sexta-feira, 13 de março de 2015

Capítulo 2 – Apoio necessário

Obs: Tem algumas palavras que tem o glossário lá no final do capítulo.

Tsuyoshi conduziu Akemi até o sofá, onde ela se sentou. O garoto foi buscar um copo de água para ajudá-la a se acalmar.
-Aki-chan, me conta esta história direito e com mais detalhes.
-Eu sai no mês passado com o Hayama Takeshi da 3-C. Nos divertimos no karaokê e fomos ao motel depois, até usamos camisinha. Mas, eu comecei a me sentir muito mal essa semana e pensei que podia ser uma gravidez. Estava com uma pulga atrás da orelha! Fiz o teste só para tirar essa preocupação, só que... - não completou a frase, apertou o copo de vidro de leve
-Só fez este teste de hoje de manhã?
-Só ele!
-Por que não faz outro? Este pode ter dado errado.
-Pode ser. Tem mais uma dessas coisas na caixa, no mesmo lugar onde estava esse.
-De onde tirou a chave? - ela só assentiu, ele pegou e entregou-a – Aqui.
O rapaz indicou onde ficava o banheiro. Akemi repetiu o processo que fez de manhã e saiu em seguida.
-Temos que esperar cinco minutos. - afirmou receosa
Os dois ficaram o tempo todo sem trocar uma palavra. Akemi se sentou novamente e tentou se distrair olhando para o teto. Tsuyoshi falou:
-Duas listras querem dizer o quê?
-Positivo! - respondeu parando ao lado dele
-Então, deram duas listras... E de novo pelo visto!
Aiga não disse nada, só começou a chorar. Depressa, Washiyama abraçou-a, oferecendo-a um ombro para chorar. Ela ficou um tempo assim até se acalmar. O garoto disse depois:
-Aki-chan, eu disse que vou te ajudar com isso. Olha para mim! - ela o fez – Eu tenho uma prima que trabalha numa clínica aqui perto e é no caminho se sairmos da escola. Quer que eu ligue para ela e confirmamos essa gravidez e você decide o que fazer?
-Sim! É melhor resolver isto logo!
O menino ligou para a prima naquele instante. Ela era ginecologista e trabalhava lá. Ele explicou a história pulando muitos detalhes, apenas usou as palavras amiga e grávida. Ele conseguiu marcar para o dia seguinte, logo após a aula deles no dia seguinte, um sábado.
-Pronto! - afirmou ao final da ligação
-Tsuyoshi-kun... Estou tão nervosa.
-Eu imagino. Mas olha, eu irei com você amanhã está bem? Estarei lá com você.
-Obrigada! - ela sorriu entre as lágrimas
Ele respondeu com um leve sorriso no canto da boca e completou:
-Agora, é hora de você ir para casa. - pegou os testes sobre a bancada – E leve isso com você.
-Acho melhor não! Minha irmã poderia ver.
-O meu irmão poderia ver e seria mais estranho para mim do que para você. - ele riu antecipadamente – Sem Mpreg, obrigado!
Os dois riram. Realmente fora um comentário engraçado. Tsuyoshi-kun levou-a até o seu apartamento.
-Fique bem, Aki-chan. Qualquer coisa, você tem o meu número.
Ela assentiu e entrou. Suspirou desesperada. Teria resposta para o que queria no dia seguinte.
A certeza já estava em seu coração, mas a razão precisava tomar um choque para ela acreditar no que aconteceu.
Passou o resto da tarde e boa parte da noite sozinha, sua irmã chegara bem tarde como na maioria dos dias.
-Aki, ainda acordada? Você tem aula cedo amanhã.
-Sei disso! Só vou terminar de assistir ao programa e já vou deitar.
-E como foi a aula hoje? - perguntando, sentando-se ao lado dela no sofá
-Foi normal, como sempre! Ainda estou num período importante de estudos.
-E fico feliz de ver que está se dedicando, ao invés de sair com garotos todos os dias.
-As vezes isso enjoa um pouco, irmã. São apenas diversões temporárias.
-Se sabe disso, porque ainda faz.
-Sei lá! Acho que só para não ficar deslocada.
-Esse é o mal da sua idade: Ser aceito. Quando se envelhece um pouco mais é que se percebe o quão bom é ser diferente e não se deixar levar pela maioria. - ela sorriu, nostálgica – Ai você vai perceber quanto tempo perdeu tentando se encaixar quando simplesmente podia ser você mesma.
-Espero um dia entender isso, Onne-chan¹.
***
E o irmão de Tsuyoshi, Kenichi, chegou em casa do trabalho. Assim como a vizinha e paixonite, ele morava com o irmão que se mudara para Tóquio a trabalho. E seus pais continuaram na cidade natal.
E o garoto teve uma surpresa com Akemi naquele dia. Ele queria se declarar para ela, mas acabou se envolvendo em algo que era pessoal demais para ela. Por seu amor a garota resolveu ajudá-la. Porém, além deste ponto não sabia o que iria fazer. Só não queria vê-la sofrer, por isso oferece uma mão a ela. Era algo muito complicado para se calcular o que poderia acontecer e isso transparecia em seu rosto, tanto, que seu irmão indagou:
-Parece preocupado. O que houve?
-Nada. Só preocupado... Com a escola.
-Muitas provas?
-E muita matéria, Nii-san².
