sexta-feira, 28 de março de 2014

Capítulo 11 - Jantar na casa de Keiko

No dia seguinte, acordei bem cedo, pois estava sem sono. Peguei o diário de Kazuko e fui a outro cômodo, o meu escritório. Primeiro comi alguma coisa. Sem dúvida, todos acordariam tarde, teria tempo para ler bastante. E foi o que aconteceu. Eu li o tempo de quase duas semanas no diário. Os assuntos, eram os mesmo: Eu, Keiko e as leituras de Kazuko. Até a marcação do jantar na casa da Keiko. E era sobre este dia que eu leria agora. Dei uma espreguiçada e uma estalada nos ossos. Continuei da data do dia seguinte.

Olá diário,
Agora é manhã de uma sexta-feira. Está um dia lindo lá fora. Uma pena que não posso sair. Tudo bem que os prédios não compõem uma boa paisagem junto ao céu e nem do “meu lado da cidade” é assim. Sempre quis ir e ver um lugar com uma paisagem natural. Nada de cinza! Detesto cinza.
Lembra que eu disse ontem que jantaria na casa da Keiko? Pois é, fui assim que terminei de escrever aqui. Eu e Makoto descemos e fomos de carro. Keiko fora embora mais cedo para adiantar o jantar.
Ela morava próximo a casa do pai de Makoto. Digo, na região das casas, só que nas mais simples.
Keiko nos recebeu com aquele enorme sorriso e alegria que só ela tem. Apresentou-me a família dela: O marido Daisuke e os filhos Mio e Daiki. Em seguida, retornou a cozinha.
Ofereci-me para ajudá-la. Sabe o que ela respondeu?
–Nada disso! Aqui você é visita. Fique na sala com os outros.
O resto da casa não conteve a gargalhada. Sentei-me ao lado de Makoto e ficamos conversando. A filha de Keiko era a mais curiosa acerca de mim.
–Kazuko, você tem quantos anos?
–Tenho dezessete, Mio.
–Eu tenho 13. - e confessou – Não me imaginaria no seu lugar. Deve ser horrível ir ao centro de escravos todas as noites, não é?
–Horrível e traumatizante. Odeio aquele lugar! Ainda bem que não precisa fazer essas coisas, pode aproveitar sua vida.
–É... A minha liberdade também.”

Deixa eu explicar uma coisa. Por que a filha de Keiko não era oferecida como escrava, já que ela não é de classe alta como eu?
As pessoas que moram “do lado rico” da cidade, não precisam ser submetidas aos traumas de ser escravos. Isso porque eles já oferecem serviço aos ricos, de outra maneira. No caso de Keiko, trabalhando aqui em casa. Digamos que ela paga pelos filhos, junto com o marido.
Por conta de tudo isso, quem é empregada ou secretária, por exemplo, para alguém rico pode viver em paz e bem. Eles tem uma casa, filhos livres da escravidão sexual e um emprego. Quer coisa melhor que isso?
Essa é a diferença entre Kazuko e Mio. Ambas são de classe inferior, mas o fato de servir aos ricos dá direito ou não a liberdade.

Admito, senti inveja dela. Quem me dera poder ficar tranquila e aproveitar a adolescência. E fico feliz também. Não quero ninguém no meu lugar!
Mio não parava de me perguntar. “Como se sentia lá no centro de escravos?”, “Como se sentiu quando foi comprada?”. E pela minha localização, uma pergunta constrangedora.
–E você faz mesmo aquilo com o Makoto?
–Sim! - tive que ser sincera - Todo dia praticamente.
–E não dói? Você gosta?
Adolescentes! Tudo bem que eu ainda sou uma, mas nessa idade temos uma curiosidade tamanha.
–Eu já me acostumei. - parei um momento e pensei bem – Não sei que gosto...
Nesse momento, Makoto se movimentou e olhou para nós duas. Senti um nervoso subir na espinha. E agora? Dependendo da minha resposta poderia me acontecer algo ruim. Sempre deve-se ficar com o pé atrás.”
Eu fiz isso apenas para ver como ela reagiria. Como eu sou malvado! (risos)
Olhei pela janela e o Sol começara a aparecer. Breve, alguém acordaria. Imaginem o tempo que estou de pé, sendo que li o equivalente a duas semanas. Que insônia me deu!

Mio pediu para completar a resposta.
–Bem, é porque eu faço por obrigação.
A conversa correu com muitas outras perguntas vindas dela. Não reclamo porque esse não é o cotidiano dela, ela não é acostumada com isso.
Keiko arrumou a mesa e nos chamou para comer. O jantar era lasanha, que por sinal estava uma delícia.
–Poxa, Keiko. Por que nunca mais fez isso para mim? - disse Makoto
Comemos em clima agradável e muito divertido.”
Eu tinha esquecido essa lasanha maravilhosa da Keiko. Vou pedir para ela fazer essa semana.

