é isto para a edição de hoje. Estou sempre cutucando em vespeiros nessa newsletter.
Espero que tenham gostado!
Até o próximo Boletim de Anelândia!

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Boletim de Anelândia: Bônus #12 - Tá, mas a história é sobre o quê? (Por que tropes literárias me irritam)


 
Olá e boas-vindas a mais uma edição extra do boletim de Anelândia!
Esta até poderia ser uma versão normal da newsletter, mas acho que essa temática é mais raiva pessoal minha do que falar sobre o mundo autoral num geral. E assim, quero apenas evitar a fadiga, desabafar em paz e colocar de novo às edições normais no final do mês; mas sem deixar vocês muito tempo sem atualização.
Vai se parecer muito com o que acabo fazendo num dos meus blogs, só que isso é detalhe.
Então, segurem na minha mãozinha e vamos!
 

Uma reflexão sobre tropes literárias...

Acho que é mais do que sabido nessa atualidade autoral e de divulgações de livros num geral que uma coisa que muitos leitores procuram hoje são sobre alguns clichês específicos, ou melhor, por tropes específicas.
Imagino que essa ideia surgiu justamente com a explosão das fanfics no comecinho dos anos 2000 - que não foi o foco da minha pesquisa de TCC, por isso que não sei - e que foi tomar mais forças dentro do mundo literário depois da pandemia.
Porque antes os outros autores divulgavam seus livros através da sinopse e até tinha o meme de que era mais difícil escrevê-la do que a história em si. Até tinham os clichês que faziam parte, porém eles eram uma coisa mais secundária na divulgação.
Não sei em que momento chegamos que isso acabou por se inverter e agora usam esses detalhes como o principal da divulgação e o próprio enredo em si fica como algo em segundo plano.
E é sério… Isso me irrita de uma forma muito desproporcional!
Porque eu tenho a sensação de que as divulgações só cumprem uma espécie de checklist para agradar leitor que não sabe procurar coisa ou só é preguiçoso e não lê 5 linhas de sinopse.
É tipo: Meu livro é enemies to lovers; só tem uma cama; found family…
Tá legal! Mas, qual é a história? Quem são os personagens? Qual é o pano de fundo para que tudo isso aconteça? Como tudo se desenvolve?
Alguns livros podem ter as mesmas tropes, mas a forma que vamos trabalhar com elas vai mudar bastante de autor para autor. São apenas umas ideias base e que são desenvolvidas durante o livro… Só que a maioria acaba por não entender isso.
O problema não são usá-las, mas transformar a divulgação e a forma de contar a história numa coisa tão simplista como apenas uma lista de tarefas literárias.
Talvez seja culpa da escrita ter se tornado ainda mais comercial, principalmente depois da pandemia… Ou só uma síndrome de pessoas preguiçosas que não sabem mais procurar um livro/história usando os recursos que já existiam, como a capa, o título e a própria sinopse.
Parece que até a leitura, que era uma coisa até mais profunda, se tornou só mais um lugar em que não se deposita mais a atenção devida e só quer receber aquela dopamina rápida - que são as cenas que tem a ver com a bendita trope - e não aproveitar as outras nuances da história, os momentos de altos e baixos da história. Porque a leitura é justamente isso!
Antes de fecharmos, só lembrando que o problema não são as tropes em si e sim a maneira que elas estão sendo usadas.
E eu, como uma autora que gosta de ir contra a curva (só por rebeldia mesmo e porque é o meu estilo) acabo sofrendo porque eu escrevo coisas fora dessas ideias em algumas das histórias e como que eu faço para divulgar? Não faço né?!

Enfim, pessoal, vou terminando essa edição bônus por aqui.
Espero que tenham me entendido e espero não sair cancelada por essa internet por conta disso.
Até o próximo Boletim de Anelândia!

quarta-feira, 18 de março de 2026

Boletim de Anelândia: #44 - (Re)buscando a rotina de escrita (Novas rotinas e criatividade)


 
Olá, pessoas! Boas-vindas a mais uma edição do Boletim de Anelândia.
Sei que a edição acabou atrasando, mas foi por motivos pessoais, em resumo de uma troca de trabalho e que ironicamente vai acabar combinando bastante com a temática que vou falar hoje.
Eu queria falar desse tema antes de toda a treta que aconteceu comigo no final de janeiro/início de fevereiro (que eu comentei num dos meus blogs) e justamente agora que aconteceu tudo isso, acho que o tema vai ficar mais interessante.
Hoje falarei sobre uma das coisas que tem me afetado bastante como autora, que é tentar encaixar o ato da escrita dentro da minha rotina.
Então, segurem na minha mãozinha e vamos!


O Momento da Escrita dentro da rotina

Não sei que com todos os autores é assim, mas comigo é preciso quase todo um ritual para eu poder escrever. Realmente a hora de escrever é uma coisa bastante importante, porque eu preciso me concentrar, me preparar, me isolar dentro da minha mente criativa e finalmente assim poder escrever.
Podemos chamar carinhosamente de: O Momento da Escrita. E acredito que ela deve ser feita realmente de uma maneira que não dependa tanto de uma inspiração externa, mas como um pedaço da rotina, mais uma tarefa dentro de tantas outras.
Porque, nessa fase da minha vida, em que encaro a escrita como uma segunda profissão, preciso também desse momento em que vou trabalhar nos meus livros.
Acredito que todos os autores poderiam fazer isso, fica mais fácil para lidar com questões externas que podem atrapalhar.

Meus hábitos de escrita, de acordo com a época da vida

Já passei por diversas fases em que eu tinha uma rotina de escrita diferente, porque inclusive, como falei acima, a forma que eu enxergava a minha escrita era bem diferente.
Quero falar um pouco sobre como era cada uma delas, só pela nostalgia.

Começo da adolescência

Quando comecei nessa aventura de ser escritora, eu fazia de maneira bem esporádica e normalmente até nos finais de semana.
Na verdade, a característica desse período é de que não havia uma rotina, escrevia quando dava ou quando tinha vontade e inspiração.
A autora que costumava escrever nos horários mais inapropriados! 

Ensino Médio/Faculdade

Com o avançar da idade, fui tomando gosto pela escrita e eu fazia uma coisa “bem feia, acabava por escrever em diversos momentos durante as aulas.
Alguns dos meus primeiros livros, como o JV e O Diário da Escrava Amada foram escritos durante aqueles momentos tediosos em que não se faz nada sentado na carteira. Como não tinha celular para poder me ocupar, sempre tinha umas folhas extras - de refil de fichário - ou até um caderno. Eu só pegava uma caneta ou lápis, colocava na mesa e me isolava no meu mundinho de escritora enquanto as palavras iam preenchendo o papel.
Ainda me lembro que um dos meus capítulos favoritos do DEA - o famoso capítulo 35 - escrevi durante uma aula de estatística. (Não cheguei a terminar, pois a aula acabou na melhor parte do capítulo e eu terminei em casa depois.)
O fatídico capítulo que escrevi na aula!

Pós-faculdade/Trabalhando

Quando deixei de estudei e passei a trabalhar, o tempo livre em aulas acabou sumindo, então tive que achar outro bom momento para poder escrever.
Como trabalhava o dia inteiro e nos dias de folga acabava por ter outros compromissos, deixava para escrever no final da noite, lá pelas 22h ou 23h.
Meus livros após 2019, ou seja, durante a pandemia (e depois também) acabei por fazer assim e boa parte do 12 Meses com Minorin acabei por escrever depois das 22:30h e na maior parte dos dias morrendo de sono e precisando acordar cedo no dia seguinte e enfrentar o transporte cheio.
Mas, era um dos poucos horários em que a casa dos meus pais ficava mais quieta e eu conseguia colocar uma música no fone, sentar com meu notebook velhinho na cama - ou às vezes no meu computador - e escrever nem que fosse por meia hora.
 