-Pelo menos você não tem mais nada com o que se preocupar.
-Sim, tem razão. - e mentiu mentalmente
***
E o dia seguinte, sábado, chegou. As aulas começavam na mesma hora de todos os outros dias e iam até o meio-dia, era uma tortura estudar seis na semana, mas os alunos já estavam acostumados.
O relógio e o sinal da escola bateram meio-dia. Os alunos começaram a sair.
Akemi e Tsuyoshi tinham combinado de se encontrar algumas esquinas depois da escola, tudo isso para evitar comentários.
A garota foi na frente e ficou esperando-o. Poucos minutos depois ele apareceu.
-Vamos, Aki-chan?
-Sim, Tsuyoshi-kun.
Caminharam por mais alguns minutos até chegar a clínica.
O rapaz cuidou de toda a entrada dela por lá. Eles preencheram uma ficha com as informações dela e ficaram aguardando. Então, ela finalmente foi chamada e eles entraram no consultório.
-Boa tarde, Aiga-san e Tsu-kun.
-Boa tarde, Sanako-chan.
-Essa é a amiga a que se referiu no telefone?
-Ela mesmo!
-Aiga Akemi é um prazer. Sou a Dra. Yamamura Sanako. E qual o problema?
A menina ficou pouco receosa de responder, olhou para o garoto que lhe deu uma pequena dose de coragem para falar.
-A minha menstruação está atrasada tem umas duas semanas. Também estou sentindo uns enjoos, até fiz um teste de gravidez... Dois... Que deram positivo.
-Entendi. Bem, pode ir para aquele lado de sala, tire sua roupa e vista o avental que eu vou te examinar.
Enquanto a menina estava fora da visão dela por apenas uma divisória que havia no ambiente, Sanako cochichou com o primo:
-Ela é só sua amiga mesmo?
-Sim.
-Tem certeza? Tem cara de ter você no bebê também.
-Não... Eu só gosto dela e... Quis ajudá-la. - ele bufou – Não estou mentindo.
-Vou acreditar em você. - e falou com Akemi – Já se trocou, Aiga-san?
-Sim!
-Estou indo... - olhou pro primo – E você fique aqui!
A ginecologista abriu o avental e examinou a paciente por fora, só por rotina. Depois pegou um ultrassom interno.
-Para quê isso? - Akemi perguntou
-Para ver se há um bebê ai.
-Mas comprido assim, nunca vi nenhum assim.
-Este é interno, colocarei dentro do seu canal vaginal. Abra as pernas!
Colocou gel na ponta daquilo e começou o exame. Mexeu um pouco para lá e para cá e finalmente conseguiu ver algo.
-Ora, ora! O quê temos aqui? - apertou um botão na máquina para tirar fotos – Meus parabéns, você está grávida!
E foi assim que o choque chegou e de vez. Ela olhou para a tela, que foi virada para ela e não sabia o que pensar. Um desespero tomou conta dela. Ela pensava no que faria.
A médica tirou o ultrassom de dentro dela e pediu que se vestisse de novo e voltou a companhia do parente.
-E ai?
-Temos um resultado positivo. Aiga-san está grávida!
E ela começou a pegar e preencher alguns papéis, até que Akemi retornou e se sentou na cadeira vazia, quieta.
-Bem, nós temos um assunto sério aqui. - Sanako se pronunciou – Você deve decidir se vai prosseguir com a gravidez ou se vai abortar. Mas não precisa responder agora, precisará de um tempo para pensar. Tenho certeza que foi uma notícia forte para você. - e mostrou os papéis – Estes aqui são para você pegar os documentos necessários para a sua gravidez: A cartilha e o chaveiro³. E este outro é para autorizar o aborto, como você é menor de idade precisa de alguém responsável para assiná-la. Preencha o que você for usar.
-Ok! E outra coisa, Yamamura-san, se for fazer o aborto terei que marcar também?
-Sim! Mas você sabe do que um aborto poderá fazer no seu corpo não é?
-Não faço ideia.
-Bem, ele vai prejudicar o seu corpo um pouco e pode ser que no futuro tenha dificuldades para engravidar. E quanto mais demorar a fazer, o feto estará maior e mais prejudicial será.
-Entendo! - ela disse, cabisbaixa
-Bem, é só isso. - completou a doutora – Quando decidir é só ligar para cá e marcar. - estendeu um cartão
-Claro! Obrigada!
Assim, eles saíram. Tsuyoshi acompanhou Akemi para casa. Durante o caminho seguiram em silêncio. A menina não esboçava nenhuma reação desde que saiu de trás daquela divisória no consultório.
Eles finalmente chegaram ao prédio. Subiram até o andar deles e o garoto resolveu falar quando chegaram as portas, uma ao lado da outra:
-Aki-chan, tá tudo bem mesmo? Você não falou nada e continua com a essa cara indiferente desde que saímos de lá.
Ela estava de costas para ele, não queria demonstrar o que se passava por sua cabeça. A sua indecisão. O seu medo. Tinha conseguido manter tudo guardado e lhe torturando por dentro, até aquele momento.
Permitiu que as primeiras lágrimas caíssem, silenciosas. Continuou virada de costas para ele.
O rapaz, ansioso por uma resposta, virou-a para si e não precisou ouvir uma palavra dela, teve a resposta que queria. Depressa, colocou Akemi entre os seus braços e lhe ofereceu novamente o ombro como consolo. E também, não disse mais nada.
