domingo, 3 de maio de 2015

Capítulo 3 - Nada mais do que a verdade

O  dia seguinte era um dia decisivo para Akemi, definiria o que ela  exatamente iria fazer e o que aconteceria por consequência de sua  gravidez.
Logo após o almoço chamou Tsuyoshi para ir a sua casa, enquanto a irmã dela foi tomar um banho.
Aiga Yoko tomou um susto quando voltou a sala e viu a irmã com um garoto.
-Akemi, o que significa isso?
-Nee-san, tenho algo importante para te contar. Melhor se sentar!
-Eu quero é saber quem é esse!
-Eu sou Washiyama Tsuyoshi, colega de classe da Aki-chan. - tratou-se de fazer a apresentação
-Com essa intimidade toda já? Obviamente vocês já fizeram o que estou pensando.
-Yoko, senta logo, por favor.
-Calma! - disse sentando-se diante deles - O que seria tão importante a ponto de te fazer ficar desse jeito?
-Veja isso primeiro. - e deu os exames que fez no dia anterior para Yoko – Eu fiz isso ontem!
-Uma ultrassonografia? Por quê? - então ela viu – Espera ai! Isso é um teste de gravidez, Aki? E positivo? Me explica isso!
-É sim um teste de gravidez. E sim, deu positivo. Eu estou grávida!
Alguns segundos de silêncio e a mais velha explodiu.
-Aiga  Akemi, o que eu vivo te falando e você não fez? Agora como vamos  resolver isso? Eu não faço ideia do que fazer com você! - bufou – Alias,  quem é o pai dessa criança?
A  adolescente começou a gaguejar uns “Eu... Eu...”, hesitando em  responder a pergunta, com medo da reação de Yoko a sua resposta.
-Eu sou o pai! - Tsuyoshi soltou, em tom firme, se levantando do sofá
-Pelo  menos arrumou alguém com responsabilidade para assumir o que fez. -  virou-se para o garoto – Mas, Washiyama-san, ainda sim terei que chamar  meus pais, para eles resolverem isso. Afinal, os dois são menores de  idade.
-Não, irmã, isso não! - Akemi disse
-Isso sim! Quero que eles vejam o quê a caçulinha deles aprontou.
E o celular do garoto tocou, era o irmão dele.
-Fala, Ken-chan!
-Cadê você? Estão fazendo um escândalo aqui do lado.
-É... - gaguejou – Eu estou aqui do lado.
-Quem é no telefone, garoto? - gritou Yoko
-Meu irmão.
-Me  dá isso aqui! - tomou da mão dele – Alô? Olha só, nós estamos com um  problema aqui e acho muito bom você vir ajudar o seu irmãozinho a  resolver a merda que ele fez.
-Como é que é? - falou o outro Washiyama
-Venha ao apartamento 407. Temos um assunto sério a conversar!
Cerca de uns segundos depois a campainha tocou. Tsuyoshi foi atender.
-O que você aprontou? - cochichou para o irmão
Kenichi tirou os sapatos, seguiu pelo pequeno corredor até chegar a sala, sendo seguido pelo outro.
-Me chamo Washiyama Kenichi. Yoroshiku onegai shimasu!¹
-Eu sou Aiga Yoko.
-E eu sou Aiga Akemi, sou colega de classe do Tsuyoshi-kun.
-Então, qual é o assunto? - disse cruzando os braços
-A minha irmã está grávida e o seu irmão afirmou que é o pai. Precisamos resolver isso!
-Nii-san, isso é verdade?
-É sim! O filho que a Aki-chan carrega em seu ventre é meu.
-Eu  quero saber como vamos resolver isso. - esbravejou Yoko – Ambos são  menores de idade e obviamente não tem noção dessa responsabilidade. O  melhor a fazer é o aborto e deixar essa história para lá, mas acho  chamar os meus pais.
-Eu  concordo com você. Deveríamos chamar nossos pais para eles decidirem o  que fazer. - Kenichi olhou para Akemi aos prantos – Só que a opinião da  sua irmã também prevalecerá nesse caso, afinal, ela será a maior  afetada. O que você quer fazer, Aiga-san? - falou ajoelhando-se na  altura dela
-Eu ainda não sei. - disse soluçando – Eu descobri isso ontem, o Tsuyoshi-kun me apoiou tanto.
