O dia seguinte era um dia decisivo para Akemi, definiria o que ela exatamente iria fazer e o que aconteceria por consequência de sua gravidez.
Logo após o almoço chamou Tsuyoshi para ir a sua casa, enquanto a irmã dela foi tomar um banho.
Aiga Yoko tomou um susto quando voltou a sala e viu a irmã com um garoto.
-Akemi, o que significa isso?
-Nee-san, tenho algo importante para te contar. Melhor se sentar!
-Eu quero é saber quem é esse!
-Eu sou Washiyama Tsuyoshi, colega de classe da Aki-chan. - tratou-se de fazer a apresentação
-Com essa intimidade toda já? Obviamente vocês já fizeram o que estou pensando.
-Yoko, senta logo, por favor.
-Calma! - disse sentando-se diante deles - O que seria tão importante a ponto de te fazer ficar desse jeito?
-Veja isso primeiro. - e deu os exames que fez no dia anterior para Yoko – Eu fiz isso ontem!
-Uma ultrassonografia? Por quê? - então ela viu – Espera ai! Isso é um teste de gravidez, Aki? E positivo? Me explica isso!
-É sim um teste de gravidez. E sim, deu positivo. Eu estou grávida!
Alguns segundos de silêncio e a mais velha explodiu.
-Aiga Akemi, o que eu vivo te falando e você não fez? Agora como vamos resolver isso? Eu não faço ideia do que fazer com você! - bufou – Alias, quem é o pai dessa criança?
A adolescente começou a gaguejar uns “Eu... Eu...”, hesitando em responder a pergunta, com medo da reação de Yoko a sua resposta.
-Eu sou o pai! - Tsuyoshi soltou, em tom firme, se levantando do sofá
-Pelo menos arrumou alguém com responsabilidade para assumir o que fez. - virou-se para o garoto – Mas, Washiyama-san, ainda sim terei que chamar meus pais, para eles resolverem isso. Afinal, os dois são menores de idade.
-Não, irmã, isso não! - Akemi disse
-Isso sim! Quero que eles vejam o quê a caçulinha deles aprontou.
E o celular do garoto tocou, era o irmão dele.
-Fala, Ken-chan!
-Cadê você? Estão fazendo um escândalo aqui do lado.
-É... - gaguejou – Eu estou aqui do lado.
-Quem é no telefone, garoto? - gritou Yoko
-Meu irmão.
-Me dá isso aqui! - tomou da mão dele – Alô? Olha só, nós estamos com um problema aqui e acho muito bom você vir ajudar o seu irmãozinho a resolver a merda que ele fez.
-Como é que é? - falou o outro Washiyama
-Venha ao apartamento 407. Temos um assunto sério a conversar!
Cerca de uns segundos depois a campainha tocou. Tsuyoshi foi atender.
-O que você aprontou? - cochichou para o irmão
Kenichi tirou os sapatos, seguiu pelo pequeno corredor até chegar a sala, sendo seguido pelo outro.
-Me chamo Washiyama Kenichi. Yoroshiku onegai shimasu!¹
-Eu sou Aiga Yoko.
-E eu sou Aiga Akemi, sou colega de classe do Tsuyoshi-kun.
-Então, qual é o assunto? - disse cruzando os braços
-A minha irmã está grávida e o seu irmão afirmou que é o pai. Precisamos resolver isso!
-Nii-san, isso é verdade?
-É sim! O filho que a Aki-chan carrega em seu ventre é meu.
-Eu quero saber como vamos resolver isso. - esbravejou Yoko – Ambos são menores de idade e obviamente não tem noção dessa responsabilidade. O melhor a fazer é o aborto e deixar essa história para lá, mas acho chamar os meus pais.
-Eu concordo com você. Deveríamos chamar nossos pais para eles decidirem o que fazer. - Kenichi olhou para Akemi aos prantos – Só que a opinião da sua irmã também prevalecerá nesse caso, afinal, ela será a maior afetada. O que você quer fazer, Aiga-san? - falou ajoelhando-se na altura dela
-Eu ainda não sei. - disse soluçando – Eu descobri isso ontem, o Tsuyoshi-kun me apoiou tanto.
-Eu sei. Só dele estar aqui, sei que sua afirmação é verdade. - tentou animá-la um pouco – Não acha que a presença dos seus pais não a ajudaria a tomar a melhor decisão?
-Talvez sim, talvez não. Eu levaria um sermão primeiro!
-Pais dão sermões, é assim mesmo. Eles com certeza te apoiarão no que decidir.
-Eu espero que seja assim. - sorriu
-Então, o que faremos? - perguntou Yoko, de novo
-Chamar os seus e os meus pais. Assim, todos nós saberemos o que fazer tomando a melhor escolha possível.
-Vai chamar mesmo eles? - indagou Tsuyoshi
-Sim! Melhor que estejam todos aqui. Até lá, só podemos esperar. - ele olhou para Yoko – Avise-os para vir imediatamente, farei o mesmo.