Passados alguns minutos, ele falou:
-Vem, Aki-chan. Eu não vou deixar você sozinha.
Pegou a chave do apartamento dela e entraram. A garota se arrastou até o sofá. Não parava de chorar. Ele se pronunciou e pegou um copo de água para ela.
-Tsuyoshi-kun, o que eu vou fazer? - perguntou pegando o copo
-Você que tem que decidir, Aki-chan. Mas, primeiro, tem que contar isso a sua irmã.
-Sim. Esse é o problema! Eu vou levar um sermão dela. E se bobear, ela chama os meus pais aqui.
-Mesmo se for para o aborto? Precisa disso tudo por parte dela mesmo?
-Eu conheço a minha irmã. Ela ficava me dando conselhos quanto a tomar cuidado e olha o que houve... Tsuyoshi-kun, eu quero morrer!
-Por que ia querer morrer? Eu não sei o que seria de mim sem você. - ele soltou sem pensar e acabou fazendo uma careta
-O que quer dizer com isso, Tsuyoshi-kun? - ela questionou
-Não é nada, Aki-chan! Eu... Eu...
-Você gosta de mim? - sorriu de leve e chorou um pouco mais – Apesar de eu ser quem sou?
-E o que você seria, Aki-chan, além de uma menina normal?
-Uma pessoa irresponsável e a mais falada do colégio.
-Eu não vejo isso. Vejo uma garota diferente das outras, que veio de uma cidade pequena e começou a estudar em Tóquio e tem a mesma melhor amiga desde sempre. - falou pegando na mão dela
-Não precisa falar essas coisas para me consolar. Isso não vai mudar o fato de que tem um bebê aqui. - e colocou a mão na barriga – E eu tenho que resolver! Não vejo outra opção a não ser falar com a minha irmã... Mas ainda assim estou com medo.
-Se você quiser eu posso ficar ao seu lado enquanto fala com a sua irmã.
-Se fizer isso ela vai pensar que o filho é seu e não é.
-Eu não ligo para isso! Na verdade, não vejo problema em ter um filho com a Aki-chan.
-O quê? O que você está dizendo? - ela soluçou
-Caso queira ficar com esse bebê, eu serei o pai dele.
-Tsuyoshi-kun... - ela olhou para ele – Obrigada! Você gosta mesmo de mim, não é?
-Sim, mais do que imagina.
-Então precisarei de você do meu lado quando for contar sobre o bebê a minha irmã amanhã.
-Estarei aqui! Só me chamar.
-Agora você tem que ir. Daqui a pouco ela chega e eu preciso me recompôr.
-Está bem, Aki-chan. Eu te vejo amanhã.
A garota levou-o até a porta e agradeceu a ele mais uma vez.
O dia seguinte seria muito importante para ambos. Tsuyoshi acabou se envolvendo naquilo mais do que queria, mas para ele tudo valia por seu amor a Akemi. E se necessário fosse, ele levaria a mentira de ser o pai da criança até o fim.

Glossário:
1- Onne-chan: Irmã mais velha. É como um “maninha” para nós.
2- Nii-san: Irmão mais velho.
3- No Japão, eles dão a cartilha para acompanhar o pré-natal. O chaveiro é para as pessoas identificarem as grávidas no transporte público. É um chaveiro escrito: “Na minha barriga tem um bebê”. (Vi no canal da Lidy Soto no Youtube)

Capítulo 1 – Noite de diversão com uma consequência

Aiga Akemi, aluna do 2º ano do colégio Shigeko, sai de mais um dia da escola acompanhada de um rapaz de outra classe, como na maioria das vezes acontece. Eles estão junto a um grupo que vai se divertir a noite. O rapaz em questão era Hamaya Takeshi, do 3º ano.
-Pronta para se divertir hoje, Aiga-san? - ele perguntou
-Claro que sim, Hayama-kun. Adoro karaokê!
Eles pegaram um metrô com o resto do grupo e chegaram ao lugar. Escolheram uma das salas e começaram a se divertir. Passaram horas e mais horas desafinando no karaokê.
Akemi e Takeshi trocavam muitos olhares, fossem eles de desejo ou de provocação. Com certeza, aconteceria algo mais tarde.
E foi exatamente assim! O grupo se dispersou. Alguns voltaram para casa, outros foram passear pelas ruas, enquanto a garota se encontrava na rua dos motéis com Takeshi. Escolheram um de preço mediano e que tinha uma cara de ser decente, e era mesmo.
Escolheram um quarto, pagaram e subiram. Eles não trocaram uma palavra até estarem totalmente a sós no quarto. Takeshi então falou:
-Tem meses que estou louco para ficar com você.
-Eu sei disso. Alias, toda a escola quer ficar comigo. - ela falou sorrindo - Sabe, já vim a motéis várias vezes, mas eu sempre fico com um pouco de vergonha.
-Não precisa disso. Você é tão bonita!
Essa frase foi seguida de um beijo e mais outro e mais outro. Até que os dois foram parar na cama.
As peças de roupas foram tiradas uma a uma e ficaram apenas de roupa íntima.
Takeshi saiu de cima da garota e arrancou e mostrou o seu membro duro para ela.
-Você tem que resolver isso aqui!
-É só vir. - falou abrindo as pernas
-Nada disso! Com a boca.