Ao acabarmos de comer, Keiko recolheu a mesa com ajuda de Mio. Seu eu perguntasse de novo, ela diria quase a mesma coisa que antes.
Makoto iria trabalhar e tinha um julgamento no dia seguinte. Então, ele dormiria cedo. Tipo, cedo para ele é 11:30h.
Despedimo-nos logo e retornamos a casa de Makoto. Durante a viagem foi um silêncio mortal. Acho que ele estava com raiva de mim.”

Eu fiquei meio irritado pelos comentários de Kazuko para Mio. Principalmente pelo “por obrigação”. Era mais imaturo e não tinha o pensamento de hoje. Achei que ela estava reclamando de barriga cheia. Afinal, tratava ela tão mal assim? Eu era tão desagradável?
Um turbilhão de coisas surgiram na minha cabeça enquanto dirigia. Eu fiquei com raiva sim e estava errado quanto a isso.

Entramos e Makoto foi direto ao seu quarto. Eu sei que ele ia querer, como sempre, então falei:
–Vou tomar um banho e depois vou para o quarto, Makoto.
Respondeu-me friamente.
–Durma no seu quarto hoje.
Ele estava de costas, virei-o para vê-lo.
–Por quê?
–Você faz por obrigação. - a frieza se manteve com um pouco de raiva
Eu não aguentei. Passei minha mão por trás dele, abri a porta e o empurrei. Makoto caiu. Falei com toda a força que havia em mim.
–Sabe qual é a obrigação que tenho para com você? Te satisfazer! Comprou-me para isso, não foi?!
Makoto me olhou, completamente assustado. E gaguejou sua resposta:
–Fo... Fo... Foi.
–Vai para a cama agora então!”

Não tem como não ficar assustado. Aquilo foi tão de repente que me surpreendeu também. Nunca imaginei que ela faria aquilo.
Kazuko é bem tímida, porém quando precisa, sabe pôr as garras de fora.

Makoto foi caminhando e tirando as roupas. Se largou na cama. Bati a porta atrás de mim e fui em direção a ele. O que eu fiz? Ora, apliquei o que tem naquele livro, se é que me entende.
Makoto não se mexeu, apenas ficou deitado e eu realizei o trabalho sujo. Ele se mostrou bem cansado e satisfeito no final. Eu também fiquei cansada, tanto, mas tanto, que eu cai em cima do corpo dele e respirei forte.
Não evitou de comentar:
–Cansou foi? É culpa sua!
E riu. Filho da puta!
Nem respondi. Fiquei com a cabeça na curva do pescoço dele, cheirando seu cangote. Makoto mexia em meus cabelos enquanto recuperava o fôlego.
Uns minutos depois, levantei-me, pulei para o outro lado da cama e, friamente, falei.
–Boa noite, Makoto.
–Boa noite, Kazuko.
Virei-me e fiquei pensando no que acabara de fazer até pegar no sono.
No dia seguinte, Makoto me acordou e pediu para eu colocar minhas roupas. Fiz isso e esperei ele se arrumar sentado na cama.
Estava com uma coisa engasgada que resolvi soltar:
–Makoto, me desculpe por ontem. Eu te empurrei e fui mal-educada com você.
Ele se aproximou e falou, ajoelhando-se à minha frente:
–Não tem problema. Eu também fiquei com raiva ontem e te tratei mal.
Eu sorri.
Depois fomos tomar café. E agora eu estou aqui.
Vou tomar um banho e ajudar Keiko.
Até logo!”

Da mesma forma que o sono se fora, ele voltara. Retornei ao quarto e acabei dormindo. Kazuko que me acordou, com aquele enorme sorriso dela.
A família toda comeu junta, naquele clima que só nós ficamos. Após o almoço, meu pai e minhas madrastas foram embora. Eu e minha esposa aproveitamos para brincar um pouco. No segundo sentido da palavra.
E aconteceu uma coisa engraçada.
Eu e Kazuko estávamos no quarto. Beijo aqui, amasso dali. Fui mexer um pouco nos seios dela, até aí, nada estranho. Só que eu apertei e veio um jato de leite certeiro no meu olho. Minha mulher só percebeu quando emiti o som de dor.
–Makoto, o que houve? - então ela viu – Ai, caramba.
–Tá ardendo... - e xinguei um palavrão
Imediatamente ela me acudiu e pegou lenços para limpar meus olhos. Não demorou muito e eu fui capaz de abrir os olhos de novo. Ela me olhou, meio preocupada. Quando viu que eu estava bem, se acalmou.
Não segurei e comecei a gargalhar, me lembrando do que acabara de acontecer. Kazuko riu junto comigo.

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