-Certo! - ela assentiu
-Agora, com sua licença, eu e meu irmão retornaremos para casa.
Ambos fizeram a reverência e saíram. As duas irmãs ficaram sozinhas e Yoko soltou:
-Irmã, ainda estou impressionada com você. Eu devia estar preparada para algo do gênero, mas acabei sendo surpreendida. Que falta de responsabilidade!
-Não me acuse, Yoko. Pelo menos eu estou assumindo o que fiz.
-Pelo menos o Washiyama-san veio aqui com você e assumiu a bronca junto contigo. É difícil um garoto ser assim. Ele deve gostar muito de você, Aki.
-Deve sim, Nee-san.
-Agora deixa eu ligar para a Haha² e o Chichi³. Eles tem que vir aqui ainda esta semana. - olhou para o alto e devaneiou – Até que o irmão dele é bonito!
-Pare de ser tão atirada, Yoko.
-Só estou comentando. Olhar não faz mal!
Akemi não evitou de soltar uma risada, depois foi para o seu quarto para tentar estudar um pouco, caso o sono deixasse, enquanto sua irmã fazia a ligação.
***
Os irmãos voltaram ao apartamento 406, o deles. Kenichi imediatamente questionou o irmão:
-Esse filho não é seu né?
-Eu já te disse que é sim. Esqueceu?
-Não minta para mim. Você já falou da Akemi uma série de vezes e nem chegou a se declarar para ela ainda. E em sã consciência você não a engravidaria.
-Seu senso de dedução é realmente impossível, Nii-san. - bufou – Mas, por favor, que a sua “descoberta” fique em segredo. Eu prometi a Aki-chan que iria ajudá-la.
-Eu espero que ela não esteja se aproveitando da sua boa vontade. Espero que ela não faça você quebrar a cara.
-Ela não faria isso, pode ter certeza. Foi a única para quem ela conseguiu pedir ajuda, quer dizer, teve que explicar o teste de gravidez que caiu da bolsa dela.
-Como assim?
-Calma, eu te conto, mas é claro deve manter segredo disso também.
Tsuyoshi contou toda a história para Kenichi, que só conseguiu comentar no final:
-É, Tsu, você realmente gosta dessa garota.
-Alias, ligue para nossos pais conforme disse que faria.
-Sim, sim! Eu ainda quero me encontrar com a irmã dela algumas vezes.
Tsuyoshi só gargalhou alto.
***
Todos os parentes ficaram em choque com a notícia da gravidez de Akemi.
Os pais de Akemi viajariam para Tóquio no dia seguinte. A viagem não seria tão longa, eles moravam no distrito Chubu, que é vizinho de Kanto, onde fica a cidade.
Os pais de Tsuyoshi também decidiram pelo dia seguinte, só demorariam um pouco mais para chegar, eles moravam no distrito de Shikoku, que era bem mais distante.
As famílias se reuniriam no apartamento de Yoko e Akemi para um jantar, onde eles conversariam sobre o assunto. Assim que os irmãos mais velhos combinaram quando se encontraram de novo, ao pegarem as correspondências no térreo.
***
No dia seguinte na escola, Akemi conversava com Naomi na hora do almoço, em um dos locais a céu aberto e distante dos outros alunos.
-Percebi que você e o Tsuyoshi-kun estão bem mais próximos. Aconteceu algo entre vocês?
-Nada. Só viemos e voltamos alguns dias para casa juntos, ele é meu vizinho, não tem nada de errado nisso.
-Ele não se declarou?
-Não, Naomi. Por que ele faria isso? - indagou já sabendo da resposta
-Aki-chan, não precisa mentir para a Naomi-chan. - o garoto chegou – Afinal, ela é a sua melhor amiga.
-O que está querendo dizer com isso, Tsu-kun?
-A Aki-chan está esperando um filho meu.
Akemi depressa, tampou a boca dele.
-Não fique dizendo essas coisas aos sete ventos, Tsuyoshi-kun. Alguém pode ouvir. Ainda nem sabemos se levarei isso até o fim.
-Você está mesmo grávida, Aki?
-Sim! - falou cabisbaixa
-E não é seu Tsu-kun. - falou baixo – Porque eu sei que vocês não tem nada. Sou a pessoa mais próxima de ambos. Alias, por que não me contou logo, Aki?
-Eu fiquei com medo e o Tsuyoshi-kun descobriu antes que todo mundo. A história é extensa!
Os dois contaram a história a amiga.
-Quando os pais de vocês chegam?
-No máximo, amanhã.
-Boa sorte! Apoiarei-os independente da decisão. Inclusive, - se levantou – Tsu-kun, você pulou uma etapa do processo. Vou deixá-los sozinhos para que ela se cumpra.
Era a declaração que o rapaz não tinha feito no dia que se encontraram no prédio, quando Akemi deixara o teste cair da bolsa.
-Essa Naomi-chan. - riu e sentou-se do lado dela.
-O que tem para me falar, Tsuyoshi-kun?
