domingo, 14 de fevereiro de 2016

O Capitão e o Marujo



Música-tema: (Santiano - 500 Meilen) https://www.youtube.com/watch?v=TfeIcsVSI10

Mais uma bela manhã de Sol no cais do porto. O meu navio, Queen Andromeda, está recebendo mais um carregamento para a Europa. Eu estou nas Américas deixando um e pegando este outro. Eu sou um navegante que trabalha no fluxo Europa-Américas, o ano inteiro, incluindo os feriados e até o meu próprio aniversário.
Eu não tenho família, nem filhos e nem mais a minha mãe, que morreu pouco depois que completei dezoito anos. A minha vida é esta embarcação, tudo o que fui e sou hoje foi graças a Andromedazinha, como a chamo carinhosamente. Outra coisa a revelar sobre mim é que eu sou gay. E já sofri e adquiri um forte trauma por conta disso. Eu me acho tão homem quanto qualquer hétero. Ser gay não me faz menos homem, apenas diferente.
Eu falei do meu trauma não é? Pois é, eu já fui passivo, mas totalmente a força.
Quando minha mãe faleceu, decidi que seguiria a vida no mar, assim como o meu pai, que abandonou a mamãe assim que soube de mim. Não era o sonho de reencontrá-lo, mas de desbravar novos horizontes e conhecer novos lugares, já que vivi na mesma cidade durante todo aquele tempo. Naquela época já sabia o que sentia, me apaixonara algumas vezes, mas nada demais. Apenas coisas platônicas... Porque todos eles eram héteros!
Com meros dezoito anos, eu, Steffen Frey, alemão, pele clara, cabelos loiros e olhos verdes, virei tripulante de um navio, o Ressaltans. Era bem mais franzino do que sou hoje. Eu tinha apenas 1,70m de altura e era bem magrinho. Estes detalhes foram os suficientes para um dos marujos mais velhos se aproveitar de mim. Por muitos anos, eu fui abusado por esse cara. Não podia falar com ninguém sobre isso, porque eu cai na laia dele e acabei me apaixonando e também tinham as ameaças que ele fazia. Eu fiquei sem saída e me afundava cada vez mais naquele mar de problemas. Mas durante esse tempo, eu ganhei um pouco mais de altura e músculos por causa do trabalho pesado. Nunca me equiparei a força dele, então toda vez que tentava me defender ou revidar, acabava piorando mais a situação.
Até que um dia, em um dos portos que passávamos frequentemente, eu recebi a proposta de tripular o Queen Andromeda, vinda do próprio capitão do navio: Tim Schmitt. Em um dos bares perto do cais acabei contando pro cara toda a minha história e ele se sensibilizou. Disse que o único jeito seria eu trocar de embarcação e finalmente ter distância daquele que me perturbava. Naquela noite mesmo zarparia com o navio dele. Peguei as minhas coisas e quando estava chegando ao Andromeda, o meu ativo, meu dono, apareceu e perguntou o que eu estava fazendo carregando minhas coisas para outro navio. Simplesmente respondi:
-Estou te deixando. Cansei de todas as suas chantagens, cansei de você!
-Mas achei que me amasse.
-Eu amava, quando tinha dezoito anos e era bobo e inocente. Tenho 25 agora, cresci e amadureci.
-Não pode simplesmente ir saindo assim. E quanto ao nosso capitão? E a mim? - falou agarrando meu braço
-Já falei com o capitão e ele entendeu perfeitamente a situação, agradeceu o bom trabalho que fiz a ele, deu o meu dinheiro e pude sair.
-Não respondeu a outra parte...
-Respondi sim! Cansei de você, simples assim. Estou seguindo outro caminho.
-Não pode fazer isso.
-Posso sim! E estou fazendo...
-Seu filho da puta! - me deu um soco, cai no chão – Depois de tudo o que fiz por ti.
-O que? Tem sete anos que eu sou marujo, não subi posto algum nesse tempo. E olha que eu trabalhei muito.
-É assim então? - bufou
Ele me deu mais alguns socos antes de me deixar deitado no chão de cimento. Estava ferido fisicamente, mas finalmente meu coração se curara e eu tinha a minha liberdade de volta. Sentiria dores no corpo por uns dias, contudo dormiria bem depois de anos. Aproveitar o meu sono, sem ter ninguém querendo te comer no meio da madrugada.
Fui muito bem recebido pelos meus novos companheiros de viagens. O trabalho era praticamente o mesmo, eu que era outra pessoa. E diferente da outra vez, meu trabalho foi reconhecido. No decorrer dos anos fui subindo de patente, até chegar no posto mais alto antes do capitão.
Eu tinha completado 30 anos pouco antes disso e estava muito feliz. Só que em seguida outra coisa começou a preocupar todos no navio. O capitão adoeceu e era muito grave e ele sabia disso. Sabia que não duraria mais muito. E como ele também não tinha família, deixou o Queen Andromeda para mim, porque eu me tornei um filho para ele e essa era a maior retribuição que ele poderia me dar.
Foi assim que me tornei o Capitão Frey do Queen Andromeda. Só não sou mais tão jovem quanto antes, estou com 35 anos agora.
E naquela manhã, além do descarregamento dos produtos que trouxemos da Europa, eu também estava contratando novos tripulantes. Alguns saíram porque queriam outras coisas na vida.
E de repente, ele apareceu. Um rapaz, na casa dos vinte anos, com um corpo um bocado definido e só um pouco menor do que eu, correndo e logo chegou para falar comigo.
-Senhor, ainda estão aceitando novos tripulantes?
-Sim! - respondi sorrindo, acabei olhando ele de cima a baixo
-Ah, que bom! - coçou a cabeça
Ele me parecia ser americano, pele clara, cabelos castanhos e olhos azuis. Fizemos os tramites legais e ele era oficialmente um marujo do Queen Andromeda.
Eu não entendia o que estava acontecendo comigo. Havia anos que alguém não me chamava atenção como ele. Depois daquele brutamontes, me desliguei disso. Só dava mesmo algumas descarregadas em festas e só. Nunca me envolvi de novo.
O nome dele é Bryant Vicent Kelly, de 23 anos, nascido nos Estados Unidos. Só isso o que sei dele até agora.
Mais tarde, na minha cabine, me peguei olhando a foto que ele me deu para fazermos o contrato. Eu me sinto atraído por ele e não consigo explicar isso. Será que todo mundo sente isso? Uma pessoa que mal conheceu e já chamou a sua atenção? A única coisa que se quer é estar do lado dela e saber mais sobre ela, para se aproximar.
Meu melhor amigo, Torsten Reinhard , atual “vice do navio”, entrou e me pegou no flagra.
-Olhando esta foto com tanto afinco. Tem algo errado?
-Não. Não há nada errado. - desviei o olhar
-Não minta. O rapaz te chamou atenção. - ele era o único que sabia ali que era gay
-Não sei explicar isso.
-Não pense na explicação. Vá atrás dele!
-Não sou desesperado a investir tão cedo assim. Mal o conheço.
-Mas estamos na época de adaptação dos novos marujos. Então terão aquelas reuniões.
-Ah sim! Elas são uma boa oportunidade.
-Alias, o novo carregamento já está todo a bordo. Podemos zarpar imediatamente.
O Sol já iria se pôr, minha hora preferida para partir. Fui a frente para falar com a tripulação.
-Senhores, excelente trabalho que fizemos hoje. Haverá uma festa mais tarde em comemoração. - gritos de alegria – E os novos marujos: sejam bem-vindos ao Queen Andromeda. E a festa também será comemoração da chegada de vocês. - mais outro grito em coro – Agora, hora de partirmos rumo a Europa.
Finalmente saímos do porto, navegamos um pouco e ancoramos alguns quilômetros depois. Havia uma festa e todos os tripulantes participariam. O convés estava lotado, lotado de zueira e de bebida. Era uma grande reunião.
Eu sou o tipo de capitão que é amigo de todos do navio, então conversei um pouco com cada um deles. Cantei ao som do violão e fiz umas danças malucas naquele convés. Essas nossas festas parecem de piratas.