-Eu  sei. Só dele estar aqui, sei que sua afirmação é verdade. - tentou  animá-la um pouco – Não acha que a presença dos seus pais não a ajudaria  a tomar a melhor decisão?
-Talvez sim, talvez não. Eu levaria um sermão primeiro!
-Pais dão sermões, é assim mesmo. Eles com certeza te apoiarão no que decidir.
-Eu espero que seja assim. - sorriu
-Então, o que faremos? - perguntou Yoko, de novo
-Chamar os seus e os meus pais. Assim, todos nós saberemos o que fazer tomando a melhor escolha possível.
-Vai chamar mesmo eles? - indagou Tsuyoshi
-Sim!  Melhor que estejam todos aqui. Até lá, só podemos esperar. - ele olhou  para Yoko – Avise-os para vir imediatamente, farei o mesmo.
-Certo! - ela assentiu
-Agora, com sua licença, eu e meu irmão retornaremos para casa.
Ambos fizeram a reverência e saíram. As duas irmãs ficaram sozinhas e Yoko soltou:
-Irmã,  ainda estou impressionada com você. Eu devia estar preparada para algo  do gênero, mas acabei sendo surpreendida. Que falta de responsabilidade!
-Não me acuse, Yoko. Pelo menos eu estou assumindo o que fiz.
-Pelo  menos o Washiyama-san veio aqui com você e assumiu a bronca junto  contigo. É difícil um garoto ser assim. Ele deve gostar muito de você,  Aki.
-Deve sim, Nee-san.
-Agora  deixa eu ligar para a Haha² e o Chichi³. Eles tem que vir aqui ainda  esta semana. - olhou para o alto e devaneiou – Até que o irmão dele é  bonito!
-Pare de ser tão atirada, Yoko.
-Só estou comentando. Olhar não faz mal!
Akemi  não evitou de soltar uma risada, depois foi para o seu quarto para  tentar estudar um pouco, caso o sono deixasse, enquanto sua irmã fazia a  ligação.
***
Os irmãos voltaram ao apartamento 406, o deles. Kenichi imediatamente questionou o irmão:
-Esse filho não é seu né?
-Eu já te disse que é sim. Esqueceu?
-Não  minta para mim. Você já falou da Akemi uma série de vezes e nem chegou a  se declarar para ela ainda. E em sã consciência você não a  engravidaria.
-Seu  senso de dedução é realmente impossível, Nii-san. - bufou – Mas, por  favor, que a sua “descoberta” fique em segredo. Eu prometi a Aki-chan  que iria ajudá-la.
-Eu espero que ela não esteja se aproveitando da sua boa vontade. Espero que ela não faça você quebrar a cara.
-Ela  não faria isso, pode ter certeza. Foi a única para quem ela conseguiu  pedir ajuda, quer dizer, teve que explicar o teste de gravidez que caiu  da bolsa dela.
-Como assim?
-Calma, eu te conto, mas é claro deve manter segredo disso também.
Tsuyoshi contou toda a história para Kenichi, que só conseguiu comentar no final:
-É, Tsu, você realmente gosta dessa garota.
-Alias, ligue para nossos pais conforme disse que faria.
-Sim, sim! Eu ainda quero me encontrar com a irmã dela algumas vezes.
Tsuyoshi só gargalhou alto.
***
Todos os parentes ficaram em choque com a notícia da gravidez de Akemi.
Os  pais de Akemi viajariam para Tóquio no dia seguinte. A viagem não seria  tão longa, eles moravam no distrito Chubu, que é vizinho de Kanto, onde  fica a cidade.
Os  pais de Tsuyoshi também decidiram pelo dia seguinte, só demorariam um  pouco mais para chegar, eles moravam no distrito de Shikoku, que era bem  mais distante.
As  famílias se reuniriam no apartamento de Yoko e Akemi para um jantar,  onde eles conversariam sobre o assunto. Assim que os irmãos mais velhos  combinaram quando se encontraram de novo, ao pegarem as correspondências  no térreo.