Tentando voltar à rotina após a mudança

Como é sabido, agora eu estou morando na minha própria casa, junto com digníssimo. Então, muitas coisas mudaram e acabou que a minha rotina de escrita acabou sofrendo com isso.
Ainda está sendo um período de muitas adaptações e eu só digo isso, porque eu realmente ainda não encontrei o melhor momento de tirar o meu momento para poder escrever.
Pode até soar um pouco egoísta da minha parte, mas eu preciso estar sozinha para poder conseguir escrever. Sei que durante muitos anos fiz com pessoas perto, mas eu ainda assim conseguia me fechar na bolha… Eu preciso desse momento de me isolar e realmente poder me concentrar, pensar e escrever o livro.
Só que, é meio complicado fazer isso quando tem uma pessoa que sempre está sentada do seu lado e costuma, quando você está super empolgada, acabar te chamando e quebrar todo o seu ritmo e fluxo.
Não é uma hipótese, se eu estou falando é porque acontece! Não falando mal do meu marido, longe disso, mas, indiretamente, ele acaba atrapalhando. E olha que isso é quando escrevo postagens do blog, imagina com meus livros.
Tudo bem que, com a mudança, a minha criatividade praticamente desapareceu. E eu ainda estou tentando recuperá-la!


É tudo um processo e que vou achar a solução

Ironicamente, cheguei a comentar sobre esse tema numa das minhas sessões recentes de terapia, porque eu comentei sobre as metas do ano e comentei o que falei logo acima.
E agora acabou que a minha rotina mudou toda de novo, para me ajudar ainda mais.
Uma coisa que aprendi nesse tempo todo é que existem épocas e épocas. As últimas vezes em que escrevi, senti que tudo fluiu bem. Uma vez foi em Agosto de 2025, quando finalmente escrevi mais uma parte de Destinos Florescentes; e em Novembro, quando eu escrevi os dois textos especiais pelos meus 20 anos como autora - o conto Mensagem e Essência Adormecida.
Acho mesmo é que eu vou voltar a escrever meus livros na força do ódio. Tirando novamente os horários da noite ou até de manhã, antes ou depois de eu ir pro trabalho.
Enfim, eu ainda vou reencontrar essa rotina e transbordar ainda mais a criatividade que acho que nunca acaba (ainda bem!).
Eu fingindo que tá tudo bem, mas eu tô é puta por não conseguir escrever!
 
Bem, pessoal, espero que tenham gostado do Boletim de Anelândia de hoje.
Até a próxima!

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Boletim de Anelândia: #43 - Novidades para 2026 (“Serase“ vem aí?)


 
Olá, pessoas! Boas-vindas a primeira edição do Boletim de Anelândia de 2026.
E nada mais justo do que falar sobre as novidades que estou planejando para o ano.
Eu espero que desta vez eu consiga fazer algumas delas, porque nos últimos anos têm sido complicado.
Então, já vou deixar adiantado aqui que são só minhas vontades com meus livros, espero conseguir cumprir!

Não são muitas coisas, mas vamos lá!

Publicação da Contemporânea Erótica (E-book e Físico)

Mais uma publicação que já faz uns bons anos que estou adiando.
É uma história que me acompanhou na época da pandemia e mesmo não sendo das mais diferentes que eu escrevi, tenho um carinho enorme.
Por se tratar de outro livro erótico, é bem capaz de ter um público legal.
Ainda vou terminar a revisão e lançar primeiro em versão digital e depois fazer a versão física. E já adianto que estou com ideias para deixar a diagramação mais bonita e que vai dar um trabalho danado.
Espero que dê tudo certo!


“12 Meses com Minorin” - Edição Física Especial (Limitada)

Este aqui eu estava com vontade de fazer desde que eu acabei o Projeto e ficou ainda mais presente depois de que escrevi o 13º Conto Especial.
E como foi um bastante especial e para comemorar ainda mais os 20 anos como escritora, quero fazer uma edição física totalmente especial e limitada.
Ainda não sei como vou fazer isso! Se vou deixar o livro a venda tipo na Uiclap ou no Clube dos Autores; ou se eu produzo uns 10 exemplares e deixo para quem quiser comprar e vão ser só esses sabe?
Eu já tenho uma parte da diagramação feita, só tenho que terminar. E já adianto, o livro não vai ser pequeno, a começar que o conto de Outubro é imenso. haha
Confesso que estou ansiosa para fazer! (Mais pela vontade de ter os contos compilados e bonitinhos do que qualquer outra coisa.)


Continuar publicação gratuita de Destinos Florescentes (e a escrever também)

Outra ideia é retornar os projetos de escrita e não só os de publicação.
A história que estou disponibilizando de forma gratuita atualmente - e já faz um bom tempo sem atualização - é Destinos Florescentes.
Uma história que ainda está me conquistando, só que a pobre tá sofrendo para que eu a escreva… O que eu falei na edição sobre ela foi antes de eu escrever.
Uma das ideias deste ano é continuar a escrevê-la, dando o carinho que ela merece; postando também os capítulos para quem quiser continuar acompanhando a história inspirada no meu drama asiático favorito.


Continuar escrever ASA e JV4

É um ano em que eu quero escrever muito também!
Comecei o JV4 numa NaNo, mas só escrevi o comecinho da história. É uma série que é bastante divertida de escrever e que faz muito parte do meu eu autora. (Foi com o Jimmy que eu descobri que amo narrar usando voz masculina e é sobre!)
Vai acontecer mais coisa na vida do pobre Jimmy, mas prometo que vai ser mais light que o 3º livro… Porque não tem existe nada pior do que aquele genitor insuportável!
E quero, em honra ao meu escritora (e a Anelise criança) continuar a escrever, ou melhor, reescrever o meu primeiro livro e que sinto que nunca falo o suficiente, que é As Super Agentes.
No meio da pandemia também comecei a nova versão, mas ela acabou ficando paralisada. Preciso reler, revisar, arrumar algumas coisas que meu editor - vulgo meu marido - pediu e continuar escrevendo essa histórias e esses personagens que cresceram comigo e que eu conheço tanto.
A minha intenção é adiantar essas histórias, mas se eu conseguir terminar, vou ficar muito feliz!

A minha cabeça quando penso na quantidade de coisa que quero escrever em 2026!
 


Bem, pessoal, é isto!
Perdoem eu ser essa autora relapsa ou só uma autora que tem um trabalho para poder ser escritora (o que dá um tema para uma edição)!
Quem sabe traga algumas atualizações sobre o processo - como edições bônus além das tantas reflexivas que eu escrevo por aqui.
Espero que tenham gostado de saber das novidades pro ano!
Até o próximo “Boletim de Anelândia”!  

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Boletim de Anelândia: #42 – Se eu não fosse autora... O que eu seria afinal? (Meus hobbies fora dos livros)


 
Olá, pessoas! Boas-vindas a mais uma edição do Boletim de Anelândia!
A última edição deste ano de 2025 e de mais uma ideia que faz parte das tantas aleatoriedades que eu sou.
Hoje não vou falar sobre escrita, mas sim sobre outras coisas que eu gosto de fazer. Então, sim, vou falar hoje sobre alguns dos meus tantos hobbies.
Enfim, vamos lá!

A pessoa com hobbies demais

Desde muito novinha, sempre gostei de fazer diversas coisas diferentes.
Na infância, eram só umas brincadeiras muito criativas e que eu ficava interpretando pequenas peças e me enrolando em panos para fingir que era um figurino.
Depois, fui adquirindo diversos gostos e eles se tornaram tantos que nem chega a dar tempo de fazer tudo. Haha 
Não que obrigatoriamente precisamos fazer todos os hobbies todos os dias, mas é que a vontade de fazer todos me deixa indecisa do que realmente farei.
Costumo brincar que eu sou uma pessoa que tem hobbies demais e se der mole ainda vou adquirindo outros. Talvez seja culpa da minha alma criativa e entediada demais ao mesmo tempo e acaba que eu preciso colocar isso para fora de alguma forma. 
O resultado: 300 mil hobbies diferentes! 