Mas havia um que estava isolado em um canto, apoiado numa das bordas, observando o céu noturno. Era aquele que me chamara atenção no momento em que olhei para ele. Não resisti ao impulso precoce e fui falar com ele.
-O que faz aqui sozinho, Mr. Kelly? - tive que usar o pronome de tratamento certo
-Ah, Capitão Frey, me desculpe, sei que devia estar com outros.
-Você não respondeu a minha pergunta.
-Estava pensando nessa nova fase da minha vida que acabei de começar. Tudo pelo que passei e deixei para trás.
-O que quer dizer com isso?
-Eu tinha uma noiva, mas ela morreu em um acidente de carro. E, bem, eu chateei meus pais por causa de uma coisa e eles não querem ver mais a minha cara.
-E que coisa seria essa? - falei me apoiando de costas para o mar, para poder olhar melhor para ele – Desculpe se estou sendo inconveniente te perguntando um pouco demais.
-Tudo bem, capitão. Eu fico feliz que tenha se interessado por isso, eu realmente nunca falei isso a ninguém. É meio que uma coisa engasgada.
-Diga!
-I like boys! - ele foi direto, falando na sua língua mãe e na qual conversávamos – Não me lembro quando descobri isso, mas eu sempre lutei contra, tanto que até noivei e ia me casar. Minha noiva era uma grande amiga e a única que sabia até então. Ela me ajudou a ter esse namoro de fachada, para mim e para ela. Só que, quando ela se foi, eu surtei e percebi que não poderia continuar essa mentira sozinho. Contei aos meus pais e fui expulso de casa. Vaguei por uns dias e descobri que carregamentos chegariam ao porto e decidi que queria ser um homem do mar. Foi assim que vim parar aqui!
Só pode ser um sonho, ele é gay também. A oportunidade para investir subiu bastante, mas não queria me mostrar atirado.
-Uma história deveras comprida, assim como a minha. Vamos voltar e beber um pouco mais.
-Claro!
Depois de mais algumas cervejas, eu estava bem, mas Bryant estava totalmente bêbado. Os outros começaram a voltar a suas cabines. No final das contas ficamos só eu e ele no convés, falando um bocado de merda. E em um de seus momentos de porre, ele soltou:
-Sabe, Capitão, eu te achei tão sexy assim que te vi. - e se atirou em mim
Ele tava... Me cantando? De um modo bem estranho, mas era óbvio o efeito da bebida. Não resisti aos meus desejos quando vi aqueles olhos azuis com a franja caida entre eles e acabei beijando-o. Um beijo calmo, que havia anos que não dava em ninguém. Ele pareceu corresponder se enlaçando mais ao meu corpo, praticamente pulando no meu colo.
Seu corpo era só um pouco menor que o meu, então o abracei-o com vontade e trocamos algumas carícias por uns minutos. Foram apertos ali e cá e alguns beijos no pescoço. Ele gemia baixo e eu sentia a minha calça ficar mais apertada. Então, sussurrou:
-Capitão, você que ir para o quarto?
Uma pessoa normal responderia sim imediatamente. Mas, eu já estive no lugar dele e sei bem o que poderia acontecer, acabaria perdendo o meu controle. E ainda tinha outro detalhe, ele estava bêbado. Sinto-me mal em transar com alguém nesse estado.
-Acho que está na hora de você dormir, Marujo Kelly.
Sai carregando-o ao seu quarto. Os seus colegas dormiam, coloquei ele na cama.
-Fique aqui comigo, Capitão.
-Eu... Não... Posso. - gaguejei sentindo “ele” latejar de desejo
Com muita força de vontade, voltei ao convés e me encontrei com Torsten lá.
-Por que veio daquele lado? Sua cabine fica do outro.
-Eu sei. Fui deixar um tripulante bêbado na cama.
-No duplo sentido? Não acredito que fez isso.
-Eu não transei com ele! - gritei – Mas fiquei na vontade. - falei mais baixo
-Perdeu uma oportunidade e tanto. Ele é hétero!
-Na verdade, não. Ele usou essa noiva de fachada, ele é gay como eu.
-Ora, então ainda há uma chance. E com certeza você vai correr atrás dele.
-Sim. Só quero conhecê-lo um pouco melhor. Quero que as coisas sigam um fluxo natural, ao contrário do que houve comigo na idade dele.
Despedi-me e fui ao meu quarto. Tomei uma ducha fria e tive que bater uma para aliviar o tesão que Bryant Vicent deixou em mim. Eu fantasiei com ele, não pude evitar.
No dia seguinte, seguimos viagem com maioria dos tripulantes de ressaca.
Os dias foram se passando, tudo acontecendo em uma normalidade que já era bem comum. Um dia, tarde da noite, após mais uma polução noturna por causa de um sonho com Bryant, fui dar uma volta. Com quem eu me encontrei? Sim, o próprio.
-Capitão Frey, com insônia também?
-Sim. Eu tive um sonho!
-Foi ruim?
-Nein. - eu tinha essa mania de responder em alemão as vezes – Ele não ser verdadeiro é que é ruim.
-Adoro seu sotaque e quando você fala alemão. Tão sexy! - ele sorriu e depois ficou com vergonha de ter falado aquilo, mas nem comentei nada
-E o que está achando da vida do mar?
-Melhor do que imaginava. Poderia viver assim para sempre.
-Eu pensei a mesma coisa com a sua idade e aqui estou eu.
-Contei a minha história a você na primeira noite, quero saber da sua. Pode contar!
-Ja!
Contei toda a história para ele, inclusive revelando o detalhe de eu ser gay. Depois, ele perguntou:
-Capitão, aconteceu alguma coisa entre nós na minha primeira noite aqui no navio? Eu me lembro de termos nos beijado e depois você me levou ao meu quarto, mas eu não sei o que aconteceu lá.
-Não aconteceu nada. Só te deixei na sua cama e sai.
-Ah... - ele soltou com um ar de tristeza
-Não que você não tenha pedido para eu ficar. Só que você estava muito bêbado.
-Não quis abusar de mim né? Achei que fosse esse tipo de pessoa.
-Porque aconteceu a mesma coisa comigo e eu passei anos sendo chantageado por um filho da puta.
Ficou um silêncio mortal por alguns segundos enquanto trocávamos olhares. E mais um impulso resolveu me atacar... E lhe roubei um beijo ardente.
-Capitão... - ele sussurrou quando nos separamos
-Fale, marujo Kelly. - falei em mesmo tom
-Por que não fazemos o que queríamos naquela noite? Eu estou sóbrio agora.
-Claro! - sorri, dando um riso no canto da boca – Vem, vamos ao meu quarto. Lá teremos mais privacidade.
Peguei na mão dele e o arrastei comigo. Ele vinha atrás e parecia encabulado, olhando para os lados o tempo todo, achando que alguém poderia aparecer a qualquer momento.
-Fica sussa, cara. Aqui é o lado das maiores patentes e eles dormem que nem pedra.
Ele só riu!
-Fica sussa?! Gostei disso, capitão.
Chegamos ao meu quarto, entramos e eu tranquei a porta.
-Enfim sós!
Ao ouvir isso, ele veio para cima de mim e começamos uma série de beijos e carícias. Eu adorei dar alguns beijos no seu pescoço, enquanto ele gemia baixo.
-Capitão... - disse coloca a sua mão na região protuberante da minha calça – Eu quero... Dentro... De mim!
-Tudo em seu tempo. Acha que eu também não quero?
-E me chame de Bryant, capitão. É meu nome esqueceu?
-Não. E se for assim, eu sou Steffen. Sem formalidades!
Então, eu o joguei na cama. E continuamos nos beijos e ia desabotoando cada um dos botões de seu pijama. Quando estava completamente aberto, passei minhas mãos por seu peito magro e ele gemeu baixo. Ajudou-me a tirar a minha blusa e eu arranquei a dele. Ele admirou o meu físico e a minha tatuagem de uma âncora no antebraço direito, acariciando-me.
Logo tirei a calça dele e também a cueca dele. Bryant estava nu diante de mim. O tamanho dele era só um pouco menor que o meu, não que eu seja pirocudo. Tô na média! Ele achou que ficaria pelado também, mas se desesperou quando viu minha boca chegando perto do seu membro.
-Steffen, não precisa fazer isso. - falou tentando afastar o quadril, mas segurei