Akemi estava acostumada a aquele tipo de pedido, mas mesmo assim não gostava deles. Levantou da cama, parou ajoelhada diante dele e com vontade colocou a boca naquilo e fez o que sabia. Engoliu, chupou, fez sucção. Tudo isso foi acompanhado de gemidos baixos vindos do rapaz.
Em certo momento ele puxou-a pelos cabelos para longe.
-Eu não tô aguentando mais.
Akemi entendeu o recado e voltou para a cama. O garoto pegou algumas camisinhas na mochila, abriu uma e colocou. Foi para cima da menina de novo e rolou mais uns amassos. Ele fez umas preliminares bem básicas na garota, o que a deixou um bocado insatisfeita, porém ela não manifestou. Depois, ela sentiu o membro do garoto penetrando-a e ele começou a fazer movimentos de vai-vem. Como estava muito excitado, não demorou para gozar.
Fizeram mais três vezes na sequência, em posições diferentes cada uma e com proteção. Contudo, uma dessas proteções não funcionou como deveria.
Tomaram um banho juntos e saíram. Despediram-se na entrada no motel.
-Foi ótimo, Aiga-san.
-Eu também gostei, Hayama-san. - sorriu – Nos vemos amanhã na escola então?
-Claro! E também, vou querer sair com você mais vezes.
-Eu também!
-Até logo!
-Até!
Fizeram a reverência e cada um foi para um lado. Akemi pegou o metrô de volta para casa.
Desceu na estação próxima de onde morava. Andou até o seu prédio, pegou o elevador e foi ao apartamento. Entrou e viu que sua irmã já havia chegado.
-Por que chegou tão tarde de novo, irmã?
-Eu estava com um garoto, Yoko.
-Você tem parar com isso de ficar saindo com um monte de caras, isso vai acabar te dando algum problema, como um filho.
-Yoko, eu me protejo. Sempre!
-Mas camisinhas são uma coisa de plástico tão frágil que arrebentava fácil. Elas não são 100% seguras.
-Também sei disso. Irmã, eu sei me cuidar. Não se preocupe!
-Queria ver se fosse mamãe e papai ouvindo essa conversa. Eles te dariam uma bela surra, assim como as que eu tomei.
-Vai querer metê-los nisso de novo?
-Vou sim. Você está soltinha desse jeito porque veio morar comigo.
-E o que tem errado em sair? Você faz a mesma coisa.
-Mas eu já sou uma mulher adulta e sou dona do meu próprio nariz.
-Então, segundo a sua lógica faltam 4 anos para eu ser dona do meu nariz. Mas, eu já me sinto dona de mim mesma.
-Pare com essa bobeira. Você só tem 16 anos, Akemi.
-Fica falando de mim, mas na minha idade fazia a mesma coisa. - falou faca a face com a irmã
Yoko fez um som de desdém.
-Quer saber, se acontecer alguma coisa, vai ser problema seu.
-Ótimo!
A conversa acabou ali. Akemi foi seu quarto trocar de roupa para o jantar.
***
Aiga Akemi morava em uma cidade pequena com a família, constituída de pai, mãe e uma irmã mais velha.
Quando a irmã se formou conseguiu um emprego na cidade de Tóquio e Akemi implorou aos pais que a deixassem se mudar junto com a irmã. Ela queria ter uma experiência diferente no ensino médio. Por sorte, a família de sua melhor amiga, Shinkawa Naomi, também estava de mudança para lá. Então, foi um passo a mais para convencer os pais a deixá-la viver com irmã.
Akemi ingressou no ensino médio junto com a amiga, porém elas ficaram em classes diferentes no 1º ano. Apenas no segundo ficaram juntas, e também Akemi conheceu o novo amigo de Naomi, Washiyama Tsuyoshi.
No ensino médio, Akemi deixou sua sexualidade aflorar e a distância dos pais a deixou mais livre para soltar o seu líbido. Perdeu a timidez, saiu com muitos garotos, perdeu a virgindade e passou a ser uma garota livre, decidida e experiente com esse tipo de coisa. Por conta disso, ela se tornou uma das garotas mais populares, todas queriam ser como ela, mas não tinham coragem.
***
Passou-se pouco mais de um mês desde então e Akemi não saiu com mais ninguém nesse período, pois eles estavam em uma época de estudos importante. Era mais um início de semana e Akemi mal tomou café da manhã direito, ela acordou passando mal.
Ela estava a caminho da escola com sua melhor amiga, Shinkawa Naomi, e o amigo dela, Washiyama Tsuyoshi. Eles perceberam a cara dela.
-Aki-chan, o que está acontecendo? Sua cara tá me preocupando. - perguntou a amiga
-Acordei enjoada, não consegui comer. Espero que logo passe.
Mas aquilo não passou, nem naquele dia e nem nos seguintes. A garota começou a ficar preocupada, eram todos esses sintomas e a menstruação atrasada. Todos ao seu redor estavam preocupados, mas ela não contou a ninguém o que estava pensando.
No final daquela semana, a caminho para um dia de aula, foi a farmácia e comprou um teste. Seria agora que ela descobriria.
Assim que chegou ao colégio, correu ao banheiro. Leu as instruções do teste e o fez. O problema é que ela tinha esperar cinco minutos. Foram os mais longos da vida dela, a cada momento olhava para o horário no celular. E de repente, elas apareceram. As duas listras que indicavam o positivo.