Alguns deles são… 

Costura/Bordado 

No começo da minha pré-adolescência, acabei aprendendo alguns pontos de bordado junto com a minha avó, num curso gratuito na igreja. Eu lembro de ter gostado muito, mesmo não desenvolvendo muito além do vagonite e do ponto de cruz. 
Hoje em dia, quando quero dar um presente legal ou só relaxar um pouco, acabo fazendo uma toalhinha bordada. 
E relacionado, nessa mesma idade tinha vontade de fazer moda. Só que a fui vetadíssima por mamãe e ficou por isso! 
Uns bons anos depois, quando comecei a trabalhar no Lar Fabiano de Cristo e dar aula para turmas de diversos cursos e dentre eles está a Costura. E lá pela pandemia e o ritmo de aulas mais lento que eu finalmente aprendi a costurar, fazendo não sei quantos panos de prato e agora eu fico inventando roupa para poder fazer. 
Confesso que tem dias que até me frustro bastante porque realmente há uma inabilidade minha e a pobre da minha professora fica tentando consertar as merdas que eu arrumo. (Pior que eu entendo bem a modelagem, eu me embanano na hora de montar as coisas!) 
Apesar disso, eu gosto do resultado depois de tanto trabalho e estresse. 


Leterring 

Esse eu também descobri lá pela pandemia. Sempre gostei de desenhar letras, desde o ensino médio. 
Nunca fui uma boa desenhista, mas descobri que a arte de desenhar letras é bem divertida! 
De vez em quando, em momentos de tédio no trabalho acabo rascunhando alguns inspirados em letras de músicas que gosto. 
E ainda quero continuar o projeto de lettering com trechos dos meus livros! 

 

Jogar jogos 

Esse eu gosto desde criança, mas confesso que nunca fui muito boa. 
É muito bom chegar num final de noite, ligar o vídeo game ou abrir no computador algum jogo e se perder por horas e mais horas jogando. 
Ainda lembro um dia em que estava de férias e eu perdi a noção do tempo jogando. Tão distraída e absorta em apertar botões num controle e é sobre! 

Assistir séries, animes, dramas 

Outra coisa – acredito que esse seja um dos mais comuns – que eu gosto de fazer é sentar e assistir alguma coisa. Dentre minhas escolhas ficam séries, filmes, doramas e animes. Depende muito do meu humor ou vontade do dia! 
E nessa era de sempre ficar no celular, eu prefiro deixá-lo de lado e prestar plena atenção no que estou assistindo! 
É muito gostoso inclusive quando a gente perde a noção maratonando alguma série, passando um episódio atrás do outro. 

Leitura (Livros, mangás, coisas…) 

E como uma boa escritora (que eu acredito que sou) também sou uma boa leitora. 
Além dos livros, dentre minhas leituras também tem mangás, manhwa, fanfics e etcs. 
Algumas delas são de um caráter bem duvidoso, ainda mais quando escolho alguns mangás obscuros. 
É maravilhoso quando uma história acaba te prendendo e você simplesmente não consegue largar e fica triste quando termina.
 

Um dia a escrita também foi, mas virou algo mais 

Uns bons anos atrás, quando eu era adolescente e comecei a escrever, encarava como mais um hobby, porque eu realmente fazia por diversão. 
Quantas histórias eu passei as minhas aulas do ensino médio escrevendo; com tanta criatividade e ao custo de muitas canetas, lápis e folhas. 
Em certo momento no final da adolescência e começo da vida adulta que eu percebi que era boa nisso e decidi tornar uma carreira. 
Apesar de ainda escrever em blogs como hobby e muitas das histórias ainda por puro surto, já encaro essa coisa de escritora com mais responsabilidade. 
E acho que fica bem claro pela quantidade de coisas que já falei no Boletim de Anelândia e todas as coisas que conquistei como autora desde então. 
Os lendários cadernos onde estão meus primeiros rabiscos de livros.
 

Se não fosse autora, eu seria… 

Confesso que eu já me fiz essa pergunta mais vezes do que eu gostaria! Ainda mais porque vivemos num lugar em que se conseguir viver disso é mais a exceção do que a regra.
Só que, por outro lado, a escrita já faz parte da minha vida há tanto tempo que eu não consigo me enxergar fazendo outra coisa.
Meio piegas dizer isso, mas mesmo que seja secundário - quase terciário -, ser autora vai continuar sendo um trabalho/profissão.
Meu sonho é que um dia é que eu consiga viver da minha escrita, mas por enquanto vou seguindo nas outras coisas que eu tenho afinidade, como ser professora, por exemplo.
A ironia de que eu descobri, ou melhor, desenvolvi uma aptidão em dar aulas.
Ou até usando da escrita para poder trabalhar com jornalismo - que é a minha outra formação.
Enfim, eu tenho várias opções que posso escolher quando as pessoas me perguntarem com o que eu trabalho… Já para a maioria ser escritora não é trabalho, mas sim uma coisa paralela né?
O povo só acha chique que conhece escritor, porque apoiar mesmo… É triste a vida da autora nacional!
(Isso dá mais um tema pro Boletim!)

Só veem o livro lindo e cheiroso e não sabem o trabalho que dá!


Bem, pessoal, é isto!
Muito obrigada por acompanharem o Boletim de Anelândia durante todo este ano de 2025, mesmo eu falando tanta coisa aqui.
Quero desejar a todos um Feliz Natal atrasado e um ótimo 2026.
Espero que meus planos de lançamentos não precisem ser adiados de novo. haha
Até 2026 e a próxima edição da newsletter!

Obs: Sei que tá no sub-título desta edição “fora dos livros” mas vocês entenderam!  