-Mas eu quero fazer, Bryant. - olhei para ele – Aliás, posso te chamar só de Bryan?
-Pode, Stef! - respondeu sorrindo e cortando meu nome também
Delicadamente comecei o sexo oral nele. Chupava, mordiscava, engolia, de um tudo um pouco, com pouca ou mais intensidade e sendo acompanhado pelos sons que ele emitia. Parecia que nunca tinha recebido algo assim, ele ficou excitado rápido e chegaria ao ápice logo, porém parei antes disso.
-Por que parou? - ele reclamou
-Você está quase gozando. Eu não quero que se divirta sozinho! - soltei com um sorriso malicioso
Levantei da cama e tirei minha calça e cueca, deixando-as pelo chão da cabine. Minha situação tava crítica, talvez não aguentaria muito tempo.
-Quer que eu faça em você também, Stef? - indagou se apoiando nos cotovelos para me ver
-Não precisa! Senão gozarei forte na sua boca. Muito tempo na seca.
Voltei a cama, dando-lhe um beijo com vontade. Ele inconscientemente já abriu as pernas para mim, me querendo e muito. Estiquei-me até a gaveta do criado-mudo, ao lado da cabeceira da cama e peguei o lubrificante. Coloquei uma quantidade boa na mão, dividindo um pouco entre a entrada de Bryan e meu pênis. Abri um pouco o espaço usando primeiro um dedo, passando para dois, até o terceiro. Ele só me observava e tinha um olhar e rosto totalmente envergonhados e cobertos de prazer ao mesmo tempo. Resolvi parar com o sofrimento dele e também com o meu e penetrei. Comecei devagar para ele se acostumar e não sentir tanta dor ou incômodo. Só depois que aumentei a velocidade. Foi então que ele danou a gemer e eu arfava. Aproveitei para masturbá-lo um pouco no meio das estocadas.
-Stef... Stef... Capitão! - foi o que ele disse antes de gozar, junto comigo, porque não aguentei ouvi-lo dizendo isso
Eu me joguei sob o peito magro dele e senti o suor dos nossos corpos nos fazerem grudar um ao outro. Ele passou os dedos nos meus cabelos, enquanto recuperava o fôlego. Não trocamos uma palavra por um tempo, até que Bryant finalmente falou.
-Foi tão bom, Capitão... Stef. - sorriu
-Também gostei, Bryan. Mas só quero uma coisa agora: Um banho. Vamos?
-Sim!
Minha cabine é suíte, então só acendi a luz do banheiro e fomos para lá. E essa cabine é tão grande que eu tenho uma banheira, eu a enchi e entramos, ficando cada um em uma ponta. Bryant relaxou o corpo e estava aproveitando a água quente. Era uma visão maravilhosa!
-Por que os chuveiros dos vestiários não tem a água assim tão quentinha?
-Porque senão os chuveiros seriam mais disputados do que já são. E ninguém morre com banho de água morna. Mas, se você quiser tomar um banho quente, só vir aqui.
-Depois da foda, não é Capitão?
-Seria melhor que sim, mas se quiser só tomar um banho, tudo bem.
E ele riu.
-Que foi?
-Você é engraçado, Stef. Achei que fosse mais carrancudo e mandão, mas eu vejo que isso é só fachada.
-Eu só tenho cara mesmo. Eu fiz essa máscara pois já sofri muito por ser quem eu sou.
-Gay?
-Ja! Aquilo que te contei.
-Eu nem consigo pensar o quanto sofreu durante todos aqueles anos. Eu achava que sofria, mas com certeza a sua dor foi pior. Perdeu a sua única família e ainda foi abusado por muito tempo.
-Eu já superei. Agora eu sou feliz... Bom... Quase.
-Por que “quase”?
-Eu não me apaixonei novamente. Não consigo! Eu tenho medo de me envolver demais e acontecer igual àquela vez. Acho que eu seria feliz se encontrasse alguém para amar.
-A gente poderia tentar, capitão. - falou se aproximando de mim e sentando na minha frente, instintivamente abracei-o
-Poderíamos. - retruquei e completei em seguida – Teve uma coisa que não lhe disse: Realmente senti algo estranho quando te vi no cais, eu me senti atraído por você. Eu ainda não entendo isso, ainda estou tentando entender. E foi por muito pouco que não fizemos na sua primeira noite na embarcação.
-Também me senti atraído assim que te vi, Steffen. Acho que eu deixei isso bem claro quando bebi um pouco demais... Eu lembro!
Não pude evitar de rir e concordar. Bryan se virou, me beijando em seguida. Dava para perceber que ele queria uma segunda rodada e eu também.
-Vamos nos secar e ir para a cama. - falei
Sai primeiro e fiquei esperando sentado. E acabou acontecendo de novo e foi tão boa quanto a primeira. Acabamos adormecendo em seguida e só me dei conta disso quando alguns raios de sol atingiram meu rosto. Resmunguei e abri os olhos, me vi nu e com Bryant adormecido de bruços, também nu, do meu lado. Ele tinha uma carinha de anjo e aparentava sonhar. Eu fiquei com muita pena de acordá-lo, mas tive de fazê-lo.
-Bryan... Bryan... - cutuquei nele – Já amanheceu! Precisamos nos levantar, temos trabalho para hoje.
Ele reclamou alguma coisa que não entendi e virou pro outro lado. Chamei-o novamente, só então se levantou, e falando meio rouco:
-Que foi?! - e me viu – Ah, capitão, bom dia! - sorriu sonolento
-Bom dia!
-Já amanheceu né? - assenti – Não era para eu estar aqui, eu apaguei. Desculpa!
-Não precisa se desculpar, eu também dormi. Vamos nos trocar!
Levou menos de meia hora, contando com o tempo do banho. Mandei Bryan sair primeiro e eu sairia uns cinco minutos depois para evitar qualquer coisa. Pela hora todos estariam no refeitório para o café da manhã.
Sai e me encontrei com Torsten na mesa e ele me fez uma careta assim que me viu e comentou:
-Bom dia, Capitão. - baixou o tom da voz para um sussurro – Eu ouvi o que aconteceu no seu quarto. Quem era?
Bryant estava algumas mesas perto dali e ele olhou diretamente para mim quando desviei o olhar do meu amigo. Foi a resposta que ele precisava!
-Foi exatamente o que supus. - soltou
-Por favor, você sabe que isso é segredo. Não conte a ninguém!
-Minha boca é um túmulo e você sabe disso, Stefen.
Pela proximidade, podia ouvir os colegas de Bryan falando com ele:
-Você sumiu, onde esteve?
-Acordei mais cedo. Simples assim!
-Já apareceu de banho tomado e nós viemos do vestiário agora. - ele não devia ter lavado o cabelo
-Eu molhei o meu cabelo com uma garrafa de água.
Para de falar, você está se afundando nisso. Não tenta enrolar eles.
-E cadê a garrafa?
Ele titubeou, sem resposta.
-Onde você esteve então? - indagou um, bem firme
-Ah... Eu... Eu...
Eu ia ter que resolver aquilo e rápido.
-Ele realmente se levantou mais cedo que o de costume. - Respondi, me levantando e indo em direção a eles – Eu estava no convés e o vi cair no mar por conta de um balanço forte de uma onda. Tive que salvá-lo. - bati no ombro dele e ele me olhava perplexo, mas logo entendeu
-É, eu levantei e fiquei olhando o mar no convés, até que eu cai. Sorte que o Capitão me salvou. Ai me sequei, troquei-me e vim para cá. - concordou sorrindo e aquilo fazia sentido com a troca de roupa
-Você precisa aprender a se segurar para que isso não aconteça de novo.
-Sim, Capitão, pode deixar!
Eu me afastei e a situação se resolveu, ainda bem. Tudo correu normalmente a partir daí. Exceto pelo fato de, no meio da tarde, quando estava na cabine de controle controlando as manobras do navio e o Marujo entra, me assustando. Sorte que estava sozinho!
-Stef, obrigado por mais cedo. Eu realmente não sabia o que fazer.
-Sem problemas, Marujo. Mas você podia ter esperado mais para me falar isso.
-Perdoe-me, não consegui. - ele olhou para o mar – A visão daqui é tão bonita!
-Eu concordo. É meu lugar favorito para observar os azuis dos céus e mares se juntarem.
Ele ficou mudo.
-Veio aqui só para me agradecer?