A reação àquilo foi nenhuma, pelo menos não do lado de fora. Por dentro, a cabeça dela se tornou uma confusão. Foi desespero com nervosismo! Sua mão veio a boca para evitar algum som que alguém do outro lado da porta escutasse.
O que ela faria? Aquele teste poderia estar errado. Muitas outras perguntas se fizeram em sua cabeça. Mas ela não tinha como respondê-las. Não agora! O sinal da escola tocara, era hora de ir para a aula.
Guardou tudo na bolsa, saiu do banheiro e foi para a sala.
Encontrou com Naomi e Tsuyoshi na sala, eles se sentavam próximos.
-Akemi-san, chegou atrasada. - comentou o garoto
-Ah, perdi a hora. Mas estou aqui.
-E parece que aquilo que você tinha passou. - ele completou
Era verdade. Ao descobrir da possível gravidez, o nervoso tomou o lugar do enjoo, ela tinha se esquecido deles.
-Pois é! - sorriu
O professor adentrou a sala, desejou bom dia e começou a dar a matéria daquele dia.
Akemi mandou uma mensagem para Hayama-kun, era a única pessoa para quem ela tinha coragem de contar aquilo, afinal, era o pai da possível criança que esperava. Pediu para se encontrar com ele na hora do almoço.
O sinal do almoço bateu e Hayama apareceu na classe. Comentários rolaram acerca dos dois e Akemi pediu para eles irem a um canto mais reservado para poderem conversar.
-Lá vai ela de novo. - comentou Naomi – Sabe, Tsu-kun, eu tenho pena de você nessas horas.
-Por que, Naomi-san?
-Você está apaixonado pela Akemi, mas ela é desse jeito. Ela fica saindo com qualquer garoto, a fama dela nessa escola é de uma garota fácil.
-Eu não ligo para isso e você sabe. Apesar disso tudo, Aki-chan é maravilhosa. Tão bonita, tão inteligente, tão segura de si. Ela tem um jeito encantador, não acha?
-Sim. Ela era bem diferente antes de entrar no ensino médio, ainda acho que teria sido melhor ela ter ficado na nossa cidade natal.
-Não, Naomi-san. Assim não a teria conhecido.
-Eu quero saber quando é que vai se declarar para ela?
-Ainda não sei. Preciso ter coragem... E ficar sozinho com ela.
-Isso é ridículo de conseguir, você mora no apartamento ao lado. Mora mais perto dela do que eu.
-Só que ela não sabe disso! - e riu – É até melhor! Posso ficar olhando-a pela janela de vez em quando.
-Ai, Tsu-kun, só você mesmo!
Akemi e Takeshi foram do outro lado do colégio, que estava mais vazio, para conversarem.
-Diga, Aiga-san, o que quer? Quer sair de novo comigo?
-Não é isso! É que... Bem... Como eu vou te dizer? - ela suspirou e sussurrou – Acho que estou grávida.
-Como é que é? Grávida? - ele indagou surpreso
-Sim. E se for verdade, é seu.
-Ora, não me venha com essa! Você sai com um monte de garotos e vem dizer que eu sou o pai do seu filho.
-Mas é você. Tenho certeza!
-Acho que não! Você lembra que usamos camisinha.
-Usamos sim, mas alguma pode ter furado.
-Quem me garante que não é de outro, Aiga-san? Todos sabem como você é. Sai com todos! Dorme com todos! Esse filho pode ser de qualquer um. - cruzou os braços – Trate logo de abortar isso antes que fiquem sabendo. Até mais ver!
A garota ficou desolada, aquele foi o pior fora que tinha tomado na vida. Agora é que ela estava sozinha. Não tinha coragem de contar para a melhor amiga e nem para a irmã. Como ela iria ao hospital sozinha para confirmar a gravidez? Ela tinha que dar um jeito nisso e sozinha.
Uma única lágrima caiu do seu rosto, secou-a depressa. Ergueu-se e voltou para a sala.
Durante o resto do dia, ela se concentrou na aula e não deixou transparecer suas preocupações.
Ela foi para casa sozinha! Seguiu todo o caminho em silêncio de cabeça baixa. Chegou ao prédio. Perto do seu apartamento, abriu a bolsa para pegar a chave, era o mesmo lugar onde estava o teste que fizera mais cedo. Ao puxar a chave, o teste também foi e acabou caindo no chão. Ela se virou para pegar, mas teve uma surpresa, era Tsuyoshi-kun atrás dela e ele pegou o teste antes.
-Tsuyoshi-kun, o que faz aqui? Você me seguiu?
-Não, Akemi-san. Eu moro aqui - apontou o seu apartamento – bem do seu lado. - olhou o que estava na sua outra mão – Isso é um teste de gravidez?
-É sim! - responder cabisbaixa – E deu positivo. - permitiu que algumas lágrimas caíssem – Eu não sei o que fazer.
Tsuyoshi não sabia o que pensar e nem o que sentir. A garota por quem ele estava apaixonada estava ali, mais vulnerável e insegura do que ele nunca tinha visto. Sua última frase tinha um tom de súplica, de socorro. E por seu amor a Akemi, ele decidiu que a ajudaria.
-Akemi-san, - ela levantou o olhar para ele – vem, precisamos conversar! Eu vou te ajudar com isso, tá bem?