-Ore wa... Ore wa... Suki dakara, Aki-chan. - Ela sorriu e se permitiu chorar – E já tem bastante tempo. Foi por isso que eu fiz o que fiz quando você chorou desesperadamente e sem um rumo a tomar.
-Tsuyoshi-kun... - apertou as mãos na saia colegial – Eu espero poder corresponder os seus sentimentos um dia. Eu também gosto de você, mas só como amigo. - ela olhou para ele com vergonha – Desculpa! - abaixou a cabeça
O garoto pegou na mão dela, essa atitude normalmente seria rejeitada, mas com a confiança que conquistara com ela nos últimos dias, ela permitiu.
-Você só está sendo sincera comigo. Não precisa me pedir desculpas.
-Eu fico com um peso na consciência, porque você me ajudou tanto. Eu realmente queria retribuir o que está fazendo por mim.
Tsuyoshi se ajoelhou diante de Akemi, sem soltar a mão que segurava, e levantando o queixo, falou olhando nos olhos da menina.
-Não quero que retribua. Eu estarei aqui com você, do seu lado. Estarei do seu lado até o fim disso, seja ele um aborto ou um parto. Afinal, eu sou o pai do seu filho, lembra?
-Sim, Tsuyoshi-kun. Você é!
Eles se olharam, um sorrindo para o outro. Akemi sabia que poderia contar mesmo com o Tsuyoshi para qualquer coisa. Ela achava que ele era muito para ela e só conseguia pensar em como equivaler o que ele fazia por ela naquele momento. Por enquanto, ela só se satisfazia em ter a companhia dele.
Naomi assistiu a cena do segundo andar e não evitou de se emocionar também.
O sinal tocou, indicando o final do horário de almoço. Tsu enxugou as lágrimas de Aki e eles voltaram para a sala juntos. Os próximos dias dos dois seriam bastante agitados.
Notas/Glossário:
1- A expressão significa “Prazer em te conhecer”, pelo menos nesse caso.
2- Haha: Mamãe
3- Chichi: Papai
4- Ore wa suki dakara: Eu te amo, no sentindo de apenas estar apaixonado.
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domingo, 3 de maio de 2015
sexta-feira, 13 de março de 2015
Capítulo 2 – Apoio necessário
Obs: Tem algumas palavras que tem o glossário lá no final do capítulo.
Tsuyoshi
conduziu Akemi até o sofá, onde ela se sentou. O garoto foi buscar
um copo de água para ajudá-la a se acalmar.
-Aki-chan,
me conta esta história direito e com mais detalhes.
-Eu
sai no mês passado com o Hayama Takeshi da 3-C. Nos divertimos no
karaokê e fomos ao motel depois, até usamos camisinha. Mas, eu
comecei a me sentir muito mal essa semana e pensei que podia ser uma
gravidez. Estava com uma pulga atrás da orelha! Fiz o teste só para
tirar essa preocupação, só que... - não completou a frase,
apertou o copo de vidro de leve
-Só
fez este teste de hoje de manhã?
-Só
ele!
-Por
que não faz outro? Este pode ter dado errado.
-Pode
ser. Tem mais uma dessas coisas na caixa, no mesmo lugar onde estava
esse.
-De
onde tirou a chave? - ela só assentiu, ele pegou e entregou-a –
Aqui.
O
rapaz indicou onde ficava o banheiro. Akemi repetiu o processo que
fez de manhã e saiu em seguida.
-Temos
que esperar cinco minutos. - afirmou receosa
Os
dois ficaram o tempo todo sem trocar uma palavra. Akemi se sentou
novamente e tentou se distrair olhando para o teto. Tsuyoshi falou:
-Duas
listras querem dizer o quê?
-Positivo!
- respondeu parando ao lado dele
-Então,
deram duas listras... E de novo pelo visto!
Aiga
não disse nada, só começou a chorar. Depressa, Washiyama
abraçou-a, oferecendo-a um ombro para chorar. Ela ficou um tempo
assim até se acalmar. O garoto disse depois:
-Aki-chan,
eu disse que vou te ajudar com isso. Olha para mim! - ela o fez –
Eu tenho uma prima que trabalha numa clínica aqui perto e é no
caminho se sairmos da escola. Quer que eu ligue para ela e
confirmamos essa gravidez e você decide o que fazer?
-Sim!
É melhor resolver isto logo!
O
menino ligou para a prima naquele instante. Ela era ginecologista e
trabalhava lá. Ele explicou a história pulando muitos detalhes,
apenas usou as palavras amiga e grávida. Ele conseguiu marcar para o
dia seguinte, logo após a aula deles no dia seguinte, um sábado.
-Pronto!
- afirmou ao final da ligação
-Tsuyoshi-kun...
Estou tão nervosa.
-Eu
imagino. Mas olha, eu irei com você amanhã está bem? Estarei lá
com você.
-Obrigada!
- ela sorriu entre as lágrimas
Ele
respondeu com um leve sorriso no canto da boca e completou:
-Agora,
é hora de você ir para casa. - pegou os testes sobre a bancada –
E leve isso com você.