-Não! É que... Como eu direi... Podemos nos encontrar hoje a noite?
-Claro. Por que não? - sorri – De madrugada?
-Uma da manhã está bom?
-Ótimo!
-Preciso ir, senão eles notarão minha ausência por tempo demais.
Ele ia sair correndo, mas eu o peguei pelo braço.
-Espere! (Em alemão) - o puxei para perto de mim – Um beijo pelo menos?
-Alguém pode nos ver.
-Nein. Eu sei todos os horários do Queen Andromeda e eu estou sozinho aqui neste horário.
Ele relaxou e isso permitiu que nos beijássemos. Quando nos desvencilhamos, ele disse:
-Até mais tarde!
E neste e nos outros dias que se seguiram, eu me encontrei com Bryant Vincent Kelly durante a madrugada para irmos ao meu quarto. Só ficamos mais atentos a não dormir igual da primeira vez.
Chegamos ao porto de Londres e ficaríamos atracados por uns dois dias até o próximo carregamento. Esse era o tempo que os homens saíam do barco para aproveitar um pouco. Raras as vezes que eu ia com eles. Decidi ficar no navio. Pude ver o Marujo que me fez companhia nas últimas noites partir com os novos amigos para se divertir. Não fiquei com ciúmes, afinal, não temos nada. Ou será que temos?
Durante a noite, me peguei olhando a foto dele de novo. Sim, era saudade, acho eu. Era estranho estar sozinho a noite agora. Sentia falta do calor dele, da voz dele, do sorriso dele, daquela franja caída entre os olhos. Merda! Será que eu estou me apaixonando? Eu não sei!
Passadas algumas horas, Torsten entrou desesperado e ofegante na minha cabine. Ele veio correndo até ali, dava para saber.
-O que foi, Torsten?
-O Kelly... - disse tentando recuperar o fôlego – Ele... Ele entrou nunca briga e agora está prestes a ser estuprado pelo cara com quem arrumou confusão. Vim correndo te avisar!
Eu nem pensei duas vezes, levantei, vesti o meu casaco e sai correndo para o bar, com o meu amigo me guiando. Eu não queria que acontecesse com ele o que houve comigo.
Cheguei ao bar e todos os outros tripulantes se surpreenderam ao me ver ali. Tive que perguntar a um garçom atrás do balcão.
-Onde eles foram? O garoto de branco de cabelos castanhos e o outro?
-Eles foram para um dos quartos lá em cima. Acho melhor não se meter com ele, senhor.
Eu ignorei essa última frase, meu sangue fervia, tanto pela corrida, quanto para bater no filho da puta. Todos me indicaram qual era e eu fui lá. Coloquei o ouvido na porta e pude ouvir os gritos de Bryan. Já tinha acontecido! Eu só podia tornar aquilo menos pior. Afastei-me e com todo a minha força, eu chutei a porta, que abriu facilmente, pois era frágil. As dobradiças rangeram com a pancada e os dois viraram o olhar para a minha direção. Eu vi Bryan muito machucado e sem roupa, ele arregalou os seus olhos azuis ao me ver. E o outro, eu jamais me esqueci daqueles cabelos compridos e a aquela barba mal feita. Ele só estava um pouco grisalho comparado as minhas lembranças. E nem preciso dizer que me sangue borbulhou ainda mais ao saber que era ele. Sem as calças e com o Bryan de quatro para ele. O reconhecimento foi recíproco.
-Steffen?!
Não respondi. Apenas me aproximei dele, tirei ele de perto de Bryant e lhe dei um soco com toda a vontade e deixei-o cair no chão em seguida. Falei com o marujo:
-Vista-se e vamos embora daqui.
-Ah, mas não vai mesmo. - o outro se levantou – Não vai ferrar com a minha diversão desta noite. - vestiu a sua parte de baixo da roupa
-Eu me esqueci que para você o estupro é divertido. Quanto tempo se divertiu comigo não?
Ele avançou para me atacar, tentando me dar vários socos seguidos, desviei de todos.
-Vejo que aprendeu a lutar.
-É o que se deve fazer para sobreviver.
Mais uma sequência de golpes, infelizmente alguns desses me acertaram. Enquanto isso, Bryan só olhava, sem reação. Ao falar com ele, me distraindo, acabe tomando um na boca do estômago, o que me fez cair ajoelhado no chão.
-O que esse cara é seu, afinal de contas? Por que o está defendendo?
-Ele é da minha tripulação. Não posso permitir que nada ruim aconteça com eles. - fiquei de pé
-Não faria isso por um mero marujo.
-Acha que me conhece, mas não sabe nada sobre mim. Só se aproveitou de mim, sem se importar com meus sentimentos.
Ele, puto, veio de novo. Tentou me acertar e não conseguiu. Bryant ia sair, mas ele correu para pegá-lo, fugindo de mim. O marujo desceu as escadas sendo seguido por nós dois. Torsten o escondeu atrás dele.
-Vai fugir de mim?! Não se esqueça que perdeu uma aposta comigo e você vai pagar. - cutuquei nele – Mas primeiro, deixe eu acabar com esse seu capitão de merda.
Começamos uma briga no meio do bar, todos os meus homens torciam por mim. Foram muitos socos e chutes certeiros. Apanhei um bocado, mas consegui derrubá-lo. Quando ele estava caído, o prendi com as pernas subindo em cima dele.
-Me solta, Stefen.
-Nein! - gritei – Eu vou te bater igual você fez comigo naquele dia e tantas outras vezes e também por ter batido no meu marujo.
-Capitão, não precisa disso. - Vincent se manisfestou, saindo da proteção de Torsten
-Não é só por você, é por mim também. Eu ainda tenho a cicatriz que esse filho da puta deixou em mim. E ele resolveu abri-la de novo ao mexer com você.
-Eu sabia que tinha algo entre vocês. - ele bravejou – Dá para ver na cara dele.
-Cale a boca! - e dei uns três socos na face dele e o nocauteei – Eu não te perguntei nada!
Todos os membros da tripulação vibraram com a minha vitória. E Bryan veio me abraçar.
-Obrigado, Stef.
-Por nada, Bryan.
Torsten cruzou os braços como uma forma de me chamar atenção. Eu tinha dado mole e um dos grandes. Os outros olharam para nós sem entender nada e eu devia explicações... Explicações de anos!
-Capitão... - eles me olharam quando subi em um das cadeiras para falar
-Atenção todos os tripulantes do Queen Andromeda, eu, Steffen Frey, seu Capitão, tenho algo a lhes contar. Eu guardei isso por muito tempo, mas acho que já é hora de saberem. Apenas Torsten e Bryant sabiam disso até então. A verdade é que: Eu sou gay!
-Sério, Capitão? - soltou um
-Se não falasse, eu nunca saberia. - comentou outro
-É por isso que você sumia no meio da noite né, Kelly? Ia ficar com o Capitão. - falou um dos amigos do marujo, que ficou sem ter onde se esconder
Já sabia que iam insinuar algo entre mim e Bryan e começou um burburinho.
-Senhores, calma. - voltei a falar – Sim, há algo entre eu e o Marujo Kelly, mas isso não é do interesse de vocês. Continuem cuidando dos seus direitos e deveres. Bom, agora que já sabem, se me dão licença... - puxei-o pelo braço - Eu vou cuidar dele.
Pedi um quarto e um kit de primeiros socorros ao dono do bar, que me atendeu prontificamente. Bryant sentou na cama assim que entramos e eu fechei a porta para termos mais privacidade. Ajoelhei-me diante dele e só assim pude ver como ele realmente estava. Ele tinha alguns hematomas e machucados pelo corpo. Cuidei deles junto com as reclamações de que não precisava e que estava bem, mas eu fingia que não ouvia. E depois Bryant insistiu para cuidar dos meus também, ainda mais do olho roxo que consegui e para isso, pediu gelo. Então, resolvi perguntar:
-O que foi que aconteceu para que tudo acabasse assim?
-Estávamos jogando cartas e quem perdesse fazia algumas coisas bem simples, como virar uma dose de uma só vez. Só que as apostas foram aumentando e bem, eu ganhei por muito pouco e ele ficou muito puto. Indignado, partiu para briga e fui apagado por ele. Quando dei por mim de novo, ele estava me batendo para acordar. E ele me virou e daí você já sabe o que houve.