***
No  dia seguinte na escola, Akemi conversava com Naomi na hora do almoço,  em um dos locais a céu aberto e distante dos outros alunos.
-Percebi que você e o Tsuyoshi-kun estão bem mais próximos. Aconteceu algo entre vocês?
-Nada. Só viemos e voltamos alguns dias para casa juntos, ele é meu vizinho, não tem nada de errado nisso.
-Ele não se declarou?
-Não, Naomi. Por que ele faria isso? - indagou já sabendo da resposta
-Aki-chan, não precisa mentir para a Naomi-chan. - o garoto chegou – Afinal, ela é a sua melhor amiga.
-O que está querendo dizer com isso, Tsu-kun?
-A Aki-chan está esperando um filho meu.
Akemi depressa, tampou a boca dele.
-Não fique dizendo essas coisas aos sete ventos, Tsuyoshi-kun. Alguém pode ouvir. Ainda nem sabemos se levarei isso até o fim.
-Você está mesmo grávida, Aki?
-Sim! - falou cabisbaixa
-E  não é seu Tsu-kun. - falou baixo – Porque eu sei que vocês não tem  nada. Sou a pessoa mais próxima de ambos. Alias, por que não me contou  logo, Aki?
-Eu fiquei com medo e o Tsuyoshi-kun descobriu antes que todo mundo. A história é extensa!
Os dois contaram a história a amiga.
-Quando os pais de vocês chegam?
-No máximo, amanhã.
-Boa  sorte! Apoiarei-os independente da decisão. Inclusive, - se levantou –  Tsu-kun, você pulou uma etapa do processo. Vou deixá-los sozinhos para  que ela se cumpra.
Era a declaração que o rapaz não tinha feito no dia que se encontraram no prédio, quando Akemi deixara o teste cair da bolsa.
-Essa Naomi-chan. - riu e sentou-se do lado dela.
-O que tem para me falar, Tsuyoshi-kun?
-Ore  wa... Ore wa... Suki dakara, Aki-chan. - Ela sorriu e se permitiu  chorar – E já tem bastante tempo. Foi por isso que eu fiz o que fiz  quando você chorou desesperadamente e sem um rumo a tomar.
-Tsuyoshi-kun...  - apertou as mãos na saia colegial – Eu espero poder corresponder os  seus sentimentos um dia. Eu também gosto de você, mas só como amigo. -  ela olhou para ele com vergonha – Desculpa! - abaixou a cabeça
O  garoto pegou na mão dela, essa atitude normalmente seria rejeitada, mas  com a confiança que conquistara com ela nos últimos dias, ela permitiu.
-Você só está sendo sincera comigo. Não precisa me pedir desculpas.
-Eu fico com um peso na consciência, porque você me ajudou tanto. Eu realmente queria retribuir o que está fazendo por mim.
Tsuyoshi se ajoelhou diante de Akemi, sem soltar a mão que segurava, e levantando o queixo, falou olhando nos olhos da menina.
-Não  quero que retribua. Eu estarei aqui com você, do seu lado. Estarei do  seu lado até o fim disso, seja ele um aborto ou um parto. Afinal, eu sou  o pai do seu filho, lembra?
-Sim, Tsuyoshi-kun. Você é!
Eles  se olharam, um sorrindo para o outro. Akemi sabia que poderia contar  mesmo com o Tsuyoshi para qualquer coisa. Ela achava que ele era muito  para ela e só conseguia pensar em como equivaler o que ele fazia por ela  naquele momento. Por enquanto, ela só se satisfazia em ter a companhia  dele.
Naomi assistiu a cena do segundo andar e não evitou de se emocionar também.
O  sinal tocou, indicando o final do horário de almoço. Tsu enxugou as  lágrimas de Aki e eles voltaram para a sala juntos. Os próximos dias dos  dois seriam bastante agitados.

Notas/Glossário:

1- A expressão significa “Prazer em te conhecer”, pelo menos nesse caso.