Ela apenas assentiu e eles entraram no apartamento dele.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

A magia para voar


Mais um belo dia das minhas férias. Estou afastada da metrópole em uma casa de praia. E também estou sozinha!
Resolvi tirar um final de semana para aproveitar a minha própria companhia. Resolvi usar esse tempo para relaxar, aproveitar a praia, colocar as ideias no lugar e escrever. Escrever uma história que inventei quando era criança e cuja passava horas e mais horas brincando. E acabava levando meu irmão a participar também.
Escolhi a tarde de sábado para pegar uma caneta e um caderno, que trouxe em minha mala, e me sentar na varanda para finalmente dar vida àqueles personagens que fazia questão de ser. Ajeitei-me numa cadeira próxima a parede, apoiei o caderno em meu colo e permiti a ligação entre minha mente e o papel. Apenas deixando a caneta deslizar pela folha e começar o desenho das letras.
Coloquei, primeiramente, o título: A magia para voar.
Em seguida, iniciei a história...

Era mais uma tarde numa rua do subúrbio. Estava muito calor e as crianças corriam e brincavam, inclusive Ana e Elis.
Os dois irmãos raramente faziam isso, pois a mãe não lhes permitia. Ela resolveu abrir uma exceção, já que era sexta-feira. As crianças aproveitaram e queimaram a energia que tinham e até a que não tinham. Ao voltarem para casa, tomaram um banho, jantaram e foram direto para a cama.
Algumas horas se passaram e os irmãos ouviram uma voz chamando-os. Abriram os olhos e viram uma fada. Ela tinha asas, uma varinha e usava uma longa veste branca.
-Uma fada? - Ana e Elis perguntaram
A fada respondeu:
-Isso mesmo, crianças.
-E o que faz aqui?
-Preciso da ajuda de vocês. Vamos! Explico-lhes no caminho.
As crianças se levantaram e seguiram a fada até a janela, que foi aberta por ela.
-Espera aí! - disse Ana, a mais velha – Como a gente vai?
-Voando, criança.
-Sem asas?
-Não é só com asas que se voa, irmã. - completou Elis
-Seu irmão está certo. É até bem simples: Basta acreditar que é possível!
A menina se conformou. Porém, outra questão formou-se:
-E a mamãe? Ela vai ver que não estamos no quarto.
-Não se preocupe. - a fada estalou os dedos – Ela vai dormir a noite toda.
Então, a Fada, Ana e Elis saíram pela janela e estavam voando pelo céu noturno. Os irmãos adoraram ver todas as casa de cima,era muito diferente.
A cada minuto eles se distanciavam mais e o lugar onde moravam aparentava ser um formigueiro. Mais alto e mais alto, alcançando as nuvens e passeando por elas. Havia uma enorme, com um castelo em cima e era para lá que eles se dirigiam. Poucos minutos depois, eles aterrissaram na borda fofa dela.
Seguiram o resto do caminho a pé,andando pelo chão de vidro e avistando três pessoas mais adiante. Elas eram um rei, uma rainha e uma princesa e pareciam estar a espera da fada.
-Majestades. Alteza. Perdoem a minha demora.
-E conseguiu a nossa ajuda, Fada Branca? - indagou a princesa, nervosa
-Sim, encontrei. - fez um sinal às crianças – Estes são Ana e Elis.
Imediatamente, eles se curvaram perante as realezas.
-É um prazer, crianças! - falou a rainha
O Rei apertou as mãos de ambos e a Princesa beijou-lhe os rostos.
-Majestades, para que precisam de nós? - perguntou a mais velha
-Entremos para tomar um chá e falemos sobre isso.
Então seguiram os anfitriões até a sala de jantar daquele enorme castelo, sentaram-se a mesa já posta e começaram a conversar.
-Crianças, eu serei direto. Preciso que resgatem uma pessoa. - falou o Rei
-O meu príncipe! - gritou a jovem princesa
-Ele está perdido? - indagou Elis
-Está mais para preso. Ele foi buscar um tesouro e não voltou.
-Temos certeza que foi o Feiticeiro Negro quem o capturou.
-Como assim? - questionou a menina
-Fada Branca, a minha filha não se sente bem ouvindo esta história, pode contar para eles lá fora?
-Sim, rainha.
Ana e Elis foram levados até o jardim, que era muito bonito, tinham árvores, arbustos e flores. Os três se sentaram em bancos, um a frente do outro e a Fada contou tudo o que acontecera com o Príncipe.
Ele e a Princesa iriam se casar, estavam na correria dos preparativos. Contudo, o presente que ele daria a Princesa, o chamado tesouro, foi roubado. Ele sabia quem fora, o tal Feiticeiro Negro, e foi atrás dele em seu covil. E acabou caindo em uma das armadilhas e foi capturado. Muitos tentaram resgatá-lo, mas acabaram sucumbindo aos desafio do trajeto até o covil.
A família estava desesperada, até que recebeu um sinal. A Princesa sonhara que duas crianças, um menino e uma menina, salvavam seu amado. Foi a Fada quem mexeu sua varinha para que pudessem ver quem eram. E eles foram as crianças vistas.
-Nós? - surpreendeu-se a menina
-Sim! Por isso trouxe-lhes aqui.
-E querem ajuda? - perguntou o menino
-Exatamente!
Um breve silêncio se fez. Logo a Fada falou:
-Mas, não estamos obrigando vocês a irem. Só se quiserem mesmo ajudar.