-Isso é bem a cara dele.
-De onde você o conhecia, Stef?
-Ele é aquele cara que eu lhe falei, o que abusou de mim por longos anos. - ele fez uma careta, entendendo – Ele conseguiu o que queria com você não?
-Parcialmente! Você o interrompeu. - sorriu – Só fiquei um pouco machucado, mas estou bem. Até tentei me defender do estupro dele, mas ele era bem mais forte do que eu.
-Eu te entendo. Passei por isso mais vezes do que possa imaginar.
-Pelo menos, eu tinha você para me ajudar. Foi o Sub-Capitão Torsten que o chamou no navio?
-Sim! Ele era o único que sabia sobre nós, acabou ouvindo o que não devia. - e ri
Bryan sentou-se ao meu lado e colocou a cabeça no meu ombro e me questionou:
-O que faremos agora em relação ao resto dos marinheiros?
-Nada. Já fui bem claro com eles: não lhes interessa. É algo entre eu e você apenas.
Passadas algumas horas, todos voltamos ao navio, carregamos e zarpamos de volta as Américas. O clima no navio se manteve o mesmo apesar do que houve no Bar em Londres. Eu dei um tempo para Bryan se recuperar do que passara e uns dias depois ele falou que iria para o meu quarto a noite. Encontrei-o no convés e fomos para lá. Alguns beijos e amassos depois, ele falou:
-Eu farei oral em você!
-Não precisa, Bryan, é sério. - reclamei, porque eu realmente não gostava muito
-Deixe eu fazer ao menos uma vez.
Não pude brigar com esse argumento. Sentei-me na cama e marujo começou. Parecia que ele sabia o que estava fazendo. Chupava e mordiscava algumas vezes com vontade, enquanto eu sentia calafrios subirem minha espinha. Nunca recebera um oral tão bom quanto aquele. Quando faziam em mim era sempre algo meio sem graça e sem sal, com aquela ideia de só “me acender” para depois, acho que era esse o motivo de não gostar muito. Mas ele estava além disso, ele queria me fazer gozar. E não precisou de muito tempo para conseguir. Senti um calor subir na espinha quando gozei. Bryan engoliu tudo e tirou a boca. Ele me olhou sorrindo e disse depois:
-Eu vou me deitar.
Claro que isso indicava o “vamos começar”, mas eu decidi que faria algo diferente naquela noite.
-Nein! Eu me deito hoje.
-Mas você disse que nunca mais queria ser passivo.
-Eu não disse isso. - retruquei – Disse que nunca mais fui, por conta de alguns traumas. Mas é diferente...
-Eu não sei como fazer. Nunca fui ativo lembra? - me olhou, com medo
-Confio em você. - coloquei a mão no rosto dele – Já teve e viu isso tantas vezes. É só se recordar de como faço com você.
-Mas...
-Sem “mas”. Confio em você. - me joguei na cama
Pude vê-lo engolir a seco. Suas respirações aceleraram e o vi a mão dele tremer um pouco. Peguei-a e segurei, dando mais um voto de confiança. Ele inspirou fundo e me beijou.
Bryan seguiu praticamente o mesmo script que eu. Levou ao pé da letra demais, porém ele estava se esforçando. E eu estava em um misto de estranheza e prazer. Anos sem ter nenhuma daquelas sensações. As de ser tocado e receber carinho de alguém de quem você gosta. Na verdade, eu nunca soube o que era isso. Beijos e chupões em várias partes do meu corpo, junto com os meus gemidos baixos. Até que ele decidiu que ia penetrar. Eu só apontei em que gaveta estava, pois eu soube a pergunta só pelo olhar dele. E fui eu quem ficou com medo nesse momento, com muito esforço não fechei as pernas imediatamente. Bryan colocou lubrificante na mão e começou a abrir o caminho em mim, do mesmo jeito que eu faço. Primeiro um dedo, depois dois, até um terceiro. Enquanto ele fazia isso, senti espasmos subindo pelas costas, como havia tempos que não sentia. Pegou mais um pouco e passou em seu pênis. Ambos estávamos nervosos, dava para perceber pelo jeito que nos olhamos. Completamente fora da posição de conforto.
Penetrou devagar, até que conseguiu colocar tudo. Era algo muito estranho ter algo dentro de mim de novo, era sempre o contrário. Mas eu aceitei isso bem, fui eu quem quis. Só não fazia ideia do que poderia acontecer quando ele começar a se mexer.
-Tudo bem, Stef? - ele perguntou
-Só um pouco aflito. Só isso!
-Quer que eu pare? - disse, relutante
-Nein! Já falei: está tudo bem. Eu vou saber onde colocar as pernas, não se preocupe com isso.
Ele riu. Isso serviu bem para quebrar a tensão.
Então, Vincent iniciou o movimento de vai e vem. Primeiro devagar e aumentando gradativamente. Cada estocada vinha com um gemido meu, que eu não conseguia controlar. Ele se agarrou nas minhas coxas para conseguir ir mais fundo e estava conseguindo. Sentia todo o meu interior se contraindo e relaxando a cada segundo. Eu percebi que tinha ficado duro de novo com aquilo tudo. Foi uma coisa que nunca aconteceu, nem durante os anos em que fui um boneco nas mãos daquele outro. Após alguns minutos, Bryan já fazia muitas caretas. Nós dois estávamos quase sem ar. Ele soltou em meio a respiração ofegante:
-Não vou aguentar tanto tempo, Stef.
Assim que ele completou a frase, senti algo quente me encher por dentro, enquanto ele suspirou aliviado. Eu também cheguei ao meu limite e gozei também, sujando minha barriga e o rosto dele. Falei para ele pegar os lenços para nos limpar. Assim o fez!
-E então, Stef? - perguntou ao se deitar sob o meu peito – O que achou?
-Diferente. Estranho. E... maravilhoso!
-Fico feliz por isso. - ele respondeu – Também achei maravilhoso. Poderíamos fazer mais vezes.
-Concordo!
-Acho que está na hora de eu ir, Capitão.
-Não tem problema agora. Os outros sabem sobre nós.
-Eu me sinto mal ficando aqui. Podem falar algo.
-Não se preocupe. Posso dizer que caiu no mar de novo, marujo.
-Tudo bem, você me convenceu. - Ele riu – Um banho?
-Estou cansado para isso. Agora eu te entendo em todas as outras vezes.
-Gemer também cansa né?
-Tinha me esquecido disso.
Dormimos juntos naquela noite. E nada demais aconteceu no navio depois. Já tinha sido claro que estava com ele e todos os tripulantes entenderam isso perfeitamente. Tão perfeitamente que tomei café da manhã com ele. E dessa forma, os dias foram passando. Carregamentos para lá e para cá. Até que voltamos, mais uma vez, àquela cidade, onde meu encontrei com Bryant pela primeira vez, para deixar mais um e pegar outro. Nada fora da rotina.
Era mais um pôr-do-sol quando o navio ficou vazio, os homens foram festejar na cidade, como sempre. E eu, decidi ficar na Andromedazinha de novo. Supus que fosse ficar sozinho, então, fui a popa do navio para assistir o Sol ir embora, para depois fazer outra coisa, talvez comer. Estava distraído quando ouvi passos de alguém se aproximando. Virei-me e era ele.
-Stef! Te achei.
Bryan se sentou do meu lado, no banco que ficava fixo ali. Tive que questionar:
-Não vai sair com os outros?
-Não. É minha cidade natal aqui, eu passei maior parte da minha vida nela. Alias, eu não quero encontrar com ninguém conhecido.
-Você diz: Seus pais?
-Exatamente. - e pegou na minha mão – Eu prefiro ficar no navio com você, Stef. - sorriu
-Byan, ich liebe dich. - falei que o amava, olhando para ele
-O que isso quer dizer? Você sabe que não entendo, mesmo que goste quando fale.
-Você sabe a resposta, Bryan. Sei que sabe!
-Isso é uma pergunta então?
-Nein. É uma afirmação! Mas é uma do tipo que pode ser correspondida.
-I love you too, Stef.
-Você sabia, não falei? - disse antes de beijá-lo
-O que faremos a noite? - indagou depois
-Um jantar romântico. Que acha?
-Você cozinha, Capitão?
-Eu trabalhei um tempo na cozinha do Andromeda e tem um pouco do que minha mãe me ensinou.
-Então, quero provar da sua comida.