domingo, 30 de novembro de 2025

Conto Especial de 20 anos: Essência Adormecida


Tudo parece tão escuro por aqui! Onde será que eu estou?
Lembro que antes era tudo tão brilhante, tão colorido e tão feliz!
Por que estou em meio a essa escuridão? Será que a minha luz acabou e é por isso que eu não enxergo nada?
A última coisa que me lembro é de que estava tudo normal e então eu acabei parando aqui.
Eu sou a Pequena Estrela e eu sempre carrego o meu próprio brilho… Ou pelo menos eu achava isso!
O que será que fez a minha luz apagar? O que a faz ficar acesa?
Nunca parei para refletir sobre tudo isso… Não até agora!
Nunca parei para pensar de onde vem todo o meu brilho. Qual o meu poder? Tem alguma magia envolvida?
Sempre estive tão acostumada com a presença dele, que nunca observei o que o fazia estar, não agora que ele se foi. 
Antes, era tudo tão mais simples, talvez por isso que fosse fácil manter essa luz. Porém, aconteceram tantas coisas e acabei ficando tão absorta que só fui notar quando já era tarde demais! 
Não me atentei aos momentos em que meu clarão oscilou, brilhando mais ou menos. Era tão sútil que eu imaginei que fosse uma coisa de humor e era completamente normal. 
Agora estou aqui perdida e sem saber o que fazer para poder me restaurar! Será que eu saio andando por aí? Será que eu grito por ajuda? Tantas perguntas, tantas dúvidas, tantos pensamentos. Nada com respostas e sequer conclusivo! 
Nada vai chegar até mim milagrosamente se eu ficar só aqui parada. Resolvo procurar alguma fonte de luz ou alguém que possa me ajudar, mesmo com a visão bem limitada. Vou caminhando passo a passo, bem devagar para não me machucar por esbarrar em algo ou com uma queda. 
Sigo andando e andando, tateando o chão com meus pés descalços, sem noção alguma do espaço em que estou. Porém, eu não sinto nada de anormal e nem de estranho, não esbarro em nada. Tudo isso é muito estranho! Não é possível que não tenha nada neste lugar. 
Todo esse vazio só serve para piorar ainda mais a minha sensação de estar perdida e solitária. Perco também a noção do tempo por ficar vagando sem rumo! 
Cansada de tanto andar e ficar em pé, em vão, finalmente desisto... Derrotada! Sento-me no chão e abraço as minhas pernas, cobrindo o meu rosto, permitindo que algumas lágrimas tímidas comecem a correr. 
Não sei por quanto fica ali, chorando em silêncio. De repente, sinto um leve toque no meu braço. Curiosa, levanto a cabeça para saber o que ou quem era. Quase que eu fico cega com a luz repentina que atingiu minha visão que havia se acostumado ao escuro. Fechei os olhos com força, tentando me acostumar e levando um pouco para tal. 
Quando finalmente o clarão deixou de ser tão forte e eu pude finalmente diferir o que estava diante de mim, fui observar com detalhes a figura à minha frente. 
Ela se parecia comigo! Uma versão mais velha minha! Que esquisito! 
Ficamos nos encarando por alguns segundos, até ela falou: 
- Perdida, Pequena Estrela? 
- Como você meu nome? - indaguei de pronto 
- Ora, eu sei sobre muitas coisas. Seu nome é uma delas! 
- Como que me achou? O que é esse lugar? Quem é você? 
- Vai com calma nas perguntas, mocinha. Uma coisa de cada vez! - pegou na minha mão - Primeiro: Este local é o subconsciente, onde as coisas acabam por ficar perdidas. 
- Por que eu vim parar aqui?  
- Muitas coisas podem fazer alguém cair no subconsciente. Teve uma vez que a inconsciência caiu bem aqui e lá fora tudo ficou um caos! Por isso que eu vim lhes resgatar! 
- Faltou dizer seu nome... 
- Sou a Adulta Saudável! 
- Que nome engraçado! - e ri – Por isso que você é grande? 
- Defina grande! - e riu – Mas sim, sou maior do que você!
- Vai me levar para casa?
- E você não para de fazer perguntas, não é? - ela não solta a minha mão em nenhum momento - Sim, vou te levar de volta ao Palácio dos Sonhos.
Palácio dos Sonhos é o próprio nome sugere, é onde habitam os diversos sonhos e desejos e eu sou a responsável por dar energia a todos eles. Mas, o que serão deles sem o meu poder?
Fico distraída no meu pequeno devaneio preocupado e logo a Adulta percebe a mudança no meu comportamento e logo me chama.
- Estrelinha, não precisa se preocupar! Eu vou te ajudar.
- Dá para restaurar o meu brilho? Não posso deixar os sonhos morrerem.
- Vamos fazer o possível para manter os sonhos e fazer sua luz voltar.
Não sei o motivo, mas ela me passou segurança quando disse aquilo. Parecia que ela sabia o que estava fazendo.
E seguimos assim o resto do caminho de volta…
A luz que emanava dela nos tirou logo do subconsciente. Confesso que o trajeto não é muito conhecido, pois saio pouco do Palácio. Logo chegamos a Terra dos Sentimentos e eu avistei a minha casa no horizonte. Comecei a ficar cansada pela longa caminhada para minhas pequenas pernas, mas eu não reclamei, sabia que estávamos perto.
Achei que ia encontrar tudo do jeito que sempre foi quando chegasse, porém eu tomei um susto. O Palácio dos Sonhos estava de uma cor diferente, como se estivesse apagado… Assim como eu!
A Adulta soltou minha mão e me deixou entrar. E piorou ainda mais! Pois estava tudo revirado, espalhado e destruído.
Como íamos restaurar tudo se estava daquele jeito? Os sonhos e eu estávamos perdidos!
Senti meus olhos marejarem e a mão dela tocou o meu ombro e ela me sorriu, como se dissesse que tudo ia ficar bem! E acho que era a rodada de perguntas dela agora!
- Pequena Estrela, já parou para pensar como que os sonhos funcionam?
- Nunca pensei. Eles sempre estiveram aqui e eu junto deles.
- Sonhos nascem e se vão, sempre. Alguns são temporários, enquanto outros perduram. Já percebeu que eles mudam de vez em quando?
- Sim! Alguns somem e outros aparecem. Nunca dei muita importância, na verdade! Mas, o que isso tem a ver com a minha luz? - retornei a pergunta
- Uma coisa de cada vez. Primeiro vamos arrumar essa bagunça e cuidamos dos outros detalhes.
- Mais ninguém vai nos ajudar?
- Os outros estão muito ocupados em suas tarefas.
Dei de ombros, pois eu raramente recebo visitas e sei como todos nós aqui nesta terra estão sempre bem atarefados.
Então, eu e a Adulta Saudável fomos arrumando aquela bagunça que nem faço ideia de como foi parar lá. O Palácio dos Sonhos parece muito com um museu, com diversos quadros e outras “obras de arte”; todas separadas por suas próprias categorias, coisas simples como “Coisas para ler ou assistir”; “Músicas inspiradoras”; “Desejos de doce”... São tantas que nem dá para listar! Só que eu tenho as minhas favoritas e que sempre estão lá comigo quando eu preciso.
Demorou, mas nós duas finalmente concluímos tudo. Aquele trabalho foi bem revigorante, mas não o suficiente para restaurar o meu poder.
- Ficou ótimo! - ela comentou por fim
Concordei e acrescentei:
- Só que isso não fez a minha luz voltar.
- Ainda não fez, mas é uma parte do processo.
Ela pegou novamente na minha mão e me levou justamente ao meu local favorito dali, que é justamente a das Histórias Imaginadas. Uma pena que nunca conheci os personagens delas, pois eu soube que uma vez eles chegaram ao Vale dos Sentimentos… Num outro momento de crise e foi daquelas grandes!
- Por que viemos aqui? - indaguei a ela
- Agora eu vou te explicar a outra parte do que eu estava lhe devendo.
- Sobre os sonhos?
- Não só sobre os sonhos, mas sim sobre muitas coisas. - sentou-se no chão e eu fiz o mesmo - Você sabe por que a sua luz apagou?
- Não! Nem sei o que a mantinha acesa.
- Nossa luzes, tanto a minha quanto a sua, estão ligadas a como nos sentimos. Temos dias bons e dias ruins, eles fazem nossa luz brilhar mais, menos ou até apagar.
- Quer dizer que eu estou triste?
- Não é necessariamente tristeza, pode ser apenas algo que te aflige, preocupa e isso já se torna motivo suficiente.
- Não entendo! Eu só acordei na subconsciente. Não senti nada diferente!
- Ai que está o problema, às vezes nem percebemos.
- Então, o que aconteceu exatamente para eu sumir?
- Uma nuvem imensa cobriu todo o palácio dos sonhos. Uma tempestade que aconteceu só aqui e um furacão acabou te arrastando lá para baixo. A Determinação e eu que decidimos resgatar você!
- Determinação?
- Ela é um outro sentimento. Ela quem cuidou da outra crise.
- Acho que eu fico muito tempo isolada neste castelo. Não conheço ninguém!
- Ainda pode conhecer a todos. Mas, primeiro precisamos cuidar de você, Estrelinha! - olhou séria para mim - Aliás, você sabe que não é primeira vez que isto acontece né?
- Da sua luz apagar!
- Foi a primeira vez sim! Nunca aconteceu!
- Você só não se lembra, pois era muito pequena e sua luz ainda estava se desenvolvendo. Este Palácio era só uma casa grande ainda. Daquela vez, você mesma encontrou o caminho para se recuperar, buscando refúgio em outras coisas, descobrindo a sua própria força. Porém, até a maior força pode se tornar uma fraqueza!
Após falar isso, ela pediu que eu ficasse de costas para ela e continuou enquanto fazia carinho em mim e mexia no meu cabelo. Continuou:
- Eu sei este é o seu lugar favorito daqui! Pode falar para mim o que você mais gosta?
- Tem tantas coisas… Difícil definir uma só! - e sorri
- Eu te entendo! - respondeu - Fale a primeira que vier na sua cabeça. Qualquer uma!
- Gosto das tantas histórias que surgiram aqui. Nenhuma é igual a outra e cada uma é tão especial. Sempre fico muito feliz quando surge algo novo!
- Sua parte favorita são as histórias então?
- Sim e tudo o que as envolve. Sonhar e imaginar as cenas, os acontecimentos, viver tudo com os personagens…Ver tudo isso tomando vida! É a sala mais mágica daqui!
- Tenho que concordar com você!
Ficamos em silêncio por algum tempo, apenas contemplando aquele espaço e eu não deixava de ter mil coisas passando pelos meus pensamentos, especialmente do que ela disse sobre esta não ser a primeira vez que acontecia. Até que lembrei de uma coisa:
- Você disse que não é a primeira vez e sabe… Muito tempo atrás, esta sala surgiu. Fiquei curiosa e fui olhar e eu fiquei encantada com a história das três amigas que salvavam o mundo.
- Eu conheço elas. São As Super Agentes! E depois veio…
- O Mago Belo! - a interrompi
E fomos apontando cada um dos itens presentes naquela sala. Como Jimmy Wayn; O Diário da Escrava Amada - que essa é bem para adulto igual a ela -; Super Gata. São tantos, mas tantos, e é por isso que esta sala não tem fim!
- Outra coisa que eu sei… - disse, por fim - É que primeiro estas histórias estavam dentro de mim e depois que elas foram paras as paredes. Poderia passar horas e mais horas falando sobre cada um deles!
Nesse momento, senti uma coisa quente no meu peito. Eu conhecia aquele calor e logo após ele, a luz que eu senti tanta falta retornou!
- Minha luz voltou! - exclamei, virando-me e dando um abraço apertado nela
- Sabia que ia conseguir!
Assim que a luz surgiu novamente, todo o ambiente e o resto do Palácio se reacendeu nas suas cores habituais, ficando do jeito que tinha que ser. Mesmo dando certo, ainda não entendia muitas coisa e esperava que a mais velha me desse as respostas que necessitava.
- Como isso foi possível?
- Outra coisa sobre os sonhos e desejos é que precisamos alimentá-los para que continuem vivos. Um sonho ou desejo não alimentado acaba sumindo. E para isto devemos sempre nos fiéis a nossa Essência, pois ela é nosso combustível.
- Essência? Vai me dizer que é outro sentimento?
- Não! - ela riu - Desta vez não! Quando digo essência é aquilo que faz você ser você! Só existe uma Pequena Estrela e o poder dela é criar sonhos e de contar histórias, com mundos e personagens diversos. Algumas vezes estamos tão absortos com outras coisas que nos esquecemos de algo que é tão simples e nos faz ser nós mesmos, uma coisa que nos completa.
- Gosto muito da minha essência. E qual é a sua, Adulta?
- A minha? É complicado de explicar! Basicamente, é entender os outros sentimentos, de onde surgem e acolhê-los, pois há horas em que vêm todos ao mesmo tempo. Para não ficar uma bagunça na sala de controle quando acontece algo intenso.
- Por isso que você foi me ajudar?
- Sim, é a minha essência. Buscar as bases e colocar tudo no seu lugar. Ah, e ser livre, espontânea… Assim como você também é! - sorriu
- Obrigada por sua ajuda!
- Não foi nada! Vamos lá para frente, logo a Determinação aparece.
Caminhamos pelo Palácio até a entrada e eu fiquei feliz de ver tudo restaurando e lindo como sempre foi.
E bem como a Adulta Saudável falou, lá estava a tal Determinação esperando por nós! O rosto das duas era igualzinho, mas a outra parecia uma maga, usando uma capa colorida e um cajado. Ela falou assim que nos viu:
- Vejo que resolveram tudo por aqui.
- A Estrelinha é muito poderosa, sabia que ela ia conseguir. - respondeu a adulta - Como estão as coisas na sala de controle?
- Estão se ajustando. A Consciência está em reunião com os outros. - e finalmente a Determinação se voltou para mim - E você é a Pequena Estrela?
- Sou eu mesma! É um prazer, Determinação!
- A Adulta Saudável cuidou bem de você?
- Sim! Ela foi muito legal e paciente comigo, mesmo comigo perguntando tudo.
As duas riram, alegres com o meu comentário. A Determinação falou com a outra:
- Bem, agora que tudo está resolvido por aqui, temos que retornar.
- Tudo bem! Posso só me despedir dela?
- Claro! Vou indo na frente, te encontro no trajeto.
Determinação se despediu de mim e partiu. A Adulta se abaixou na minha frente e foi dar seu tchau também.
- Preciso ir, Estrelinha. Você vai ficar bem?
- Vou sim, pode deixar!
Ela me deu um abraço e senti vontade de chorar. Conhecida há pouco tempo, mas se tornou especial. Antes que ela fosse mesmo, quis fazer uma última pergunta:
- Eu vou te ver de novo?
- Claro! Sempre que você quiser! Os outros vão querer te conhecer. - sorriu - Só nunca se esqueça da sua Essência, ela é a coisa importante e poderosa que você tem.
Assim, ela seguiu o seu caminho e eu voltei a ficar sozinha no meu Palácio dos Sonhos.