Em seguida, os três retornaram para o palácio. O Rei e a Rainha os esperavam em seus tronos.
-Majestades. - disseram se curvando
-A Fada Branca deve ter dito a vocês o que aconteceu. - disse o Rei com sua voz potente – Quero saber, vocês resgatarão o Príncipe?
Os irmãos nem pensaram nisso, mas apenas uma troca de olhares bastou para saberem da resposta.
-Sim, Majestade. - falaram juntos
-Fada! - chamou a Rainha – Leve as crianças para trocar de roupa e depois a sala das armas.
Os irmãos foram vestido com uma calça preta, uma blusa branca, botas e luvas pretas.
Na sala de armas, eles foram equipados com armaduras leves e fortes, que cobriam partes vitais do corpo, além dos braços e pernas. E as armas? Bem, eles teriam que descobrir qual era a que seu poder escolheria.
A Fada mostrou todas as armas posicionadas na parede da sala.
-Escolham uma e vejam se ela funciona com vocês.
Elis foi primeiro. Pegou um escudo e uma espada. Ensaiou alguns golpes. A Fada e Ana aplaudiram. Ana foi depois, olhou e olhou, um cajado com uma pedra vermelha em cima. Pegou e imediatamente a pedra brilhou bem forte.
-Isso é ótimo! Uma maga e um espadachim. - comemorou a Fada
E a Fada colocou uma capa com capuz em ambos e eles partiram para o destino com a moça das vestes brancas. Demoraram um pouco para chegar a um bosque, bem fechado e escuro. Antes de entrarem, a Fada Branca falou com eles:
-Esta floresta tem diversas armadilhas e perigos, tomem cuidado. E no final tem uma clareira, onde é o covil do Feiticeiro Negro. A porta é guardada por um gênio e ele vai lhe dar um desafio para passar. Vocês devem ser bem específicos e claros com o que querem. Não deem brecha para ele enganá-los. Boa sorte, crianças!
-Obrigada, Dona Fada.
-Obrigado, Fada.
Os irmãos respiraram fundo, deram as mãos e entraram.
Os bosque era muito escuro, então a menina acendeu seu cajado, a fim de iluminar o caminho. Não foi muito difícil atravessar, apenas ficaram presos em alguns galhos ou armadilhas, ajudaram-se mutuamente a sair.
Finalmente avistaram a clareira e no fim dela uma porta. Andaram pela clareira e se assustaram com uma fumaça verde que surgiu e depois o Gênio lhes deram boas vindas:
-Olá, pequenas crianças. O que os traz aqui?
-Viemos resgatar o Príncipe.
-Só se passarem por mim e por meu mestre. - e riu
Ana e Elis deram um passo para trás e ficaram a espreita.
-Calma! Não vou atacá-los e nem lutar. É um desafio!
-E qual é seu desafio? - questionou Ana
-Vocês tem três desejos e dois objetivos: Pegar a chave da porta e passar por mim. E.. serão três desejos para os dois – ele cruzou os braços - Está valendo!
Elis se precipitou.
-Desejo ter o poder de atravessar objetos e qualquer outra coisa.
-Desejo concedido!
-Droga, Elis! - reclamou a irmão – Não assim sem pensar.
Elis avançou e atravessou o Gênio, porém deu de cara na porta e foi ricocheteado de volta. O gênio deu uma gargalhada e comentou:
-Esta porta é mágica, garoto. Dois desejos!
Ana imediatamente repreendeu o irmão e mandou ele não falar mais nada. Ele gastara um desejo e só tinham mais dois e duas coisas a se cumprir. Ana teria que ser bem inteligente e esperta para conseguir.
As palavras da Fada vieram a cabeça: “Vocês devem ser bem específicos... Não deem brecha para ele enganá-los.”
“Específica e sem brechas.”, pensou.
-Gênio, - tomou coragem – eu desejo ter chave da porta que você protege e está atrás de você.
O Gênio estalou os dedos e a chave surgiu e caiu nas mãos dela.
-Muito bem! - riu o Gênio – Agora precisa me tirar do caminho.
Ana ficou um tempo pensando. Este era o verdadeiro desafio: tirar o Gênio do caminho.
“Espera! Gênios têm lâmpadas.”, surgiu em sua cabeça.
Ela vasculhou ao redor com os olhos e viu atrás de um pequeno arbusto, vinha uma luz dourada. Ela andou até lá e pegou a lâmpada.
-Irmã? - chamou Elis, que observava apenas.
O Gênio arregalou os olhos.
-Gênio, desejo que você retorne para dentro de sua lâmpada agora e só saia quando eu esfregá-la.
-Desejo concedido. Parabéns! E boa sorte contra meu mestre.
A fumaça verde apareceu novamente e sugou o Gênio para a lâmpada. Ana guardou-a.
-Vamos, Elis.
A garota colocou a chave, virou-a e destrancou a porta. Entraram e o Feiticeiro falava com o Príncipe, que estava enjaulado.
-Ora, ninguém virá salvá-la. Até agora ninguém atravessou a porta além de você.
-Feiticeiro! - a voz das crianças ecoou
-Acho que se enganou! - brincou o Príncipe
O Feiticeiro Negro imediatamente se dirigiu as crianças e indagou:
-O que fazem aqui, crianças?
-Viemos salvar o Príncipe.