2- Haha: Mamãe

3- Chichi: Papai

4- Ore wa suki dakara: Eu te amo, no sentindo de apenas estar apaixonado.

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Capítulo 24 - Depressão

Passaram-se alguns dias e eu não tive tanto tempo para ler o diário. As coisas no escritório me deixavam cansado. Só tinha disposição para ler uma anotação por dia. Minha sorte é que elas eram bem pequenas.
Kazuko estava passando por um momento depressivo, ainda se mostrava muito abatida com a perda do bebê. Os dias dela já eram sempre os mesmos, depois do acontecido ela não tinha ânimo para nada. Ela se comportava bem diferente do que realmente é. Agora ela está brincando com o nosso filho e ele só sorrisos.
Tirei o diário da gaveta, sentei na cama e fui ler outra anotação.
Querido diário,
Os meus dias parecem cada vez mais arrastados. Os minutos e as horas passam muito mais devagar do que realmente eu sinto. Fico bastante tempo devaneando ou tentando me distrair, quando acho que se passaram horas foram apenas alguns minutos.
O que aconteceu alguns dias atrás ainda perturba a minha mente. O pesadelo e depois todo aquele acontecimento onde perdi o bebê. Makoto em momento algum me culpou ou me deu um sermão, dizendo que não me cuidei direito e contrariei as regras explícitas dele.
Ele também não tem me chamado para o quarto nos últimos dias. Nós mal temos conversado, só nos cumprimentamos.”
Eu sabia que ela precisava desse tempo, desse espaço. O baque que ela tomou foi bem mais forte que o meu. Afinal, foi ela quem engravidou e perdeu depois. Eu apenas assisti tudo. Não queria importuná-la fazendo-a ficar no quarto comigo. Era óbvio, por conta das circunstâncias, que era algo que ela não gostava.
Ela realmente precisava de um tempo, mas já começava a achar que era “tempo demais”.
Ele até pergunta como estou e eu respondo com um “Bem”. Monossilábico, seco e que acaba com qualquer possibilidade de continuar a conversa. Apenas assente e continua a comer.
Apesar de tudo, a Keiko ainda é uma ótima companhia. Com ela o tempo não é uma coisa amarga como quando estou tentando pegar no sono. Keiko consegue arrancar alguns sorrisos e risadas minhas, porém ela sabe bem o quanto estou abatida. Até tenta me animar, só não adianta muito.
E desta forma, como descrevi nos outros dias, meus dias se passaram.
Eu realmente estou em um momento depressivo e não tenho ideia de como sair.”
Eu já não aguentava mais vê-la dessa forma. Kazuko sempre foi sorridente e cheia de palavras. Mesmo sendo pobre e ter virado escrava, ainda encontrava maneiras de sorrir. Não suportava mais vê-la com aquela cara triste, se arrastando daquele jeito. Sentia saudade do sorriso e da risada dela, daquelas palavras animadas que dizia.
Agora ela ficava com aquela cara fechada, monossilábica e séria. E até eu estava começando a ficar mal com aquilo. Tinha que fazer algo antes que começasse mesmo a me afetar ou Kazuko tomasse uma medida drástica.
Com tudo isso, eu também perdi noção do tempo. Olhei o calendário e notei que meu aniversário de dezoito anos é daqui alguns dias. E pela primeira vez na minha vida não estou nem um pouco animada quanto a isso.
Meu aniversário sempre me foi motivo de alegria. Pessoas reunidas por minha causa, presentes e bastante comida. A única ocasião onde os pobres não tem miséria, porque sempre queremos que sejam coisas inesquecíveis. Um momento para esquecer a nossa vida ruim, mesmo que só um pouco. Mas, este ano, o que eu tenho a comemorar? Eu sou escrava e acabei de passar por uma situação horrível.
Gostaria muito de poder voltar no tempo e mudar o que aconteceu. Não o que aconteceu na semana passada, mas sim o que foi há quase seis meses. Queria de alguma forma impedir que Makoto viesse e me comprasse. Com certeza tudo seria diferente se aquele dia fosse diferente. Estaria animada como sempre fui e muito empolgada cursando a faculdade.