***

É o período da regência da Insconciência, que é uma das duas rainhas daqui. Ou seja, agora é noite.
Estamos todos - os habitantes do Vale dos Sentimentos - reunidos em torno de uma fogueira para comemorar que toda a outra crise foi resolvida. É a primeira vez que eu participo!
A Adulta Saudável ainda me visita sempre que pode no Palácio e lá passeamos, comemos lanchinhos e fazemos outras atividades divertidas. Ela quem me convidou para a festividade.
Cada sentimento que tem vontade pode falar lá na frente e se apresentar. Bem quem eu queria ter escolhido se ia fazer isto ou não. Eu fui praticamente intimada pelas duas mais velhas para falar lá na frente.
Até aquela altura do evento, eu já estava saturada de ter conversado com tantos sentimentos, já que todos me conheceram naquele momento. E agora, eu tenho que falar na frente de todos… Nem sei o que vou inventar para entretê-los!
Estou novamente no meu devaneio, até que tomo um susto quando ouço a Insconciência falar:
- Agora é a vez da Pequena Estrela. Vamos ver o que de brilhante ela tem para nos trazer hoje!
Só fica um silêncio terrível e eu vou à frente. Respiro fundo e reflito por alguns segundos sobre o que falarei e começo:
- Boa noite a todos os habitantes do Vale dos Sentimentos presentes! Já falaram meu nome, mas eu sou a Pequena Estrela e eu moro no Palácio dos Sonhos, que guarda todos os sonhos, desejos, vontades e outras coisas imaginativas. Eu cuido de todas elas lá! São tantas coisas que tem que de vez em quando eu até me perco de vez em quando. - alguns deram uma risada leve achando engraçado, então continuei - A parte que eu mais gosto é justamente é a das Histórias e eu adoro contá-las. E quero contar uma para vocês hoje. Posso?
- Sim! - responderam em uníssono
- Ótimo! Esta é a história sobre como eu conheci a minha amiga Adulta Saudável e ela me ajudou a recuperar o brilho que eu perdi.
E fiquei alguns longos minutos contando sobre como foi aquele dia, sobre como eu recuperei meus poderes e as tantas outras coisas que aprendi. Enquanto contava, sentia meu coração aquecido e o fogo da fogueira ficou até fraco se comparada com a minha luz. Observei a minha amiga e ela me sorriu, ouvindo a história que já conhecia encantada!
Todos me escutavam atentamente, concentrados nas palavras que saíam da minha boca.
No final, falei sobre a moral que aprendi naquele dia:
- Eu aprendi sobre a minha essência, o meu poder, que é o que faz o meu brilho estar presente e é justamente por gostar contar histórias e sonhar. E não me esquecer da sua importância! Pois existem tempos difíceis e mesmo que eles queiram sugar a nossa energia, devemos lembrar que é ela que nos faz ser quem somos e que não existe nenhum igual a nós… Em lugar nenhum!
Agradeci e houve um alvoroço acompanhado de aplausos.
O resto do evento correu tranquilo e logo a Adulta me acompanhou de volta ao Palácio dos Sonhos.
Assim que entramos, uma luz forte vinha do cômodo das histórias. Eu sabia exatamente o que era aquilo!
Corri para lá, sendo seguida pela mais velha, que não entendia nada do que ocorria.
Parei diante do novo quadro que surgiu na parede e sorri, pois as cenas que acabara de contar diante da fogueira estavam estampadas ali, passando como um filme na televisão. Minha amiga fez uma pergunta:
- O que é isso, Estrelinha?
- Uma história nova acabou de nascer!