-Só passando por mim.
O Feiticeiro começou a atacar as crianças com seus poderes mágicos, jogando diversas bolas de elementos diferentes.
-Elis, distraia ele enquanto eu liberto o Príncipe.
-Tudo bem.
O menino avançou e desferiu golpes contra o Feiticeiro. Ana foi rápida e lançou uma magia que derreteu a tranca da jaula, libertando o Príncipe.
A distração de Elis não durou muito, ele foi arremessado e depois a irmã foi atingida.
-O que meras crianças podem fazer contra mim! Sou um Feiticeiro muito mais poderoso que vocês.
O Príncipe se levantou, tentou atacar, mas foi inútil. Foi jogado na parede.
-Ora, parece que ganhei mais dois prisioneiros. É impossível me derrotar! - E começou a rir, maleficamente.
Ana se levantou, tomando força por palavras ditas mais cedo pela Fada Branca. Ela as repetiu:
-Não é impossível! Na verdade, é bem simples: Basta acreditar que é possível!
Ana esticou o braço e a pedra do cajado brilhou. Dela saiu um raio, que foi diretamente no Feiticeiro Negro, ferindo-o mortalmente. Seu corpo caiu no chão e a menina se ajoelhou.
O Príncipe correu em socorro do menino, ainda caído. Elis estava bem. Pegou o garoto e o levou para perto de Ana.
-Vocês está bem? Quem mandou virem até aqui? Olha o tamanho de vocês dois.
-Estou bem. O Rei nos mandou aqui, para te resgatar.
-Ele é louco! Duas crianças.
Elis finalmente acordou e o Príncipe pegou o seu tesouro de volta.
Os três ficaram ali se olhando por um tempo, não tinham forças para sair como vieram. Ana lembrou do Gênio. Pegou a lâmpada e esfregou-a. O gênio saiu e sentiu triste, ao ver seu mestre morto, e feliz, por finalmente estar livre. Ele disse:
-Desejo concedido!
-Gênio!
-Ah, diga, minha nova mestra. Você tem três desejos.
-Desejo que leve a mim, meu irmão e o príncipe de volta ao reino dos céus.
-Seu desejo é uma ordem.
Um tapete mágico apareceu e o gênio os conduziu de volta ao reino.
No caminho, Ana perguntou o motivo do gênio ter tido “Desejo concedido!” ao ver o corpo do Feiticeiro. Ele respondeu:
-O terceiro desejo dele foi que protegesse a entrada de seu covil com aquele desafio até o dia que ele morresse.
Quando chegaram ao castelo, foi uma grande alegria. A Princesa e o Príncipe se beijaram apaixonadamente.
-Obrigada, Ana e Elis, por trazerem meu amado de volta.
-Agradeço também, crianças. - falou o Príncipe, sorrindo
O Rei e a Rainha abraçaram os dois pequenos. A Fada também os parabenizou.
-Podemos nos casar agora? - indagou o Príncipe
-Só podem amanhã, teremos que arrumar o palácio.
-Isso não é problema. - falou Ana – Gênio!
-Sim, Mestra!
-Eu desejo uma festa de casamento para o Príncipe e a Princesa.
-Seu desejo é uma ordem!
Com um estalar de dedos, eles foram parar no saguão do castelo. Todo o reino estava lá e ficaram felizes pelo Príncipe ter voltado e já estavam vestidos para a ocasião.
A Princesa entrou, deslumbrante. O Príncipe deixou uma lágrima correr. O próprio Rei realizou o casamento. Depois do “Pode beijar a noiva!”, o Príncipe finalmente deu o seu presente de casamento a sua amada. Era um belo colar!
Em seguida, o Rei chamou os dois irmãos e começou a discursar:
-Graças as estas duas crianças, o Príncipe está bem e a salvo. E estamos livres do Feiticeiro Negro.
-Ana e Elis. - completou a Rainha
Muitos e muitos aplausos.
Depois veio a festa, que durou algumas horas. As crianças perderam a noção do tempo, foi a Fada Branca que lhes lembrou.
-Crianças, hora de voltarem para casa.
-É mesmo! - falou Elis
Eles se despediram da realeza. Caminharam para a borda da nuvem e iriam partir. Mas Ana esquecera uma coisa. Esfregou a lâmpada.
-Diga, mestra. Qual seu último desejo?
-A sua liberdade. Desejo que seja livre.
A lâmpada e a fumaça verde desapareceram e o Gênio pousou no chão.
-Obrigado, menina!
Então Ana e Elis abraçaram o Gênio.
-Adeus.
Então a Fada e as crianças retornaram àquela casinha no subúrbio. No quarto, a Fada falou:
-Obrigada, crianças, por tudo o que fizeram pelo reino. Seremos eternamente gratos.
Eles deram um abraço apertado na Fada Branca.
-Para cama agora!
Antes de sair, deu uma última olhada nas crianças... E partiu!
Ela jamais se esqueceria delas. Da mesma forma que Ana e Elis sempre se lembrariam daquela aventura.

Dei o último ponto com um certo pesar e alegria. Eu me senti criança de novo e fiquei com vontade de encenar a história de novo.
De repente começou a chover. Corri para dentro! Liguei a televisão e comecei a assistir algo. Porém, a história que terminara de escrever não saia da minha cabeça.
Eu sou igual aos personagens: Jamais me esquecerei desta aventura.
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