sexta-feira, 28 de março de 2014

Capítulo 1 - Encontrei um diário

Em mais um dia, cheguei em casa, cansado do trabalho. Depois de tomar um banho, fui falar com minha mulher e filho. Fui ao nosso quarto e ambos dormiam. Minha mulher, Kazuko, parecia estar sonhando e não queria interromper. E meu filho é um bebê de três meses. Uma coisa que bebês precisam é dormir.
Decidi esperar os dois acordarem. Ia sair do quarto, mas algo na escrivaninha me chamou atenção. Aproximei-me para ver o que era. Era um caderno, que mais parecia um diário. Ele estava com a capa para baixo, virei-o e estava escrito: O diário da escrava amada. O amada estava escrito com uma cor diferente do resto. E sabia de quem era aquela grafia, da minha esposa. Ela escreveu um diário e não me falou nada?
Folheei o caderno por alto e todas as suas páginas estavam preenchidas, até a última linha da última folha. Fiquei curioso para saber o que havia ali. Puxei a cadeira, me acomodei, abri o caderno e comecei a ler.

"Querido diário,
Eu sou Hirasawa Kazuko, tenho 17 anos. Bem, eu sou uma garota de classe baixa do meu mundo.
Todas as noites ia ao centro de escravos da cidade para ver se algum homem nos queria. Muitas das minhas amigas já eram escravas, desde seus 12 ou 13 anos. Por muita sorte, eu estava quase passando da idade. Tudo bem que eu nunca chamei tanta atenção.
E por consequência dessa "sorte", consegui terminar meus estudos normais e começaria a faculdade na semana seguinte. Quando completasse 18 anos, poderia viver em paz e livre!
Faltavam poucos meses para os dezoito, até que..."

Este diário é da minha mulher mesmo, pensei eu.
E acho que preciso explicar uma coisa, referente as "escravas" (e até "escravos").
As pessoas de classe alta, como eu, gostam de ter pessoas jovens da classe baixa como escravos sexuais. Isto é consequência de uma guerra entre as classes. Para os pobres não serem aniquilados, fez-se esse acordo: pessoas de classe baixa, de 10 a 18 anos podem ser escolhidas como escravos dos ricos. Depois dos 18, estão livres.
Isto é feito para que alguns casais evitem filhos ou até os tenham, dependendo do caso.
A partir do momento que se compra um, ele é seu até um dos dois morrer ou dono libertá-lo de bom grado.
Continuando...

"...até que em mais uma noite, apareceu alguém que se interessou por mim. Logo nessa época, não podia ser melhor.
É um homem que tem seus vinte e poucos anos, cabelos negros compridos e olhos cor-de-mel. Pois é, ele me olhou enquanto dançava e me comprou. Agora estou no quarto, na casa dele, que foi designado a mim.
Comprei este diário em um dos meus últimos momentos de liberdade e vou contar tudo o que me acontecer aqui. Quem sabe fique para alguém no futuro.
Sabe, a minha mãe ficou muito triste por mim.
–Faltava tão pouco, por quê? - foi o que ela disse.
E parece que esse tal já quer fazer coisas comigo. Mandou eu tomar um banho e colocar uma camisola bonita. Só tem um problema: ainda sou virgem e não sei como contar a ele.
Estou com tanto medo!
Opa, a empregada me chamou! Tenho que ir!"

Espera. Eu me lembro deste dia. Ela foi ao meu quarto para a nossa primeira vez e me contou, tímida, que era virgem.
Um som me assustou, era ela acordando. Fechei o diário rápido e fui falar com ela.
Mas, eu fiquei curioso para ler o resto. Sei que não se deve fazer isso, perdoem-me! Até fico pensando se ela descobrir que eu li. Manterei isso escondido por enquanto.

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