FIM
 

sábado, 29 de novembro de 2025

Boletim de Anelândia: #41 - A autora de Maratona (sobre maratonas de escrita e NaNoWriMo)


 
 
Olá, pessoas! Boas-vindas a mais uma edição do Boletim de Anelândia. 
Aproveitando que estamos no mês de Novembro, resolvi que o assunto de hoje vai ser sobre as tantas vezes que eu invento nessa minha vida de autora.  Como se eu já não o fizesse o suficiente né? 
Como vocês leram no título, não é nada tão mirabolante... É só escrita né? 
Enfim, quero contar para vocês minhas experiências como autora de maratona de vez em quando. 
Segurem na minha mãozinha e vamos! 

Como eu descobri o NaNoWriMo e outras maratonas 

Uma coisa que eu nunca fui foi uma autora que escrevesse muito. Nos meus primórdios sempre tive um problema com a minha frequência e quantidade de escrita. Lá por 2013, quando comecei o DEA e a publicar outras histórias minhas por aí, acabava que eu sofria e muito com falta de atualização. Com certeza perdi muito leitores porque eu demorava alguns meses para postar capítulos novos. 
Como passei a ser mais cronicamente online e ficar mais inclusa nesse mundo de escritores e de postar as histórias na internet. Lá por 2017, quando eu estava para terminar a segunda faculdade e nas vésperas de ter que fazer um TCC – que foi sobre autores de fanfics – que eu descobri o NaNoWriMo. O que agora é só um finado mesmo! 
Em resumo, o NaNo era uma maratona de escrita que acontecia no mês de Novembro e a ideia era escrever 50 mil palavras de alguma história (geralmente nova) durante aquele mês. Eu achei que seria uma ótima oportunidade para poder finalmente escrever num ritmo mais rápido, como uma forma de me desafiar. E desde então, nos meses de Novembro e até fora dele, resolvi fazer essas pequenas maratonas de escrita para poder dar um gás que meus livros merecem! 
Desde 2017, pulando alguns poucos anos, sempre fiz questão de participar, mesmo que o evento “oficial” tenha morrido, a ideia permanece.
 

Muitas vezes já fiz maratona 

Só para constar, vou deixar uma lista de quais histórias eu resolvi escrever em cada um dos anos... Contando inclusive os que não participei. (De 2017 a 2025.) 

Segue a lista: 
  • 2017 – DEA e TCC (sim, eu sou louca!); 
  • 2018 – DEA e JV3; 
  • 2019 – ASA2 (antigo) e JV3; 
  • 2020 - ASA 1 (Novo) e Contemporânea Erótica; 
  • 2021 – Maratona em Maio: Contemporânea Erótica e  ASA 1 (Novo);  NaNo: ASA 1, Calliope, Conto 1 do 12 Meses com Minorin; 
  • 2022 - Não fiz, tava em projeto de ano inteiro haha; 
  • 2023 - Não teve e não aconteceu; 
  • 2024 - Crônica de Aniversário, Destinos Florescentes, JV4, ASA Zero; 
  • 2025 - Não fiz. 

Pois é, acho que dá para perceber que eu não sou mesmo uma autora que escreve uma coisa só. Todas as vezes que inventei de participar foi porque eu tinha mais de um projeto para poder adiantar. Minha ideia com as maratonas era poder realmente escrever um pouco mais e impor um ritmo de escrita, mesmo que por um curto período. 
Em todos os anos foi uma loucura, mas ainda assim foi muito gratificante. Sempre me sinto bastante desafiada e também adoro adotar compromissos comigo mesmo dessa maneira. 
Em alguns anos, cheguei até a colocar um mínimo de 500 ou 600 palavras diárias, para eu ter pelo menos uma meta mínima. Nos primeiros anos até que me ajudou bastante, porém depois fui percebendo que ele era um limitador terrível, porque eu me forçava a escrever para chegar nesse mínimo. No ano passado, por exemplo, não estipulei nenhuma meta diária, apenas escrevia o que achava que estava bom para aquele dia. O resultado: a meta diária foi bem maior! 
Nunca cheguei às 50 mil palavras do desafio, mas a cada ano a quantidade de palavras total foi aumentando. Uma pena que os registros do site oficial do NaNo sumiram, só tenho os que eu coloquei em redes sociais. Mas, fui evoluindo de pouco mais de 15 mil no primeiro ano para mais de 30 mil no último. (Se minhas contas não estiverem erradas!) 
Teve um mês por fora em 2021 – no meio da pandemia – em que resolvi fazer uma maratona independente e também deu super certo! 
Isso sem contar que o ano que não teve maratona em Novembro, mas que teve no ano todo, que foi em 2022. Cada mês era uma autora se descabelando e espremendo ideias, contudo saindo feliz no final de tudo. 
Alguns livros como o DEA e o JV3 e acabei terminando durante essa maluquice de escrever todos os dias um pouco! 
Uma pena que neste ano não consegui por falta de organização e outros planejamentos mesmo. Não estou triste de não conseguir, só sentindo falta mesmo! 
Eu era tão focada na meta que até no restaurante já escrevi. (Deve ser 2017 essa foto!)
 
Fotinha de 2019 do caderno do JV3!

A vantagem da maratona de escrita 

Agora que vem a parte mais reflexiva e em que eu coloco algumas dicas para autores que querem entrar numa maratona de escrita. 
Cheguei a comentar sobre isso em um dos “Dicas para Escrever” no meu blog, quando eu fiz a Maratona de Escrita num mês de Maio qualquer. Vou deixar o link para quem quiser conferir, pois ele realmente oferece um passo a passo e algumas dicas boas para quem está perdido. 
E para quem deve estar se perguntando: Será que vale a pena fazer uma Maratona de Escrita para eu poder escrever meus livros? 
E eu respondo: É sempre bom se desafiar como autor! 
Eu usei a maratona como um método para eu poder finalmente escrever histórias que estavam há muito paradas, precisando de um carinho e um talento. Porque o meu ritmo de escrita, mesmo que tenha melhorado muito de uns anos para cá, ainda é bem aquém do que eu acho que deveria ser. Ainda mais para uma pessoa que quer viver de vender livros né? 
Apesar do meu lema, na maior parte das vezes, ser “Devagar e Sempre”, existem momentos em que o devagar acaba por incomodar. Então, a gente tem que dar uma acelerada porque tem livro que funciona igual a carro. (Qualquer dia eu explico essa teoria maluca minha!) 
É como acabo sempre dizendo: Depende muito do que você quer fazer! 
Se seu ritmo de escrita é bom, talvez o desafio seja para você finalmente começar um novo projeto e quem sabe até conseguir terminá-lo.  
Se é um ritmo de escrita lento, talvez o desafio funcione para finalmente colocar em prática todos os planejamentos para a história. 
Pode ser um projeto só, dois ou três projetos. É um desafio pessoal seu! 
Todas as vezes em que eu inventei de fazer isso acabei ficando bem cansada, porém fiquei muito satisfeita com o resultado. Por alguns dias, acaba se tornando o foco numa produção em constância e em quantidade. Quanto mais melhor! 
Claro que, depois é necessário dar uma revisada e lapidar aquilo que foi escrito. Porque a qualidade também importa!
Um meme para descontrair!

