sexta-feira, 28 de março de 2014

Capítulo 16 - Reconciliação

Após o jantar, eu, Kazuko e Takumi fomos para o quarto. Ela pôs ele para dormir e foi tomar um banho. Óbvio que era para ficar perfumada para mim. (risos)
Enquanto espero, por que não ler mais um pouco? Lá fui eu para a notação seguinte.

Querido diário,
ontem eu notei que a festa acabou logo. Acho que chateei mesmo Makoto.
Como hoje é domingo, Keiko não está aqui e Makoto sequer falou comigo, nem o vi. Minha barriga está roncando, estou com muita fome! Só não estou pior porque bebi água da pia, que é bem limpa por sinal.
Eu sonhei que morria trancada aqui e me tiravam só quando começou a dar cheiro. Acordei assustada e suando!
Chorei o dia todo e também não fiz nada de útil.
Estou com medo do que pode me acontecer. “Tempo indeterminado” não sai da minha cabeça.
Espero que a Keiko me ajude amanhã.”

Pois é, eu estava mesmo chateado com ela e nem queria olhar para a sua cara. Sei que é algo bem extremo, mas espero que entendam.
A porta do banheiro se abriu e minha esposa se jogou na cama e bem... Acho que já sabem.
No dia seguinte levei o diário para o trabalho, contudo nem tive tempo para ler. Somente em casa mesmo que parei no sofá e finalmente o abri.
Eram anotações da “prisão de Kazuko”. Keiko a alimentou, apesar das minhas ordens. (Ah, o bom senso!)
Passaram-se uns três dias assim no diário, com a mesma situação.
Foi Keiko que, cansada de ver tudo isso, resolveu tomar uma atitude.

Diário,
esqueci de lhe contar. Coloquei algo em sua capa, escrevi: O diário da escrava. É isso o que eu sou né? Com finalidade de servir aos ricos.
É o quinto dia do meu cárcere e graças a Keiko eu não morrerei de fome. Ela me traz todas as refeições, inclusive o jantar, só que um pouco mais cedo.
E hoje, durante o almoço, ela conversou comigo:
–Não era para eu fazer isso. Makoto me deu ordens explícitas.
–E por que fez, Keiko?
–Ora, não poderia te deixar morrer de fome. Eu me preocupo com você.
–Eu agradeço. Não sei o que seria de mim sem você.
–Você precisa, Kazuko, é se resolver com o Makoto. Ele ficou triste por sua causa e nem aproveitou o resto do aniversário dele. - ela passou a mão no meu cabelo – Eu sei que o que fez não foi para feri-lo diretamente, mas tem que pedir desculpas a ele.
–Como farei isso?
–Como eu entro aqui? - fez careta – Eu abro para você. E não se preocupe, ele vai te ouvir.”

Eu sabia que a Keiko estava desobedecendo-me, porém o meu bom senso deixou para lá por causa da Kazuko mesmo. Isto é bem do feitio da Keiko, o seu lado mais humano. (risos)

–E o que eu falo para ele?
–Ah, isso só você pode saber. Terá um tempo para pensar nisso.
Ela recolheu a mesa (sim, tem uma no meu quarto). Antes de sair, falou:
–Não esqueça de dar o presente de aniversário dele.
Passei o resto da tarde pensando sobre e como falar com ele.
Eu não montei nenhum discurso pronto, só arrumei as ideias na minha própria mente.
Já ouvi a voz do Makoto, ele já chegou. Logo a Keiko deve me chamar.
Deseje-me sorte, diário.”

Minha leitura foi interrompida pelo jantar. E sempre naquele clima agradável.
Logo Keiko foi para casa e Kazuko, eu e Takumi estávamos na sala. Kazuko via televisão e eu fui continuar a leitura da anotação seguinte.