-Acho
melhor não! Minha irmã poderia ver.
-O
meu irmão poderia ver e seria mais estranho para mim do que para
você. - ele riu antecipadamente – Sem Mpreg, obrigado!
Os
dois riram. Realmente fora um comentário engraçado. Tsuyoshi-kun
levou-a até o seu apartamento.
-Fique
bem, Aki-chan. Qualquer coisa, você tem o meu número.
Ela
assentiu e entrou. Suspirou desesperada. Teria resposta para o que
queria no dia seguinte.
A
certeza já estava em seu coração, mas a razão precisava tomar um
choque para ela acreditar no que aconteceu.
Passou
o resto da tarde e boa parte da noite sozinha, sua irmã chegara bem
tarde como na maioria dos dias.
-Aki,
ainda acordada? Você tem aula cedo amanhã.
-Sei
disso! Só vou terminar de assistir ao programa e já vou deitar.
-E
como foi a aula hoje? - perguntando, sentando-se ao lado dela no sofá
-Foi
normal, como sempre! Ainda estou num período importante de estudos.
-E
fico feliz de ver que está se dedicando, ao invés de sair com
garotos todos os dias.
-As
vezes isso enjoa um pouco, irmã. São apenas diversões temporárias.
-Se
sabe disso, porque ainda faz.
-Sei
lá! Acho que só para não ficar deslocada.
-Esse
é o mal da sua idade: Ser aceito. Quando se envelhece um pouco mais
é que se percebe o quão bom é ser diferente e não se deixar levar
pela maioria. - ela sorriu, nostálgica – Ai você vai perceber
quanto tempo perdeu tentando se encaixar quando simplesmente podia
ser você mesma.
-Espero
um dia entender isso, Onne-chan¹.
***
E o
irmão de Tsuyoshi, Kenichi, chegou em casa do trabalho. Assim como a
vizinha e paixonite, ele morava com o irmão que se mudara para
Tóquio a trabalho. E seus pais continuaram na cidade natal.
E o
garoto teve uma surpresa com Akemi naquele dia. Ele queria se
declarar para ela, mas acabou se envolvendo em algo que era pessoal
demais para ela. Por seu amor a garota resolveu ajudá-la. Porém,
além deste ponto não sabia o que iria fazer. Só não queria vê-la
sofrer, por isso oferece uma mão a ela. Era algo muito complicado
para se calcular o que poderia acontecer e isso transparecia em seu
rosto, tanto, que seu irmão indagou:
-Parece
preocupado. O que houve?
-Nada.
Só preocupado... Com a escola.
-Muitas
provas?
-E
muita matéria, Nii-san².
-Pelo
menos você não tem mais nada com o que se preocupar.
-Sim,
tem razão. - e mentiu mentalmente
***
E o
dia seguinte, sábado, chegou. As aulas começavam na mesma hora de
todos os outros dias e iam até o meio-dia, era uma tortura estudar
seis na semana, mas os alunos já estavam acostumados.
O
relógio e o sinal da escola bateram meio-dia. Os alunos começaram a
sair.
Akemi
e Tsuyoshi tinham combinado de se encontrar algumas esquinas depois
da escola, tudo isso para evitar comentários.
A
garota foi na frente e ficou esperando-o. Poucos minutos depois ele
apareceu.
-Vamos,
Aki-chan?
-Sim,
Tsuyoshi-kun.
Caminharam
por mais alguns minutos até chegar a clínica.
O
rapaz cuidou de toda a entrada dela por lá. Eles preencheram uma
ficha com as informações dela e ficaram aguardando. Então, ela
finalmente foi chamada e eles entraram no consultório.
-Boa
tarde, Aiga-san e Tsu-kun.
-Boa
tarde, Sanako-chan.
-Essa
é a amiga a que se referiu no telefone?
-Ela
mesmo!
-Aiga
Akemi é um prazer. Sou a Dra. Yamamura Sanako. E qual o problema?
A
menina ficou pouco receosa de responder, olhou para o garoto que lhe
deu uma pequena dose de coragem para falar.
-A
minha menstruação está atrasada tem umas duas semanas. Também
estou sentindo uns enjoos, até fiz um teste de gravidez... Dois...
Que deram positivo.
-Entendi.
Bem, pode ir para aquele lado de sala, tire sua roupa e vista o
avental que eu vou te examinar.
Enquanto
a menina estava fora da visão dela por apenas uma divisória que
havia no ambiente, Sanako cochichou com o primo:
-Ela
é só sua amiga mesmo?
-Sim.
-Tem
certeza? Tem cara de ter você no bebê também.
-Não...
Eu só gosto dela e... Quis ajudá-la. - ele bufou – Não estou
mentindo.
-Vou
acreditar em você. - e falou com Akemi – Já se trocou, Aiga-san?
-Sim!
-Estou
indo... - olhou pro primo – E você fique aqui!
A
ginecologista abriu o avental e examinou a paciente por fora, só por
rotina. Depois pegou um ultrassom interno.