E ficamos ali, observando o Sol dar o seu “adeus” aquele dia, da mesma forma que ele deu um “olá” para o nosso amor.

terça-feira, 14 de julho de 2015

Capítulo 25 - Aniversário de Kazuko

No meu intervalo de almoço, enquanto o escritório estava vazio fui ler mais um trecho do diário.
O que eu estava preparando para Kazuko era uma digna festa surpresa. Mas eu chamei pessoa de quem ela gostava muito: família e amigos. Entrei em contato com a mãe dela, Saiko, e organizei tudo com a ajuda dela. Ela se tratou de chamar os convidados e eu auxiliei com o resto. Decoração, doces, bolo, outras coisas. Combinei também o horário que levaria Kazuko, já que a festa seria na antiga casa dela, do lado pobre da cidade. Aproveitei e pedi um dia de folga para isso.
Li um pouco e finalmente cheguei a data do dia seguinte do aniversário dela. Foi quando escreveu sobre a surpresa.
“Querido diário,
eu sou agora uma pessoa maior de idade. Completei dezoito anos finalmente. Não foi do jeito que eu queria que fosse, de acordo da forma que a minha vida se encontra agora. Mas até que foi melhor do que pensei que seria.
Eu acordei bem desanimada e cheguei até a ficar pior ao olhar o calendário. Makoto abriu a porta, ele estava vindo me acordar. Só que como já estava desperta, falou me abraçando:
-Feliz aniversário, Kazuko!
-Obrigada, Makoto! - respondi desanimada
-Ora, vamos, pare com isso. Hoje é seu dia.
Então, notei que horas o relógio marcava.
-Não vai trabalhar?
-Não! Passarei o dia com a aniversariante.
-Ah, Makoto. O que vamos fazer? - indaguei já esperando uma lista de atividades que seriam bem chatas
-Eu tenho uma surpresa para você.
Fiz uma careta, contudo uma pontinha de curiosidade veio também. Acabei de me arrumar e descemos. Entrei no carro e ele pegou um lenço e iria amarrá-lo no meu rosto.
-Ei! - reclamei
-Preciso vendar você para a surpresa.
-Eu fecho os olhos quando estivermos perto.
-Não! Tem que ser durante o caminho todo.
Soou como uma ordem. E eu acatei. Ele me vendou e seguimos viagem. Foi uma boa meia hora sem ver nada. Não sabia o que pensar, só sentia o carro andando. E de repente, percebi que ele parou. Makoto bateu a porta do carro abriu a do meu lado depois e me guiou na saída do carro. Andei um pouco e senti um cheiro familiar. Ele me levou até o lugar e tirou a venda. Ouvi e vi pessoas conhecidas gritando “Surpresa” e depois parabéns para mim. Um sorriso, que há tempos não fazia, se acendeu. Minha mãe correu para me dar um abraço, minhas amigas em seguida. Recebi também “Feliz aniversário” delas.
Todos presentes. Família e amigos. Eles me fizeram uma festa surpresa, algo que nunca tive na vida. O ambiente da minha, agora antiga, casa estava como em todos meus aniversários. Decorado com balões, fitas, uma mesa com doces, bolo e uma faixa escrito: Feliz Aniversário, Kazuko. Esqueci do Makoto e fui ficar com meus convidados.”
Pois é, eu fiquei em um canto isolado durante toda a festa. Somente Saiko que vinha falar comigo de vez em quando. Mas, isso faz parte.
“Minhas amigas contaram como andavam suas vidas. Algumas completaram dezoito anos e curtiam sua liberdade. Outras ainda com medo de serem compradas por serem obrigadas a ir ao centro de escravos todas as noites. Logo, elas foram querer saber como eu estava:
-E você, Kazuko?
-Eu estou bem. Levando tudo na medida do possível.
-Poxa, o seu dono te trata tão mal assim?
-Pois é, ele que organizou essa festa para você. Falou com a sua mãe e também viu o melhor horário para que pudéssemos comparecer.
Eu não sabia desse detalhe. Procurei por ele e o vi em um canto, ele me sorriu. Respondi.
Outra amiga continuou:
-Mas tem alguma coisa. Você tá com uma carinha abatida.
-É! Aconteceram umas coisas.
Acabei contando os ocorridos dos últimos meses, destacando o incidente no aniversário do Makoto e minha gravidez.
-O quê? Ficou grávida? Como?
-Ficando oras! Não pude tomar o remédio por uns dias e aconteceu.
-E ele? O que fez quando descobriu?
-Ele me apoiou. E fez da mesma forma quando perdi.
-É, Kazuko, tirou a sorte grande. Conseguiu um bom dono!
-E bonito também!
Todas nós rimos desse comentário. Passamos as horas seguintes falando besteira e jogando conversa fora. Infelizmente, elas tinham que sair. Algumas voltariam para casa, e outros iriam ao centro de escravos.
Cantamos o parabéns, cortamos o bolo e os convidados foram embora. Isso indicava que logo eu voltaria também.
Ajudei a minha mãe a arrumar tudo e fui ao meu quarto para poder sofrer de nostalgia.
O quarto estava do mesmo jeito que me lembro. Vi todos os meus livros na estante, minha escrivaninha e minha cama, onde eu deitava todas as noites e agradecia por ter mais um dia de liberdade. Com exceção de uma noite, quando fui comprada por Makoto, o travesseiro sabe o quanto chorei.
Joguei-me na cama e respirei fundo. Pensei em tudo o que passei. Foi ruim, mas poderia ter sido bem pior. Minhas amigas têm razão: tirei a sorte grande, consegui um bom dono.
Makoto entrou.
-Kazuko, hora de voltarmos.
Sabia que isso chegaria. Levantei. Ele continuou:
-Este era o seu quarto?
-Era!
-É bem a sua cara! - comentou com sorriso no rosto – Se quiser pegar algo para levar.
-Posso?
-Claro que pode. Estou te esperando lá em baixo.
Só peguei alguns livros que estava com vontade de ler de novo e os meus presentes. Despedi-me de mamãe.
-Tchau, mãe. Foi tão bom te ver.
-Também acho, filha. Feliz aniversário de novo e se cuide em, fiquei assustada com essa história da gravidez.
-Eu sei. Se eu pudesse conversar com você quando aconteceu. Mas o que podemos fazer, né, mãe? Eu não comando a minha vida.
-Adeus, Sra. Saiko.
-Tchau, Makoto. Foi um prazer te conhecer.
-Igualmente.
Abracei-a forte e entrei no carro. Makoto me perguntou no caminho se eu me diverti, respondi que sim. Cheguei a casa e estava organizando meus presentes no quarto. Logo, Makoto me interrompeu para o jantar que Keiko deixara pronto, pois foi embora mais cedo. Iria voltar ao que fazia, contudo Makoto pediu minha presença no quarto.
-O que foi, Makoto?
-Ainda estão faltando alguns presentes meus.
-Achei que a festa fosse o meu presente.
-Também. Só que tem mais coisa.
Eu me aproximei da escrivaninha dele e tinham três embrulhos. Um maior, um médio e um mais comprido, porém fino. Escolhi o maior primeiro. Era um computador portátil. Uma caixa que ser ligada projeta a imagem para frente e seus mecanismos de uso (mouse e teclado) são projetados do outro. Um computador holográfico. Abri um sorriso e agradeci. Fui ao próximo, de tamanho mediano. Este era um celular, tão fino e transparente quanto uma placa de vidro. Agradeci novamente e questionei:
-Para quê tudo isso, Makoto?
-Calma! Abra o terceiro presente.
Fiz o que ele disse e quase cai para trás. Era um documento. Seria uma carta de alforria? Não! Quando li melhor vi que era só para “liberdade diurna”. Havia uma espécie de identidade com uma foto minha.”
Isto foi o motivo que me fez chegar mais tarde em casa. É algo que existe, mas, como é raro, é bem complicado de fazer.
“-Liberdade diurna? O que significa isso?
-Quer dizer que pode sair daqui durante o dia. Passear, visitar seus parentes e o que mais quiser.
-Sério? - falei empolgada
Ele assentiu.
-Obrigada, Makoto. - abracei-o, mais feliz do que podia imaginar
Quando desvencilhei dele, ele estava sorrindo e me olhando nos olhos. Ficou parado por uns segundos, antes de se aproximar e me beijar. Exatamente isso: ele me beijou! Puxo-me para perto de seu corpo e eu correspondi aos movimentos dele instintivamente. Não sei o porquê!”
Esse beijo não estava no script. Foram os meus sentimentos por Kazuko já aparecendo.
“O momento que nos separamos foi uma troca de risos bobos e Makoto dizendo que faltava ainda mais uma coisa. Mandou-me deitar na cama e assim fiz.
Tirou apenas a parte de baixo das minhas roupas. Masturbou-me um pouco com os dedos. Pensei que ele arrancaria as calças e começar o que interessava, mas não. Ele dirigiu a cabeça para minhas partes íntimas e eu senti uma lambida em seguida. Não achei nojento, aquilo me excitou. Ele continuou fazendo. Lambia, sugada, mordiscava, explorava cada canto daquele lugar. Eu respondia com gemidos agudos que começavam a me secar a garganta.
O dedo voltou junto com a língua depois, o que aumentaram ainda mais os meus sons. Ele manteve o ritmo por alguns minutos, até que eu senti um calafrio subir na espinha e eu soltei o gemido mais forte que consegui. Makoto saiu com sorriso malicioso e comentou:
-Você gozou. Achei que tinha enferrujado nisso. Pode colocar sua roupas e voltar pro seu quarto.
-Makoto! - chamei-o – Vem! Faça isso comigo.
-Como é que é?
-Transa comigo!
Ele podia bem me ignorar, mas acho que os meus gemidos o excitaram. Penetrou e começou os movimentos de vai e vem, devagar e acelerando logo em seguida. Não tinha controle dos sons que emitia, eles apenas saíam, a cada estocada que Makoto dava. Eu devia estar mais sensível que o normal.
Após alguns minutos, ele finalmente gozou, deitou-se sobre mim, tentando recuperar o fôlego. Pude ouvi-lo sussurrar:
-Kazuko.
Sorri por dentro. É uma sensação boa quando dizem o seu nome nessa circunstância.
A atitude seguinte dele me impressionou. Levantou e me deu outro beijo, este que foi tão bom quanto o anterior. Dessa vez não teve nenhum riso. Ele me olhou sério, saiu de dentro de mim e se ajeitou, ficando de barriga para cima. Colocou a minha cabeça sob o seu peito, desejou-me boa noite e adormecemos.
Eu ainda estou tentando entender o porquê dos dois beijos. Admito que gostei! Só quero saber os reais motivos dele para tal.
Agora, tomarei meu banho matinal.”
Os motivos para tudo isso foram eu simplesmente querer ver Kazuko bem, ainda mais depois do que ocorrera. E também já estava me apaixonando por ela. Só não sabia disso ainda!