Eu queria passar o aniversário com a minha mãe e com as minhas amigas. Poder ficar jogando conversa fora, rindo de coisas bobas e esquecer dos problemas. E mais tarde, poder abrir os meus presentes e me sentir mais feliz ainda.
Pena que nunca acontece como queremos. Agora eu estou aqui presa. Tudo o que mais quero é minha liberdade, só isso! Voltar a ser aquela Kazuko feliz, sorridente e livre.
Infelizmente, nada disso depende de mim.”
Segui para a anotação seguinte, que diferente da que acabara de ler, era pequena.
Querido diário,
perdoe-me o desabafo ontem, estava precisando. É só com você que posso fazer este tipo de coisa. Só me sinto confortável aqui.
Meu dia de hoje foi como sempre, acordei, tomei café da manhã, ajudei Keiko nos serviços de casa... Uma coisa estranha é que Makoto chegou bem mais tarde do que o habitual. Ele disse a Keiko que acabou ficando um bocado ocupado no escritório. Eu não acreditei muito não! Não sei o porquê, mas eu senti que ele mentiu. Ele não aparentava cansaço como descreveu.
Aí tem algo!
Agora, eu dormirei.”
Neste e em mais alguns dias que se seguiram, eu cheguei um pouco mais tarde em casa. Justamente porque estava tomando uma atitude. Uma atitude pelo bem de Kazuko.
Ela iria ter um aniversário que nunca esqueceu.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Capítulo 5 - Rosa venenosa

Amélia subiu e encontrou com Sarah, na sala. Ela imediatamente indagou:
–Amiga, com quem você estava lá me baixo? Eu vi em.
–Foi um amigo que eu encontrei no restaurante.
–Hum... E a entrevista? Conseguiu?
–Sim! Farei a matéria amanhã.
–Sério? O Marc é conhecido por ser tão fechado e até antipático.
–Eu tenho minhas manhas. - e riu – Vou tomar um banho para dormir.
Amélia deixou a bolsa no sofá e foi para o seu banho. Sarah mexeu na bolsa da amiga e acabou ouvindo toda a entrevista. Percebeu também que os dois já se conheciam. Ela decidiu comentar com Amélia apenas no dia seguinte, durante o café da manhã. E foi exatamente o que fez.
–Amélia, eu ouvi a gravação ontem. Você já conhecia o Marc antes?
A garota fez uma careta e respondeu:
–Conheço-o sim. Ele o tal “menino do karatê” que eu tanto falo.
–O quê? Então era ele com você ontem?
–Era ele sim!
–Ihh... Tá podendo em!
–Podendo nada! Ele é muito luxo para a minha carruagem, cara.
–Deixa disso. Ele tava te cantando na cara de pau ontem.
Amélia rubrou.
–E eu sei que você se fez de desentendida. - ela deu uma pausa – Quero que me conte a história toda.
Sarah deu carona a amiga até o trabalho, pois ela iri cobrir o treino de vôlei. Ela ouviu atentamente Amélia e comentou quando ela falou sobre o beijo antes da luta:
–Mentira! Amélia, nunca pensei que faria isso.
–Foi mais forte do que eu.
–E ele deu a resposta para o beijo ontem?
–É!
–Puta que pariu, um tempo do caralho. Ele gosta mesmo de você.
Amélia riu e concordou com a amiga. Sarah deixou-a no trabalho e partiu.
A jovem chegou e teve uma surpresa: um buquê de rosas vermelhas.
Todo mundo estava curioso para saber quem mandou aquilo para uma das novas funcionárias. O buquê estava em sua mesa e tinha um cartão. Amélia se sentou e leu o bilhete:
“Gostei muito do nosso reencontro ontem. E eu ainda me lembro que sua cor preferida é vermelho. Só não sei se rosas são as suas preferidas.
Podemos nos ver de novo? Te ligo mais tarde para saber.
Ass: Aquele menino do karatê”
–Então, de quem é? - perguntou uma das “vizinhas” dela
–Uma pessoa que reencontrei.
Só esta resposta foi motivo para a jovem garota ser o assunto do dia.