-Para
quê isso? - Akemi perguntou
-Para
ver se há um bebê ai.
-Mas
comprido assim, nunca vi nenhum assim.
-Este
é interno, colocarei dentro do seu canal vaginal. Abra as pernas!
Colocou
gel na ponta daquilo e começou o exame. Mexeu um pouco para lá e
para cá e finalmente conseguiu ver algo.
-Ora,
ora! O quê temos aqui? - apertou um botão na máquina para tirar
fotos – Meus parabéns, você está grávida!
E
foi assim que o choque chegou e de vez. Ela olhou para a tela, que
foi virada para ela e não sabia o que pensar. Um desespero tomou
conta dela. Ela pensava no que faria.
A
médica tirou o ultrassom de dentro dela e pediu que se vestisse de
novo e voltou a companhia do parente.
-E
ai?
-Temos
um resultado positivo. Aiga-san está grávida!
E
ela começou a pegar e preencher alguns papéis, até que Akemi
retornou e se sentou na cadeira vazia, quieta.
-Bem,
nós temos um assunto sério aqui. - Sanako se pronunciou – Você
deve decidir se vai prosseguir com a gravidez ou se vai abortar. Mas
não precisa responder agora, precisará de um tempo para pensar.
Tenho certeza que foi uma notícia forte para você. - e mostrou os
papéis – Estes aqui são para você pegar os documentos
necessários para a sua gravidez: A cartilha e o chaveiro³. E este
outro é para autorizar o aborto, como você é menor de idade
precisa de alguém responsável para assiná-la. Preencha o que você
for usar.
-Ok!
E outra coisa, Yamamura-san, se for fazer o aborto terei que marcar
também?
-Sim!
Mas você sabe do que um aborto poderá fazer no seu corpo não é?
-Não
faço ideia.
-Bem,
ele vai prejudicar o seu corpo um pouco e pode ser que no futuro
tenha dificuldades para engravidar. E quanto mais demorar a fazer, o
feto estará maior e mais prejudicial será.
-Entendo!
- ela disse, cabisbaixa
-Bem,
é só isso. - completou a doutora – Quando decidir é só ligar
para cá e marcar. - estendeu um cartão
-Claro!
Obrigada!
Assim,
eles saíram. Tsuyoshi acompanhou Akemi para casa. Durante o caminho
seguiram em silêncio. A menina não esboçava nenhuma reação desde
que saiu de trás daquela divisória no consultório.
Eles
finalmente chegaram ao prédio. Subiram até o andar deles e o garoto
resolveu falar quando chegaram as portas, uma ao lado da outra:
-Aki-chan,
tá tudo bem mesmo? Você não falou nada e continua com a essa cara
indiferente desde que saímos de lá.
Ela
estava de costas para ele, não queria demonstrar o que se passava
por sua cabeça. A sua indecisão. O seu medo. Tinha conseguido
manter tudo guardado e lhe torturando por dentro, até aquele
momento.
Permitiu
que as primeiras lágrimas caíssem, silenciosas. Continuou virada de
costas para ele.
O
rapaz, ansioso por uma resposta, virou-a para si e não precisou
ouvir uma palavra dela, teve a resposta que queria. Depressa, colocou
Akemi entre os seus braços e lhe ofereceu novamente o ombro como
consolo. E também, não disse mais nada.
Passados
alguns minutos, ele falou:
-Vem,
Aki-chan. Eu não vou deixar você sozinha.
Pegou
a chave do apartamento dela e entraram. A garota se arrastou até o
sofá. Não parava de chorar. Ele se pronunciou e pegou um copo de
água para ela.
-Tsuyoshi-kun,
o que eu vou fazer? - perguntou pegando o copo
-Você
que tem que decidir, Aki-chan. Mas, primeiro, tem que contar isso a
sua irmã.
-Sim.
Esse é o problema! Eu vou levar um sermão dela. E se bobear, ela
chama os meus pais aqui.
-Mesmo
se for para o aborto? Precisa disso tudo por parte dela mesmo?
-Eu
conheço a minha irmã. Ela ficava me dando conselhos quanto a tomar
cuidado e olha o que houve... Tsuyoshi-kun, eu quero morrer!
-Por
que ia querer morrer? Eu não sei o que seria de mim sem você. - ele
soltou sem pensar e acabou fazendo uma careta
-O
que quer dizer com isso, Tsuyoshi-kun? - ela questionou
-Não
é nada, Aki-chan! Eu... Eu...
-Você
gosta de mim? - sorriu de leve e chorou um pouco mais – Apesar de
eu ser quem sou?
-E o
que você seria, Aki-chan, além de uma menina normal?
-Uma
pessoa irresponsável e a mais falada do colégio.
-Eu
não vejo isso. Vejo uma garota diferente das outras, que veio de uma
cidade pequena e começou a estudar em Tóquio e tem a mesma melhor
amiga desde sempre. - falou pegando na mão dela
-Não
precisa falar essas coisas para me consolar. Isso não vai mudar o
fato de que tem um bebê aqui. - e colocou a mão na barriga – E eu
tenho que resolver! Não vejo outra opção a não ser falar com a
minha irmã... Mas ainda assim estou com medo.