domingo, 3 de maio de 2015

Capítulo 3 - Nada mais do que a verdade

O  dia seguinte era um dia decisivo para Akemi, definiria o que ela  exatamente iria fazer e o que aconteceria por consequência de sua  gravidez.
Logo após o almoço chamou Tsuyoshi para ir a sua casa, enquanto a irmã dela foi tomar um banho.
Aiga Yoko tomou um susto quando voltou a sala e viu a irmã com um garoto.
-Akemi, o que significa isso?
-Nee-san, tenho algo importante para te contar. Melhor se sentar!
-Eu quero é saber quem é esse!
-Eu sou Washiyama Tsuyoshi, colega de classe da Aki-chan. - tratou-se de fazer a apresentação
-Com essa intimidade toda já? Obviamente vocês já fizeram o que estou pensando.
-Yoko, senta logo, por favor.
-Calma! - disse sentando-se diante deles - O que seria tão importante a ponto de te fazer ficar desse jeito?
-Veja isso primeiro. - e deu os exames que fez no dia anterior para Yoko – Eu fiz isso ontem!
-Uma ultrassonografia? Por quê? - então ela viu – Espera ai! Isso é um teste de gravidez, Aki? E positivo? Me explica isso!
-É sim um teste de gravidez. E sim, deu positivo. Eu estou grávida!
Alguns segundos de silêncio e a mais velha explodiu.
-Aiga  Akemi, o que eu vivo te falando e você não fez? Agora como vamos  resolver isso? Eu não faço ideia do que fazer com você! - bufou – Alias,  quem é o pai dessa criança?
A  adolescente começou a gaguejar uns “Eu... Eu...”, hesitando em  responder a pergunta, com medo da reação de Yoko a sua resposta.
-Eu sou o pai! - Tsuyoshi soltou, em tom firme, se levantando do sofá
-Pelo  menos arrumou alguém com responsabilidade para assumir o que fez. -  virou-se para o garoto – Mas, Washiyama-san, ainda sim terei que chamar  meus pais, para eles resolverem isso. Afinal, os dois são menores de  idade.
-Não, irmã, isso não! - Akemi disse
-Isso sim! Quero que eles vejam o quê a caçulinha deles aprontou.
E o celular do garoto tocou, era o irmão dele.
-Fala, Ken-chan!
-Cadê você? Estão fazendo um escândalo aqui do lado.
-É... - gaguejou – Eu estou aqui do lado.
-Quem é no telefone, garoto? - gritou Yoko
-Meu irmão.
-Me  dá isso aqui! - tomou da mão dele – Alô? Olha só, nós estamos com um  problema aqui e acho muito bom você vir ajudar o seu irmãozinho a  resolver a merda que ele fez.
-Como é que é? - falou o outro Washiyama
-Venha ao apartamento 407. Temos um assunto sério a conversar!
Cerca de uns segundos depois a campainha tocou. Tsuyoshi foi atender.
-O que você aprontou? - cochichou para o irmão
Kenichi tirou os sapatos, seguiu pelo pequeno corredor até chegar a sala, sendo seguido pelo outro.
-Me chamo Washiyama Kenichi. Yoroshiku onegai shimasu!¹
-Eu sou Aiga Yoko.
-E eu sou Aiga Akemi, sou colega de classe do Tsuyoshi-kun.
-Então, qual é o assunto? - disse cruzando os braços
-A minha irmã está grávida e o seu irmão afirmou que é o pai. Precisamos resolver isso!
-Nii-san, isso é verdade?
-É sim! O filho que a Aki-chan carrega em seu ventre é meu.
-Eu  quero saber como vamos resolver isso. - esbravejou Yoko – Ambos são  menores de idade e obviamente não tem noção dessa responsabilidade. O  melhor a fazer é o aborto e deixar essa história para lá, mas acho  chamar os meus pais.
-Eu  concordo com você. Deveríamos chamar nossos pais para eles decidirem o  que fazer. - Kenichi olhou para Akemi aos prantos – Só que a opinião da  sua irmã também prevalecerá nesse caso, afinal, ela será a maior  afetada. O que você quer fazer, Aiga-san? - falou ajoelhando-se na  altura dela
-Eu ainda não sei. - disse soluçando – Eu descobri isso ontem, o Tsuyoshi-kun me apoiou tanto.
-Eu  sei. Só dele estar aqui, sei que sua afirmação é verdade. - tentou  animá-la um pouco – Não acha que a presença dos seus pais não a ajudaria  a tomar a melhor decisão?
-Talvez sim, talvez não. Eu levaria um sermão primeiro!
-Pais dão sermões, é assim mesmo. Eles com certeza te apoiarão no que decidir.
-Eu espero que seja assim. - sorriu
-Então, o que faremos? - perguntou Yoko, de novo
-Chamar os seus e os meus pais. Assim, todos nós saberemos o que fazer tomando a melhor escolha possível.
-Vai chamar mesmo eles? - indagou Tsuyoshi
-Sim!  Melhor que estejam todos aqui. Até lá, só podemos esperar. - ele olhou  para Yoko – Avise-os para vir imediatamente, farei o mesmo.
-Certo! - ela assentiu
-Agora, com sua licença, eu e meu irmão retornaremos para casa.
Ambos fizeram a reverência e saíram. As duas irmãs ficaram sozinhas e Yoko soltou:
-Irmã,  ainda estou impressionada com você. Eu devia estar preparada para algo  do gênero, mas acabei sendo surpreendida. Que falta de responsabilidade!
-Não me acuse, Yoko. Pelo menos eu estou assumindo o que fiz.
-Pelo  menos o Washiyama-san veio aqui com você e assumiu a bronca junto  contigo. É difícil um garoto ser assim. Ele deve gostar muito de você,  Aki.
-Deve sim, Nee-san.
-Agora  deixa eu ligar para a Haha² e o Chichi³. Eles tem que vir aqui ainda  esta semana. - olhou para o alto e devaneiou – Até que o irmão dele é  bonito!
-Pare de ser tão atirada, Yoko.
-Só estou comentando. Olhar não faz mal!
Akemi  não evitou de soltar uma risada, depois foi para o seu quarto para  tentar estudar um pouco, caso o sono deixasse, enquanto sua irmã fazia a  ligação.