Imediatamente, Carmela chamou-a para sua sala. Ela queria saber novidades da “missão” que deu a garota.
–Sim, Sra. Carmela?
–Então, conseguiu a entrevista?
–Sim!
–Ótimo! Quero ouvir a gravação.
–Mas eu vou precisar dela para fazer a matéria.
–Ah, é verdade;
Amélia realmente precisaria da gravação para reproduzi-la na matéria com exatidão. Contudo, ela também não queria que descobrissem o seu passado com Marc.
Saiu da sala de Carmela e foi escrever a matéria. Antes do almoço ficou pronta. Mandou uma cópia para a chefe, que aprovou. Ela recebera um outro afazer para depois de comer: Fazer a página em que a entrevista apareceria.
Amélia desceu para almoçar e se encontrou com a amiga. Elas foram a um ótimo lugar.
–Como foi a cobertura, Sarah?
–Ocorreu tudo bem. Começar a edição hoje. E a sua?
–Estou construindo a página da revista. - fez uma careta – E você não sabe da novidade...
–Qual?
–Recebi um buquê de flores “daquele menino do karatê”.
–Mentira! Calúnia! E o que dizia?
–Ele quer me ver de novo e vai me ligar.
–Isso é ótimo, Amélia.
A garota deu um sorriso bobo só de se imaginar falando com ele ao telefone.
Sarah perguntou outra coisa:
–E o pessoal comentou alguma coisa?
–Não que eu tenha ouvido.
O resto do horário se passou com Sarah contando, detalhadamente, sua cobertura.
As amigas retornaram ao trabalho e chegaram um pouco mais cedo que os colegas e foram adiantando o que tinha a fazer. Sarah e Amélia podiam ouvir, pouco depois, os outros se aproximando e perceberam sobre o que conversavam: Amélia e o buquê que recebera.
–A garota mal chegou e já está ganhando flores, eu em! - falou uma
–Quero saber quem foi que mandou isso para ela. Ela não é isso tudo! - comentou outra
Elas fingiam não estar prestando atenção. Porém, uma troca de olhares e o gesto de Amélia, como se estivesse limpando algo que escorreu da boca bastou para entender: Olha o veneno escorrendo pelo canto da boca. Com outro olhar, Sarah riu e concordou.
Alguns minutos depois, o telefone de Ame´lia tocou. Ela sabia quem era mesmo que o número não estivesse em sua agenda. Foi a um lugar mais reservado para atender.
–Alô?
–Amélia, oi! É o Marc.
–Eu sei. Pressenti que era você.
–E também já sabe porque eu liguei. Quer jantar comigo hoje?
–Claro que sim! - respondeu sorrindo
–Eu te pego na sua casa. Tem problema?
–Não. Nenhum.
–Ok então. Deixa eu ir, tenho que treinar.
Amélia deu um risinho.
–Tchau!
–Tchau.
A jornalista voltou a sua mesa. Sarah perguntou:
–Quem era?
–Você sabe quem.
–Ah tá. - e riu
–Não se preocupe, ainda vou querer carona para casa.
E as amigas prosseguiram com o trabalho.
Marc treinava com Rafael e o Sensei. Ele aproveitou um intervalo para ligar para Amélia.
–Ligou para quem, Marc?
–Para “quem você não vai acreditar que eu reencontrei”.
–Amélia? - se meteu o Sensei
–Ela mesma!
Rafael fez uma careta de “eu não acredito”. O Sensei abriu um enorme sorriso. O treino durou mais algumas horas. Marc tomou uma ducha e foi para casa se trocar para poder buscar Amélia.
As amigas saíram do expediente e voltaram ao apartamento. Amélia se arrumou caprichadamente e ficou ansiosa esperando.
Meia hora depois o lutador ligou e disse que chegara. A garota se despediu da amiga, cheirou suas flores e desceu.
Marc a aguardava com um sorriso no rosto. Se cumprimentaram com um beijo.
–Eu não acredito que você ainda tem isso. - disse se referindo ao colar com pingente de luvas
–Ele é da sorte!
Entraram no carro.
–Para onde vamos?
–Vai reencontrar alguém que não vê há anos.
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