-Se
você quiser eu posso ficar ao seu lado enquanto fala com a sua irmã.
-Se
fizer isso ela vai pensar que o filho é seu e não é.
-Eu
não ligo para isso! Na verdade, não vejo problema em ter um filho
com a Aki-chan.
-O
quê? O que você está dizendo? - ela soluçou
-Caso
queira ficar com esse bebê, eu serei o pai dele.
-Tsuyoshi-kun...
- ela olhou para ele – Obrigada! Você gosta mesmo de mim, não é?
-Sim,
mais do que imagina.
-Então
precisarei de você do meu lado quando for contar sobre o bebê a
minha irmã amanhã.
-Estarei
aqui! Só me chamar.
-Agora
você tem que ir. Daqui a pouco ela chega e eu preciso me recompôr.
-Está
bem, Aki-chan. Eu te vejo amanhã.
A
garota levou-o até a porta e agradeceu a ele mais uma vez.
O
dia seguinte seria muito importante para ambos. Tsuyoshi acabou se
envolvendo naquilo mais do que queria, mas para ele tudo valia por
seu amor a Akemi. E se necessário fosse, ele levaria a mentira de
ser o pai da criança até o fim.
Glossário:
1-
Onne-chan: Irmã mais velha. É como um “maninha” para nós.
2-
Nii-san: Irmão mais velho.
3-
No Japão, eles dão a cartilha para acompanhar o pré-natal. O
chaveiro é para as pessoas identificarem as grávidas no transporte
público. É um chaveiro escrito: “Na minha barriga tem um bebê”.
(Vi no canal da Lidy Soto no Youtube)
Capítulo 1 – Noite de diversão com uma consequência
Aiga Akemi, aluna do 2º ano do colégio Shigeko, sai de mais um dia
da escola acompanhada de um rapaz de outra classe, como na maioria
das vezes acontece. Eles estão junto a um grupo que vai se divertir
a noite. O rapaz em questão era Hamaya Takeshi, do 3º ano.
-Pronta para se divertir hoje, Aiga-san? - ele perguntou
-Claro que sim, Hayama-kun. Adoro karaokê!
Eles pegaram um metrô com o resto do grupo e chegaram ao lugar.
Escolheram uma das salas e começaram a se divertir. Passaram horas e
mais horas desafinando no karaokê.
Akemi e Takeshi trocavam muitos olhares, fossem eles de desejo ou de
provocação. Com certeza, aconteceria algo mais tarde.
E
foi exatamente assim! O grupo se dispersou. Alguns voltaram para
casa, outros foram passear pelas ruas, enquanto a garota se
encontrava na rua dos motéis com Takeshi. Escolheram um de preço
mediano e que tinha uma cara de ser decente, e era mesmo.
Escolheram
um quarto, pagaram e subiram. Eles não trocaram uma palavra até
estarem totalmente a sós no quarto. Takeshi então falou:
-Tem
meses que estou louco para ficar com você.
-Eu
sei disso. Alias, toda a escola quer ficar comigo. - ela falou
sorrindo - Sabe, já vim a motéis várias vezes, mas eu sempre fico
com um pouco de vergonha.
-Não
precisa disso. Você é tão bonita!
Essa
frase foi seguida de um beijo e mais outro e mais outro. Até que os
dois foram parar na cama.
As
peças de roupas foram tiradas uma a uma e ficaram apenas de roupa
íntima.
Takeshi
saiu de cima da garota e arrancou e mostrou o seu membro duro para
ela.
-Você
tem que resolver isso aqui!
-É
só vir. - falou abrindo as pernas
-Nada
disso! Com a boca.
Akemi
estava acostumada a aquele tipo de pedido, mas mesmo assim não
gostava deles. Levantou da cama, parou ajoelhada diante dele e com
vontade colocou a boca naquilo e fez o que sabia. Engoliu, chupou,
fez sucção. Tudo isso foi acompanhado de gemidos baixos vindos do
rapaz.
Em
certo momento ele puxou-a pelos cabelos para longe.
-Eu
não tô aguentando mais.
Akemi
entendeu o recado e voltou para a cama. O garoto pegou algumas
camisinhas na mochila, abriu uma e colocou. Foi para cima da menina
de novo e rolou mais uns amassos. Ele fez umas preliminares bem
básicas na garota, o que a deixou um bocado insatisfeita, porém ela
não manifestou. Depois, ela sentiu o membro do garoto penetrando-a e
ele começou a fazer movimentos de vai-vem. Como estava muito
excitado, não demorou para gozar.
Fizeram
mais três vezes na sequência, em posições diferentes cada uma e
com proteção. Contudo, uma dessas proteções não funcionou como
deveria.
Tomaram
um banho juntos e saíram. Despediram-se na entrada no motel.
-Foi
ótimo, Aiga-san.