***
Os irmãos voltaram ao apartamento 406, o deles. Kenichi imediatamente questionou o irmão:
-Esse filho não é seu né?
-Eu já te disse que é sim. Esqueceu?
-Não  minta para mim. Você já falou da Akemi uma série de vezes e nem chegou a  se declarar para ela ainda. E em sã consciência você não a  engravidaria.
-Seu  senso de dedução é realmente impossível, Nii-san. - bufou – Mas, por  favor, que a sua “descoberta” fique em segredo. Eu prometi a Aki-chan  que iria ajudá-la.
-Eu espero que ela não esteja se aproveitando da sua boa vontade. Espero que ela não faça você quebrar a cara.
-Ela  não faria isso, pode ter certeza. Foi a única para quem ela conseguiu  pedir ajuda, quer dizer, teve que explicar o teste de gravidez que caiu  da bolsa dela.
-Como assim?
-Calma, eu te conto, mas é claro deve manter segredo disso também.
Tsuyoshi contou toda a história para Kenichi, que só conseguiu comentar no final:
-É, Tsu, você realmente gosta dessa garota.
-Alias, ligue para nossos pais conforme disse que faria.
-Sim, sim! Eu ainda quero me encontrar com a irmã dela algumas vezes.
Tsuyoshi só gargalhou alto.
***
Todos os parentes ficaram em choque com a notícia da gravidez de Akemi.
Os  pais de Akemi viajariam para Tóquio no dia seguinte. A viagem não seria  tão longa, eles moravam no distrito Chubu, que é vizinho de Kanto, onde  fica a cidade.
Os  pais de Tsuyoshi também decidiram pelo dia seguinte, só demorariam um  pouco mais para chegar, eles moravam no distrito de Shikoku, que era bem  mais distante.
As  famílias se reuniriam no apartamento de Yoko e Akemi para um jantar,  onde eles conversariam sobre o assunto. Assim que os irmãos mais velhos  combinaram quando se encontraram de novo, ao pegarem as correspondências  no térreo.
***
No  dia seguinte na escola, Akemi conversava com Naomi na hora do almoço,  em um dos locais a céu aberto e distante dos outros alunos.
-Percebi que você e o Tsuyoshi-kun estão bem mais próximos. Aconteceu algo entre vocês?
-Nada. Só viemos e voltamos alguns dias para casa juntos, ele é meu vizinho, não tem nada de errado nisso.
-Ele não se declarou?
-Não, Naomi. Por que ele faria isso? - indagou já sabendo da resposta
-Aki-chan, não precisa mentir para a Naomi-chan. - o garoto chegou – Afinal, ela é a sua melhor amiga.
-O que está querendo dizer com isso, Tsu-kun?
-A Aki-chan está esperando um filho meu.
Akemi depressa, tampou a boca dele.
-Não fique dizendo essas coisas aos sete ventos, Tsuyoshi-kun. Alguém pode ouvir. Ainda nem sabemos se levarei isso até o fim.
-Você está mesmo grávida, Aki?
-Sim! - falou cabisbaixa
-E  não é seu Tsu-kun. - falou baixo – Porque eu sei que vocês não tem  nada. Sou a pessoa mais próxima de ambos. Alias, por que não me contou  logo, Aki?
-Eu fiquei com medo e o Tsuyoshi-kun descobriu antes que todo mundo. A história é extensa!
Os dois contaram a história a amiga.
-Quando os pais de vocês chegam?
-No máximo, amanhã.
-Boa  sorte! Apoiarei-os independente da decisão. Inclusive, - se levantou –  Tsu-kun, você pulou uma etapa do processo. Vou deixá-los sozinhos para  que ela se cumpra.
Era a declaração que o rapaz não tinha feito no dia que se encontraram no prédio, quando Akemi deixara o teste cair da bolsa.
-Essa Naomi-chan. - riu e sentou-se do lado dela.
-O que tem para me falar, Tsuyoshi-kun?
-Ore  wa... Ore wa... Suki dakara, Aki-chan. - Ela sorriu e se permitiu  chorar – E já tem bastante tempo. Foi por isso que eu fiz o que fiz  quando você chorou desesperadamente e sem um rumo a tomar.
-Tsuyoshi-kun...  - apertou as mãos na saia colegial – Eu espero poder corresponder os  seus sentimentos um dia. Eu também gosto de você, mas só como amigo. -  ela olhou para ele com vergonha – Desculpa! - abaixou a cabeça
O  garoto pegou na mão dela, essa atitude normalmente seria rejeitada, mas  com a confiança que conquistara com ela nos últimos dias, ela permitiu.
-Você só está sendo sincera comigo. Não precisa me pedir desculpas.
-Eu fico com um peso na consciência, porque você me ajudou tanto. Eu realmente queria retribuir o que está fazendo por mim.
Tsuyoshi se ajoelhou diante de Akemi, sem soltar a mão que segurava, e levantando o queixo, falou olhando nos olhos da menina.
-Não  quero que retribua. Eu estarei aqui com você, do seu lado. Estarei do  seu lado até o fim disso, seja ele um aborto ou um parto. Afinal, eu sou  o pai do seu filho, lembra?
-Sim, Tsuyoshi-kun. Você é!
Eles  se olharam, um sorrindo para o outro. Akemi sabia que poderia contar  mesmo com o Tsuyoshi para qualquer coisa. Ela achava que ele era muito  para ela e só conseguia pensar em como equivaler o que ele fazia por ela  naquele momento. Por enquanto, ela só se satisfazia em ter a companhia  dele.
Naomi assistiu a cena do segundo andar e não evitou de se emocionar também.
O  sinal tocou, indicando o final do horário de almoço. Tsu enxugou as  lágrimas de Aki e eles voltaram para a sala juntos. Os próximos dias dos  dois seriam bastante agitados.

Notas/Glossário:

1- A expressão significa “Prazer em te conhecer”, pelo menos nesse caso.

2- Haha: Mamãe

3- Chichi: Papai

4- Ore wa suki dakara: Eu te amo, no sentindo de apenas estar apaixonado.
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