Bem, pessoal, é isto! 
Espero que tenham gostado da edição do Boletim de Anelândia de hoje. 
Nos vemos na próxima!

terça-feira, 18 de novembro de 2025

Mensagem - 12 Meses com Minorin - 13º Conto Especial


"Sua voz, antes um pequeno fragmento, 
se transforma em palavras e se transforma em uma canção.
Seus sentimentos são uma melodia. 
Dê-me isso, cada vez mais. Seja feliz. 
O presente que você deseja brilha com felicidade. 
Acredite que na luz está o caminho para o amanhã".

(Contact 13th - Minori Chihara)

***

Imagino que todas as pessoas tenham algum cantor ou artista favorito e eu tenho também.
Ainda me lembro quando a conheci! Porque naquele ano tinha descoberto muitas coisas naquele ano e ela estava dentre elas.
Num primeiro momento, acabou por ficar num cantinho, apenas fazendo parte de tantas outras coisas que preenchiam meus dias como qualquer adolescente que gostava de ouvir música.
Não me recordo em que momento a chave virou e sua voz e suas letras se tornaram tão presentes na minha vida! Acredito que foi em algum momento do meu começo de vida adulta.
O nome dela? Minori Chihara ou só Minorin, para os íntimos!
É difícil mensurar como ela é realmente é uma inspiração para mim, não só pelas músicas, mas até como pessoa. Já são tantos anos na companhia dela que realmente fica bastante complicado de explicar.
Para pessoas mais pragmáticas, talvez isso não faça o mínimo de sentido. Como assim você gosta e admira uma pessoa que praticamente vive do outro lado do mundo, alguém que nunca vai sequer saber quem é você é? E ainda por cima, canta músicas num idioma totalmente diferente do seu? (Juro que ouvi até coisas muito piores sobre isso!)
Acho que só quem é fã realmente é capaz de entender esse sentimento! E como somos julgados por ser assim né?
Só consigo sentir pena de quem não vive isso, não se abre para essa sensação. Ser fã das coisas é tão gostoso, tão legal!
A Minorin esteve realmente presente em diversos momentos da minha vida, desde o finalzinho na minha adolescência até agora. Suas músicas foram o pano de fundo de diversos acontecimentos e cada um dos lançamentos que eu acompanhei e que tenho como lembranças que fazem parte da minha vida também. Principalmente nos momentos em que escrevia as tantas histórias que minha cabeça inventa!
A quantidade de coisas que nós temos em comum, como a altura, o tipo sanguíneo, o mês de Novembro, o ano de 2004, o girassol e até a personalidade meio introspectiva.
Nossa altura é quase igual, eu tenho 1,58m e ela 1,57m; Fazemos aniversário com dias de diferença: Ela dia 18 e eu no dia 30; Nosso tipo sanguíneo é o mesmo: B; O ano que começamos a carreira foi o mesmo: 2004, ela com a música e eu com a escrita; A flor da minha editora é a mesma dela: o girassol. Isso só para ter uma ideia mesmo!
O quanto eu a admiro como pessoa, principalmente após um boato envolvendo seu nome e quando ela foi se retratar poucas horas depois sobre.
Seu trabalho como dubladora e principalmente como cantora. A Minorin é realmente um Raio de Sol (porque em inglês é “sunshine”)!
Tantos anos acompanhando, até que no ano de 2021 veio um baque: O anúncio que ela ia entrar de hiato musical por tempo indeterminado. Com um último álbum - mini-álbum na verdade - e um último show, que deixou a mim e outros fãs devastados!
(Brazil, i’m devasted!)
Eu não conseguia pensar em um mundo sem músicas novas da Minori Chihara, mas eu tinha que lidar com isso, né?
Este foi o pontapé que eu precisava para finalmente colocar uma ideia que já fazia mais um ano que eu amadureci na minha cabeça. Um projeto de contos, inspirados nas diversas músicas dela, durante um ano inteiro. Foi assim que nasceu o 12 Meses com Minorin. Ainda naquele ano, justamente no mês de Novembro, comecei a escrever o primeiro conto do projeto.
O projeto ocorreu durante todo o ano de 2022, com apenas caos e uma autora louca que passava os dias escrevendo inspiradas em músicas e referências da Minorin. Foi algo que me fez muito feliz como fã dela e também como escritora. Senti-me muito desafiada tendo que escrever um conto em cada mês daquele ano.
Encerei o projeto no comecinho de 2023 e poucos meses depois acabei tendo um burnout daqueles e que me fez repensar diversas coisas na minha vida… Afetando e muito o meu processo de escrita! Passei praticamente o ano inteiro de 2023 sem escrever direito!
O pior é que isso acabou me recordando justamente das razões da Minorin ter parado de cantar… Ela não via mais sentido naquilo! Precisou parar para poder se reencontrar!
Ironicamente, foi exatamente o que eu fiz nesse período que citei acima.
Às vezes, é preciso se perder para poder se reencontrar. E nós duas tivemos que fazer isso!
Parar e observar o que vale a pena e o que faz sentido para nós, para as nossas vidas, entender quais são os nossos objetivos, vontades e propósitos.
Naquela época, eu senti que uma parte de mim foi tirada. Porque eu sou escritora e sem ela, minhas histórias e meus personagens… Parece que eu não sou eu!
As palavras que eu escrevo são a minha voz e eu acabei por perdê-la, perdendo todo o sentido que muitas coisas têm para mim!
Imagino que com a Minori - não posso afirmar, pois não vivo na cabeça dela - foi uma coisa bastante parecida. Tanto que, lá na metade de 2023, ela disse que ia voltar a cantar, mas sem músicas novas. O que já era um começo!
Eu fui me reencontrar com a escrita só no final de 2023 e no começo de 2024. Uma pena que algumas histórias minhas acabaram por sofrer com tudo isso!
Sempre um dia de cada vez, um capítulo de cada vez. Porém, acabei por encontrar novamente o meu lado escritora e me sinto completa outra vez!
Anelise não é a Anelise se não estiver escrevendo ou pensando em algum livro; se não estiver pensando em algo relacionado às filhas mais velhas: As Super Agentes.
Assim como, a Minorin não se via sem ser cantora, tanto que houve novamente a vontade de continuar cantando…
E qual não foi a minha supresa quando em Março deste ano elas simplesmente lançou uma música do absoluto nada. O nome dela? O mesmo nome deste conto (só que eu escrevi em português): Message.
Eu vivia novamente em um mundo em que se havia uma música nova da Minori Chihara. Ainda lembro que eu chorei ao ouvir a música nova, mesmo sem entender muito da letra ainda, mas existem horas em que a música realmente transcende a barreira do idioma.
A letra de Message foi capaz de traduzir tudo o que senti quando não conseguia escrever; tudo o que eu sinto quando quero compartilhar o que está dentro de mim com o mundo quando conto minhas histórias. De querer falar, de usar essa voz, mas ter tanto medo e mesmo assim, respirar fundo, acreditar em si mesmo e sempre seguir em frente.
Uma busca pela perfeição e uma aprovação que acaba por corroer e nos destruir por dentro… Quando tudo o que eu mais quero é ser fiel e autêntica a pessoa que mais importa: eu mesma!
Ironicamente, essa é a mensagem do conto que eu escrevi em Dezembro de 2022 e tanto a minha inspiração quanto eu mesma acabamos por passar por uma situação assim.
É difícil reencontrar o sentido e ainda mais a magia em algo que nós gostamos tanto de fazer, seja cantar ou escrever!
Manter a nossa própria essência sobre nós mesmos! E que essa nossa essência acabe por alcançar a de outras pessoas e ela se conectar conosco.
Foram muitas reflexões que essa música me despertou e sempre que eu a escuto, o trecho “Be Free, Be the Only one” me toca de uma forma que nem sei descrever!
A ideia para este texto, um 13º Conto, uma homenagem, está comigo desde quando eu terminei o 12 Meses com Minorin lá em 2023. Só que acabou que eu nunca levei muito para frente, por todas as razões que expliquei acima, acabei por nunca escrevê-lo… Até o momento em que a voz da Minorin em Message passou pelos meus ouvidos e pela minha alma e eu notei que era finalmente a hora.
Não a hora de encerrar o projeto, porque ainda quero fazer algumas coisas relacionadas a ela, como os contos que existem; e nem sei se devo inventar de escrever mais 12 contos inspirados nas músicas da Minorin.
Contudo, era a hora em que devia escrever essa Mensagem, essa homenagem a Minorin e até a mim mesma.
Em muitos trechos daqueles 12 contos, prestei homenagens e honras a ela, na maioria das vezes sendo até referências mesmo (e são tantas que eu tenho que voltar para relembrar todas!). Só que teve uma outra pessoa a quem eu honrei em todo este projeto: a Anelise autora.
Em alguns momentos durante os contos, eu me perguntei se eu deveria continuar, pois eu tinha a sensação que não tinha ninguém me olhando ou sequer lendo todas aquelas palavras carregadas de tanto amor que eu escrevi.
Só continuei por mim mesma, porque era o que eu queria!
Pode até soar um pouco egoísta da minha parte, só que existem momentos em que só isso mesmo importa! Ainda mais quando você passa anos sem lançar coisa nova e o imediatismo e consumismo acaba te atropelando e te deixando para trás.
Essa Mensagem é também para aquelas poucas pessoas que, mesmo com todas as dificuldades, nunca deixaram de acreditar em mim. Nunca deixaram de ler as coisas que escrevo, que estão aqui sempre me incentivando e escutando as minhas palavras.
Todas as pessoas que em algum momento se interessaram nas tantas histórias que eu tenho para contar; com quem recebeu um autógrafo meu; tirou uma foto comigo.
Obrigada por acreditarem nessa escritora que é muito sonhadora!
Nessa escritora que é um pouco surtada de vez em quando, mas que carrega um enorme amor por tudo o que ela criou!
Espero que tenham sempre ao meu lado, assim como uma das minhas grandes inspirações - a Minorin - também está sempre comigo!