-Eu
também gostei, Hayama-san. - sorriu – Nos vemos amanhã na escola
então?
-Claro!
E também, vou querer sair com você mais vezes.
-Eu
também!
-Até
logo!
-Até!
Fizeram
a reverência e cada um foi para um lado. Akemi pegou o metrô de
volta para casa.
Desceu
na estação próxima de onde morava. Andou até o seu prédio, pegou
o elevador e foi ao apartamento. Entrou e viu que sua irmã já havia
chegado.
-Por
que chegou tão tarde de novo, irmã?
-Eu
estava com um garoto, Yoko.
-Você
tem parar com isso de ficar saindo com um monte de caras, isso vai
acabar te dando algum problema, como um filho.
-Yoko,
eu me protejo. Sempre!
-Mas
camisinhas são uma coisa de plástico tão frágil que arrebentava
fácil. Elas não são 100% seguras.
-Também
sei disso. Irmã, eu sei me cuidar. Não se preocupe!
-Queria
ver se fosse mamãe e papai ouvindo essa conversa. Eles te dariam uma
bela surra, assim como as que eu tomei.
-Vai
querer metê-los nisso de novo?
-Vou
sim. Você está soltinha desse jeito porque veio morar comigo.
-E o
que tem errado em sair? Você faz a mesma coisa.
-Mas
eu já sou uma mulher adulta e sou dona do meu próprio nariz.
-Então,
segundo a sua lógica faltam 4 anos para eu ser dona do meu nariz.
Mas, eu já me sinto dona de mim mesma.
-Pare
com essa bobeira. Você só tem 16 anos, Akemi.
-Fica
falando de mim, mas na minha idade fazia a mesma coisa. - falou faca
a face com a irmã
Yoko
fez um som de desdém.
-Quer
saber, se acontecer alguma coisa, vai ser problema seu.
-Ótimo!
A
conversa acabou ali. Akemi foi seu quarto trocar de roupa para o
jantar.
***
Aiga
Akemi morava em uma cidade pequena com a família, constituída de
pai, mãe e uma irmã mais velha.
Quando
a irmã se formou conseguiu um emprego na cidade de Tóquio e Akemi
implorou aos pais que a deixassem se mudar junto com a irmã. Ela
queria ter uma experiência diferente no ensino médio. Por sorte, a
família de sua melhor amiga, Shinkawa Naomi, também estava de
mudança para lá. Então, foi um passo a mais para convencer os pais
a deixá-la viver com irmã.
Akemi
ingressou no ensino médio junto com a amiga, porém elas ficaram em
classes diferentes no 1º ano. Apenas no segundo ficaram juntas, e
também Akemi conheceu o novo amigo de Naomi, Washiyama
Tsuyoshi.
No ensino médio, Akemi deixou sua sexualidade aflorar e a distância
dos pais a deixou mais livre para soltar o seu líbido. Perdeu a
timidez, saiu com muitos garotos, perdeu a virgindade e passou a ser
uma garota livre, decidida e experiente com esse tipo de coisa. Por
conta disso, ela se tornou uma das garotas mais populares, todas
queriam ser como ela, mas não tinham coragem.
***
Passou-se
pouco mais de um mês desde então e Akemi não saiu com mais ninguém
nesse período, pois eles estavam em uma época de estudos
importante. Era mais um início de semana e Akemi mal tomou café da
manhã direito, ela acordou passando mal.
Ela
estava a caminho da escola com sua melhor amiga, Shinkawa Naomi, e o
amigo dela, Washiyama
Tsuyoshi. Eles perceberam a cara dela.
-Aki-chan, o que está acontecendo? Sua cara tá me preocupando. -
perguntou a amiga
-Acordei enjoada, não consegui comer. Espero que logo passe.
Mas
aquilo não passou, nem naquele dia e nem nos seguintes. A garota
começou a ficar preocupada, eram todos esses sintomas e a
menstruação atrasada. Todos ao seu redor estavam preocupados, mas
ela não contou a ninguém o que estava pensando.
No
final daquela semana, a caminho para um dia de aula, foi a farmácia
e comprou um teste. Seria agora que ela descobriria.
Assim
que chegou ao colégio, correu ao banheiro. Leu as instruções do
teste e o fez. O problema é que ela tinha esperar cinco minutos.
Foram os mais longos da vida dela, a cada momento olhava para o
horário no celular. E de repente, elas apareceram. As duas listras
que indicavam o positivo.
A
reação àquilo foi nenhuma, pelo menos não do lado de fora. Por
dentro, a cabeça dela se tornou uma confusão. Foi desespero com
nervosismo! Sua mão veio a boca para evitar algum som que alguém do
outro lado da porta escutasse.
O
que ela faria? Aquele teste poderia estar errado. Muitas outras
perguntas se fizeram em sua cabeça. Mas ela não tinha como
respondê-las. Não agora! O sinal da escola tocara, era hora de ir
para a aula.
Guardou
tudo na bolsa, saiu do banheiro e foi para a sala.