Querido diário,
é de manhã agora e estou me sentindo bem. Eu fiz as pazes com o Makoto, porém foi uma situação bem complicada. Contarei!
Não tardou muito e Keiko me chamou. Peguei o presente e fui a caminho da sala, tomando o máximo de coragem que podia.
Keiko me acompanhara até lá, desejou-me boa sorte e voltou às suas tarefas.
–Makoto! - falei
Ele se virou, fez uma careta e reclamou:
–Ah... Keiko!
Aproximei-me dele e me ajoelhei a sua frente no sofá.
–Eu preciso falar com você, Makoto.
–E o que quer?! - ele indagou, impaciente
–Quero te pedir desculpas.- disse cabisbaixa, não conseguia olhar para ele – Eu estraguei o seu aniversário e te fiz passar vergonha diante de conhecidos.
Nesse momento, as lágrimas já escorriam de meus olhos e fora de controle. Prossegui:
–Eu sou uma idiota e a pior pessoa do mundo. Me desculpa!”

Lembro-me dessa voz chorosa dela. Realmente havia arrependimento e também medo. Ela não queria mais ficar trancafiada no quarto.

Eu mantive a cabeça baixa o tempo todo, por vergonha.
Makoto pegou meu queixo e levantou meu rosto. Olho fundo na minha faceta triste. Então, perguntou:
–Você tem ideia do problema que me causou?
Eu assenti.
–Por sorte, o meu chefe levou numa boa, porque ele sabe que sou um bom funcionário! Se não fosse, já estaria demitido e por sua causa, até com a reputação manchada!
Mais lágrimas caíram. Eu forcei minha cabeça para baixo.
–Kazuko, olha para mim. - ele chamou, num tom mais calmo.
–Perdoe-me, Makoto. - foi só o que me veio para falar – Eu sei que o que fiz foi errado e faço qualquer coisa para compensar meu erro.
Ele manteve-se calado. Então, recordei-me do presente.
–Ah, isso é pelo seu aniversário.- estiquei o pacote na direção dele – Parabéns... atrasado!
Ele pegou e abriu. Ele sorriu quando viu a gravata entendeu o motivo da blusa preta.
–Obrigado mesmo, Kazuko. - comentou, fazendo gesto para me abraçar
Ele me deu um abraço tão apertado, que por pouco não fico sem ar.”

A minha raiva já tinha passado. Foi bem mesmo pela hora que aconteceu. Com certeza, no lugar dela, teria feito algo parecido.
Não dá para manter este rancor por muito tempo quanto a pessoa que minha esposa é.
E os meus abraços apertados? Os faço até hoje e ela reclama também. (risos)

Eu entendi este abraço como um “desculpas aceitas” de Makoto. E era isso mesmo!
Depois disso tudo voltou ao normal. Ele me disse para ir ao quarto com ele, após o jantar. Acabamos fazendo. Duas vezes. Uma comigo no comando e a outra com ele.
Antes de dormirmos, prometi a ele:
–Makoto, eu prometo nunca mais fazer esse tipo de coisa e te causar problemas.
Makoto sorriu e comentou:
–Tudo bem. Mas no caso da Yoko, ela mereceu.
Rimos e adormecemos em seguida.
Estes dias trancada no quarto, fiquei sem tomar o meu remédio. Voltei a tomar hoje. Espero que nada me aconteça.
Até diário!”

Terminei de ler e soltei um bocejo. Fora um dia cansativo e só queria a cama.
–Caramba, amor, que sono é esse? - falou Kazuko rindo - E o que lia no diário?
–Quando você me pediu desculpas por ter me chateado no meu aniversário.
–Isso. Não sei realmente o que tinha na cabeça quando fiz aquilo.
–São coisas de momento, Kazuko. Somos levados pelo instinto e um forte sentimento e acabamos agindo sem pensar.
Ela desligou a TV e fomos para o quarto.
Tomamos banho juntos (com a porta aberta, caso Takumi chorasse) e depois nos rendemos aos braços de Morfeu. Afinal, eu estava cansado e tinha muito trabalho a fazer no dia seguinte.

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