***

"Mas a verdade é que eu sei. 
Só eu posso me mover. 
A resposta está bem aqui. 
Vamos lá, preciso seguir em frente. 
Ser livre, ser a única. 
(...)
Não importa quanta dor você esteja sentindo,
espero que você finalmente possa descansar.
Não quero me perder, não quero cometer erros.
Há dias em que penso assim.
Cada vez que me perco, cada vez que cometo um erro,
encontro uma nova perspectiva".

(Message - Minori Chihara)

sexta-feira, 31 de outubro de 2025

Boletim de Anelândia: #40 - A autora “sem playlist” (O livro é uma coisa, a autora é outra)

 
 
Olá, pessoas! Boas-vindas a mais uma edição do Boletim de Anelândia. 
Hoje falarei sobre um tema que é muito presente para mim: Música! Nunca cheguei a comentar sobre meus gostos musicais por aqui na newsletter, mas nos meus outros, digamos, canais acabo por falar muito sobre. 
E quero explicar a relação do meu ouvir música com a minha escrita, que é - como já se deve esperar – daquele meio jeitinho bem Anelise de ser. 
Segurem na minha mão e vamos! 
 
 

As playlists caóticas já por natureza

Dentre os meus gostos musicais estão os seguintes estilos: J-pop, K-pop, Folk, Metal, alguns pop perdidos, música de desenho, enfim… Vários estilos em uma pessoa só! Costumo brincar que meu gosto musical vale por de umas três pessoas diferentes.
A brincadeira é ainda pior porque não é uma playlist/estilo para cada humor meu, como se fossem até personalidades diferentes. Mas, sim, vai muito do que eu quero ouvir naquela hora e essa vontade pode ir para músicas de estilos completamente diferentes. Obviamente, existem os dias em que vai do meu humor também, mas costumo ser menos comum.
Inclusive, eu sou o tipo de pessoa que coloca música para fazer qualquer atividade. De verdade!
Vou arrumar a casa ou cozinhar? Coloco música! Vou fazer algum dos meus hobbies? Coloco música! Vou escrever? Coloco música!
Ou seja, minhas playlists acabam por ser um caos já por sua própria natureza, só por essa mistura de estilos e artistas bem nada a ver!
Eu amando as minhas playlist aleatórias!
 

A habilidade de escrever uma coisa ouvindo outra completamente diferente 

Por ter gostos muito variados, acaba que até as minhas histórias acabam sofrendo com isso.
Como minhas playlists são bem aleatórias, acaba que as músicas que uso para o meu momento de escrita acabam sendo bem aleatórias. E normalmente, não precisa ter nada a ver com o gênero ou tipo de história/cena que estou escrevendo.
Ainda me lembro quando escrevi a única coisa de terror/suspense que já tentei - que é o conto Noite das Damas, que foi para uma antologia originalmente - e estava linda e plena ouvindo Asami Imai enquanto escrevia sobre duas amigas e a noite estranha delas num hotel assombrado.
Ou as diversas vezes em que eu estou escrevendo alguma cena de romance e estou ouvindo algum metal em específico.
Até quando eu fiz o projeto inspirado na Minori Chihara, não obrigatoriamente eu estava ouvindo alguma música dela. E se fosse ela, nem era uma das músicas que inspirou o conto de cada mês.
Como disse acima, minhas playlists são um caos e nos meus momentos de escrita, a minha cabeça está fervilhando e eu preciso de um fundo que acabe por me estimular e me deixar animada durante esse processo, assim como quando faço minhas outras atividades ouvindo música.
É o meu jeitinho, num adianta!
Eu mesma ouvindo Shouta Aoi ao escrever Destinos Florescentes, ironicamente essa música faz parte da playlist do livro.
 

Alguns livros têm playlist, mas... 

Isso não significa que meus livros não tenham suas próprias playlists. De vez em quando, eu vou escutando minhas músicas e vendo como elas se encaixam ou como me lembram os meus livros.
Pode até parecer que, com tudo o que comentei acima, que eu seja uma autora que acaba “abolindo” isso de ter playlist pro livro… Só que não! Alguns dos meus livros têm suas próprias playlists e que eu monto realmente pensando nas vibes que aquela história passa.
Tenho duas relacionadas a As Aventuras de Jimmy Wayn; a do DEA; uma para a Contemporânea Erótica; outra para Destinos Florescentes; e a do 12 Meses com Minorin! Viu? São até bastantes!
Eu gosto de montar coisas temáticas relacionadas a meus livros e uma lista de músicas faz parte disto também. 
Nesse quesito, eu sou bem parecida com outros autores! Porque é bem legal de se ter algo assim para ajudar na divulgação do nosso livro, ainda mais nas redes sociais né?


Faz parte do meu processo criativo e tá tudo bem 

Claro que sempre bate aquela maldita comparação, ainda mais com outros autores: será que eu que sou errada e que eles estão certos?
Só que, com o meu tempo e a experiência, fui aprendendo que certas coisas só fazem parte do nosso processo criativo e tá tudo certo.
Alguns autores precisam estar mais imersos que outros para poder escrever e usar música é um bom artifício para tal. Ajuda a ter mais inspiração, pensar naquele enredo e nos personagens e em como fazer a história seguir.
Não existe jeito certo ou jeito errado, realmente é só a forma que cada um de nós faz para ficar melhor na hora de escrever. Conheço autores que precisam e outros que não! E é assim mesmo!
Só para não deixar passar em branco algo que eu sempre falo: odeio quem ficar querendo cagar regra na escrita dos outros.
Quantas vezes já não vi dicas de escrita na internet em que a pessoa que falava acaba por impor algumas regrinhas para a pessoa estar dentro da caixinha de “escritor”. Tipo quantos capítulos tem que ter, quantas palavras que são, e claro, se pode ou não criar e usar uma lista de músicas para ajudar a escrever.
Ainda devo fazer uma edição sobre este assunto, que é meio polêmico… Só que eu amo cutucar em vespeiro aqui!


Terminando mais uma edição do Boletim de Anelândia!
Espero que tenham gostado e nos vemos na próxima!
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