Encontrou
com Naomi e Tsuyoshi na sala, eles se sentavam próximos.
-Akemi-san,
chegou atrasada. - comentou o garoto
-Ah,
perdi a hora. Mas estou aqui.
-E
parece que aquilo que você tinha passou. - ele completou
Era
verdade. Ao descobrir da possível gravidez, o nervoso tomou o lugar
do enjoo, ela tinha se esquecido deles.
-Pois
é! - sorriu
O
professor adentrou a sala, desejou bom dia e começou a dar a matéria
daquele dia.
Akemi
mandou uma mensagem para Hayama-kun, era a única pessoa para quem
ela tinha coragem de contar aquilo, afinal, era o pai da possível
criança que esperava. Pediu para se encontrar com ele na hora do
almoço.
O
sinal do almoço bateu e Hayama apareceu na classe. Comentários
rolaram acerca dos dois e Akemi pediu para eles irem a um canto mais
reservado para poderem conversar.
-Lá
vai ela de novo. - comentou Naomi – Sabe, Tsu-kun, eu tenho pena de
você nessas horas.
-Por
que, Naomi-san?
-Você
está apaixonado pela Akemi, mas ela é desse jeito. Ela fica saindo
com qualquer garoto, a fama dela nessa escola é de uma garota fácil.
-Eu
não ligo para isso e você sabe. Apesar disso tudo, Aki-chan é
maravilhosa. Tão bonita, tão inteligente, tão segura de si. Ela
tem um jeito encantador, não acha?
-Sim.
Ela era bem diferente antes de entrar no ensino médio, ainda acho
que teria sido melhor ela ter ficado na nossa cidade natal.
-Não,
Naomi-san. Assim não a teria conhecido.
-Eu
quero saber quando é que vai se declarar para ela?
-Ainda
não sei. Preciso ter coragem... E ficar sozinho com ela.
-Isso
é ridículo de conseguir, você mora no apartamento ao lado. Mora
mais perto dela do que eu.
-Só
que ela não sabe disso! - e riu – É até melhor! Posso ficar
olhando-a pela janela de vez em quando.
-Ai,
Tsu-kun, só você mesmo!
Akemi
e Takeshi foram do outro lado do colégio, que estava mais vazio,
para conversarem.
-Diga,
Aiga-san, o que quer? Quer sair de novo comigo?
-Não
é isso! É que... Bem... Como eu vou te dizer? - ela suspirou e
sussurrou – Acho que estou grávida.
-Como
é que é? Grávida? - ele indagou surpreso
-Sim.
E se for verdade, é seu.
-Ora,
não me venha com essa! Você sai com um monte de garotos e vem dizer
que eu sou o pai do seu filho.
-Mas
é você. Tenho certeza!
-Acho
que não! Você lembra que usamos camisinha.
-Usamos
sim, mas alguma pode ter furado.
-Quem
me garante que não é de outro, Aiga-san? Todos sabem como você é.
Sai com todos! Dorme com todos! Esse filho pode ser de qualquer um. -
cruzou os braços – Trate logo de abortar isso antes que fiquem
sabendo. Até mais ver!
A
garota ficou desolada, aquele foi o pior fora que tinha tomado na
vida. Agora é que ela estava sozinha. Não tinha coragem de contar
para a melhor amiga e nem para a irmã. Como ela iria ao hospital
sozinha para confirmar a gravidez? Ela tinha que dar um jeito nisso e
sozinha.
Uma
única lágrima caiu do seu rosto, secou-a depressa. Ergueu-se e
voltou para a sala.
Durante
o resto do dia, ela se concentrou na aula e não deixou transparecer
suas preocupações.
Ela
foi para casa sozinha! Seguiu todo o caminho em silêncio de cabeça
baixa. Chegou ao prédio. Perto do seu apartamento, abriu a bolsa
para pegar a chave, era o mesmo lugar onde estava o teste que fizera
mais cedo. Ao puxar a chave, o teste também foi e acabou caindo no
chão. Ela se virou para pegar, mas teve uma surpresa, era
Tsuyoshi-kun atrás dela e ele pegou o teste antes.
-Tsuyoshi-kun,
o que faz aqui? Você me seguiu?
-Não,
Akemi-san. Eu moro aqui - apontou o seu apartamento – bem do seu
lado. - olhou o que estava na sua outra mão – Isso é um teste de
gravidez?
-É
sim! - responder cabisbaixa – E deu positivo. - permitiu que
algumas lágrimas caíssem – Eu não sei o que fazer.
Tsuyoshi
não sabia o que pensar e nem o que sentir. A garota por quem ele
estava apaixonada estava ali, mais vulnerável e insegura do que ele
nunca tinha visto. Sua última frase tinha um tom de súplica, de
socorro. E por seu amor a Akemi, ele decidiu que a ajudaria.
-Akemi-san,
- ela levantou o olhar para ele – vem, precisamos conversar! Eu vou
te ajudar com isso, tá bem?
Ela
apenas assentiu e eles entraram no apartamento dele.
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